O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

22 de julho de 2020

Jesus e Maria Madalena - Para os puros, tudo é puro ( Jean YvesLeloup)



No princípio de toda filosofia há um assombro, um maravilhamento; o assombro, por exemplo, diante da mudança e da impermanência de todas as coisas... e das questões que isso incita: Existe uma realidade que permanece dentre tudo aquilo que passa? O que resta quando não resta mais nada?
Quer respondamos através da substância , como os pré-socráticos, ou através da vacuidade, como no madyamika , isso não diminui em nada o assombro e leva a questão um pouco mais adiante: o que é a substância? Que experiência de vacuidade podemos fazer?...

O assombro de nossos contemporâneos não recai tanto sobre o ser ou o não ser quanto sobre o desejo (de viver) e o não desejo (de viver) e sobre aquilo que o sustenta ou o expressa, aquilo que, utilizando uma palavra mais ou menos redutora, chamaremos “a sexualidade”, outros preferirão “o élan vital”(Bergson), “a libido”(Freud) ou ainda, “a energia vital”, “força criadora”...
O assombro diante da sexualidade raramente é filosófico. As dificuldades de algumas funções e disfunções clamam por respostas mais pragmáticas e repelem todas as formas de especulação...
Uma abordagem menos trivial da sexualidade seria, então, impossível?

Psicólogos e sociólogos já responderam a diversas dessas questões, mas talvez ainda não tenham respondido ao nosso assombro fundamental, “de sermos um ser que deseja”. Se nos inclinarmos para o lado da teologia, nos assombraremos até mesmo diante do termo “da encarnação”; o Ser encarnado seria então um ser que deseja? Como se expressa esse desejo? Não apenas através das formas sublimes que conhecemos e que foram, algumas vezes, celebradas de maneira soberba pelas igrejas, mas, o que dizer da sexualidade do Cristo?

Para muitos essa questão não é mais da ordem do assombro, do maravilhamento, mas antes do estupor e para alguns, até mesmo da blasfêmia.
Por que?
Por que tais resistências, outrora e ainda hoje em dia? No entanto, a questão é importante, não apenas para melhor conhecermos o Cristo e para respeitá-lo em todas as dimensões de sua humanidade, mas também tendo em vista sua função “exemplar”, “arquetípica” e reveladora, para melhor conhecermos o ser humano na sua realidade sexuada, sendo esta considerada hoje em dia dimensão essencial de sua identidade e de seu advir (sua substância “e” sua falta), não apenas como lugar de transmissão da vida, mas como condição para nosso prazer ou para nosso desgosto pela vida.

Nossa abordagem permanece neste assombro, neste maravilhamento, ela não deseja ser nem polêmica, nem moralizante, nem dogmática, ela se questiona o mais honestamente possível acerca do realismo da encarnação, até aonde o Verbo se fez carne? Existem elementos da nossa humanidade que escapam à Sua luz e à Sua ternura?

Se o Amor encarnou-se na História e hoje em dia continua apenas pedindo para encarnar-se, como ele não o faria nas carnes que lhe são normalmente e naturalmente consagradas?
“Aquele que é carnal, o é até mesmo nas obras do espírito, aquele que é espiritual, o é até mesmo nas obras da carne” dizia Santo Agostinho.
Nós talvez tenhamos que redescobrir uma espiritualidade vivida dentro das obras do corpo e do quotidiano que respeitaria prioritariamente o Espírito d’Aquele que se fez homem e “inteiramente homem”, “a fim de que”, como dizem os Padres, “o homem se fizesse Deus”.

Porque, repetidas vezes, o Cristianismo nos apresentou a sexualidade como sendo algo aviltante, degradante, “mãe de todos os pecados” e raramente como algo divinizante, fonte da vida e da criatividade, participação à imagem e à semelhança do Deus Vivo e Criador.

Não deveríamos, assim hoje como ontem, ir procurar a sexualidade reduzida a seus apêndices nos sex-shop e outros locais obscuros, lá onde ela “enclausurou-se” e perdeu-se, e trazê-la de volta ao santuário que foi sua morada, seu “sacrum”, a câmara nupcial que é, de acordo com o Evangelho de Felipe, um templo aonde “oramos de verdade”?
O Cristo não veio salvar, curar e divinizar aquilo que estava perdido?

Não seria a vida sexual transfigurada, quer seja numa vida de casal ou em um celibato escolhido e assumido, a grande Aventura e Alquimia que devemos incessantemente descobrir e renovar? devolver a Deus um dos maiores dons que nos foram dados? e não pararmos de nos assombrar...

Editora Vozes, 2007


Mirian de Magdala: que mulher é essa?

. .
Mulher e principal discípula de Jesus.

Quem é esta mulher que junto a Maria de Nazaré
permaneceu aos pés da cruz?

Porque Jesus a escolheu para primeiro aparecer
depois da Ressurreição? 

Maria de Magdala pecadora perdoada ?

Discípula que mais estava próxima do mestre,
a ponto de despertar ciúmes ?

Nunca saberemos, o tempo e o preconceito
se encarregaram de apagar sua história...
De companheira de Jesus a prostituta,
muito ao longo dos séculos foi dito,
mas só mesmo o mestre, o raboni Yeshua
poderia dizer com segurança
quem foi, quem é,
Myrian de Magdala .


Com o relato da ressurreição e, a aparição de Jesus,
depois de ressuscitado à Maria Madalena
reacende-se a dúvida quanto ao papel desta mulher
na comunidade primitiva dos seguidores de Jesus.


Ao ler o O código Da Vinci,
o jornalista e escritor Juan Arias
lamentou as dezenas de erros de pesquisa
na trama de Dan Brown.
Como teólogo e vaticanista,
no entanto, reconheceu que
o best-seller havia conseguido
o que tentam há anos centenas de estudiosos,
levar ao grande público polêmicas religiosas
que a Igreja, segundo ele, esforça-se em ocultar.
As discussões provocadas pelo livro
foram a deixa para que Arias
iniciasse uma busca pela verdadeira identidade
da mulher que teria sido casada com Jesus,
trabalho reunido em
"Madalena, o último tabu do cristianismo"
(editora Objetiva).


Madalena Grávida
Imagem na Notre Dame de paris

A notícia é do jornal Globo, 19-6-2006.
Para autor, Madalena foi "apóstolo" mais importante.
Em um misto de reportagem e pesquisa histórica, Arias, autor de estudos religiosos como Jesus, esse grande desconhecido,
vasculhou centenas de documentos.
Textos como os Evangelhos Gnósticos (não reconhecidos
pelo Vaticano) e preciosos pergaminhos
descobertos no Egito na década de 40.
O livro redefine a origem do celibato e sacerdócio masculino exclusivo e derruba a imagem de Maria Madalena como meretriz convertida. "
À instituição interessa que Madalena seja a prostituta arrependida e não a esposa e escolhida de Jesus para continuar seus ensinamentos, porque isso ressaltaria o sexismo da Igreja.
Mas como explicar por que Madalena
foi a primeira a ver Jesus ressuscitado?
E a intimidade entre os dois nos Evangelhos Gnósticos,
onde Jesus beija Madalena na boca?
Ou as cenas de ciúmes dos apóstolos ao perceberem
o quanto ela era importante ao profeta?", polemiza ele.
Em vez de investir na teoria de que Jesus teria se casado com Maria Madalena, dando origem a uma linhagem que seguiria até hoje, principal tema de O código Da Vinci, Arias reúne provas históricas que conferem a Madalena um papel muito maior na formação da Igreja Católica, a de "apóstolo" mais importante para Jesus.
"Como me disse José Saramago, se Jesus ressuscitado apareceu a Madalena antes de todos, é porque ela era a mulher que mais amava. Ele sabia que duvidariam do testemunho de Madalena, como o fez Pedro, mas a escolheu",explica o teólogo.
Um outro exemplo é o pedido de Madalena ao chegar ao sepulcro de Jesus, quando ela se desespera ao não encontrar o corpo do profeta. Madalena pergunta a um homem onde estava o seu senhor, pois ela iria recolhê-lo.
Para os judeus, o corpo era sagrado e responsabilidade da família.
Que direitos tinha Madalena em reclamar o corpo de Jesus?
O direito de esposa.
O jornalista espanhol, que foi correspondente no Vaticano por 14 anos, constrói o livro com capítulos-ensaios, submetendo os trechos bíblicos a análises semiológicas e formulando uma hermenêutica acessível mesmo aos leigos nos textos sagrados.
Para Arias, Madalena pertencia à corrente gnóstica, que valorizava o conhecimento intuitivo e a palavra, e era contrária à hierarquização do cristianismo.
Ela acreditava que, por meio do conhecimento, o eu e a divindade tornavam-se um só.
"A Igreja seria menos dogmática e mais universal" Culta e de família abastada, Madalena teria sido responsável pela construção existencial e filosófica do cristianismo, que ainda não havia fixado um corpo definitivo de doutrina.
Ela foi a escolhida do profeta, definido por Arias como "um semeador de liberdades" que considerava as mulheres inteiramente aptas ao sacerdócio.
Com a morte de Jesus, porém, entre a corrente gnóstica de Madalena e a oficialista de Pedro, venceu a primazia masculina.
"Um dia a Igreja terá que pedir perdão, como fez com Galileu Galilei, por ter corrompido a figura de Madalena utilizando-a como símbolo do pecado sexual.
Se isso não tivesse acontecido, a Igreja seria menos dogmática e mais universal. E o feminismo teria sido adiantado em muitos séculos",
calcula Juan Arias.
.

Oração de Maria Madalena

Extraída do livro "O Romance de Maria Madalena , uma mulher incomparável", 
de Jean Yves Leloup


“Meu Deus, tu és o Deus da primavera, O que faz florescer, o que faz crescer.
Será que é mesmo necessário que sejamos “pequeninos”
Para que tu sejas todo-poderoso?
“Pobres pecadores”, para que tu sejas misericórdia?
Não é suficiente que estejamos nus, para que tu brilhes,
Que estejamos vazios, para que tu sejas tudo?
Tu não és um Deus que desconfia das mulheres,
Que canoniza os santos e queima as feiticeiras.
Tu és belo e amas a beleza
Eu orei a ti, com frequência, Meu Deus
Para que me livrasses dos deuses que acusam
Que desprezam e fanatizam...
E tu me enviaste a primavera:
A amendoeira foresceu.
Respirei o grande dia e a grande noite,
Reconheci teu sopro no jardim,
Tua brisa à beira do lago.
Tu me ensinaste que rezar mais
É respirar melhor.
Ainda não sei se és o Deus dos amantes,
Se fores aquele que ama em todos os que amam.
Amo-te sem te ver, sem te tocar
E, no entanto, sei que me deste
Olhos para ver e braços para abraçar.
Um dia talvez, em cores oceânicas,
Um homem virá
Para te dar um semblante
E abençoar a terra na oferenda de meu corpo;
Então, eu te amarei, meu Deus
Como as mulheres amam,
Como as crianças,
Como a tempestade
E nos tornaremos Um.”

21 de julho de 2020

22 de Julho - Myrian de Magdala

Maria Madalena


Todas as incertezas a respeito de Maria Madalena deve-se à uma projeção totalmente alterada. Ela acabou presa entre as incongruências da interjeição moral cristã e a imagem arquetípica da natureza feminina erótica. 


Tudo que se sabe de Maria Madalena é retirado da bíblia ou de fontes apócrifas. A discussão a respeito dessa figura feminina que acompanhou Jesus e seus discípulos no final de sua vida pública perdura por séculos. Pouco se sabe na verdade


Para alguns, ela foi mulher de Jesus, a mais sábia dos apóstolos e a causadora das revoltas de Pedro, líder do grupo dos 12, que não suportava vê-la receber de Jesus ensinamentos ocultos. Para outros, apenas uma seguidora fiel que ajudava financeiramente a causa do Nazareno


Existem poucas citações diretas sobre ela nos quatro evangelhos, porém ela está nominalmente presente nas passagens mais marcantes na vida do Cristo, como a Paixão e a Ressurreição. Ela é a discípula que ama o mestre acima de tudo e é testemunha da Sua Ressurreição, sendo a portadora da Boa Nova. Por isso ela pode ser considerada a primeira apóstola. 


Marcos se refere a Maria Madalena como "aquela que Jesus havia tirado sete demônios" a referencia da expulsão de sete demônios (Marcos 16:9 / Lucas 8:2), que na linguagem evangélica significa libertar da totalidade do poder que aprisiona o homem. 
É a partir do que Jesus a transforma, um ser livre e preparada para servir e doar-se ao projeto de Deus, que devemos conhecer Maria Madalena. Nada mais interessa.Lucas fala de uma mulher que segue Jesus, e que "havia sido curada de espíritos malignos e enfermidades"; se chamava Maria, provinha de uma cidade de Magdala, e Jesus expulsou dela sete diabos. Imediatamente antes disto, Lucas relata a cena com o fariseu, quando uma mulher sem nome lavou os pés de Jesus com suas lágrimas, os secou com seus cabelos e logo o unge, em agradecimento ao perdão por parte de Jesus por seus pecados. 







A justaposição nos leva a acreditar que as duas mulheres se identificam em uma só. A mesma história aparece em Mateus e Marcos, mas a mulher sem nome não é tachada de pecadora e lhe foi dada muita importância ao colocá-la na última Ceia, em Betania. Não unge os pés de Jesus, mas sim sua cabeça, de modo mais cerimonial em que se unge os reis, durante a cerimônia de um sacrifício ritual. Ante a indignação dos discípulos, que argumentam que o azeite foi mal gasto, pois poderia ser vendido e dado aos pobres, Jesus pede que sua ação seja considerada como um ato de celebração, dizendo: " Porque os pobres tereis sempre convosco, porém a mim não me tereis sempre (Marcos). 




João, no entanto, acrescenta uma complicação a mais ao descrever a ressurreição de Lázaro, onde identifica de forma explícita a Maria de Betania com "a que ungiu ao Senhor com perfumes e lhe ungiu os pés com seus cabelos". João relata a cena no capítulo seguinte de forma muito similar aos outros Evangélicos, não tachando Maria como pecadora: "Então Maria, tomando uma libra de perfume de nardo puro, muito caro, ungiu os pés de Jesus e os secou com seus cabelos. E a casa se encheu do odor do perfume". Porém João não identifica em modo algum a Maria de Betania e a Maria Madalena. 



Há inúmeras outras citações e publicações sobre esta mulher importantíssima na vida do cristianismo primitivo. Sem dúvida Madalena foi muito mais do que quiseram nos fazer crer.







20 de julho de 2020

20 de julho – Um dia, entre tantos dedicados aos amigos.


Tempos estranhos este que vivemos, temos dia para quase tudo. Dia da mãe, do pai e dos avós. Dia da mulher, da criança e agora do homem. Dia da mulher negra, da mulher índia, dia do irmão e da irmã, dos tios, dia dos primos, dos namorados e namoradas, e também dia da amizade e do amigo. Acho que vamos acabar tendo que criar o dia do dia já que dentre os 365 não sobrará um dia para ser dele mesmo.

Mas o que será que esse mundo capitalista e tão pouco emotivo considera amigo. Fiquei me perguntando quem eram meus amigos e como definir entre tantas pessoas, quem são os que considero assim, amigos?
Pensei nos parentes, alguns que me sinto próximo emocionalmente, mas que não vejo e não falo desde o último casamento ou enterro da família, mas, são amigos.
Pensei depois naqueles com quem falo diariamente, esses são amigos! Mas como, se alguns eu nunca olhei nos olhos e jamais troquei uma palavra fora do mundo não virtual, mas que são mais próximos, do que os mais próximos parentes próximos.

Coisa curiosa é o mundo virtual pessoas que nunca olhei nos olhos, que não conheço o timbre da voz. Mas mesmo assim, são tão caras a meu coração, tão próximas que passaram a fazer parte da família. Não raras vezes em situação muito comuns, tomo as dores deles quando algum infeliz comentário os atinge. Não consigo e nem sei se quero entender, mas uma certeza eu tenho, não quero e nem gosto de pensar na hipótese de perder qualquer um de meus amigos, virtuais e não virtuais. Para mim a nossa amizade, se é virtual ou cara a cara, não faz mais diferença, todas são para o meu coração completamente reais.

Acho que agora depois de raciocinar entendo: amigo é aquele a quem se considera amigo, não importa a distância real, nem mesmo que o contato seja só virtual, estão sempre próximos.

Amigos são como irmãos que estão sempre juntos de alguma forma comungando ou não das mesmas ideias, mas sempre unindo seus corações quando a necessidade ou o momento determina cuidar, consolar ou se alegrar. Mesmo quando discordam e acreditam em ideias diferentes, ou quando o time de futebol é rival, tem uma fé antagônica ou a posição política assim um pouco diferente, pero não mucho atualmente, rsss.


O que importa mesmo é aquilo que vem do coração, já que como o profeta Milton já disse:
”Amigo, é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância, digam não... Embora eu prefira dizer que os verdadeiros amigos,eu os guardo dentro, bem no fundo do meu coração.

Por isso hoje deixo aqui o meu abraço carinhoso a esses muitos amigos/irmãos tão diferentes entre si e tão iguais no sentimento e na presença deles em minha vida.
A todos vocês aqui vai o meu beijo em seus corações. 



 

16 de julho de 2020

Pe. Alfredinho - resgatando a história


29 de junho de 2020

O Apostolo Pedro, o prebítero (ancião)

“Eu vou jogar minhas redes onde o Senhor me mandar.

Certo de que vou enchê-las de almas pro Reino de Deus”

(Bruno Camurati)

Pedro é o apóstolo com quem mais simpatizo.

O mais impulsivo dos companheiros de Jesus, e que por muito amar era capaz de pensar poder ir até onde suas forças humanas não lhe permitiam.

Perdeu a cabeça ferindo o soldado, negou três vezes seu mestre, pescava nú, não teve fé suficiente para andar sobre as águas, não queria permitir que Jesus lavasse seus pés...

Tão humano que poderia ser qualquer um de nós. Mas foi a ele que o mestre escolheu como referência.

Pedro Tú és céfas!

Tu és como uma pedra, um cabeça dura, fruto de tua humanidade simples e pura, mas é sobre essa aparente dureza, cheia de verdade, simplicidade e amor que quero edificar o meu projeto. Pedro, tu és pedra, e é sobre esta pedra que quero iniciar o meu rebanho.


Você Pedro é o nosso maior incentivo, é o sinal de que o mestre não se importa com nossa frágil humanidade e sim com nossa capacidade de rever os passos incertos e retornar ao verdadeiro caminho do amor e da luta pela libertação.

.


11 de junho de 2020

Corpus Christi - Dom Helder




Dom Helder Câmara, celebrando a missa do Corpo de Cristo antes de iniciar a procissão carregando o ostensório com o Santíssimo Sacramento.

Na oração da coleta, não conseguiu ler o que estava no missal e, com os olhos marejados de lágrimas e a voz tomada pela emoção, rezou:

"Senhor, é mais fácil reconhecer a tua presença na hóstia consagrada do que nos milhares de irmãos e irmãs miseráveis que sofrem e penam pelas ruas e cortiços do mundo. Como podemos passar pelas ruas com o pão, sinal de tua presença para um mundo novo e de partilha, indiferentes aos adultos e crianças que jazem abandonados no chão? Dá-nos a graça de adorar a tua presença no pão da Eucaristia, de modo que possamos te reconhecer e honrar em cada ser humano, especialmente nos irmãos e irmãs mais marginalizados."

21 de abril de 2020

A camada energética da terra está sobrecarregada


 Esta seria a imagem energética da terra 
se pudéssemos vê-la.                   

Procurem prestar atenção, quando eventualmente estiverem na rua, no banco, no mercado e até mesmo em casa, como todo mundo reclama. Reclama, e reclamamos muito e de tudo, todos nós.
Já imaginou que "formas-pensamento" estão sendo geradas, e todas elas se chocando no astral e atingindo a cada um de nós.
O  mau humor, a raiva, o ódio antes de chegar em alguém terá que necessariamente passar por quem o está  emitindo. Assim quem primeiro receberá esta carga não muito agradável é o próprio emissor.

Portanto, suba a frequência, e a sua vibração!
Não reclame, AGRADEÇA sempre!

Mesmo quando tudo estiver escuro,
Seja a Luz!
Ilumine, agradeça!

Quando tudo estiver por um fio, não estique, AFROUXE,  AGRADEÇA !
O seu mau humor em nada melhorará, pelo contrário, só fará você não
conseguir  ver claramente.

Por isso, SORRIA e AGRADEÇA !

Acostume-se a agradecer, e não a obrigar-se.
Diga sempre: grato ou agradecido, NUNCA “obrigado”.
Não se obrigue para não cobrar depois.

AGRADEÇA distribuindo assim sua boa vontade.

Da mesma forma não se desculpe.
Não se coloque na posição do culpado.
Do culpado ao coitado, há apenas um curto caminho.
Peça perdão se achar que a responsabilidade é sua.
Pedir perdão é buscar a liberdade, desculpar-se, é tomar-se devedor,
de quem liberou de suas costas, uma culpa irreal.

E lembre-se, nas adversidades e nos piores momentos, de repetir para si mesmo:

ISTO TAMBÉM PASSARÁ !

Melhore a qualidade da vida na Terra.
Cuide bem do lugar onde você vive.
Cuide bem daquilo que você come.
Cuide bem do ar que você respira.
Cuide bem da água que você bebe.
E em todas as ocasiões:

S O R R I A !!!
Gente feliz, alegre é mais difícil de ser manipulada.

Nunca perca de vista que somos todos um. 




.

11 de abril de 2020

Páscoa, é tempo de renovação.



Ó Noite de Alegria verdadeira,
uniu de novo o céu e a terra inteira !

Na natureza tudo parece estar em vias de mudança,

as folhas mais amareladas, caem das árvores.

 A temperatura é mais amena, os dias um pouco mais curtos...

Momentos de transição.



A passagem do verão para o inverno parece nos lembrar 

que a vitalidade do verão 
precisa passar por uma transformação 
para que possa, mais adiante, voltar a ser verão.


A Páscoa é também a lembrança de uma passagem. 

A constatação, de que tudo é impermanente. 

Assim como na primeira páscoa 

o povo judeu conquistou a libertação de seu cativeiro no Egito, 

os cristãos rememoram a mensagem de libertação 

que Jesus veio nos trazer.




A morte não é o final da vida, é apenas uma etapa,
uma transição necessária para atingirmos escalas mais altas,
mais próximas daquele que nos criou
.





Naquela manhã, diante do túmulo vazio, 

Maria de Magdala encontra-se com Jesus.

Era ela que estava com Maria aos pés da cruz
até o fim, quando os outros fugiram.

É a ela que Ele pede que avisem a Pedro e aos outros.
Foi a ela que ele escolheu dar primeiro esta notícia:
Estou aqui !

eu vencí !



Da mesma forma que os apóstolos acreditaram

no que parecia impossível,

é preciso manter sempre acesa a esperança,

manter firme o sonho

de que uma nova maneira de viver é possível:

mais fraterna, igualitária e amorosa. 




Jesus Ressuscitou!

O AMOR venceu!

É tempo de ressuscitar os sorrisos,

 o amor, a certeza de novos e melhores dias

Ressuscitar a Alegria e a esperança.
Ressuscitar a vontade de lutar
por um mundo que tenha a face do amor.
A face de Jesus.

Que a nossa páscoa seja a certeza de que caminhamos todos para a luz, 
para a igualdade, para o renascimento da Paz, da justiça 
e da alegria para todos, sem exceções.


Feliz Páscoa !

10 de abril de 2020

Pai, Perdoa. Eles não sabem o que fazem... Até hoje continuam não sabendo


O mundo cristão para hoje para lembrar de um inocente condenado à morte e morte de Cruz.  Um suplício contado e recontado e revivido nestes mais de 2000 anos que nos separam do ato em sí.



Neste ano com as igrejas fechadas não haverá nas igrejas  as adorações à Cruz, Vias Sacras.
o estranho costume de beijar a imagem do senhor morto. O Sermão das Chagas. Descendimento da cruz. Procissões do Enterro, com senhoras chorosas, 
acompanhando o esquife, e ainda o lamento de Verônica.

Eu nunca entendi  porque muitos preferem valorizar a cruz, o sofrimento e a morte 
ao invés da Alegria, da Vida e a Ressureição.



Os primeiros cristãos usavam como símbolo um peixe. São muitas as imagens encontradas nas catacumbas romanas.
Mas a igreja ao se submeter a Roma  preferiu a Cruz, o crucifixo, 
o sofrimento e a celebração do sacrifício incruento
ao invés do Ágape fraterno, 
do banquete de ação de graças do simples "partir do Pão". 

            

Jesus não está mais na cruz, Ele venceu a morte, 
e é esta imagem que deveria ter sido fixada.



 A imagem de um Deus que venceu, se libertou e que a partir disto pode libertar 
a todos os que forem até ele em busca de alívio para suas dificuldades.

Toda esta série de equívocos acabou por desvirtuar 
aquilo que de mais importante há na missão que Jesus nos confiou.


Ele disse: Eu vim para que todos tenham vida e vida em abundância!


Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei!

Cada vez que fizerdes qualquer coisa a um dos meus pequeninos é a mim que o fareis!


Quando será que vamos acordar e passar da sexta feira de escuridão 





para um domingo repleto de Luz ?



.










9 de abril de 2020

Uma quinta feira entre uma aclamação e uma crucifixão

Ele havia sido aclamado como um Rei, era de se esperar que agisse como um, mas surpreendeu a todos, aliás como era de seu feitio. Tirou o manto, tomou um jarro e uma bacia,  ajoelhou-se diante de seus companheiros e começou a lavar-lhes os pés. 


Mas essa não seria uma tarefa de escravos? 
Um deles tentou impedi-lo, e ele o repreendeu:  se não lhe lavo os pés, não terás parte comigo! 
Então era um ritual de iniciação aquilo? 
Sim era um ritual de iniciação mas muitos poucos entenderam desta forma,
e consta que ele ainda arrematou: Viram o que fiz ? Lavei os pés de vocês.
Então de agora em diante lavai os pés uns dos outros. 

 Mas aquela era uma ocasião especial e que estava só começando, e ele ainda os fez sentar à mesa e tomando de um pedaço de pão ele proferiu a benção e mais uma vez os surpreendeu. 

Este é o meu corpo que será dado por vós.
Fez o mesmo com o vinho, e o deu para que repartissem entre eles.

E então deu a segunda parte da iniciação, todas as vezes que vocês fizerem isso, será para relembrar este momento.

Lavem os pés uns dos outros e jamais esqueçam que eu estou me doando por vocês e para completar, para que não houvesse nenhuma dúvida arrematou: Amai-vos uns aos outros como eu vos amo, nisto está TODA a lei e toda a profecia.


Ele, como sempre, foi tão simples, tão direto. Não falou em sacrifícios, não falou em transubstanciações. Toda a Lei e toda profecia estava resumida em Amar como ele amou, e todo aquele que quiser fazer parte de seu reino, que é o reino do Pai só precisa saber ajoelhar-se diante de um semelhante seu, e lavar seus pés, humildar-se, porque para quem ama não existe humilhação. E de forma simples repartir o pão e o vinho, se fazendo “um” com aquele a quem se ama.

Dou-vos um novo mandamento:
Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei.




.

5 de abril de 2020

Hosana ao Filho de David

Hosana  !
Bendito o que vem em nome do Senhor!   
Bendito o Messias que vem para libertar o seu povo !
Jesus é recebido pelo povo como REI !

Com todo aquele alvoroço, mesmo quem não o conhecia
teve que prestar  atenção para aquela figura aclamada pelo povo.
Que povo é esse que grita, aclama, estende suas vestes para o REI dos pobres passar?


" mas, este não é o filho do carpinteiro de Nazaré?"
"Não é o filho do operário?"
"Não é o filho doidinho de Maria ?"
"E de Nazaré, pode sair alguma coisa que preste?"


Será que é este mesmo povo que poucos dias depois vai gritar 
contra esse inocente: CRUCIFICA-O ?

Não creio. 

Certamente entre os primeiros estavam seus admiradores, discípulos, gente que o conhecia e já tinha ouvido a sua mensagem  toda uma multidão de admiradores que o seguia pela Galileia.
Entre os últimos, estavam os comprometidos com o sistema: 
fariseus, doutores da lei, vendedores do templo. 
Aqueles que não queriam mudanças.
Os que tinham medo de perder os privilégios.
Os que tinham medo de desagradar os poderosos, os mesmos de sempre, que independente de quem está dominando, estão sempre no rol dos amigos do poder.
 Dizem que foram os mesmos que o aclamaram e depois o condenaram à morte, eu não acredito, a capacidade que os poderosos têm, ainda hoje, de manipular e forjar fatos é enorme. Com todo esse alvoroço certamente os poderosos perceberam que ali estava alguém muito perigoso. Era preciso eliminar rápido antes que tudo aquilo crescesse e tomasse um vulto incontrolável. O medo da força do povo reunido é muito grande.

Ainda hoje colocam na boca da assembleia nas igrejas esse grito maldito e absurdo. Porque será que querem manter o povo com esse sentimento de culpa?
Recuso-me a gritar contra aquele que escolhi como mestre e ideal de minha vida, assim como não quero vê-lo preso na cruz eternamente. 

O meu mestre e senhor já não está mais na cruz, ele ressuscitou e está vivo em cada um de nós. Por isso hoje a minha aclamação, mesmo sem os ramos na mão é a um verdadeiro REI que venceu a morte e nos conduz triunfante na construção do reino do pai.







HOSANA !

.



28 de março de 2020

Diante de Deus um homem que representa toda a humanidade




Era um fim de uma tarde fria, chovia. A  imensa praça estava totalmente vazia, como nunca antes esteve.
Mas  para os que tem olhos de fé, certamente não viam aquela figura branca, trôpega que  subia a rampa lentamente sozinho. Não, não estava só. Uma multidão de anjos o rodeavam e embora o ambiente irradiasse um silêncio absoluto, os que tem ouvidos de fé, podiam ouvir os cantos lindíssimos que invocavam O Sublime. Conforme ele subia a rampa em direção às escadas que o conduziriam ao altar, os anjos entoavam:
Kadoish, Kadoish Adonai Tsabaioz ! Santo, santo é o Senhor!


Do altar ouviram-se súplicas. Ele era naquele momento como que um ponto focal de toda a humanidade. Emocionado ele proclamou a palavra vinda do alto e que falava de homens simples, de uma fé, que vence as tempestades, e de um Jesus que dormia.  E ele clamou. 
Como no evangelho, toda a humanidade está com medo, a tempestade ameaça a todos.
No evangelho Jesus dormia...
E ele, no meio da praça clamou, e como Jesus havia dito aos discípulos, disse-nos que avivássemos a nossa fé.

Os meus olhos jamais esquecerão aquela figura frágil e abatida, como que carregando a tristeza das inúmeras mortes, que continuam acontecendo no mundo, intercedendo por toda a humanidade, alí. De pé sozinho diante da mãe e do filho, numa praça que de tão vazia parecia muito mais imensa do que ela já é.
Na praça repleta de anjos, prontos a espalhar pelo mundo a benção e a esperança vai também a certeza de que é tempo de mudanças, tempo de olhar para os pequeninos de Jesus e deixar de lado a loucura que estava dominando toda a humanidade: a sede de poder e de lucros.


Da cidade eterna para o mundo, Urbi et Orbi, mais que uma benção, um aviso, um recado:
é tempo de recobrar a fé, só ela nos fará vencer a tempestade.


12 de março de 2020

Por que os primeiros cristãos não gostavam da imagem de Jesus crucificado



A imagem de Jesus crucificado só começou a ser venerada séculos depois da morte dele, e foi o Concílio de Niceia, no ano 325, que autorizou oficialmente a imagem do crucifixo tal como o usamos hoje. Os seguidores dos primeiros séculos do cristianismo se envergonhavam de uma imagem que lhes recordava a morte atroz que os romanos infligiam aos grandes criminosos.
Desde que Paulo de Tarso declarou que “se Cristo não ressuscitou [...]é vã a nossa fé” (I Coríntios, 15), interessava aos cristãos o Jesus ressuscitado, não o sacrificado em uma madeira, como um assassino qualquer. Daí que nos primeiros séculos do cristianismo não existissem pinturas nem esculturas de Jesus crucificado, só um Cristo glorioso.
Nas catacumbas romanas, tanto nas de Santa Priscila como nas de São Calixto, onde se escondiam os cristãos para fugir da perseguição romana, não existem pinturas de Jesus na cruz. O líder dos cristãos aparece ou na imagem do Bom Pastor, ou celebrando a Última Ceia com os apóstolos, ou ainda criança nos braços da sua mãe. Nunca morto.
Lembro que no Instituto Bíblico de Roma nosso professor de idioma ugarítico, o jesuíta Follet, explicava-nos essa ausência da imagem de Jesus crucificado entre os primeiros cristãos: “Se o seu pai tivesse sido condenado à cadeira elétrica ou à guilhotina, certamente, por mais inocente que tivesse sido, vocês não levariam no pescoço uma efígie desses instrumentos de morte”, nos dizia ele. E acrescentava: “Ninguém conserva fotos dos seus familiares ou amigos quando mortos, e sim vivos e felizes”. Isso é o que ocorria com os cristãos: preferiam recordar Jesus em vida ou glorificado depois da sua morte.
Curiosamente, foi um imperador romano, o pagão Constantino, o Grande, quem introduziu a representação da cruz, mas sem o corpo de Jesus. Foi quando se converteu ao cristianismo, depois de ter tido um sonho, antes da batalha contra Magêncio, em que viu uma cruz e ouviu uma voz que dizia: “Com este signo vencerá”. O Império Romano começava a se debilitar, e o imperador percebeu a força da seita dos cristãos que se deixavam matar em vez de adorar seus deuses pagãos. Constantino quis conquistar aquela gente, e o cristianismo passou de açoitado a ser religião oficial. O imperador ganhou a batalha, e sacralizou-se o sinal da cruz, que foi aceito como símbolo cristão pelo Concílio de Niceia no ano 325.
Mesmo assim, trava-se apenas da cruz nua, sem o corpo de Cristo. Os primeiros crucifixos com o Jesus agonizante ou morto aparecem só no século V, e com muitas polêmicas. Os cristãos continuavam preferindo a imagem de Jesus vivo ou ressuscitado. Apenas na Idade Média, mais de mil anos depois da morte de Jesus, apareceram as primeiras representações dos crucifixos com o corpo dele mostrando os sinais de dor, sangrando pelas mãos, os pés e nas laterais.
A única pintura do crucifixo que aparece já no século I, considerada como a “primeira blasfêmia cristã”, é um grafite numa parede de gesso em Roma, ridicularizando os cristãos e Jesus. O crucificado aparece com a cabeça de um asno e a seguinte inscrição: “Alexamenos, adorando o seu deus”. Era uma zombaria com os primeiros cristãos, cujo deus os romanos haviam matado como um criminoso comum.
Isso significava, ensinavam-nos no Instituto Bíblico, que, sob a influência da conversão de Constantino, a Igreja começou também a se hierarquizar e a se revestir com os símbolos do poder mundano. Na verdade, se fez política e até mesmo drama com a crucificação para fomentar-se a teologia da cruz e do pecado, em detrimento da teologia da ressurreição e da esperança.
Para a Teologia da Libertação, por exemplo, a crucificação é o símbolo de todos os torturados e assassinados injustamente na história da humanidade, e a ressurreição é a grande esperança de todos os excluídos. Essa teologia, tão enraizada na América Latina, tentou ser uma volta ao cristianismo primitivo, no qual se destacava a imagem do Bom Pastor em vez da do crucificado. Entretanto, a Igreja, que até o papa Francisco ainda se revestia com os símbolos do poder dos imperadores romanos, preferiu inculcar a teologia do medo do inferno.
A Igreja do poder nunca se incomodou com o Jesus morto. Temeu mais ao Jesus vivo e encarnado, solidário com essa parte da humanidade que, como nos tempos do profeta crucificado, sempre acaba abandonada à própria sorte.