O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

18 de junho de 2015

Laudato si’: um “guia”. de leitura






idade do Vaticano (RV) - Laudato si’: um “guia”. Este texto oferece um instrumento de suporte para uma primeira leitura da Encíclica, ajudando a compreender o seu desenrolar na totalidade e a identificar as linhas principais. As primeiras duas páginas apresentam a Laudato si na sua globalidade; depois, cada página corresponde a um capítulo, indica seu objetivo e reproduz alguns trechos significativos. Os números entre parêntesis remetem aos parágrafos da Encíclica. As últimas duas páginas oferecem o índice completo.
Um olhar por inteiro
«Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?»  (160).  Este interrogativo é o âmago da Laudato  si’,  a esperada  Encíclica do Papa  Francisco sobre o cuidado da casa comum.  Que prossegue: «Esta pergunta não toca apenas o meio ambiente de maneira isolada, porque não se pode pôr a questão de forma fragmentária», e isso conduz a interrogar-se sobre o sentido da existência e sobre os valores que estão na base da vida social: « Para que viemos a esta vida? Para que trabalhamos e lutamos? Que necessidade tem de nós esta terra?»: « Se não pulsa nelas esta pergunta de fundo,–  diz o Pontífice  –  não creio que as nossas   preocupações ecológicas possam surtir efeitos importantes».  
O nome da Encíclica foi inspirado na invocação de São Francisco  «Louvado sejas, meu Senhor»,  que no Cântico das criaturas recorda que a terra, a nossa casa comum, « se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços» (1). Nós mesmos «somos terra (cfr Gen 2,7). O nosso corpo é constituído pelos elementos do planeta; o seu ar permite-nos respirar e a sua água vivifica-nos e restaura-nos» (2). 
Agora, esta terra maltratada e saqueada se lamenta e os seus gemidos se unem aos de todos os abandonados do mundo. O Papa Francisco convida a ouvi-los, exortando todos e cada um – indivíduos, famílias, coletividades locais, nações e comunidade internacional – a uma «conversão ecológica», segundo a expressão de São João Paulo II, isto é, a «mudar de rumo», assumindo a beleza e a responsabilidade de um compromisso para o «cuidado da casa comum». Ao mesmo tempo, o Papa Francisco reconhece que se nota « uma crescente sensibilidade relativamente ao meio ambiente e ao cuidado da natureza, e cresce uma sincera e sentida preocupação pelo que está a acontecer ao nosso planeta. » (19),  legitimando  um olhar de esperança que  permeia toda a Encíclica e envia a todos uma mensagem clara e repleta de esperança: « A humanidade possui ainda a capacidade de colaborar na construção da nossa casa comum. » (13); «o ser humano ainda é capaz de intervir de forma positiva » (58); «nem tudo está perdido, porque os seres humanos, capazes de tocar o fundo da degradação, podem também superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se » (205).
O Papa  Francisco  se dirige certamente aos fiéis católicos, retomando as palavras de São João Paulo II:  « os cristãos, em particular, advertem que a sua tarefa no seio da criação e os seus deveres em relação à natureza e ao Criador fazem parte da sua fé » (64), mas se propõe « especialmente entrar em diálogo com todos acerca da nossa casa comum »  (3):  o  diálogo  percorre  todo o texto,  e  no  cap.  5  se torna o instrumento para enfrentar e resolver os problemas. Desde o início, o Papa  Francisco  recorda que também «outras Igrejas e Comunidades cristãs – bem como noutras religiões – se tem desenvolvido uma profunda preocupação e uma reflexão valiosa» sobre o tema da ecologia (7). Ou melhor, assume explicitamente sua contribuição a partir do que foi dito pelo «amado Patriarca Ecuménico Bartolomeu» (7), amplamente citado nos nn. 8‐9. Em vários trechos, o Pontífice agradece aos protagonistas deste esforço  –  seja indivíduos, seja associações ou instituições –, reconhecendo que «a reflexão de inúmeros cientistas, filósofos, teólogos e organizações sociais que enriqueceram o pensamento da Igreja sobre estas questões»  (7)  e  convida todos a reconhecer «a riqueza que as religiões possam oferecer para uma ecologia integral e o pleno desenvolvimento do género humano» (62).
O itinerário  da Encíclica é traçado no n. 15  e  se desenvolve em seis capítulos. Passa-se de uma análise da situação a partir das melhores aquisições científicas hoje disponíveis (cap. 1), ao confronto com a Bíblia e a tradição judaico-cristã (cap. 2), identificando a raiz dos problemas (cap. 3) na tecnocracia e num excessivo fechamento autorreferencial do ser humano. A proposta da Encíclica (cap. 4) é a de uma «ecologia integral,  que  inclua  claramente  as dimensões humanas e sociais»  (137), indissoluvelmente ligadas com a questão ambiental. Nesta perspectiva, o Papa Francisco propõe (cap. 5) empreender em todos os níveis da vida social, econômica e política um diálogo honesto, que estruture processos de decisão transparentes, e recorda (cap. 6) que nenhum projeto pode ser eficaz se não for animado por uma consciência formada e responsável, sugerindo ideias para crescer nesta direção em nível educativo, espiritual, eclesial, político e teológico. O texto se conclui com duas orações, uma oferecida à partilha com todos os que acreditam num «Deus Criador Omnipotente» (246), e outra proposta aos que professam a fé em Jesus Cristo, ritmada pelo refrão «Laudato si’», com o qual a Encíclica se abre e se conclui.
O texto é atravessado por alguns eixos temáticos, analisados por uma variedade de perspectivas diferentes, que lhe conferem uma forte  unidade:  «a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta, a convicção de que tudo está estreitamente interligado no mundo, a crítica do novo paradigma e das formas de poder que derivam da tecnologia, o convite a procurar outras maneiras de entender a economia e o progresso, o valor próprio de cada criatura, o sentido humano da ecologia, a necessidade de debates sinceros e honestos, a grave responsabilidade da política internacional e local, a cultura do descarte e a proposta dum novo estilo de vida » (16).
Primeiro Capítulo – O que está a acontecer à nossa casa
O capítulo apresenta as mais recentes aquisições científicas em matéria ambiental como modo de ouvir o grito da criação, « transformar em sofrimento pessoal aquilo que acontece ao mundo e, assim, reconhecer a contribuição que cada um lhe pode dar » (19). Enfrentam-se assim «vários aspectos da actual crise ecológica» (15).
As mudanças climáticas:  « As mudanças climáticas são  um  problema  global com graves implicações ambientais, sociais, económicas, distributivas e políticas, constituindo actualmente um dos principais desafios para a humanidade» (25). Se « o clima é um bem comum, um bem de todos e para todos » (23), o impacto mais pesado da sua alteração recai sobre os mais pobres, mas muitos «daqueles que detêm mais recursos e poder económico ou político parecem concentrar-se sobretudo em mascarar os problemas ou ocultar os seus sintomas » (26): «a falta de reacções diante destes dramas dos nossos irmãos e irmãs é um sinal da perda do sentido de responsabilidade pelos nossos semelhantes, sobre o qual se funda toda a sociedade civil » (25).
A questão da água: O Pontífice afirma claramente que « o acesso à água potável e segura é um direito humano essencial, fundamental e universal, porque determina a sobrevivência das pessoas e, portanto, é condição para o exercício dos outros direitos humanos ».  Privar os pobres do acesso à água significa « negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável » (30).
A  preservação da  biodiversidade:  « Anualmente, desaparecem milhares de espécies vegetais e animais que já não poderemos conhecer mais, que os nossos filhos não poderão ver, perdidas para sempre»  (33).  Não são somente eventuais “recursos”  exploráveis,  mas têm um valor em si mesmos. Nesta perspectiva, « são louváveis e, às vezes, admiráveis os esforços de cientistas e técnicos que procuram dar solução aos problemas criados pelo ser humano »,  mas a intervenção humana, quando se coloca a serviço da finança e do consumismo,  « faz com que esta terra onde
vivemos se torne realmente menos rica e bela, cada vez mais limitada e cinzenta » (34).
A dívida ecológica: no âmbito de uma ética das relações internacionais, a Encíclica indica que existe «uma verdadeira “dívida ecológica”»  (51),  sobretudo do Norte em relação ao Sul do mundo. Diante das mudanças climáticas, existem «responsabilidades diversificadas» (52), e as dos países desenvolvidos são maiores.
Consciente das profundas divergências quanto a essas problemáticas, o Papa Francisco se  mostra  profundamente  impressionado com a  «fraqueza das reacções»  diante dos dramas de tantas pessoas e populações. Embora não faltem exemplos positivos (58),  sinaliza  «um certo  torpor  e  uma alegre irresponsabilidade » (59). Faltam uma cultura adequada (53) e a disponibilidade em mudar estilos de vida, produção e consumo (59), enquanto é urgente «criar um sistema normativo [...] que inclua limites invioláveis e assegure a protecção dos ecossistemas » (53).
Segundo capítulo – O Evangelho da criação
Para enfrentar as problemáticas ilustradas no capítulo precedente, o Papa Francisco relê as narrações da Bíblia, oferece uma visão global oriunda da tradição judaico-cristã e articula a «tremenda responsabilidade»  (90)  do ser humano  diante da criação, o elo íntimo entre todas as criaturas e o fato de que «o meio ambiente é um bem colectivo, património de toda a humanidade e responsabilidade de todos» (95).
Na Bíblia, «o Deus que liberta e salva é o mesmo que criou o universo. [...] n’Ele se conjugam o carinho e a força »  (73).  A narração da criação é central para refletir sobre a relação entre o ser humano e as outras criaturas e sobre como o pecado rompe o equilíbrio de toda a criação no seu conjunto: «Essas narrações sugerem que a existência humana se baseia sobre três relações fundamentais intimamente ligadas:  as relações com Deus, com o próximo e com a terra. Segundo a Bíblia, essas três relações vitais romperam-se não só exteriormente, mas também dentro de nós. Esta ruptura é o pecado» (66).
Por isso, mesmo que nós « cristãos, algumas vezes interpretámos de forma incorrecta as Escrituras, hoje devemos decididamente rejeitar que, do facto de ser criados à imagem de Deus e do mandato de dominar a terra, se deduza um domínio absoluto sobre as outras criaturas» (67). Ao ser humano cabe a responsabilidade de «“cultivar e guardar”  o jardim do mundo (cfr  Gen  2,15)»  (67),  sabendo que «o fim último das restantes criaturas não somos nós. Mas todas avançam, juntamente connosco e através de nós, para a meta comum, que é Deus » (83).
Que o ser humano não seja o dono do universo, «não significa igualar todos os seres vivos e tirar ao ser humano aquele seu valor peculiar » que o caracteriza; « também não requer uma divinização da terra, que nos privaria da nossa vocação de colaborar com ela e proteger a sua fragilidade »  (90).  Nesta perspectiva, « todo o encarniçamento contra qualquer criatura «é contrário à dignidade humana» »  (92),  mas « não pode ser autêntico um sentimento de união íntima com os outros seres da natureza, se ao mesmo tempo não houver no coração ternura, compaixão e preocupação pelos seres humanos »  (91).  Necessita-se da consciência de uma comunhão universal: « criados pelo mesmo Pai, estamos unidos por laços invisíveis e formamos uma espécie de família universal, […]que nos impele a um respeito sagrado, amoroso e humilde » (89).
O coração da revelação cristã conclui o Capítulo:  «Jesus  terreno»  com a  «sua  relação  tão concreta  e  amorosa com o mundo»  «ressuscitado e glorioso», está «presente em toda a criação com o seu domínio universal » (100).
Terceiro capítulo – A raiz humana da crise ecológica
Este capítulo apresenta uma análise da situação atual, «de modo a individuar não apenas os seus sintomas, mas também as causas mais profundas» (15), em um diálogo com a filosofia e as ciências humanas.
Um primeiro fulcro do capítulo são as reflexões sobre a tecnologia: é reconhecida, com gratidão, a sua contribuição para o melhoramento das condições de vida (102-103); todavia ela oferece «àqueles que detêm o conhecimento e sobretudo o poder económico para o desfrutar, um domínio impressionante sobre o conjunto do género humano e do mundo inteiro» (104). São precisamente as lógicas de domínio tecnocrático que levam a destruir a natureza e explorar as pessoas e as populações mais vulneráveis. «O paradigma tecnocrático tende a exercer o seu domínio também sobre a economia e a política» (109), impedindo reconhecer que «o mercado, por si mesmo[...] não garante o desenvolvimento humano integral nem a inclusão social» (109).
Na raiz se diagnostica na época moderna um excesso de antropocentrismo (116): o ser humano não reconhece mais sua correta posição em relação ao mundo e assume uma posição autorreferencial, centrada exclusivamente em si mesmo e no próprio poder. Deriva então uma lógica do «descartável» que justifica todo tipo de descarte, ambiental ou humano que seja, que trata o outro e a natureza como um simples objeto e conduz a uma miríade de formas de dominação. É a lógica que leva a explorar as crianças, a abandonar os idosos, a reduzir os outros à escravidão, a superestimar a capacidade do mercado de se autorregular, a praticar o tráfico de seres humanos, o comércio de peles de animais em risco de extinção e de “diamantes ensanguentados”. É a mesma lógica de muitas máfias, dos traficantes de órgãos, do tráfico de drogas e do descarte de crianças porque não correspondem ao desejo de seus pais. (123)
Nesta luz, a encíclica aborda duas questões cruciais para o mundo de hoje. Antes de tudo, o trabalho: «Em qualquer abordagem de ecologia integral que não exclua o ser humano, é indispensável incluir o valor do trabalho» (124), bem como «renunciar a investir nas pessoas para se obter maior receita imediata é um péssimo negócio para a sociedade» (128).
A segunda diz respeito aos limites do progresso científico, com clara referência aos OGM (132-136), que são «uma questão de carácter complexo» (135). Embora «nalgumas regiões, a sua utilização ter produzido um crescimento económico que contribuiu para resolver determinados problemas, há dificuldades importantes que não devem ser minimizadas» (134), a partir da «concentração de terras produtivas nas mãos de poucos» (134). O Papa Francisco pensa em particular nos pequenos produtores e trabalhadores rurais, na biodiversidade, na rede de ecossistemas. É, portanto, preciso assegurar «um debate científico e social que seja responsável e amplo, capaz de considerar toda a informação disponível e chamar as coisas pelo seu nome» a partir de «linhas de pesquisa autónomas e interdisciplinares que possam trazer nova luz» (135).
Quarto capítulo – Uma ecologia integral 
O coração da proposta da Encíclica é a ecologia integral como novo paradigma de justiça; uma ecologia «que integre o lugar específico que o ser humano ocupa neste mundo e as suas relações com a realidade que o circunda» (15). De fato, «isto impede-nos de considerar a natureza como algo separado de nós ou como uma mera moldura da nossa vida» (139). Isto vale, por mais que vivemos em diferentes campos: na economia e na política, nas diversas culturas, em particular modo nas mais ameaçadas, e até mesmo em cada momento da nossa vida cotidiana.
A perspectiva integral põe em jogo também uma ecologia das instituições: « Se tudo está relacionado, também o estado de saúde das instituições de uma sociedade tem consequências no ambiente e na qualidade de vida humana: “toda a lesão da solidariedade e da amizade cívica provoca danos ambientais” » (142). Com muitos exemplos concretos, o Papa Francisco reafirma o seu pensamento: há uma ligação entre questões ambientais e questões sociais e humanas que nunca pode ser rompida. Assim, « a análise dos problemas ambientais é inseparável da análise dos contextos humanos, familiares, laborais, urbanos, e da relação de cada pessoa consigo mesma » (141), enquanto «Não há duas crises separadas, uma ambiental e outra social, mas uma única e complexa crise sócio-ambiental» (139).
Esta ecologia integral «é inseparável da noção de bem comum» (156), a ser entendida, no entanto, de modo concreto: no contexto de hoje, no qual «há tantas desigualdades e são cada vez mais numerosas as pessoas descartadas, privadas dos direitos humanos fundamentais» comprometer-se pelo bem comum significa fazer escolhas solidárias com base em «uma opção preferencial pelos mais pobres» (158). Esta é também a melhor maneira para deixar um mundo sustentável às gerações futuras, não com proclamas, mas através de um compromisso de cuidado dos pobres de hoje, como já havia sublinhado Bento XVI: «para além da leal solidariedade entre as gerações, há que reafirmar a urgente necessidade moral de uma renovada solidariedade entre os indivíduos da mesma geração» (162).
A ecologia integral envolve também a vida diária, para a qual a Encíclica reserva uma atenção específica em particular em ambiente urbano. O ser humano tem uma grande capacidade de adaptação e «admirável é a criatividade e generosidade de pessoas e grupos que são capazes de dar a volta às limitações do ambiente, [...] aprendendo a orientar a sua existência no meio da desordem e precariedade» (148). No entanto, um desenvolvimento autêntico pressupõe um melhoramento integral na qualidade da vida humana: espaços públicos, moradias, transportes, etc. (150-154).
Também «o nosso corpo nos coloca em uma relação direta com o meio ambiente e com os outros seres vivos. A aceitação do próprio corpo como dom de Deus é necessária para acolher e aceitar o mundo inteiro como dom do Pai e casa comum; pelo contrário, uma lógica de domínio sobre o próprio corpo transforma-se numa lógica, por vezes subtil, de domínio sobre a criação» (155).
Quinto capítulo – Algumas linhas de orientação e acção 
Este capítulo aborda a pergunta sobre o que podemos e devemos fazer. As análises não podem ser suficientes: são necessárias propostas «de diálogo e de acção que envolvam seja cada um de nós seja a política internacional» (15), e « que nos ajudem a sair da espiral de autodestruição onde estamos a afundar» (163). Para o Papa Francisco é imprescindível que a construção de caminhos concretos não seja enfrentada de modo ideológico, superficial ou reducionista. Por isso, é indispensável o diálogo, termo presente no título de cada seção deste capítulo: «Há discussões sobre questões relativas ao meio ambiente, onde é difícil chegar a um consenso. [...] a Igreja não pretende definir as questões científicas, nem substituir-se à política, mas [eu] convido a um debate honesto e transparente para que as necessidades particulares ou as ideologias não lesem o bem comum» (188).
Com esta base o Papa Francisco não tem medo de fazer um julgamento severo sobre as dinâmicas internacionais recentes: «as cimeiras mundiais sobre o meio ambiente dos últimos anos não corresponderam às expectativas, porque não alcançaram, por falta de decisão política, acordos ambientais globais realmente significativos e eficazes» (166). E se pergunta: «Para que se quer preservar hoje um poder que será recordado pela sua incapacidade de intervir quando era urgente e necessário fazê-lo?» (57). Servem, ​​em vez disso, como os Pontífices repetiram várias vezes, a partir da Pacem in Terris, formas e instrumentos eficazes de governança global (175): «precisamos de um acordo sobre os regimes de governança para toda a gama dos chamados bens comuns globais» (174), já que «”a protecção ambiental não pode ser assegurada apenas com base no cálculo financeiro de custos e benefícios. O ambiente é um dos bens que os mecanismos de mercado não estão aptos a defender ou a promover adequadamente”» (190), que retoma as palavras do Compêndio da Doutrina Social da Igreja).
Sempre neste capítulo, o Papa Francisco insiste sobre o desenvolvimento de processos de decisão honestos e transparentes, para poder «discernir» quais políticas e iniciativas empresariais poderão levar «a um desenvolvimento verdadeiramente integral» (185). Em particular, o estudo do impacto ambiental de um novo projeto «requer processos políticos transparentes e sujeitos a diálogo, enquanto a corrupção, que esconde o verdadeiro impacto ambiental dum projecto em troca de favores, frequentemente leva a acordos ambíguos que fogem ao dever de informar e a um debate profundo» (182).
Particularmente significativo é o apelo dirigido àqueles que detêm cargos políticos, para que se distanciem da lógica «eficientista e imediatista» (181) hoje dominante: «se ele tiver a coragem de o fazer, poderá novamente reconhecer a dignidade que Deus lhe deu como pessoa e deixará, depois da sua passagem por esta história, um testemunho de generosa responsabilidade» (181).
Sexto capítulo - Educação e espiritualidade ecológicas
O último capítulo vai ao cerne da conversão ecológica à qual a Encíclica convida. As raízes da crise cultural agem em profundidade e não é fácil reformular hábitos e comportamentos. A educação e a formação continuam sendo desafios centrais: «toda mudança tem necessidade de motivações e dum caminho educativo» (15); estão envolvidos todos os ambientes educacionais, por primeiro « a escola, a família, os meios de comunicação, a catequese» (213).
O início é apostar «em uma mudança nos estilos de vida» (203-208), que também abre à possibilidade de “exercer uma pressão salutar sobre quantos detêm o poder político, económico e social» (206). Isso é o que acontece quando as escolhas dos consumidores conseguem «a mudança do comportamento das empresas, forçando-as a reconsiderar o impacto ambiental e os modelos de produção» (206).
Não se pode subestimar a importância de percursos de educação ambiental capazes de incidir sobre gestos e hábitos cotidianos, da redução do consumo de água, à diferenciação do lixo até «apagar as luzes desnecessárias» (211): «Uma ecologia integral é feita também de simples gestos quotidianos, pelos quais quebramos a lógica da violência, da exploração, do egoísmo» (230). Tudo isto será mais fácil a partir de um olhar contemplativo que vem da fé: «O crente contempla o mundo, não como alguém que está fora dele, mas dentro, reconhecendo os laços com que o Pai nos uniu a todos os seres. Além disso a conversão ecológica, fazendo crescer as peculiares capacidades que Deus deu a cada crente, leva-o a desenvolver a sua criatividade e entusiasmo» (220).
Retorna à linha proposta na Evangelii Gaudium: « A sobriedade, vivida livre e conscientemente, é libertadora» (223), bem como «A felicidade exige saber limitar algumas necessidades que nos entorpecem, permanecendo assim disponíveis para as muitas possibilidades que a vida oferece» (223); desta forma torna-se possível « voltar a sentir que precisamos uns dos outros, que temos uma responsabilidade para com os outros e o mundo, que vale a pena ser bons e honestos» (229).

Os santos acompanham-nos neste caminho. São Francisco, muitas vezes mencionado, é «o exemplo por excelência do cuidado pelo que é frágil e por uma ecologia integral, vivida com alegria» (10), modelo de como «são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres, o empenhamento na sociedade e a paz interior (10). Mas a encíclica recorda também São Bento, Santa Teresa de Lisieux e o Beato Charles de Foucauld.
Após a Laudato si, o exame de consciência, o instrumento que a Igreja sempre recomendou para orientar a própria vida à luz da relação com o Senhor, deverá incluir uma nova dimensão, considerando não apenas como se vive a comunhão com Deus, com os outros, consigo mesmo, mas também com todas as criaturas e a natureza.

4 de junho de 2015

Corpus Christ - Ir. Marcelo Barros

 Marcelo Barros



Creio que tal celebração deveria ser revertida num momento para se repensar com toda seriedade possível o mistério da Eucaristia. Deveríamos sair das pompas, ostentações e luxo e nos voltarmos para o silêncio contemplativo e reflexivo.
O primeiro momento deste processo reflexivo deveria ser um repensar a própria solenidade de Corpus Christi. Sabemos que esta festa surgiu no auge de uma violenta crise pela qual passava a Igreja Católica. A liturgia havia se sofisticado e se distanciado do povo. Era celebrada em latim, língua não mais falada pelas comunidades. Além de serem celebradas numa língua incompreensível, as liturgias eram pomposas, luxuosas, uma verdadeira afronta aos pobres. Tinham se tornado uma coisa para o clero, pois o povo fora reduzido a mudo espectador. Neste contexto corria solta a simonia: a celebração dos sacramentos, especialmente da Eucaristia, dependia de muito dinheiro. Assim, por exemplo, o preço da missa dependia do modo como o padre erguia a hóstia consagrada durante a anamnesis,  chamada de "consagração”, e considerada o momento mais importante da missa. Quanto mais alta a elevação, mais cara era a missa.
Por essa e outras razões a liturgia ficou reduzida a mero devocionalismo.  As pessoas não mais participavam da Eucaristia e a tinham apenas como simples devoção. Iam às igrejas para adorar o Santíssimo Sacramento e não para participar da Ceia do Senhor. A situação ficou tão grave que a própria hierarquia determinou que se comungasse pelo menos uma vez por ano, durante o período da Páscoa. Foi neste contexto que o papa Urbano IV, em 1264, fixou a solenidade de Corpus Christi: uma festa para adorar pública e pomposamente a hóstia consagrada. Portanto, a festa de Corpus Christi, como veremos a seguir, é um desvirtuamento radical do significado litúrgico do mistério do Corpo e do Sangue do Senhor. Ou, se preferirmos, uma traição do pedido do Mestre: "Tomai e comei, tomai e bebei”.
Considero a festa de Corpus Christi, na forma como ainda é celebrada atualmente, um desvirtuamento litúrgico e uma traição do mandato de Cristo por várias razões. Antes de tudo porque Jesus não deixou dito que ele queria ser adorado pomposamente num ostensório luxuoso nas igrejas e pelas vias públicas de uma cidade. Colocar a Eucaristia, sacramento do simples e pobre pedaço de pão, num ostensório de ouro é, recordando São João Crisóstomo, ofender aquele que não tinha onde reclinar a cabeça.
Em segundo lugar porque o cerne da Eucaristia está não na adoração, mas na refeição, na comida, na ceia. Ou, se quisermos, o modo correto de adorar a Eucaristia é participar da ceia, é comer do pão e beber do cálice. De fato, Jesus não disse "tomem e adorem, mas tomem e comam, tomem e bebam”. A adoração eucarística surgiu por meio do costume de se levar um pedaço do pão eucarístico para os doentes impedidos de participar da celebração litúrgica dominical. E como se acreditava que aquele pedaço de pão era o sacramento do Corpo e Sangue de Cristo, enquanto ele não era levado e consumido pelo doente, era adorado como sacramento da real presença de Cristo no meio da comunidade cristã.
O hábito de consagrar hóstias apenas para trancá-las num "cofre dourado” e ser adorado pelas pessoas é um costume que nasce no contexto de crise antes mencionado, quando se havia perdido por completo a noção do mistério eucarístico. Portanto, é algo que destoa do significado da Eucaristia para a comunidade cristã. As normas para o culto à Eucaristia fora da missa, emanadas pelo próprio Vaticano, são muito claras a este respeito. Chegam inclusive a dizer que se deve evitar neste culto tudo aquilo que possa tirar da Eucaristia a sua natureza de alimento, de comida, de refeição. Por rigor de lógica as espécies eucarísticas, quando colocadas para a veneração dos fiéis, deveriam ser postas em pratos de comida e não em ostensórios luxuosos. Porém, as próprias autoridades eclesiásticas são as primeiras a não obedecer aquilo que escrevem para os outros.
Em consonância com o que acabou de ser dito, a festa de Corpus Christi deveria ser uma oportunidade para uma profunda catequese sobre o que é, de fato, a Eucaristia. Infelizmente a crise antes mencionada levou a se pensar na Eucaristia como o sacramento da "carne” do homem histórico Jesus de Nazaré. Assim a concepção comum presente na mente de bispos, padres e fiéis é que os termos "carne”, "corpo”, "sangue” se refiram exclusivamente ao corpo biológico de Jesus. A Eucaristia seria a transformação de algumas hóstias e de um pouco de vinho num amontoado de células e moléculas do corpo físico do Jesus histórico que viveu na Palestina há dois mil anos.
Porém, quando nos voltamos para os textos bíblicos não é essa a compreensão que temos. O termo "corpo” (em hebraico "basar” e em grego "soma”) não significa apenas o aspecto biológico, mas a pessoa inteira na sua condição de corporalidade. Trata-se da pessoa na sua totalidade revelada em sua forma visível e em comunicação com os outros. Jesus, segundo Marcos (14,22-24), o mais antigo dos evangelhos, ao dizer na última ceia "éstin tò somá mon” ("isto é o meu corpo”) e "éstin tò haîmá mon” ("isto é o meu sangue”), não está se referindo apenas ao seu corpo biológico, às células do seu corpo físico, mas à totalidade da sua pessoa de Filho de Deus encarnado. E quando convida os discípulos a comerem do seu "corpo” e a beberem do seu "sangue” Jesus não está pensando num ritual antropofágico ou canibal, mas num gesto de comunhão e de adesão plena à sua pessoa.
O biblista italiano Settimio Cipriani, que estudou profundamente esta questão, afirma que as palavras de Jesus poderiam ser traduzidas da seguinte maneira: "O que estou fazendo (partindo o pão e distribuindo-o) significa a oferta da minha pessoa por vocês”. De fato, nas culturas antigas, especialmente na cultura judaica, o ato de comer e de comer juntos não tem apenas o significado biológico de ingerir substâncias para saciar a fome e manter-se vivo. Comer e comer juntos tem um significado simbólico, sacramental: significa que os comensais participam da mesma sorte, estão unidos pelo mesmo destino, estão em comunhão entre si. Assim sendo, a participação na Eucaristia, na Ceia do Senhor, é um gesto sacramental através do qual o cristão e a cristã manifestam a sua adesão total à pessoa de Jesus e se dispõem a participar da mesma sorte do Mestre. Portanto, reduzir a Eucaristia a um significado meramente biológico, a um pedaço da carne biológica de Cristo (como se tem feito em alguns casos de supostos milagres eucarísticos) é desvirtuá-la completamente do seu verdadeiro significado sacramental.
Isso pode ser confirmado pelo texto eucarístico do Evangelho de João (6,51-56). Mesmo não narrando a instituição da Eucaristia, João apresenta Jesus convidando seus ouvintes a comerem a sua carne e a beberem o seu sangue. Sabemos que na Bíblia o termo "carne” (em hebraico "basar” e em grego "sárx”) não significa apenas o elemento físico, biológico, mas a pessoa humana, na sua totalidade, existindo como ser frágil e mortal. É o ser humano total na sua condição de caducidade. Por sua vez o "sangue” (em hebraico "dam” e em grego "haîma”) não significa apenas o líquido vermelho que escorre nas veias do ser humano, mas a sua vida, o seu existir pleno. O convite de Jesus feito a seus ouvintes significa um convite a entrar em plena sintonia com a sua pessoa e o seu projeto de vida. Participar da Eucaristia é aderir ao mistério do Filho de Deus que "se fez carne” (Jo 1,14), ou seja, que abriu mão da sua condição divina para viver entre nós como "simples homem” (Fl 2,7-8). Participar da Eucaristia não é participar de um rito antropofágico, no qual se come um pedaço da carne biológica do Jesus histórico, mas comungar da sua fragilidade, da sua fraqueza, da sua encarnação. Se entendêssemos isso causaríamos uma verdadeira revolução no cristianismo e contribuiríamos para o advento de uma nova humanidade.

Por fim, a festa de Corpus Christi deveria ser um momento para se pensar numa solução definitiva para o problema daquelas milhares de comunidades cristãs espalhadas pelo mundo e que são privadas da celebração eucarística dominical, por falta de um ministro ordenado que a presida. Se a Eucaristia é o centro e o cerne da vida cristã, deixar uma comunidade sem celebração eucarística dominical é impedi-la de viver a sua verdadeira identidade. Soluções já existem como já tive oportunidade de mostrar, mas a hierarquia resiste e não quer adotá-las. Se a hierarquia não resolve, cabe às comunidades cristãs abandonadas encontrarem uma solução. E Tertuliano, um escritor cristão do final do II e início do III século, propôs uma solução muito simples. Mesmo reconhecendo que em circunstância normais cabe ao bispo e seu conselho presbiteral presidir a Eucaristia, Tertuliano afirmava: "Onde não há um colégio de ministros inseridos, tu, leigo, deves celebrar a Eucaristia e batizar; tu és, então, o teu próprio sacerdote, pois, onde dois ou três estão reunidos, aí está a Igreja, mesmo que os três sejam leigos”.

Marcelo Barros é autor de Antropologia da formação inicial do presbítero, pela Editora Loyola além de muitas outras obras.
fonte:  marclobarros.com


O Corpus Christi de Dom Helder




No primeiro ano de seu serviço pastoral, na Festa de Corpus Christi,  o arcebispo chega pontualmente à catedral para iniciar a missa e depois a procissão na qual deve carregar pelas ruas o ostensório dourado com o Santíssimo Sacramento. Começa a missa. Na oração da coleta, não consegue ler o que está no missal. Com os olhos marejados de lágrimas e a voz tomada pela emoção, ora:
“Senhor, é mais fácil reconhecer a tua presença na hóstia consagrada do que nos milhares de irmãos e irmãs miseráveis que sofrem e penam pelas ruas e cortiços do mundo. Como poderemos passar pelas ruas, com o pão, sinal da tua presença para um mundo novo e de partilha, indiferentes aos adultos e crianças que jazem abandonados no chão?
Dá-nos a graça de adorar a tua presença no pão da Eucaristia, de modo que possamos te reconhecer e honrar em cada ser humano, especialmente nos irmãos e irmãs mais marginalizados”.
Dom Marcelo Barros
[Barros, Dom Marcelo. Dom Helder, profeta do macroecumenismo
(Reflexão em estilo de testemunho).
 Em: Rocha, Zildo (organizador). Helder, o dom. – Petrópolis, RJ: Vozes, 1999, p. 179.]
Nesse entardecer de quinta-feira, festa de Corpus Christi, peguei na estante um livro adquirido há alguns anos e que há tempos eu não lia. É um livro que foi organizado por Zildo Rocha e publicado em 1999, em homenagem aos noventa anos de Dom Helder Camara. Queria ler um texto escrito pelo monge beneditino Dom Marcelo Barros. Dom Marcelo teve o privilégio de trabalhar com Dom Helder Camara, além de, como ele próprio afirma, ter tido “a graça de ser ordenado diácono e padre por Dom Helder”.
Pois bem, quis ler este texto hoje porque ele começa exatamente com um relato que Dom Marcelo faz de uma celebração de Corpus Christi, a primeira presidida por Dom Helder depois dele  ter sido sagrado arcebispo da Arquidiocese de Olinda e Recife.  O relato, posto como epígrafe a este texto, nos fala muito da mística do arcebispo cearense que, de Pernambuco, influenciaria decisivamente os rumos da Igreja Católica no continente latino-americano.
Dom Helder foi um homem profundamente místico, disso não tenho dúvidas. Mas sua mística era a mística da ação, embora tenha sido, simultaneamente, um homem que vivenciou  uma relação íntima com Deus na Oração. Mas, diferentemente daquele tipo de místico que precisa ficar a sós para falar com Cristo, ele prescindia de tal estratégia porque sua forma de encontrar o Mestre a quem amava e a quem dedicou sua vida era estar com os muitos Cristos com os quais cruzava diariamente nas ruas, praças, avenidas  e bairros pobres da cidade.
Para um homem da estirpe de Dom Helder Camara,  Cristo assomava em cada esquina, esperando apenas um aceno para que se manifestasse em busca de um gesto de acolhimento, de um olhar misericordioso, de quem lhe estendesse a mão.  Talvez essa experiência, a de quem é capaz de ver Cristo transfigurado no irmão que sofre por sentir-se excluído e desamparo, seja a mais autêntica experiência espiritual a que alguém possa aspirar.
Não é coisa fácil. Não se trata apenas de dar um pedaço de pão ou um prato de comida ao irmão faminto, embora isso não esteja excluído. Viver a experiência do Cristo transfigurado que se  manifesta no quotidiano de cada um de nós implica, mais que  ajudar a matar a fome por um dia, cuidar para que as condições sejam tais que não haja mais fome e, portanto, não seja mais necessário sair rua a fora distribuindo o alimento aos necessitados. Foi isso o que fez Dom Helder. É isso o que raramente conseguimos fazer.
Então, me pergunto: eu ousaria celebrar a festa de  Corpus Christi como Dom Helder a celebrava?  Não sei se eu poderia responder afirmativamente esta pergunta. Seguir um cortejo capitaneado por um padre que leva à frente um ostensório é fácil. Difícil é seguir aquele Cristo que assoma bem ali à minha frente à espera de que eu lhe estenda a mão.
Quero concluir este texto com uma observação feita por Dom Marcelo a propósito da profunda compaixão  e respeito que Dom Helder tinha por todas as pessoas, mesmo por aquelas que ele mais teria motivos para antipatizar ou rejeitar. São palavras que têm muito a nos ensinar, pois fazem ver o Cristo transfigurado em todos os irmãos, mesmo nos mais antipatizados. Escreve Dom Marcelo:
“No Recife, Dom Helder encontrou um clero no qual havia padres conhecidos por suas posições conservadoras. Nunca, ninguém pôde dizer que foi preterido ou marginalizado pelo arcebispo. Ele gostava de repetir:
- Se você concorda comigo, me confirma. Mas, se discorda, me ajuda mais porque me obriga a aprofundar o meu ponto de vista”
 A autoria do Texto é do  Psicólogo Vasco Arruda
Psicólogo e professor de História das Religiões e Psicologia da Religião

Em http://blog.opovo.com.br/

3 de junho de 2015

Corpus Christi




Um pouco de história:

A festa religiosa começou a ser celebrada há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade belga de Liège, tendo sido ampliada à Igreja universal pelo Papa Urbano IV através da bula papal "Trasnsiturus de hoc mundo" em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios compostos por St. Tomas de Aquino.

Até o século XI, a linguagem sobre a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia não tinha conotação fisicista, ou seja, não se cogitava a hipótese da transubstanciação.

Utilizava-se normalmente a designação de corpo real de Cristo para a Igreja e Corpo místico para a Eucaristia. 
Hoje é exatamente ao contrário: o corpo real é a Eucaristia e o corpo místico é a igreja.

Nos primórdios do século XIII, Inocêncio III diz que o pão e o vinho da Eucaristia são o verdadeiro corpo e sangue de Jesus Cristo. O ato da consagração é visto como um rito com efeitos automáticos que opera, pelas palavras de Cristo, a mudança da substância do pão e do vinho na substância do corpo e do sangue de Cristo. Como o corpo e a alma são inseparáveis da divindade de Cristo, a divindade de Cristo está também presente na Eucaristia. 
O Concílio de Latrão utiliza a terminologia “substância” e “espécies”. Espécie é aquilo que não subsiste por si e é variável. O corpo de Cristo permanece oculto sob as espécies do pão e do vinho [Denz. 430]. 

Urbano IV diz que a Eucaristia é a comemoração de Cristo. Nesta comemoração, o Senhor torna-Se presente com a Sua substância [Denz. 459]. 
Neste tipo de linguagem já não existe a noção de que a Eucaristia não é uma questão biologica mas sim espiritual. 

Por outras palavras, a Eucaristia que corporiza o Cristo histórico, mas o Cristo ressuscitado, como diz o evangelho de São João: “Isto escandaliza-vos? E se virdes o filho do Homem subir para onde estava antes? O Espírito é quem dá vida, a carne não serve para nada. Ora, as palavras que vos disse são Espírito e Vida” (Jo 6, 62-63). 

No século XV, o Concílio de Constança diz que sob o véu do pão e do vinho, está o próprio Jesus que sofreu na cruz e está sentado à direita do Pai [Denz. 666].
Por seu lado, o Concílio de Florença afirma que, em cada pedacinho da hóstia consagrada, bem como em cada gota do vinho, está Cristo inteiro [Denz. 698], numa visão holográfica da Eucaristia.




Quando Deus criou o homem, Ele disse:
Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Gn: 1,26,

 Então se o homem tem uma forma 
ela é uma réplica daquela que lhe serviu de modelo

O corpo de Deus !.

Quando nos referimos ao Corpo de Deus,
normalmente pensamos na Sagrada Eucaristia.

Mas será que o corpo do Deus vivo
está somente na Eucaristia sobre o altar? 
.
Lembro-me de uma música, cuja letra é bem oportuna:
.
"TU NÃO HABITAS EM TENDAS,
NEM EM TEMPLOS FEITOS POR MÃOS.
ETERNO, PERFEITO, PRINCÍPIO E FIM,
ACIMA DAS RELIGIÕES.
NÃO HÁ NADA NO CÉU,
NA TERRA OU NO MAR,
SEMELHANTE A TI, SENHOR.
TUA IMAGEM ESTÁ, REVELADA EM NÓS
EXPRESSÃO DO TEU AMOR
INCOMPARÁVEL,
SENHOR TU ÉS
MINH'ALMA ESTÁ APEGADA A TI,
SENHOR INCOMPARÁVEL ÉS. "


Sendo assim como será que anda
este corpo de Deus revelado em nós ?



Como podemos permitir que esta seja
a imagem e semelhança do Deus que dizemos crer?
.
"Em verdade eu vos declaro:
todas as vezes que fizestes isto
a um destes meus irmãos mais pequeninos,
foi a mim mesmo que o fizestes"
Mt 25,40


De que forma devemos então 
comemorar esse   Corpus Christi  ?






Nota explicativa:
Denz = Heinrich Joseph Dominicus Denzinger (1819 - 1883) foi um teólogo católico e autor do Enchiridion Symbolorum et Definitionum(Manual de credos e definições) comumente chamado de "Denzinger" ou simplesmente DENZ.


1 de junho de 2015

Papa Francisco explica como se faz a oração de contemplação,


O Papa Francisco explicou hoje como se faz a oração de contemplação, pedindo que deixemos de lado um pouco as novelas e as fofocas para dialogar com o Senhor.


Fazer a oração de contemplação é simples, explicou o Papa: basta "pegar o Evangelho, ler e imaginar-me na cena, imaginar-me o que acontece e falar com Jesus, como me vem do coração".

Segundo Francisco – que falava em sua homilia hoje na Casa Santa Marta –, a contemplação diária das passagens e histórias do Evangelho nos ajuda a ter a verdadeira esperança.

O Papa afirmou que é muito importante fazer a “oração de contemplação”, que só se pode fazer “com o Evangelho na mão”.

“Como fazer a contemplação com o Evangelho de hoje? Vejo que Jesus estava no meio do povo, uma multidão estava ao seu redor. Neste trecho, a palavra ‘multidão’ é repetida cinco vezes. Ele não descansava nunca? Sempre com a multidão... Jesus passou a maior parte de sua vida na rua, com o povo... Uma vez só ele se repousou: diz o Evangelho que dormiu em um barco, mas chegou uma tempestade e os discípulos o acordaram. Jesus estava continuamente com as pessoas. E olhando assim para Jesus, eu o imagino assim, o contemplo e lhe digo o que me passa pela cabeça”.

O Evangelho do dia diz ainda que Jesus nota uma mulher doente que, em meio à multidão, o toca. O Papa explicou que Jesus “não só entende a multidão, toca a multidão, sente o bater do coração de cada um de nós. Tem cuidado por todos, sempre!. E o mesmo acontece quando o chefe da Sinagoga lhe conta que sua filha está gravemente doente: Ele deixa tudo e se ocupa disso”.

Francisco continuou a imaginar o que acontece naqueles momentos: Jesus chega a casa, as mulheres choram porque a menina morreu; Jesus lhes tranquiliza e as pessoas zombam Dele. “Neste episódio – completou o Papa – se vê a paciência de Jesus”. E depois da ressurreição da menina, Jesus, ao invés de dizer “Força Deus”, lhes diz: “Por favor, deem comida para ela”. “Jesus tem sempre os pequenos detalhes diante de Si”.

“O que eu fiz, com este Evangelho, foi justamente a oração de contemplação: pegar o Evangelho, ler e imaginar-me na cena, imaginar-me o que acontece e falar com Jesus, como me vem do coração. E com isso nós fazemos crescer a esperança, porque temos e mantemos fixo o olhar em Jesus. Façam esta oração de contemplação. ‘Mas eu tenho tanta coisa para fazer!’; ‘Mas em sua casa, 15 minutos, pegue o Evangelho, um pequeno trecho, imagine o que aconteceu e fale com Jesus sobre aquilo. Assim o seu olhar estará fixo em Jesus, e não tanta na novela, por exemplo; o seu ouvido estará fixo nas palavras de Jesus e não tanto nas fofocas do vizinho, da vizinha …”.

“E assim – afirmou o Papa – a oração de contemplação nos ajuda na esperança. Viver da substância do Evangelho. Rezar sempre!”.

"Para olhar o Senhor, para conhecê-Lo, peguemos o Evangelho e façamos esta oração de contemplação. Hoje, por exemplo, procurem 10 minutos, 15, não mais que isso, leiam o Evangelho, imaginem e digam algo a Jesus. E nada mais. E assim o seu conhecimento de Jesus será maior e a sua esperança crescerá. Não se esqueçam, mantendo o olhar fixo em Jesus. E por isso a oração de contemplação”. 
sources: RÁDIO VATICANO

28 de maio de 2015

Palavras e sentimentos cuidado com deles.

Nestes tempos de muito ódio, em que mais que nunca absurdo e graça andam muito juntos, palavras ditas ao vento sem que se dê conta de seu efeito, é  algo em que devemos refletir.
Na verdade, palavras e sentimentos a elas atrelado são como flechas lançadas e  a primeira pessoa afetada por um sentimento negativo ou positivo é o próprio emissor. É ele  quem está mais perto do sentimento na hora em que é gerado. Pense nisso na hora em que resolver ficar cultivando raiva de alguém. A Raiva é um sentimento natural quando espontâneo, mas que pode se tornar corrosivo a medida e que é cultivado e transformado em mágoa ou ressentimento.
Além dos próprios sentimentos  palavras tem um poder incrivel. O Dr Masaru Emoto e seu famoso experimento com a água ( http://www.masaru-emoto.net/english/water-crystal.html) deixa isso muito claro e comprovado.

Palavras e sentimentos ...

segue abaixo o relato da experiencia de 
Patricia Sakavicius

Há algum tempo vi uma matéria sobre um experimento feito com arroz cozido que nos sugeria que é real a influência energética das palavras. No experimento, dois potes com arroz cozido foram etiquetados: um com a palavra AMOR e outro com a palavra ÓDIO, e houve uma diferença significativa no processo de deterioração dos dois.
Resolvi fazer o teste, queria ver aqui pertinho de mim as coisas acontecendo. Foi inacreditável o resultado.
Como foi feito:
1-      Lavei com água e detergente neutro dois potes de vidro de mesmo tamanho e suas respectivas tampas.
2-      Repeti o processo.
3-      Sequei ambos os vidros e suas tampas com papel absorvente (papel toalha)
4-      Coloquei a mesma quantidade de arroz cozido, que tinha sido feito naquele mesmo dia, 1 hora antes (melhor que sejam feitos sem sal, sem óleo ou qualquer outro tempero). Fechei os potes.
5-      Etiquetei ambos os potes. Um com a palavra AMOR e o outro com a palavra ÓDIO.
6-      Deixei ambos em cima da geladeira, pois lá receberiam as mesmas condições ambientais (temperatura e luminosidade). Uma distância pequena entre os potes, creio que uns 5cm. Chamei este local de “descanso”.
7-      Uma vez ao dia, nos 3 primeiros dias, eu retirava o pote etiquetado AMOR e me afastava do local de descanso para assim pronunciar sobre o pote palavras doces, gentis e positivas durante um minuto (ex.: amor, carinho, ternura, alegria, felicidade, eu amo você, você é sensacional, tenhamos fé, você é forte, etc). Depois disso, o pote voltava ao lugar de descanso.
8- Em seguida, eu retirava o pote etiquetado ÓDIO do local de descanso, me afastava dali e pronunciava sobre ele durante um minuto também, palavras negativas, xingamentos e reclamações (ex.: ódio, raiva, ressentimento, mágoa, preguiça, que porcaria, droga de vida, idiota, fraco, não aguento mais, etc). Depois disso, o pote voltava ao lugar de descanso.
9-      No quarto dia já havia uma diferença bem visível entre os potes. No AMOR víamos duas manchas rosadas na parte de baixo, mas o restante de arroz estava ainda claro e sem sinais visíveis de bolor. O arroz do pote ÓDIO, estava um pouco escuro por inteiro.
10-      Esperei até que completasse uma semana de descanso para fotografar.
11-   O resultado está nas fotos aí embaixo…


Dia 08/06/2014 – a preparação e início da experiência




Dia 16/06/2014 – exatamente uma semana após o início da experiência… vamos ver o que temos:



Pote ÓDIO, mais de perto: 





Pote AMOR, mais de perto: 




Ambos os potes, um mês após o início da experiência:




Como não imaginar o que acontece conosco ao ouvir ou dizer palavras negativas? Fiquei imaginando como nossas células recebem essa influência, como emana de volta ao universo esta influência… como não nos preocupar com crianças que ouvem palavras duras de pais e educadores? Fica difícil acreditar que palavras ditas “da boca pra fora” ou “apenas pra desabafar” não faça algum estrago. Qual estrago exatamente, não sabemos, pois não temos como colocar um pedaço de nós num vidro para ficar observando. E justamente por isso, fica mais fácil acreditar que “reclamar é bom pra desabafar”, que uma palavra negativa dita “sem intenção de magoar” está isenta de problema, que viver em meio a problemas é “obra do acaso” ou “castigo divino”.
Eu não sei de nada, de nada mesmo, sou uma eterna aprendiz! Mas não consigo acreditar nessas afirmações acima. Não conseguia antes, agora menos ainda!!! Cheguei a conclusão que somos o resultado do que pensamos, do que falamos e do que fazemos. Eu já achava isso, mas agora….

Não acredite somente, faça  também esta experiência para comprovar a veracidade da mesma.

extraído de:
artigos de Patricia Sakavicius - Elenco de Soluções



27 de maio de 2015

A Separação Começou




Hoje ao abrir meu e-mail, coisa que muita gente nem usa mais, mas como eu estou velho ainda me apego a estas coisas antigas. Mas sim, ao abrir a caixa de mails me deparo com uma mensagem que diz: "A separação começou" curioso  abro a mensagem e vejo que se trata de mais uma destas  canalizações que vem falar  do momento “espiritual” vivido por nós nesta “Terra agonizante“, uma canalização assinada por Emanuel. Não consegui entender se esse Emanuel é aquele que ditou livros para o Chico Xavier, ou se é o próprio Deus conosco. Confesso que nem dei muita atenção mensagem e segui lendo meu correio. Ao passar para a tarefa seguinte, o facebook, encontrei algumas noticias que me trouxeram de volta a tal da separação.
Vi um padre sendo extorquido por ter suas fotos intimas com seu namorado nas redes,  e até a entendi as punições e suspensões impostas, afinal ele descumpriu um voto importante livremente assumido. Mas logo abaixo nos comentários encontro alguém que se dizendo católico  afirma claramente que se encontrasse este sacerdote lhe daria um tiro.
 Logo adiante encontro mais mensagens estranhas de gente pregando a pena de morte e a menoridade penal para o assassino do médico na Lagoa. E para coroar a sequencia de notícias e para  espanto meu, acabo de saber que uma pessoa MORREU  por falta de atendimento em uma Santa Casa que estava fechada porque a família de artistas globais estava sendo atendida. E quano pensei que a festa de horrores estava acabada, ainda encontro que os deputados estão querendo detonar o SUS, o mesmo que atendeu os globais, para que os planos de saúde possam ter uma maior atuação.
Acho que o Emanuel de certa forma até pode ter razão, seja ele o mentor do Chico ou o próprio Deus conosco. Tem sim uma divisão e eu sei bem de que lado estou, e confesso que está bem difícil conviver com esse outro lado, que vive para espalhar ódio,  invocar vinganças, bater panelas e que é regido pela Lei de Gerson. 

24 de maio de 2015

Pentecostes

(Frei Isidoro Mazzarolo)*



A Festa de Pentecostes  é um marco solido da fé cristã. A narrativa de Lucas no livro dos Atos dos Apóstolos (At 2,1-13) revela que os discípulos estavam reunidos no mesmo local dos encontros anteriores (os discípulos se reuniam de modo secreto e escondido, pois temiam perseguições por estarem envolvidos com Jesus, que fora condenado como malfeitor).
Pentecostes é o evento em que os discípulos perdem o medo e encontram através da força do Espírito Santo a coragem de testemunhar o Evangelho e assumir todos os riscos inerentes à vocação.
As línguas de fogo representam a força do alto, a intervenção divina e a luz do Espírito Santo que ilumina, aquece e encoraja. Pode-se dizer que as línguas de fogo são a unção de Deus para a nova missão dos discípulos. Eles até agora reunidos a portas fechadas, deixam o lugar e partem corajosamente para anunciar a missão, a paixão e a ressureição de Jesus.
Assim como quando Jesus lê o livro do profeta Isaias ( Is 61,1-2) e se sente ungido  para anunciar a boa nova aos pobres, libertar os cativos e curar todas as enfermidades.
Pentecostes pode ser considerado como o evento do início da Igreja. O  medo, a perseguição, os sofrimentos não são mais razões para o confinamento das testemunhas oculares dos fatos da vida de Jesus. Agora eles entendem e assumem a sua vocação missionária e evangelizadora, e para tanto, sabem que precisam sair  ao encontro das pessoas.
Ao contrário de babel, onde os habitantes que eram da mesma cultura viviam a perfeita confusão, em Pentecostes, todos entendem, mesmo sendo de culturas e línguas diferentes . Sob a assistência do Espírito Santo, nasce a igreja verdadeiramente unificadora. Como vai afirmar Paulo, mais tarde, a igreja busca a unidade no evangelho, superando as distinções existentes entre homem e mulher, escravo  e livre, grego e judeu. Dessa forma os cristãos se sentem impelidos e ungidos para uma missão que exigia desinstalação, saída, busca e caminho para fora, a fim de levar ao mundo a mensagem do Cristo Ressuscitado. ( MT 28,18-20)
A unidade das línguas, das raças e das culturas e uma demonstração de que o Espírito de Deus esta sobre o mundo, ligando e conectando corações, inteligências e vontades.
Exigências atuais para depois de Pentecostes: não restam dúvidas de que há hoje uma necessidade imperativa de entender a vocação e a missão a partir de Pentecostes. Há muitos cristãos que ainda estão fechados sobre si mesmos, trancados em seus apartamentos e casas com medo da missão, da evangelização e do anúncio. Há uma acomodação e certo comodismo religioso carecendo profundamente do vigor do espírito.
Pentecostes é missão, é saída e busca das ovelhas que não são deste aprisco e elas não serão reunidas se não houver missionários e evangelizadores que deixem seus redutos para ir em busca das mesmas a fim de que haja um só rebanho e um só pastor. ( Jo 10,16)

É mister rever, reviver e encarar a missão dos apóstolos, em Pentecostes. O mundo precisa de evangelizadores que anunciem o Cristo ressuscitado e, nele construam a verdade, a justiça e a ética entre os povos. Pentecostes é evangelização e missão. Celebrar Pentecostes é colocar na vida de cada momento, o espírito missionário que une línguas, povos, culturas , sociedades. O diálogo com as representações religiosas e a diaconia à verdade e ao evangelho precisam ser aprofundados para que através do serviço aos mais necessitados possam ser uma expressão da presença de Pentecostes na evangelização e transformação hoje.

·         Autor de inúmeros livros e doutor em Teologia, Frei Isidoro é professor de Teologia na PUC-Rio (artigo publicado na folha paroquial nº 177 – ano de 2012 Paróquia da Santíssima Trindade - Rua Senador Vergueiro 141 Flamengo Vicariato Sul – RJ)

13 de maio de 2015

Maria de muitos nomes e de muitas visitas à nossa terra

Fátima-1917


Maria, mãe Maria, ou  como em seu poema dizia Teilhard de Chardim, Mãe Matéria.
 Aquela a quem Deus se serviu para materializar-se entre suas criaturas. Maria, o lado materno de Deus .



Hoje  dia 13 de Maio relembramos o fenômeno acontecido em Portugal no distante ano de 1917.
Três crianças e uma mulher revestida de sol  como está dito no livro do Apocalipse . Maria aparece e reaparece durante alguns meses, para as mesmas crianças e para um público cada vez maior.




              


                                                            




Não há dúvida é ela mesma. e como aconteceu tantas outras vezes e vem acontecendo também na atualidade em Medjugorje ela refaz o seu pedido. E na essencia é sempre o mesmo: não esqueçam a mensagem de meu filho. Ela pode dizer isso de inúmeras formas, mas em síntese sempre é esta a m


               




Sei que o que aconteceu em Fátima está cercado de ruídos, e não tenho dúvidas disso. Mas não ouso jogar fora o bebê junto com a água da bacia. Seria um desperdício. As aparições Marianas têm seu valor, e claro que sempre estarão envolvidas com as questões mais emergentes no mundo. Fátima com o Comunismo, Aparecida com a causa da escravidão, e assim por diante. Mas daí a negar os fenômenos, a ação do sobrenatural sobre a terra seria o mesmo que justificar a não crença em Jesus tendo em vista as questões entre Roma e os Judeus. 

   





Acredito na minha maneira de pensar que essas manifestações são sinais sobrenaturais da existência de algo que não entendemos. Negá-los seria assumir uma postura quase agnóstica. Eu prefiro vê-los da mesma forma que vi o papa lidando com esse sobrenatural, que fora da fé não tem explicação. Quando o sangue de São Genaro ou Januário se liquefez na ampola nas mãos de Francisco ele apressou-se em desfazer qualquer possibilidade de que se usasse o fenômeno para santificá-lo e logo disse: Só a metade do sangue ficou liquido, isso é sinal de que sou só metade santo e preciso me aprimorar mais.



Quando olho esses fenômenos marianos acontecendo ao longo do tempo recolho para mim a mensagem principal e que é comum a praticamente todas as aparições: Maria diz que é preciso que as pessoas se convertam a seu filho. E esta mensagem é a que importa. Importa porque vemos um mundo cada dia mais egoísta, mas materialista, submerso no capitalismo. Um mundo que se converte a Jesus é um mundo que precisa seguir os mandamentos d'Ele, que são simples e objetivos como ele mesmo ensinou: Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amo, nisso estão TODA a lei e TODA a profecia. 


O resto, é o resto. O que se acrescentar a isso faz parte da mentirada tão comum em nossos dias e da utilização herética de algo tão puro e belo que não devia servir para usos tão escusos.