O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

4 de agosto de 2014

PAPA FRANCISCO: ENCONTRO COM BISPOS, SACERDOTES E SEMINARISTAS

Em alguns trechos da entrevista o papa Francisco mais uma vez nos surpreende por sua simplicidade, por sua maneira profundamente humana e direta que nos leva a uma grande reflexão no que se refere ao que é  ser cristão.
Os diversos grifos no texto são meus.




1 - A UNIDADE ENTRE OS BISPOS

No último sábado, 26 de julho, o Papa Francisco realizou uma visita pastoral à cidade de Caserta, sul da Itália. Antes da Missa celebrada às 18h15min, o Bispo de Roma teve um "encontro familiar" com sacerdotes e seminaristas daquela diocese, ocasião em que lhe foram feitas várias perguntas, alguns questionamentos feitos ao Papa Francisco:

O Vigário Geral de Caserta, Pe. Pasquariello, após expor um problema de limites físicos na diocese, perguntou ao Papa Francisco "Quando os bispos chegam a um acordo?"

PERGUNTA (Pe. Pasquariello, Vigário Geral de Caserta): Santidade, o bem que o senhor está trazendo à Igreja Católica com suas homilias diárias, os documentos oficiais - especialmente a Evangelii Gaudium -, baseiam-se, sobretudo, na conversão espiritual, interior, pessoal. É uma reforma que diz respeito - no meu modesto parecer - somente à esfera da teologia, da exegese bíblica e da filosofia. Junto a esta conversão pessoal - que é essencial para a salvação eterna -, penso que seria útil algum pronunciamento, de Vossa Santidade, que possa envolver maiormente o povo de Deus, enquanto povo. Me explico: a nossa Diocese, há 900 anos, tem limites absurdos. Alguns territórios municipais são divididos pela metade com a Diocese de Capua e a de Acerra. Até mesmo a estação da cidade de Caserta, distante menos de 1 quilômetro do município, pertence à Capua. Por este motívo, Santo Padre, peço a sua intervenção para que as nossas comunidades não tenham mais que sofrer devido aos deslocamentos inúteis e não seja mortificada ulteriormente a unidade pastoral dos nossos fiéis. É claro, Santidade, que no n. 10 da Evangelii Gaudium, o senhor diz que estas coisas pertencem ao episcopado. Porém, eu recordo que desde que eu era um jovem sacerdote, há 47 anos , estivemos com Mons. Roberti, que trabalhava na Secretaria de Estado e ele disse que deveríamos chegar a um acordo com os bispos e depois ele assinaria. E isto é uma coisa bonita. Mas, quando os bispos se colocam de acordo?
Papa Francisco: "Alguns historiadores dizem que em alguns dos primeiros Concílios, os Bispos partiam prá briga, mas depois chegavam a um acordo. E isto é um mau sinal. É ruim quando os Bispos falam mal uns dos outros, ou fazem acordos. Não falo em ter unidade de pensamento ou unidade espiritual, porque isto é bom. Falo de acordos no sentido negativo da palavra. Isto é ruim pois rompe justamente a unidade da Igreja. Isto não é de Deus. E nós, Bispos, devemos dar o exemplo da unidade que Jesus pediu ao Pai para a Igreja. Mas não se pode ficar murmurando um doo outro: "E este faz assim e aquele outro faz daquele jeito". Mas, deve dizê-lo na cara! Os nossos antepassados nos primeiros Concílio chegavam às "vias de fato". Eu já prefiro que sejam gritadas quatro coisas, daquelas forte, e depois se abracem e não que fiquem falando escondido um contra o outro. Isto, como princípio geral, ou seja: na unidade da Igreja é importante a unidade entre os Bispos. Após, o senhor sublinhou um caminho que o Senhor desejou para a sua Igreja. E esta unidade entre os bispos é aquela que favorece o colocar-se em acordo sobre isto ou aquilo. Em um país - não na Itália, mas em outro lugar -, existia uma Diocese cujos limites foram refeitos, mas devido à localização do tesouro da catedral, ficaram em litígio nos tribunais por mais de 40 anos. Por dinheiro: isto não se entende! É aqui que o diabo festeja! É aqui que ele ganha. Depois, é bonito que o senhor diga que os Bispos devem sempre estar de acordo: mas de acordo na unidade, não na uniformidade. Cada um tem o seu carisma, cada um tem o seu modo de pensar, de ver as coisas: esta variedade, às vezes é fruto de erros, mas tantas vezes é fruto do mesmo Espírito. O Espírito Santo quis que na Igreja existisse esta variedade de carismas. O mesmo Espírito que faz a diversidade, depois consegue fazer a unidade; uma unidade na diversidade de cada um, sem que ninguém perca a própria personalidade. Mas, eu desejo que aquilo que o senhor disse vá em frente. E depois, todos somos bons, porque temos a água do Batismo, todos, temos o Espírito Santo dentro que nos ajuda a seguir em frente".

2 - SOBRE A PIEDADE POPULAR

"Santidade, na Exortação Apostólica 'Evangelii Gaudium' o senhor convidou a encorajar e reforçar a piedade popular, como precioso tesouro da Igreja Católica. Ao mesmo tempo, porém, mostrou o risco - infelizmente sempre mais real - da difusão de um cristianismo individual e sentimental, atento mais às formas tradicionais e à revelação, privado dos aspectos fundamentais da fé e privado de incidência na vida social. Qual sugestão poderias nos dar para uma pastoral que, sem mortificar a piedade popular, possa relançar o primado do Evangelho? Obrigado Santidade" (Padre Angelo Piscopo, Pároco de São Pedro Apóstolo e de São Pedro em Cátedra):

Papa Francisco: "Se ouve dizer que este é um tempo onde a religiosidade foi para baixo, mas eu não acredito muito nisto. Porque existem correntes, estas escolas de religiosidade intimista, tipo os gnósticos, que fazem uma pastoral parecida com uma oração pré-cristã, uma oração pré-bíblica, uma oração gnóstica, e o gnosticismo entrou na Igreja nestes grupos de piedade intimista: eu chamo isto de intimismo. O intimismo não faz bem, é uma coisa para mim, estou tranquilo, me sinto pleno de Deus. É um pouco - não é a mesma coisa - mas é um pouco o caminho da New Age. Existe religiosidade, sim, mas uma religiosidade pagã, ou até mesmo herética; não devemos ter medo de pronunciar esta palavra, porque o gnosticismo é uma heresia, foi a primeira heresia na Igreja. Quando falo da religiosidade, falo daquele tesouro de piedade, com tantos valores, que o grande Paulo VI descreveu na 'Evangelii Nuntiandi'. Pensem numa coisa: o Documento de Aparecida - que foi o documento da V Conferência do Episcopado Latino-americano - para fazer uma síntese no fim do documento, no penúltimo parágrafo - os outros dois eram de agradecimento e de oração -, teve que retroceder 40 anos e pegar um trecho da 'Evangelii Nuntiandi', que é um documento pastoral pós-Conciliar não ainda superado. É de uma atualidade enorme. Naquele documento, Paulo VI descreve a piedade popular, afirmando que ela, algumas vezes, deve ser ainda evangelizada. Sim, porque como toda piedade, existe o risco de ir um pouco de um lado, um pouco para outro ou de não ter uma expressão de fé forte. Mas a piedade que as pessoas tem, a piedade que entra no coração com o Batismo é uma força enorme, a tal ponto que o povo de Deus que tem esta piedade, no seu conjunto, não pode errar, é infalível acreditando: assim diz a 'Lumen Gentium' N. 12. A piedade popular verdadeira nasce daquele 'sensus fidei' de que fala este documento conciliar e guia a devoção dos Santos, de Nossa Senhora, também com expressões folclorísticas, no bom sentido da palavra. Por isto a piedade popular é fundamentalmente inculturada, não pode ser uma piedade popular de laboratório, mas nasce sempre a partir da nossa vida. Mesmo se cometem pequenos erros - por isto é necessário vigiar - , a religiosidade popular é um instrumento de evangelização. Pensemos aos jovens de hoje. Os jovens - ao menos a experiência que eu tive na outra Diocese - os jovens, os movimentos juvenis em Buenos Aires não funcionavam. Por que? Se dizia a eles: façamos uma reunião para falar.... e no final os jovens se chateavam. Mas quando os párocos encontraram o caminho para envolver os jovens em pequenas missões, fazer missão nas férias, a catequese para o povo que tem necessidade dela, nas cidadezinhas que não tem padre, então sim, havia uma boa adesão. Os jovens, na verdade, querem este protagonismo missionário e aprendem daqui e viver uma forma de piedade que se pode também dizer, popular: o apostolado missionário dos jovens tem alguma coisa da piedade popular. A piedade popular é ativa, é um sentido de fé - dizia Paulo VI - profundo, que somente os simples e os humildes tem capacidade de ter. E isto é grandioso! Nos Santuários, por exemplo, se vêem milagres! Em todo 27 de julho íamos ao Santuário de São Pantaleão, em Buenos Aires e eu confessava pela manhã. Mas, eu voltava novo daquela experiência, voltava envergonhado da santidade que encontrava nas pessoas simples, pecadoras mas santas, porque diziam os próprios pecados e depois contavam como viviam, como era o problema do filho ou da filha, ou deste ou daquele e como iam visitar os doentes. Transparecia um sentido evangélico. Nos Santuários se encontra destas coisas. Os confessionários dos Santuários são um local de renovação para nós sacerdotes e bispos; são um curso de atualização espiritual, devido ao contato com a piedade popular. E os fiéis quando vem confessar te contam as suas misérias, mas você vê por trás daquelas misérias a graça de Deus que os conduz àquele momento. este contato com o povo de Deus que reza, que é peregrino, que manifesta a sua fé nesta forma de piedade, nos ajuda tanto na nossa vida sacerdotal".

3 - O PERFIL DO SACERDOTE DO TERCEIRO MILÊNIO

"Um homem de criatividade, que segue o mandamento de Deus - "criar as coisas" -; um homem de transcendência, quer com Deus na oração, quer com os outros, sempre; um homem de proximidade, que se aproxima das pessoas".

Pergunta: Se me permite chamar-lhe de padre Francisco, mesmo porque a paternidade implica, inevitavelmente uma santidade, quando é autêntica. Como aluno dos Padres Jesuítas aos quais devo a minha formação, cultural e sacerdotal, primeiro falo sobre uma impressão pessoal e após, uma pergunta dirigida ao senhor, em particular. O perfil do padre do terceiro milênio: equilíbrio humano e espiritual; consciência missionária; abertura dialógica com outras fés, religiosas ou não. Por que isto? O senhor certamente está operando uma revolução copernicana pela linguagem, estilo de vida, comportamento e testemunho sobre temas que dizem respeito mais a nível mundial, mas também em relação aos ateus e aos afastados da Igreja cristã-católica. A pergunta que lhe faço: como é possível nesta sociedade, com uma Igreja que se espera cresça e desenvolva, nesta sociedade que vive uma evolução dinâmica e conflitual e muito frequentemente afastada dos valores do Evangelho de Cristo, nós somos uma Igreja muito frequentemente atrasada. A sua revolução linguistica, semântica, cultural, de testemunho evangélico, está suscitando nas consciências certamente uma crise existencial para nós sacerdotes. Que caminhos - imaginativos e criativos - o senhor sugere a nós, para superar, ou pelo menor atenuar, esta crise que nós sentimos?

Papa Francisco: Como é possível, com a Igreja crescendo e se desenvolvendo, seguir em frente? Você dizia algumas coisas: equilíbrio, abertura dialógica...Mas, como é possível prosseguir? Você disse uma palavra que me agrada tanto: é uma palavra divina, se é humana é porque é um dom de Deus: criatividade. É o mandamento que Deus deu à Abraão: "Vai e faça crescer a Terra. Seja criativo". É também o mandamento que Jesus deu aos seus, mediante o Espírito Santo, por exemplo a criatividade da primeira Igreja nas relações com o judaísmo: Paulo foi um criativo; Pedro, naquele dia, foi ter com Cornélio, tinha medo dele, pois estava fazendo uma coisa nova, criativa. Mas ele foi lá. Criatividade é a palavra. E como se pode encontrar esta criatividade? Antes de tudo - e esta é a condição se nós quisermos ser criativos no Espírito, isto é, no Espírito do Senhor Jesus - não existe outro caminho senão a oração. Um bispo que não reza, um padre que não reza, fechou a porta, fechou o caminho da criatividade. É justamente na oração, quando o Espírito te faz sentir uma coisa, vem o diabo e te faz sentir outra; mas a oração é a condição para seguir em frente. Mesmo se a oração muitas vezes possa parecer chata. A oração é tão importante. Não somente a oração do Ofício Divino, mas a Liturgia da Missa, tranquila, bem feita com devoção, a oração pessoal com o Senhor. Se nós não rezamos, seremos talvez bons empreendedores pastorais e espirituais, mas a Igreja sem oração se torna uma ONG, não tem aquele 'unctio Spiritu Sancti'. A oração é o primeiro passo, porque é abrir-se ao Senhor para poder abrir-se aos outros. É o Senhor que diz: "Vai lá, vem aqui, faz isto...", suscita em você aquela criatividade que a muitos santos custou tanto. Pensem no Beato Antonio Rosmini, aquele que escreveu 'As cinco chagas da Igreja', , foi um crítico criativo, porque rezava. Escreveu aquilo que o Espírito lhe inspirou, por isto foi enviado ao cárcere espiritual, isto é, na sua casa: não podia falar, não podia ensinar, não podia escrever, os seus livros estavam no Index. Hoje é Beato! Tantas vezes a criatividade te leva à Cruz. Mas quando vem da oração, dá frutos. Não a criatividade um pouco, "a 'sans façon' e revolucionária, porque hoje está na moda ser revolucionário; não, isto não é do Espírito. Mas quando a criatividade vem do Espírito e nasce na oração, pode te trazer alguns problemas. A criatividade que vem da oração tem uma dimensão antropológica de transcendência, porque mediante a oração tu te abres à transcendência de Deus. Mas existe também a outra transcendência: abrir-se aos outros, ao próximo. Não precisa ser uma Igreja fechada em si mesma, que olha o próprio umbigo, uma Igreja auto-referencial, que olha a si mesma e não é capaz de transcender. É importante a transcendência dupla: para Deus e para o próximo. Sair de si não é uma aventura, é um caminho, é o caminho que Deus indicou aos homens, ao povo desde o primeiro momento quando disse a Abraão: "Sai da tua terra". Sair de si. E quando eu saio de mim encontro Deus e encontro os outros. E como encontro os outos? De longe ou de perto? Precisa encontrá-los de perto, a proximidade. Criatividade, transcendência, proximidade. Proximidade é uma palavra chave: ser próximo. Não assustar-se com nada. Estar próximos. O homem de Deus não se apavora. O próprio Paulo quando viu tantos ídolos em Atenas não se assustou, disse àquelas pessoas: "Vocês são religiosos, tantos ídolos ... mas, eu, vos falarei de um outro". Não se assustou e se aproximou deles, também citou os seus poetas: "Como dizem os vossos poetas...". Trata-se de proximidade a uma cultura, proximidade às pessoas, ao seu modo de pensar, às suas dores, aos seus resentimentos. Tantas vezes esta proximidade é justamente uma penitência, pois devemos ouvir coisas chatas, coisas ofensivas. Há dois anos, um sacerdote que foi fazer missão na Argentina - era da Diocese de Buenos Aires e foi à uma Diocese do sul, em uma região onde há anos não havia sacerdote, e haviam chegado os evangélicos - me contou que foi na casa de uma senhora que foi professora do povo da região e depois diretora de uma escola da cidade. Esta senhora o fez sentar e começou a insultá-lo, não com palavrões, mas insultá-lo com força: "Vocês nos abandonaram, nos deixaram sozinhos, e eu que tenho necessidade da Palavra de Deus tive que ir ao culto protestante e me converti ao protestantismo". Este sacerdote jovem, que é muito humilde, reza, quando a senhora acabou 'a catarata' (ndr - o desabafo), disse: "Senhora, somente uma palavra: perdão. Perdoe-nos. Perdoe-nos. Abandonamos o rebanho". E o tom daquela senhora mudou. Todavia permaneceu protestante e o sacerdote não entrou na questão sobre qual fosse a verdadeira religião: "Padre, queres um café?". "Sim, tomemos um café". E quando o sacerdote estava para sair, disse: "Pare Padre, venha!", e o levou até o quarto, abriu o armário e havia uma imagem de Nossa Senhora: "O senhor deve saber que eu nunca a abandonei. A escondi por causa do Pastor, mas ela está aqui em casa!". É uma história que ensina como a proximidade, a brandura, fizeram com que esta senhora se reconciliasse com a Igreja, pois havia se sentido abandonada por ela. E eu fiz uma pergunta que não se deve fazer nunca: "E depois, como acabou? Como acabaram as coisas?". Mas o Padre me corrigiu: "Ah, não, eu não pedi nada: ela continua a ir ao culto protestante, mas se percebe que é uma mulher que reza. Que faça o Senhor Jesus". E não foi além, não convidou para que retornasse à Igreja Católica. É aquela proximidade prudente, que sabe até onde se deve ir. Mas, proximidade significa também diálogo; é necessário ler na 'Ecclesiam Suam', a doutrina sobre o diálogo, depois repetida por outros Papas. O diálogo é tão importante, mas para dialogar são necessárias duas coisas: a própria identidade como ponto de partida e a empatia com os outros. Se eu não estou seguro quanto à minha identidade e vou dialogar, acabo mudando a minha fé. Não se pode dialogar senão partindo da própria identidade, e a empatia, isto é, não sair condenando. Cada homem, cada mulher, tem alguma coisa para nos dar; cada homem, cada mulher, tem a própria história, a própria situação e devemos escutá-la. Após, a prudência do Espírito Santo nos dirá como responder a eles. Partir da própria identidade para dialogar, mas o diálogo, não é fazer apologética, mesmo se algumas vezes deva ser feita, quando não são colocadas questões que exigem uma explicação. O diálogo é coisa humana, são os corações, as almas que dialogam, e isto é tão importante. Não ter medo de dialogar com ninguém. Se dizia de um santo, um pouco na brincadeira - não recordo, mas talvez fosse São Felipe Neri, mas não estou certo disto - que era capaz de dialogar também com o diabo. Por que? Porque tinha aquela liberdade de escutar todas as pessoas, mas partindo da própria identidade. Era tão seguro, mas ser seguro da própria identidade não significa fazer proselitismo. O proselitismo é uma armadilha, que também Jesus um pouco condena, 'en passant', quando fala aos fariseus e saduceus: "Vocês que fazem o giro do mundo para encontrar um prosélito e depois se recordam disto...". Mas, é uma armadilha. E o Papa Bento tem um expressão muito bonita, a disse em Aparecida, mas acredito que a tenha repetido em outro lugar: "A Igreja cresce não por proselitismo, mas por atração". E o que é a atração? É esta empatia humana que depois é guiada pelo Espírito Santo. Assim, como será o perfil do sacerdote deste século assim secularizado? Um homem de criatividade, que segue o mandamento de Deus - "criar as coisas" -; um homem de transcendência, quer com Deus na oração, quer com os outros, sempre; um homem de proximidade, que se aproxima das pessoas. Afastar as pessoas não é sacerdotal e deste comportamento as pessoas, às vezes, se cansam. Mas quem acolhe as pessoas e está próximo a elas, dialoga com elas, está seguro da própria identidade, que o impele a ter o coração aberto à empatia. Isto é o que me veio de dizer a você, para responder à sua pergunta".


- A ESPIRITUALIDADE DO SACERDOTE DIOCESANO

"Mas, você é um homem, portanto, se tens alguma coisa contra o Bispo, vá e diga a ele. Mas depois terá suas consequências não muito boas. Levarás a cruz, mas seja homem!"

PERGUNTA: Caríssimo Padre, a minha pergunta diz respeito ao lugar onde nós vivemos: a Diocese, com os nossos bispos, as relações com os nossos irmãos. Pergunto ao senhor: este momento histórico que nós estamos vivendo traz consigo expectativas em relação a nós, presbíteros, isto é, de um testemunho claro, aberto, alegre - como o senhor está nos convidando - justamente aberto à novidade do Espírito Santo. Qual poderia ser, na sua opinião, justo no específico, o fundamento de uma espiritualidade do sacerdote diocesano? Tenho presente ter lido em algum lugar, que o senhor dizia: "O sacerdote não é um contemplativo". Mas antes, não era assim. Portanto, se o senhor pudesse nos apresentar um ícone a ter presente para o renascimento, para o crescimento da comunhão da nossa Diocese. E sobretudo, me interessa saber como podemos ser fiéis, hoje, aos homens tanto quanto a Deus:

PAPA FRANCISCO: "Você falou na 'novidade do Espírito Santo'. É verdade. Mas Deus é o Deus das surpresas, sempre nos surpreende, sempre, sempre. Lemos o Evangelho e descobrimos uma surpresa após outra. Jesus nos surpreende porque chega antes de nós: Ele nos espera primeiro, nos ama primeiro. Quando nós o buscamos, Ele já está nos procurando. Como disse o Profeta Jeremias, ou Isaías, não recordo bem: Deus é como a flor da amendoeira, floresce por primeiro na primavera. É o primeiro, sempre a primeiro, sempre nos espera. E esta é a surpresa. Tantas vezes nós buscamos Deus aqui e Ele está lá. E, passamos à espiritualidade do clero diocesano. Padre contemplativo, mas não alguém que está na Cartuxa, não entendo esta contemplação. O sacerdote deve ter uma 'contemplatividade', uma capacidade de contemplação para com Deus e também para com os homens. É um homem que olha, que enche os seus olhos e o seu coração com esta contemplação: com o Evangelho diante de Deus e com os problemas humanos diante dos homens. Neste sentido deve ser um contemplativo. Não é necessário fazer confusão: o monge é outra coisa. Mas onde está o centro da espiritualidade do clero diocesano? Eu diria que está na 'diocesanidade'. É ter a capacidade de abrir-se à 'diocesanidade'.

A espiritualidade de um religioso, por exemplo, é a capacidade de abrir-se a Deus e aos outros na comunidade: seja a menor, seja a maior da congregação. Ao contrário, a espiritualidade do sacerdote diocesano é abrir-se à diocesanidade. E vocês religiosos que trabalham na paróquia devem fazer as duas coisas, por isto o dicastério dos Bispos e o dicastério da Vida Consagrada estão trabalhando em uma nova versão da 'Mutuae relationes', porque o religioso tem as duas pertenças. Mas voltemos à diocesanidade: o que significa? Significa ter uma relação com o Bispo e ter uma relação com os outros sacerdotes. A relação com o Bispo é importante, é necessária. Um sacerdote diocesano não pode ser separado do Bispo. "Mas, o Bispo não me quer bem, o Bispo aqui, o Bispo alí...": O Bispo talvez poderá ser um homem com um caráter difícil: mas é o teu Bispo. E tu deves encontrar, também naquele comportamento não-positivo, um caminho para manter a relação com ele. Isto, no entanto, é a exceção. Eu sou padre diocesano porque tenho uma relação com o Bispo, uma relação necessária. É muito significativo quando no rito de ordenação se faz o voto de obediência ao Bispo. "Eu prometo obediência a ti e aos teus sucessores". Diocesanidade significa uma relação com o Bispo que deve agir e fazer crescer continuamente. Na maior parte dos casos não é um problema catastrófico, mas uma realidade normal. Em segundo lugar a diocesanidade comporta uma relação com os outros sacerdotes, com todo o presbitério. Não existe espiritualidade do padre diocesano sem estas duas relações: com o bispo e com o presbítero. E são necessárias. "Eu, sim, com o Bispo vai tudo bem, mas nas reuniões do clero não vou porque dizem bobagens". Mas com este comportamente vai ter fazer falta alguma coisa: não tens aquela verdadeira espiritualidade do padre diocesano.
Tudo está nisto: é simples, mas ao mesmo tempo não é fácil. Não é fácil, porque colocar-se de acordo com o Bispo não é sempre fácil, pois um pensa de uma maneira e outro de outra, mas se pode discutir....e se discute! E se pode fazer a alta voz? Se faça! Quantas vezes um filho com o seu pai discute e no final permanecem sempre pai e filho. Todavia, quando nestas duas relações, quer com o Bispo quer com o presbítero, entra a diplomacia, não tem o Espírito do Senhor, porque falta o espírito de liberdade. É necessário ter a coragem de dizer "Eu não penso assim, penso diferente", e também a humildade de aceitar uma correção. É muito importante. 

E qual é o maior inimigo destas duas relações? As fofocas, as murmurações. Tantas vezes penso - porque também eu tenho esta tentação de murmurar, a temos dentro, o diabo sabe que esta semente lhe dá frutos e a semeia bem - eu penso se não é uma consequência de uma vida celibatária vivida como esterilidade, não como fecundidade. Um homem sozinho acaba amargurado, não é fecundo e fala mal dos outros. Este é um ar que não faz bem, é justamente o que impede aquela relação evangélica e espiritual e fecunda com o Bispo e com o presbítero
. As fofocas são o maior inimigo da diocesanidade, isto é, da espiritualidade. Mas, você é um homem, portanto, se tens alguma coisa contra o Bispo, vá e diga a ele. Mas depois terá suas consequências não muito boas. Levarás a cruz, mas seja homem! Se tu és um homem maduro e vê alguma coisa no teu irmão sacerdote que não te agrada e que acreditas ser errada, vá e diga a ele na cara, ou, se percebes que ele não tolera ser corrigido, vá e diga ao Bispo ou ao amigo mais íntimo daquele sacerdote, para que possa ajudá-lo a corrigir-se. Mas não deves dizer aos outros: porque isto é sujar um ao outro. E o diabo fica feliz com este "banquete", porque assim ataca justamente o centro da espiritualidade diocesana. Para mim, as fofocas fazem tanto mal. E não são uma novidade pós-conciliar... Já São Paulo teve que enfrentar isto. Recordem a frase: 'Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo....". As fofocas são uma realidade presente já no início da Igreja, porque o demônio não quer que a Igreja seja uma mãe fecunda, unida, alegre.

Qual é, pelo contrário, o sinal de que estas duas relações, entre sacerdote e Bispo e entre padres e os outros padres, estão bem? É a alegria. Assim como a amargura é o sinal de que não existe uma verdadeira espiritualidade diocesana - porque falta uma bonita relação com o Bispo e com o presbítero -, a alegria é o sinal que as coisas funcionam. Se pode discutir, se pode ficar brabo, mas existe a alegria acima de tudo, e é importante que esta permaneça sempre nestas duas relações que são essenciais para a espiritualidade do sacerdote diocesano.

Gostaria de voltar a um outro sinal, o sinal da amargura. Uma vez um sacerdote me dizia, aqui em Roma: "Mas, eu vejo que tantas vezes nós somos uma Igreja de enraivecidos, sempre brabos um contra o outro; sempre temos alguma coisa para nos irritar". Isto leva à tristeza e à amargura: não existe a alegria. Quando encontramos em uma diocese um sacerdote que está sempre assim irritado e com esta tensão, pensamos: mas este homem no café da manhã deve tomar vinagre. Após, no almoço, verdura com vinagre e à noite um belo suco de limão. Assim a sua vida não está bem, porque é a imagem de uma Igreja dos irritados. Pelo contrário, a alegria é o sinal de que está bem. Alguém pode ficar brabo: também é saudável embrabecer-se de vez em quando. Mas o estado de brabeza não é do Senhor e leva à tristeza e à desunião.

E no final, você disse "a fidelidade a Deus e ao homem". É a mesma coisa que dissemos antes. É a dupla fidelidade e a dupla trascendência: ser fiéis a Deus é buscá-lo, abrir-se a Ele na oração, recordando que Ele é fiel, Ele não pode renegar a si mesmo, é sempre fiel. E depois, abrir-se ao homem; é aquela empatia, aquele respeito, aquele ouvi-lo, e dizer a palavra certa com paciência".

(Tradução livre do Programa Brasileiro)
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3 de agosto de 2014

Dia 4 de agosto dia do Padre



A Igreja comemora neste 4 de agosto o dia do sacerdote. Quero neste dia, em primeiro lugar deixar um abraço fraterno para todos os meus amigos que abraçaram  o sacerdócio nas igrejas cristãs, seja a Ortodoxa, a Romana, a Anglicana, na Igreja Católica Brasileira e na Igreja Católica Liberal.

Entretanto acho que é  oportuno refletirmos sobre o sacerdócio nas igrejas. Atualmente  tão carente nas igrejas e, em especial neste momento em que temos na igreja de Roma um papa bem mais afinado com o Concilio Ecumênico Vaticano II. Na verdade o concilio  determinou que o papel de ministro, ou padres, não está limitado aos ordenados, mas é um chamado a todos os batizados.
O Papa Bento XVI declarou em junho de 2009 como o começo do Ano Sacerdotal.
Bento 16 proclamou na época em que instituiu o ano sacerdotal que, "sem o ministério presbiteral, não haveria Eucaristia, não haveria missão e nem mesmo Igreja".
Infelizmente não é bem assim: a Eucaristia, a missão e a Igreja já existiam bem antes do surgimento do sacerdócio. De acordo com os Evangelhos, Jesus não era um padre, nem os seus discípulos. Vemos referências a Jesus como sacerdote na Carta aos Hebreus. O autor usa a palavra para se referir a Jesus como o novo e último "Sumo Sacerdote", encerrando uma grande sucessão de líderes judeus. O autor afirma que os sacerdotes não são mais necessários, porque não se precisa mais de sacrifícios. Jesus foi o sacrifício último e é o nosso sumo sacerdote último.  Talvez o Papa tenha esquecido que Jesus não estava focado no sacerdócio. Ele estava focado no ministério. Ele chamou as pessoas a ministrar junto com ele, independentemente de seu status na sociedade. Ele chamou pescadores e coletores de impostos e a mulher com sete demônios. Todos eram responsáveis pela edificação do Reino de Deus. Todos eram convidados a ministrar, e fizeram isso com vários títulos dados a eles pela comunidade, baseados em seus dons. Alguns eram chamados de profetas, outros, de mestres, e outros ainda de apóstolos. Foi apenas depois que se começou a ver a emergência de uma estrutura ministerial formal com uma terminologia correspondente, quando os seguidores de Jesus foram influenciados e integrados ao Império Romano. 




Até 215 d.C., não temos evidências de uma ordenação ritual de bispos, padres e diáconos.O surgimento de uma estrutura clerical levou, eventualmente, à divisão da fé cristã em "clero" e "leigos". Nos primeiros anos do surgimento do cristianismo, porém, Paulo lembrou os seguidores de Jesus: "Já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gálatas 3, 28).Depois do surgimento da ordenação e do sacerdócio, desenvolveu-se uma ordem hierárquica entre os fiéis. A palavra "ordenação" deriva do latim "ordinare", que significa "criar ordem". Desenvolveu-se do uso romano da palavra "ordines", que se referia às classes de pessoas de Roma de acordo com a sua elegibilidade para as posições de governo. Os leigos se tornaram "des-ordenados" do clero. A palavra "leigo" se origina da palavra "laikoi", que se refere àqueles que, na sociedade greco-romana, não eram "ordenados" no âmbito da estrutura política estabelecida. O termo "clero" vem da palavra "kleros", que significa "grupo separado". Enquanto muitos cristãos continuaram a ministrar dentro da Igreja, e até algumas mulheres sustentavam os títulos de diaconisas, sacerdotisas e bispas, muitos dos que possuíam esses títulos faziam parte de um grupo limitado de homens pertencentes ao contexto de uma ordem sócio-política e religiosa particular. Isso perdurou até 1964, quando o Concílio Vaticano II lembrou para a Igreja que o papel de ministro, ou padres, não estava limitado aos ordenados, mas era um chamado a todos os batizados. O documento "Lumen Gentium" proclamava que os leigos se tornavam " participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, e exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o Povo cristão na Igreja se no mundo" (31). O presbiterato, que deriva do fundamento dos ministérios primitivos dos seguidores de Jesus, voltou então para todos os cristãos. Todas as pessoas são novamente chamadas ao ministério. Todos os cristãos são chamados a participar dos papéis proféticos, soberanos e, sim, até mesmo sacerdotais dentro da missão da Igreja




A Eucaristia, a missão e a Igreja existiam bem antes do sacerdócio, todos os fiéis cristãos devem refletir sobre o ministério presbiteral e, fazendo isso, reivindicar o nosso próprio ministério.

Este artigo baseia-se na publicação  de Nicole Sotelo, autora de "Women Healing from Abuse: Meditations for Finding Peace" (Paulist Press), e coordenadora do sítio www. Womenhealing .com. E foi publicado  em  National Catholic Reporter, 11-06-2009. A tradução é de Moisés Sbardelotto e foi distribuído pela Unisinos  

26 de julho de 2014

A IMPORTÂNCIA DE SERMOS NÓS MESMOS!

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Certo dia, um discípulo, que era muito orgulhoso, veio ver um Mestre Zen. Embora fosse muito famoso, ao olhar o Mestre, sua beleza e o encanto daquele momento, o discípulo sentiu-se repentinamente inferior.
Ele então disse ao Mestre?
- “Por que estou me sentindo inferior”?
Apenas um momento atrás, tudo estava bem. Quando aqui entrei, subitamente me senti inferior e jamais me sentira assim antes.
Encarei a morte muitas vezes, mas nunca experimentei medo algum.
Por que estou me sentindo assustado agora?"
O Mestre falou:
- "Espere. Quando todos tiverem partido, responderei".
Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o Mestre, e o discípulo estava ficando mais e mais cansado de esperar. Ao anoitecer, quando o quarto estava vazio, o discípulo perguntou novamente:
- "Agora você pode me responder por que me sinto inferior?"
O Mestre o levou para fora. Era uma noite de lua cheia e a lua estava justamente surgindo no horizonte.
Ele disse:
- Olhe para estas duas árvores: a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado de minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior:
Por que me sinto inferior diante de você?
Esta árvore é pequena e aquela é grande - este é o fato, e nunca ouvi sussurro algum sobre isso.
O discípulo então argumentou:
- Isto se dá porque elas não podem se comparar.
E o Mestre replicou:
- Então não precisa me perguntar.
Você sabe a resposta.
Quando você não compara, toda a inferioridade e superioridade desaparecem.
Você é o que é, e simplesmente existe.
Um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa, você é você mesmo.
Uma folhinha da relva é tão necessária quanto a maior das estrelas.
O canto de um pássaro é tão necessário quanto nós, pois o mundo será menos rico se este canto desaparecer.
Simplesmente olhe à sua volta.
Tudo é necessário e tudo se encaixa.
É uma unidade orgânica: ninguém é mais alto ou mais baixo, ninguém é superior ou inferior.
Cada um é incomparavelmente único.
Você é necessário e basta.
Na Natureza, tamanho não é diferença.
Tudo é expressão igual de vida!
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22 de julho de 2014

Por uma teologia que verdadeiramente liberte




As atitudes de Israel, nesta campanha para destruir a Palestina tem me ajudado a questionar muitas coisas. Que há um Deus apesar das religiões e que estas ao longo da história tem se colocado , quase sempre frontalmente em oposição às ideias que esse Deus sempre expressou eu tenho a cada dia menos dúvidas.
Algumas O apresentam como um Deus vingador, outras como um Deus amoroso, mas mesmo estas não abrem mão de um Deus ciumento e que se mostra com um porrete na mão pronto a castigar aqueles que não agirem de acordo com as regras..
Não consigo entender como Deus pode escolher um povo e abandonar os demais, como um Deus que é amor pode condenar alguém a sofrer eternamente, sem lhe dar outra chance. Lembro então de um lema de uma sociedade esotérica que diz que "Não há religião superior à verdade."
Descubro em mim alguns estragos produzidos por uma crença religiosa e que ainda luto por me libertar.
Penso então no paraíso e percebo que o grande porteiro, aquele que impede a nossa volta é empregado não de uma, mas de quase todas as religiões, já que por Deus, para aqueles que tem coragem suficiente de desafiar as falsas verdades o paraíso está completamente disponível para quem quiser voltar.
A senha para abrir a porta é uma só: AMAR sem reservas e crer que o amor de Deus é infinito.
De minha parte acho que a tarefa prioritária de uma teologia libertadora é a cada dia rever esses conceitos empoeirados que ainda aprisionam a humanidade, seja em que expressão religiosa for.

22 de junho de 2014

A Fórmula da Compaixão

Este artigo não foi escrito por mim,  recebi de minha amiga Regina Sylvia, a Fada San, e como achei muito interessante  resolvi colocá-lo no Blog
Acho que compaixão sempre é algo que devemos refletir e praticar se quisermos viver em um mundo melhor.

A Fórmula da Compaixão ( fonte: Anjos de luz: http://www.anjodeluz.com.br/)
 Autoria  
Jelaila Starr/ Conselho Nibiruano

A Fórmula da Compaixão é usada para mudá-los do Nível Um até o Nível Nove no processo de Recodificação, Reconexão e Ativação do DNA (Processo de RRA).
É também usado após vocês alcançarem a multidimensionalidade e para mantê-la.
A Fórmula lhes permite moverem-se através de um número suficiente de lições em seu Projeto de Vida para conquistar a freqüência necessária para a consciência plena. Em outras palavras, a Fórmula alivia a sua freqüência corporal a cada vez que vocês a usam para lidar com um conflito e integrar o medo envolvido na lição por trás do conflito.
As lições vêm a vocês sob a semelhança de conflitos. Eu percebi que eu não pude completar o processo de RRA sem a Fórmula porque a Fórmula me capacitou a remover as emoções negativas dos conflitos de meus corpos físico/emocional, movendo-os acima através do meu coração, para a parte superior do meu coração, transmutando-os lá em compaixão.
Outro benefício da Fórmula é a ativação das glândulas psíquicas adormecidas.
Cada vez que vocês usam a Fórmula vocês exercitam estas glândulas adormecidas. No momento em que vocês terminarem a ativação do DNA, estas glândulas estarão prontas para uso em tempo integral.
Sugestões para que se lembrem ao usarem a Fórmula da Compaixão:
Conscientizem-se dos sentimentos de sua situação, expressem-nos primeiro verbalmente e fisicamente, então comecem a Fórmula no problema. Senti-los e expressá-los fisicamente faz com que as emoções se ancorem através do Chacra Cardíaco e na parte Superior do Chacra Cardíaco, onde elas serão transmutadas e liberadas. Estas emoções de freqüência densa e inferior são estímulos que uma vez transmutadas na freqüência mais elevada da compaixão através da parte Superior do Coração (age como um incinerador), fluem através do seu corpo como uma liberação excitante, mudando o seu DNA ao mesmo tempo.
Vocês continuarão com este ciclo de criar velhos problemas assim como a lidar com novas lições ao usarem as Chaves da Compaixão até que tenham clarificado o suficiente para completar a religação das 12 fibras do seu DNA. Posteriormente, vocês continuarão a se purificar emocionalmente a fim de completar a ascensão, mas agora vocês terão o apoio das novas vias neurais e de seus padrões associados de comportamento saudável. Agora vamos prosseguir com as nove etapas da Fórmula da Compaixão.

As nove etapas da Fórmula são como se seguem:

Etapa Um:   Lição

Qual é a lição que eu queria aprender em relação a esta pessoa e o conflito que estamos experienciando?


Peçam ao seu Eu Superior/Alma, anjos ou guias espirituais para ajudá-los. Ela estará em seu projeto de vida. Seu projeto de vida é o seu roteiro através de sua existência presente. Ele contém todas as lições, contratos e eventos maiores para a sua existência presente, junto com as pessoas envolvidas.


Etapa Dois:   Contrato



 Qual é o contrato que eu fiz com esta pessoa

Peçam que lhes seja mostrado o contrato que vocês fizeram para aprender esta lição. Se usarem a Fórmula para liberar um indivíduo, peçam pelo contrato que pertence a vocês e a esta pessoa. Há freqüentemente muitos contratos com muitas pessoas para aprender a mesma lição. A proporção de contratos para as lições varia, dependendo de quanto tempo e quantas existências vocês estiveram tentando aprender esta lição em particular. Quanto mais existências, mais contratos da existência presente para esta lição. Lembrem-se de que ninguém concorda em fazer um contrato com vocês a menos que eles também, precisem aprender a mesma lição. Em alguns casos, a outra pessoa em seu contrato está lá para aprender o outro lado da lição.

Etapa Três: Papel



Qual é o papel que esta pessoa está desempenhando para expressar a sua parte do contrato?

Peçam para ver e compreender o papel que vocês desempenham e o papel que a outra pessoa está desempenhando no contrato. Peçam auxílio para compreender como os papéis parecem enquanto eles estão sendo desempenhados. Eu me visualizo em um palco como uma atriz e a outra pessoa como uma atriz/ator. Isto me ajuda a ver os papéis mais claramente, porque eu sou capaz de visualizar o seu comportamento como uma representação

 Etapa Quatro: Aspecto



Qual é o meu aspecto que esta pessoa está refletindo para mim?

Novamente peçam auxílio para ver e compreender o aspecto de vocês que a outra pessoa está refletindo para vocês. Elas são o seu espelho que reflete um aspecto de vocês através do seu comportamento. Eu sempre achei esta etapa como a mais difícil de tratar. Ela demanda uma honestidade própria brutal, mas vale a pena o esforço.
Algumas vezes, ao invés de refletirem um aspecto de seu comportamento, elas estão refletindo algo que vocês julgam. Um exemplo seria alguém que os roubam. Vocês podem não ser ladrões, mas podem estar julgando o furto ou as pessoas que roubam.


Etapa Cinco: Presente



Qual é o presente que esta pessoa está me dando ao desempenhar o seu papel?

Peçam ajuda assim vocês poderão ver e compreender o presente que a outra pessoa está lhes dando ao desempenhar o seu papel. O valor que eu mencionei anteriormente é o valor do presente, e o presente é a lição aprendida.
Verificação do Processo
Uma vez que vocês completaram as primeiras cinco etapas, deveriam estar sentindo um aumento de compaixão e de gratidão pela outra pessoa envolvida no conflito/contrato. Caso contrário voltem então na lição e recomecem.
Algumas vezes isto requer algumas tentativas antes que finalmente compreendamos a lição na qual estivemos trabalhando. Eu percebo que frequentemente sei que a compreendi quando tenho um sentimento terno em meu coração. Ele pode estar ligado a um sentimento forte de saber como um Ah Ha!
As quatro etapas finais são usadas para terminar de clarificar e liberar a negatividade/refugo emocional do corpo físico, fora da parte superior do chacra cardíaco.
Quando penso na parte superior do chacra cardíaco, eu visualizo um dispositivo invisível em forma de cone incluído em meu campo áurico. Ele se liga ao meu corpo físico logo acima do meu coração e abaixo da minha clavícula. Quando eu uso a Fórmula ele se abre, assim a energia/compaixão transmutada pode se mover através dele e para fora.
Compreendo que a parte superior do chacra cardíaco realiza a mesma função que o cólon/ânus e a bexiga/uretra no corpo físico. Ambos realizam funções de eliminação da matéria estragada/tóxica. A única diferença é que o sistema físico elimina a matéria física densa e a parte superior do chacra cardíaco elimina matéria etérea.

Etapa seis: Aceitação



Eu posso aceitar o papel que esta pessoa tem desempenhado, junto com as suas ações, para me ajudar a aprender esta lição?

A aceitação é um dos quatro elementos do amor incondicional. A aceitação é parte da compaixão e é o amor incondicional em ação. Isto também inclui a aceitação de quem é a pessoa, sem julgamento. Eu percebo que quando estou tendo um momento difícil com esta etapa, eu posso clarificá-la quando me lembro que eles são almas em um corpo como eu, e nós estamos nos ajudando com uma lição.


Etapa sete: Permissão



Eu posso me permitir deixar ir a minha raiva em relação a esta pessoa que desempenhou o papel para me ajudar a aprender a lição?

A permissão é também um dos quatro elementos do amor incondicional. A permissão é parte da compaixão e é o amor incondicional em ação. Isto inclui permitir às pessoas de ser quem elas são e de seguirem o seu caminho escolhido, independente de como vocês se sintam sobre isto.
Frequentemente, até eu alcançar esta etapa, eu acho muito fácil deixar ir a minha raiva em relação à pessoa porque eu estou sentindo a gratidão e a compaixão que vem ao ver a dor que eles sofreram ao desempenharem o seu papel por mim.
Um outro lembrete: A permissão é mais fácil de fazer quando deixamos ir a necessidade de controlar o comportamento ou as escolhas de alguém para seu próprio bem. Nós tendemos a controlar as pessoas sem o medo de que as suas ações os machuquem/ e ou a nós. Se compreendermos que tudo tem um valor, então poderemos começar a liberar a nossa necessidade de controlar porque compreenderemos que haverá um valor em  todo e em cada resultado.


Etapa oito: Liberação


Eu posso liberar esta pessoa da culpa?

Esta é fácil quando vocês compreenderem que não são vítimas. Ao contrário, vocês são participantes ativos em um contrato e lição que vocês ajudaram a instituir.
Assumir a responsabilidade por sua parte no contrato os capacita a liberar a outra pessoa da culpa pelo papel que eles desempenharam para ajudá-los a aprender a lição que vocês queriam. Vocês compreendem que assim como não são vítimas, eles também não são os vilões. Devin, o meu guia da 9ª dimensão, me disse muitas vezes que é muito mais difícil desempenhar o papel de um vilão do que desempenhar o papel de um herói.
Liberar alguém da culpa é diferente do que perdoá-los. Perdoar alguém é o que fazemos quando sentimos que eles pecaram contra nós, quando somos sacrificados. A Liberação é o elemento chave na Fórmula. A liberação é criada através de sua compaixão pela outra pessoa.
Etapa nove: Benevolência



Agora que eu liberei esta pessoa, eu posso ser gentil com ele/ela, e se o for, como posso fazê-lo?
Neste ponto vocês deveriam estar sentindo a intensidade da liberação através da parte superior do coração. Eu acho que o grau do sentimento difere de acordo com a intensidade emocional do problema. Quanto mais sobrecarregado emocionalmente for o problema, mais intensa será a liberação.Eu achei que esta etapa é a mais emocional. Eu estou plena de gratidão e compaixão quando alcanço esta etapa e meu único pensamento é como aperfeiçoar e lhes agradecer.




 Agora que estão sentindo a gratidão e a compaixão, tendo liberado a outra pessoa da culpa e da raiva, e percebido que podem ser gentis com eles agora, vocês estarão prestes a terminar a Fórmula. As duas partes finais da Etapa Nove são:
 a)      Como vocês mostrarão a sua benevolência, e
 b)      Como vocês o farão?
Estas duas últimas partes são muito importantes e eu os encorajo a completá-las tão rapidamente quanto possível desde que o processo não estará completo até que vocês o façam. Uma carta ou um telefonema para a pessoa dizendo que vocês lhes agradecem pela lição que eles participaram. Eu acho que compartilhando a lição que aprendi deles percorremos um longo caminho na cura da dor que ambos sentimos.
Advertência: Não os levem a realizar a Fórmula. Eles não os compreenderão e frequentemente ficarão zangados e defensivos, a menos que conheçam a Fórmula também.
Mudando a Energia
Uma vez que completaram a Fórmula, então é o momento de fazer algo com o contrato. O contrato é energia como tudo o mais, assim vocês poderão mudar a sua forma em algo mais, como se estivesse trabalhando com o Lego.
Eu freqüentemente visualizo o contrato se dissolvendo em milhares de pedaços de energia de luz, e então eu envio esta energia para alguém que esteja doente para auxiliar em sua cura. Em outras ocasiões, eu o deposito em uma conta de energia que criei para manifestar um dos meus desejos como uma nova casa ou alguma coisa. Vocês também podem depositá-lo na conta de alguém mais para auxiliá-los a manifestar um dos seus desejos.
De qualquer maneira, isto é onde eu posso me divertir um pouco com o contrato e ser criativa. Um final positivo para uma lição dolorosa, não acham?
Eu espero que este resumo e as etapas da Fórmula da Compaixão os ajudem a fazer as escolhas apropriadas para vocês.

 Jelaila Starr/ Conselho Nibiruano- Anjos de Luz



16 de junho de 2014

Livro de D. Helder e C. Suenens

           Livro recomendado pelo papa Francisco no congresso da Renovação carismática




Link:   Copie e cole em seu navegador
https://www.sendspace.com/file/55b2sz


quando abrir a página:



1 de junho de 2014

Uma Cruzada contra o Mau humor


A camada energética da terra esta ficando sobrecarregada pelo mau humor.
Procurem prestar atenção, quando estiverem na rua, no banco, no mercado e ate mesmo em casa, como todo mundo reclama, reclama e reclama muito e de tudo.
Já imaginou que formas-pensamento estão sendo geradas, e todas elas se chocando no astral e atingindo a cada um de nós.
O  mau humor, a raiva, o ódio antes de chegar em alguém terá que necessariamente passar por quem o esta  emitindo. Assim quem primeiro receberá esta carga não muito agradável é o próprio emissor.
Suba a frequência, e a sua vibração!
Não reclame, AGRADEÇA sempre!
Mesmo quando tudo estiver escuro,
Seja a Luz!
Ilumine, agradeça!
Quando tudo estiver por um fio, não estique, AFROUXE, AGRADEÇA !
O seu mau humor em nada melhorará, pelo contrario só fará você não ver claramente.
Por isso, SORRIA e AGRADEÇA !
Acostume-se a agradecer, e não a obrigar-se.
Diga sempre: grato ou agradecido, NUNCA “obrigado”.
Não se obrigue para não cobrar depois,
AGRADEÇA distribuindo assim sua boa vontade.
Da mesma forma não se desculpe.
Não se coloque na posição do culpado.
Do culpado ao coitado, há apenas um curto caminho.
Peça perdão se achar que a responsabilidade é sua.
Pedir perdão é buscar a liberdade, desculpar-se, é tomar-se devedor, de quem liberou de suas costas, uma culpa irreal.
E lembre-se nos piores momentos, de repetir para si mesmo:
ISTO TAMBÉM PASSARÁ !.
Melhore a qualidade da vida na Terra.
Cuide bem do lugar onde você vive.
Cuide bem daquilo que você come.
Cuide bem do ar que você respira.
Cuide bem da água que você bebe.
E em todas as ocasiões:

S O R R I A !!!
Gente feliz, alegre é mais difícil de ser manipulada.

31 de maio de 2014

A PARTÍCULA DE DEUS

Autor: Hugo Lapa

Um cientista muito famoso anunciou na mídia que havia encontrado a chamada “Partícula de Deus”, que era o ponto inicial de toda a criação divina, a origem primordial e a essência de toda a vida universal.

Muitas pessoas ficaram curiosas para saber como era a partícula de Deus. “Se é a essência da vida, deveria ser algo muito especial e revelar todos os segredos do cosmos”, pensaram alguns.

O cientista montou então uma cabine na rua para mostrar a todos a partícula de Deus. Nessa cabine, segundo ele, havia um aparelho super sofisticado que permitia a visão da partícula de Deus num super microscópio. Uma grande multidão se aglomerou na porta esperando ver a tal partícula. Muitos religiosos, cientistas, artistas e todo tipo de gente estava interessada em conhece-la.

Uma a uma, as pessoas foram entrando. No entanto, todos que entraram e saíram após verem a partícula de Deus ficaram muito espantados com a revelação. O que estaria ali, naquela cabine, de tão incrível?

Seu José, muito religioso, estava ansioso para ver a partícula de Deus. Esperou quase 2 hora na fila, e finalmente conseguiu entrar na cabine. Assim que cruzou a porta, viu um espelho com sua própria imagem refletida, e uma placa em cima do espelho com os dizeres:

“Você é a partícula de Deus, o alfa e ômega da criação. Você é Deus vivendo uma experiência humana. Uma chama divina arde eternamente em seu interior. Deus, em sua perfeição, fez a melhor coisa que poderia existir: você.”

Autor: Hugo Lapa

30 de maio de 2014

Lendo e refletindo sobre Jesus e a Fisica Quantica:



A quase totalidade da humanidade está hoje presa no primeiro degrau da escala evolutiva de Maslow . Como então iremos superar e criar uma nova humanidade ? 
( Prof Helio Couto – Físico e espiritualista)




“O grande diferencial é que enquanto muitas coisas na Física Quantica se situam no plano teórico, Jesus de Nazaré as aplicou no cotidiano de sua missão” 

( Jesus e a Física Quântica- Frei Izidoro Mazzarolo) 

Como iremos transcender se ainda não nos livramos das necessidades materiais básicas. E mesmo quando já as temos satisfeitas. Ficamos na ânsia de querer mais e mais, sempre. Jesus disse ao jovem que o procurou para saber como segui-lo, que se livrasse do que tinha, vendesse, desse aos pobres, distribuísse os seus bens. Mas ele não quis, disse que tinha muitos bens e que não poderia dispor deles assim. Não entendeu que poderia ter muito mais se abrisse mão do "pouco" para receber muito. Como aquele jovem, nós também não queremos abrir mão do que temos. Não nos damos conta da mensagem inteira do mestre: " tudo que pedires ao Pai crendo que receberam, receberão" e ele disse TUDO. Parece que não conseguimos acreditar que se abrirmos mão do pouco e não tivermos dúvidas de que já recebemos, poderemos ter tudo. Não confiamos, e por não confiarmos não conseguimos fazer com que os que nada tem, passem a confiar. 
A humanidade como um todo está presa, amarrada a valores puramente materiais e com isso não consegue sair deste estado hipnótico que nega todo crescimento e desenvolvimento individual. O não reconhecimento da mensagem do mestre que diz que a centelha divina habita em cada um de nós e o sistema que nega essa verdade com todas as forças vem disseminando uma desesperança generalizada, para garantir a eficácia de um sistema que se baseia na ânsia, na necessidade do ter e que leva as pessoas a consumir e a desejar sempre mais e mais, o que as leva a endividamentos e a situações que beiram a escravidão.
O mundo está refém do materialismo, a maioria das religiões ao invés de estimular a espiritualidade das pessoas, faz ao contrário, restringem e aprisionam as pessoas em suas regras, ritos e crenças baseadas em valores materiais como é o caso da teologia da prosperidade. Por outro lado as alternativas que acenam com uma maior consciência, pecam por cair em uma prática de reclamações e reivindicações sem fim, que pouco contribuem para uma mudança efetiva e tendem a aumentar a falta de esperança da maioria. O sentimento de impotência parece generalizado. A confusão que se estabeleceu entre espiritualidade e religião só desestimula as pessoas a encontrar um caminho que as aproxime do criador, do Todo, da unidade que seria o único caminho possível de resgate da integridade dos Ser. Mas a preocupação em desenvolver e fortalecer o Ego, parece caminhar em oposição ao que seria a solução, ou seja o reconhecimento da Centelha Divina, do Fogo Criador, do Espirito Santo, da Presença do Deus, do Todo em cada um de nós. Enquanto estivermos desenvolvendo a crença em algo que está fora de nós, que é capaz de punir, que castiga e a quem se deve temer, estaremos muito distante da mensagem libertadora que alguém há dois mil anos atrás veio nos trazer. Ele nos disse que o reino de Deus, está no meio de nós, que ele e o Pai eram um e que nós também somos um com Ele e o Pai. Ele revelou um Pai abbah, um paizinho amoroso e não alguém com um porrete na mão pronto a nos castigar. Nesta horas me vem a fala de um franciscano que já nos deixou, Frei Ignacio Larranaga que dizia : “onde há amor, não sobrevive o temor.” De minha parte completo, se Deus é amor não há o que temer.
É urgente que tomemos consciência embora eu saiba que isso representa um grande risco, já que os exemplos daqueles que tentaram levar essa verdade para a humanidade foram todos abortados da vida: Jesus, Gandhi, Matin Luther King entre outros tem uma história de supressão, de terem sido assassinados inexplicavelmente. 
Mas mesmo correndo riscos, é imperioso despertar.

29 de maio de 2014

Sobre Orar e meditar...



... Cada um desperta de uma maneira particular, e como lhe disse, eu não desejo a ninguém de passar por onde eu tive que passar. Cada um terá um dia a oportunidade de se encontrar” ali onde ele esta”, como ele jamais tinha estado. Isto pode acontecer, como foi o meu caso, por meio de um coma profundo, mas isso também pode acontecer durante um passeio, escutando música, no coração de um enlace amoroso, observando o grande céu vazio e estrelado... De repente, entramos na “consciência de estar aqui”, de estar aqui desde sempre e para sempre.
É esta “consciência de ser” que o padre Serafim buscou primeiro enraizar em mim quando ele me pediu para meditar como uma montanha. Antes de querer orar como um homem, eu deveria saber como a montanha ora. Entrar na“ consciência de estar aqui” – “mineral” – não é uma simples metáfora que convida à estabilidade do corpo.
Tente estar aqui, como uma montanha, aberta a todos os ventos, a todos os tempos, com seu lado de sombra e o seu lado de luz e você verá que presente se instalará em você, que tranquilidade e também que comunhão com a terra e com tudo aquilo que nela germina e floresce.
Eu não sabia a que ponto a matéria era viva: “Se eles se calarem, as pedras gritarão”, dizia Yeshoua sobre os seus discípulos. Eu não as ouvi gritar, mas é preciso ser surdo para não ser sensível a sua vibração, vibração sonora no coração da noite. A montanha do Monte Athos, Agion Horas, canta uma estranha salmodia, um fino sorriso que é sua aquiescência ao Logos que informa e que faz do seu “caos” ou tohu va bohu uma ordem incessantemente renovada que nós chamamos de “Cosmos”.
Para desenvolver ainda melhor a “ consciência de estar aqui”, o padre Serafim me propôs um outro mestre : uma papoula em seu jardim. .....
... Foi por meio dela que eu deveria aprofundar minha consciência de estar aqui, de maneira “vegetal”.
.................................

Manter-se flexível, sentado e imóvel, demanda, no início, uma energia considerável; eu só pensava em fugir, eu tinha coisa melhor para fazer do que ficar “vegetando” em um vaso, pouco importa se esse vaso era um maravilhoso jardim de uma sublime montanha.
Estar aqui como uma montanha, como uma papoula, Presença imensa, Presença frágil, peso do eterno e vivacidade do instante neste simples “gesto” de estar aqui.
Mas este “Estar Ser aqui “ é movimento e Ele é também Sopro; é isso que o monge Serafim me fez compreender e sentir quando ele me pediu para “meditar como um oceano”.
“Escute o fluxo e o refluxo das ondas, escute o inspirar e o expirar, escute o seu Sopro...”
Para estar presente à Presença, para permanecer no Real, não há nada como a atenção à respiração. Se você estiver atento ao seu Sopro, você não poderá estar em nenhum outro lugar além do lugar onde você está. É um elemento importante da meditação hesicasta, não é apenas um exercício psicossomático que tem como função acalmar o mental ( mas só isso já seria uma profunda terapia, e que não custa caro), é também um exercício “pneumático “, espiritual no sentido primeiro do termo.
Segundo a antropologia Bíblica, um “espiritual” não é apenas alguém que tem um espírito (nous), mas alguém que tem um Sopro ( pneuma), alguém que respira profundamente; um profeta é um “inspirado”; sua profecia ou seu poema é sua “expiração”.
Compreenderemos melhor, então, que Yeshoua tenha transmitido à Samaritana o segredo de sua própria oração dizendo que é a adoração –“em pneumati kai aletheia – que deveríamos traduzir: “no Sopro e na Vigilância” ao invés de “em espírito e verdade”.
Esta ultima tradução faz da adoração, da meditação ou da oração uma ato “intelectual”, quando se trata na verdade, de fazer apenas um com o Sopro da Vida, o santo Pneuma, e devemos fazer isso com a-letheia, ou seja, literalmente , ” fora da letargia”, na vigilância...
A verdade não é , como eu já disse, ”uma verdade que temos”, um corpo de ideias e doutrinas que evocam ou “representam” mais ou menos bem real, mas em um estado de despertar e de vigilância.
Então compreende-se melhor quando cristo diz : “ A verdade vos libertará”. Sim a “vigilância” nos libertará... Quando somos vigilantes, não podemos mais ser “objetos” dos acontecimentos e das circunstâncias, permanecemos sujeito. A consciência de estar aqui, em um sopro vigilante, nos conduz a ser “Sujeito”, a nos tornarmos “Eu Sou”.
Jamais poderei agradecer o suficiente à vida que me fez encontrar o Padre Serafim que, através do seu ensinamento, manteve-me mais próximo da letra e do espírito do evangelho. Ele frequentemente me dizia: “Orar é respirar”; quando você está com alguém, você não pensa mais nesta pessoa, você está, você é com ela... Quando você está com Deus (e onde poderíamos mais estar? Se você é vivente, você naõ pode estar em outro lugar a não ser na vida) não pense nEle, esteja com Ele, seja com Ele, respire com Ele, respire a vida, a Luz, seja no movimento do presente que se dá.
“O sopro santo nos conduzirá a verdade toda inteira” – não esqueça de verificar! Respire conscientemente, permita-se ser conduzido pelo sopro santo a um estado de total vigilância: “aquilo que é tal qual isso é”, “aquele que é como Ele é” não deixarão de lhe aparecer.

Do livro “A Sabedoria do Monte Athos” Jean Yves Leloup

28 de maio de 2014

Cientistas Descobrem Ponto Crítico Para o Contágio de Ideias.

UM vídeo para assistir com muita atenção
e pensar com muito carinho