Seguem interminavelmente os dias e as noites...
Na maioria das vezes, sem que eu nem perceba a aceleração do tempo.
Parece que foi ontem...
A lembrança dos tempos de escola primária, ainda é muito viva.
Me surpreendo olhando fotografias
daquele tempo
e reconhecendo pelo nome alguns companheiros...
Como se a roda do tempo, no seu incansável movimento,
já não tivesse dado mais sessenta e quatro voltas...
A foto está um tanto desbotada, estaria eu também desbotando?
Ah! Os cabelos sim, os poucos fios que ainda restam
Desbotaram, embranqueceram...
Mas éramos tão jovens...
Como pode o tempo passar tão rápido?
Será que só eu, como a Carolina do Chico, não vi?
Fico me perguntando: o que é ser Jovem? }
Não sou mais?
Tenho que confessar:
Acho ótimo ser e me sentir jovem, cada vez mais, há mais tempo...
Tenho que confessar, há coisas que não faço mais.
Embora ainda tenha vontade de fazer...
Mas agora, correr tornou-se um pouco difícil...
Mas aquela sensação de tocar a campainha
e sair em disparada... Ah!!!
O mundo cobra posturas,
falam de maturi-dade, serie-dade...
Mas isso, tem para mim, um jeito de uma outra “dade”
Uma “dade” que me assusta: a infelici-dade!
Não, não quero, não admito e não vou!
Na medida das minhas forças,
Não vou sucumbir a estas banali-dades...
Uma outra “ dade”? Chega!
Mas se a vida parece me cobrar tristeza,
Vou responder com alegria!
Quando me impuser sofrimentos,
Vou devolver gratidão!
Meus sonhos Minhas utopias! Meus valores!
Não vou permitir que os meus sonhos,
aparentemente derrotados, neste momento sombrio
que esta nossa linda casa comum atravessa,
sucumbam às velhas lembranças.
A história é cíclica, ela sempre segue a mecânica do dia:
Amanhece, entardece e na noite morre,
Para renascer a cada manhã.
Duvidam?
Plantem uma semente...
Ela germina, cresce, floresce, dá frutos,
que quando caem, parecem morrer, apodrecem!
Mas logo renascem, germinam em uma nova vida.
Serão sonhos até que despertem
Diz o poeta que sonhos, não envelhecem...
Eu confio nele!
Volto à antiga fotografia,
Comparo aquele tempo com o meu agora,
Urge despertar para a realidade.
A esperança, teimosa e insistente.
A Fé ja bem machucada, ainda resiste.
Porque então, não festejar?
Já não importam as dores nas costas,
o joelho que reclama,
os caminhos que insistem em parecer mais longos...
Nada! Nenhuma destas armadilhas vai me impedir de ser grato.
Gratidão é o meu mantra.
Tenho algumas decisões e mudanças para fazer, e farei.
Recuperar a simplicidade, investir um pouco mais na espiritualidade.
Reservar mais tempo para ficar em silêncio e,
poder ouvir os conselhos e o que diz o próprio Deus.
Conversar com ele, me tornar mais íntimo...
Descubro que estou falando de recuperara fé...
Ela, a fé, e sua companheira, a esperança,
teimosa e insistente, me diz:
Não esqueça, o rio só para de correr, se o represarem,
Seu fluxo é continuo, lento e uniforme.
Não caia na sedução de apressá-lo, muito menos detê-lo.
Veja como contorna obstáculos,
Como insistentemente molda e suaviza as arestas,
Do que tenta lhe impedir a passagem.
Ele sempre corre sozinho, jamais perde a esperança,
ele mais do que crer,
Sabe que seu destino é a imensidão do mar.
Tal como a vida.
Que eu continue a agradecer esse fluir de energia, que há
74 primaveras, me presenteia sempre com um novo, simples e desafiante marulhar
cotidiano.
O grande segredo da VIDA é ser como um Rio, que incessantemente flui.
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