Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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19 de dezembro de 2015

É preciso parar esta onda que espalha mau humor e ódio !

J. Ricardo A. de Oliveira


Hoje no supermercado eu no caixa vi uma cena que me deu o que pensar.
Uma senhora perguntou a um senhor se aquela fila era a fila dos idosos. 
Ele olhou-a de alto a baixo e mandou: 
Porque, tá querendo entrar aqui? Vê se toma vergonha que você é muito nova.
A senhora visivelmente envergonhada olhou para ele e disse: 
Senhor eu só fiz uma pergunta.
E de volta ele vociferou:
É se colar colou , né ?
Ela educadamente respondeu: 
Eu tenho sessenta e dois anos tenho direito a entrar nesta fila, não entrei na sua frente, só perguntei...
E Ele:
Que sessenta o escambau que você não tem cara de sessenta. Novinha querendo passar a perna nos outros
.

 A essa altura a senhora já tinha ido para uma outra fila mais distante, mas isso não impediu que as pessoas ao redor do tal velho continuassem a falar absurdos. A senhora já transformada em “aquela zinha”, ou “a espertinha” e outros absurdos até lógico chegar nas críticas ao governo, à presidente e tudo o que temos visto e ouvido no nosso dia a dia.
Lembrei de que ainda nesta semana que passou presenciei esse tipo de discussão com certa frequência na rua e até mesmo uma briga, entre duas mulheres que rolavam no chão até um ambulante, vendedor de empadas, resolver interferir, e mesmo levando uns tapas de ambas, conseguiu separar aquela cena grotesca. Vi gente brigando e aos palavrões impedir o transito em plena Praça Saens Peña. Parece que todos estão com os nervos à flor da pele.

Percebo que a semente que vem sendo lançada há alguns anos parece que começa a germinar. São anos e anos de noticiários despejando desgraças, e coisas desagradáveis diariamente, notícias sobre escândalos, roubalheira. É como se houvesse uma programação para incutir na cabeça das pessoas que não temos saída, que tudo vai muito mal. Que não devemos acreditar que podemos ter dias felizes e que vivemos em um lugar maravilhoso invejado por todo mundo.



Toda essa situação de ódio, revolta parece atender a uma programação.  Sempre fomos um povo cordato, hospitaleiro, que gosta de festa, de futebol e extremamente alegre. A Alegria sempre foi a marca dos brasileiros, sempre sorridentes e que em qualquer lugar fazem a diferença quando em grupo. Fico com a impressão de que estamos perdendo esta característica. O que venho percebendo nas ruas é um ódio crescente, um constante mal humor, como se os todos estivessem prontos para explodir. Ainda outro dia, andando pela rua esbarrei de leve em uma senhora e já estava me virando e dizendo “me perdoe senhora”, mas não deu tempo. A reação dela foi de aos berros dizer: seu idiota não olha por onde anda sua cavalgadura? 

Não sei, ou não quero acreditar que saiba, a quem interessa este estado de coisas. A Única coisa que sei é que precisamos mudar esta situação. É urgente voltar ao estado de ânimo que tínhamos, à alegria de viver, a àquele espírito característico que provocava nos estrangeiros o comentário: “são brasileiros”, como se isso explicasse tudo.

Tenho muitos amigos virtuais e em sua maioria são professores, terapeutas, sacerdotes católicos ou protestantes, dirigentes espíritas e de cultos afro. Gente que fala ao povo, que tem um espaço para fazer alertas e esclarecer. Penso que eles poderiam ajudar na conscientização das pessoas. Serem anunciadores da necessidade de olharmos o mundo com olhos mais compassivos e alegres. Acredito que poderiam dedicar uma parte de suas falas à restauração do bom humor, da esperança e do sonho. A alegria, como aliás o Papa Francisco tem alertado, é fundamental para a vida, para a saúde e para a construção de um mundo melhor.
 Façamos então todos nós uma cruzada contra o mau humor, vãos rejeitar toda essa campanha de más notícias, de notícias de desgraças, vamos parar de falar de desgraças,
Vamos investir em dias melhores, em sonhos que abandonamos e projetos que deixamos de acreditar. Vamos juntos construir um mundo novo acreditando que um outro mundo é possível.

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