O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

14 de abril de 2017

Uma sexta feira Santa


O mundo cristão para hoje para lembrar 
de um inocente condenado à morte e morte de Cruz.

Um suplício contado e recontado e revivido nestes mais 

de 2000 anos que nos separam do ato em sí.




Nas muitas igrejas há adorações à Cruz, Vias Sacras.
Um estranho costume de beijar a imagem do senhor morto.

Procissões do Encontro de Maria 
com um punhal enterrado no coração 

e Jesus ensanguentado com uma cruz às costas.

Sermão das Chagas. Descendimento da cruz. 

Procissões do Enterro, com senhoras chorosas, 

acompanhando o esquife, e ainda o lamento de Verônica.



Eu nunca entendi é porque muitos preferem valorizar a cruz, o sofrimento e a morte 

ao invés da Alegria, da Vida e a Ressureição.

Os primeiros cristãos usavam como símbolo um peixe.



Mas a igreja preferiu a Cruz, o crucifixo, o sofrimento e a celebração do sacrifício incruento ao invés do Ágape fraterno, do banquete de ação de graças do simples "partir do Pão". 
Jesus não está mais na cruz, Ele venceu a morte, e é esta imagem que deveria ter sido fixada. A imagem de um Deus que venceu, se libertou e que a partir disto pode libertar a todos os que forem até ele em busca de alívio para suas dificuldades.
Toda esta série de equívocos acabou por desvirtuar aquilo que de mais importante há na missão que Jesus nos confiou.
Ele disse:

Eu vim para que todos tenham vida
e vida em abundância!
Eu vos dou um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei!
Cada vez que fizerdes qualquer coisa a um dos meus pequeninos é a mim que o fareis!
Quando será que vamos acordar e passar da sexta feira de escuridão
para um domingo repleto de Luz ? 


PAI !!!!!

Perdoai-nos, nós ainda não sabemos o que fazer!

Até quando senhor ?

.

13 de abril de 2017

Oração de Iniciação dos Terapeutas de Alexandria



"Que meu corpo permaneça à escuta dos ensinamentos de minha alma.
Que minha alma permaneça à escuta dos ensinamentos de minha consciência.
Que minha consciência permaneça à escuta do Espírito Santo.
Que o mundo da pulsão se submeta ao mundo da alma, da psique.
Que a psique seja iluminada, apaziguada, pelo espírito.
Que este espírito permaneça em comunhão com a Fonte de tudo o que vive e respira."

Jean Yves Leloup











2 de março de 2017

QUARESMA... TEMPO DE INTERIORIZAÇÃO



Tempo que começa após o carnaval e antecede a Páscoa, a quaresma é um período de revisão de vida e de preparação. É como fazemos quando estamos para dar uma grande festa. Há todo um conjunto de providencias e atividades que antecedem o evento que precisam ser preparadas com atenção e seriedade para que tudo seja realmente um sucesso. São Francisco era muito simpático às quaresmas e fazia várias: a “Grande Quaresma”, a “Quaresma do Advento”, a “Quaresma da Epifania”, a “Quaresma de São Miguel” e a “Quaresma de Nossa Senhora”. Mas como ele mesmo denominava, a mais importante era a “Grande Quaresma”, os 40 dias que antecedem a Páscoa da Ressureição. É o momento para refazer a caminhada junto com Jesus até o calvário, ser pregado junto com Ele na cruz, descer com Ele ao túmulo, para depois poder explodir de alegria com sua ressureição. Uma revisão indispensável, nestes nossos tempos tão difíceis de tanta irritação, agressividade gratuita, violência e egoísmo, uma verdadeira faxina para recompor nossa conduta cristã.

Tempo de profunda reflexão e de esforço para mudanças significativas em nossos hábitos e comportamentos. Tempo para ressignificar velhas práticas como o Jejum e a esmola, muitas vezes dissociados e muito ligados apenas ao sofrimento pelo sofrimento e a prepotência do ato de se sentir superior a quem se dá a esmola. O Jejum segundo São Leão Magno Papa, era prescrito para nos lembrar não apenas da abstinência, mas sobretudo do emprego daquilo que seria economizado com o Jejum nas obras assistenciais aos pobres. No antigo manuscrito dos primeiros cristãos, “O Pastor de Hermas”, há uma referência clara a como o jejum que deve ser praticado: “Eis como deveis praticar o jejum, tu comerás só pão e água, depois calcularás quanto terias gasto para o teu alimento naquele dia e tu oferecerás este dinheiro a uma viúva, a um órfão ou a um pobre; assim tu te privarás de alguma coisa para que o teu sacrifício seja útil para alguém alimentar-se. E então ele rezará ao Senhor por tí em agradecimento. Se tu jejuares desse modo, o teu sacrifício será agradável a Deus”.

Assim iniciemos a nossa quaresma com uma profunda reflexão baseada nos ensinamentos do nosso papa Francisco que nos exortam para a alegria do evangelho, de forma a tornar nosso jejum não um sofrimento pesado, mas um alegre sacrifício em benefícios dos pequeninos de Jesus, levando em conta os louvores da Laudato Si, isto é, a Encíclica do Papa Francisco sobre a nossa Casa Comum, de forma a ampliarmos nossa percepção para os sofrimentos de nosso planeta Terra em dores de agonia por nossa falta de consciência sem deixar de estar atentos ao espírito de perdão e misericórdia para aqueles que nos feriram em nossa peregrinação por este mundo de Deus. E assim renovados estaremos mais aptos para reviver os mistérios pascais


19 de janeiro de 2017

Mudança de paradigmas - espiritualidade em transição – Cristianismo em crise

J. Ricardo A. de Oliveira
Fritjof Cappra, autor do livro “O Ponto de Mutação”, alerta para o fato de que as civilizações após um logo período de amadurecimento tendem à estagnação e acabam por entrar em colapso. A História mostra claramente isso e, é neste momento que surge uma outra civilização, com novos valores, novos paradigmas, que gradativamente vai como que substituindo a velha civilização. Isto se dá quando as principais questões já não conseguem ser respondidas pelos meios usuais. A civilização se vê paralisada e sem condições de avançar. São necessárias novas formas de pensar, novas respostas, procedimentos realmente novos que possam atender as novas demandas. A isso se dá, segundo o autor, o nome de mudança de paradigmas. Estas mudanças se dão geralmente em meio a crises. È como um jogo de disputa de forças entre os defensores dos antigos métodos e os que buscam novas alternativas para a solução   dos problemas.


Ao longo da história da humanidade estas lutas são intensas e duram muitas vezes um tempo prolongado, até que o novo paradigma consiga se instalar e mudar o curso da história. Mas enquanto isso não acontece tem-se um período de estagnação, de caos, de sofrimento, de dor e desespero.
O mundo está justamente atravessando esse período e esta situação crítica. Infelizmente ainda não conseguimos superar as polaridades. Ainda estamos vivendo a disputa entre os opostos: Capitalismo X Socialismo, um enfrentamento em que certamente nenhuma das duas formas será a solução definitiva. Por onde quer que se olhe pode-se observar a polaridade, os opostos se enfrentando e produzindo crises e caos. Em todos os campos da vida humana encontramos essas disputas: Direita x Esquerda, tradicionalistas x Progressistas, fundamentalistas x renovados, Bem x Mal,  Luz x Sombra. Polaridades, dualidade em oposição à unidade.  A questão é bem ampla.

Todo este introito é uma tentativa de entender a questão da espiritualidade que também aparentemente está em crise, seja internamente nas religiões ou entre religiões diferentes, neste caso se manifestando como intolerância. Há em nossos dias, um interesse muito grande pela espiritualidade, pelas manifestações religiosas em suas várias denominações. Percebo um sentimento de orfandade de Deus e uma busca espiritual muito grande. Mas as pessoas parece não encontrar o que procuram ou não se satisfazem com o que encontram.
No que se refere ao catolicismo, percebe-se uma crise sem precedentes dentro da própria cúria romana, cardeais desafiando o papa e não se submetendo as decisões do colegiado.
De um lado um papa que pretende restaurar o cristianismo fazendo com que ele retorne a seu eixo principal praticado e pregado pelo Jovem galileu, do outro lado bispos tradicionalistas agarrados aos conceitos pouco familiares a tradição dos apóstolos, mas sacramentados no concilio de Trento.


Na verdade, percebe-se que houve uma grande deturpação ao longo dos séculos da mensagem do mestre. Isso começa quando o movimento “o caminho”, transforma-se na religião oficial do império. De perseguidos passam a perseguidores. São introduzidas inúmeras mudanças e adaptação para que a nova religião oficial e obrigatória do império não fosse tão estranha ao povo acostumado a práticas ditas pagãs.
A  ascensão do cristianismo também  acontece no periodo da invasões bárbatas ao império Romano. Com isso muitas crenças e habitos bárbaros como que vazaram e foram absrvidos pelo cristianismo nascente. Começa então um processo de "paganização". As antigas comunidades começam a ter que se organizar.  De comunidades auto-céfalas que se reuniam em concílios para dirimir dúvidas, as “igrejas” passam a ter uma "sede" e a se submeter à autoridade da Sé Romana.


Há uma crescente exigência por doutrinas e liturgias, o que vai acabar por exigir a presença de coordenadores, “sacerdotes” para oficiar e controlar que as doutrinas seja, respeitadas. Numa mistura de judaísmo e paganismo romano, faz-se então uma gradativa mudança. O pão que anteriormente era partido nas casas, como se lê no livro de Atos dos Apóstolos, passa a precisar de um sacerdote que oficie e faça a transubstanciação, coisa bem pouco pr´xima dos habitos das primeiras comunidades cristãs.
O povo reunido, antes tido como corpo e presença real do Cristo, dá lugar ao pão e vinho transubstanciados em corpo e sangue. A presença mística transforma-se em presença real e o povo passa então a ser presença mística. Os batizados, antes tidos como sacerdotes passam a ser “leigos”, agora perdem lugar para os ordenados, e só eles podem fazer o milagre da transubstanciação, criando assim um grupo de elite.

 
Mudam-se as práticas e as orações, estabelecem-se regras. O Ágape fraterno e a ação de graças (Eucaristia) transforma-se em sacrifício do cordeiro imolado, a despeito de Jesus ter afirmado que já bastava de sacrifícios.
A construção do Reino, “o Caminho” dá lugar a uma religião e a uma instituição, que gradativamente passa a ser mais importante até do que seu fundamento: O Cristo Jesus.
Aquilo que Jesus veio trazer, a introdução de um novo paradigma, que fizesse frente à violência, à sede de poder, e ao desamor de Judeus e Romanos, aos poucos vai se deteriorando. É curioso como uma nova maneira de se relacionar com o criador, com o Abah, com aquele que Jesus nos ensinou a ver como um pai, que não habita em tendas nem em templos feitos por mãos vai assumindo e se tornando uma regra. Jesus não precisava e não precisa de templos, sacerdotes, de doutrinas, de doutores da Lei e muito menos de imperadores, mas aos poucos é essa a nova realidade de um cristianismo que aos poucos vais se distanciando de suas origens. Uma hierarquia é criada com padres, bispos, arcebispos, papa, templos, catedrais...
 Mas o que é mais triste, “o caminho”, aquilo que Jesus veio nos trazer e comunicar da parte do Pai, ensinando que os últimos serão os primeiros, que não deveria faltar a uns o que sobra a outros, que a regra máxima e única é o amor, se desfez, dando lugar a outras “crenças”.
 Se o filho do Homem não tinha nem onde recostar a sua cabeça, com que justificativas foram construídos templos e as catedrais, para manter Jesus trancafiado em um cofre de ouro? Como se justifica tanta adoração e tanta pompa para alguém que disse com todas as letra que NÃO VEIO PARA SER SERVIDO E SIM PARA SERVIR?


Aquele grupo de homens e mulheres que pretendia a transformação do mundo através do amor, do perdão e do serviço, acabou se transformando em um império, com corte, palácio e até um imperador. Olhar para isso hoje, ver as pressões que o atual papa está tendo que enfrentar, por defender um retorno às origens do cristianismo verdadeiro é desanimador.
Tenho a impressão de que a humanidade foi enganada por muitos séculos. As estratégias de dominação engendradas por aqueles que adulteraram a mensagem do Mestre vem sobrevivendo durante esses quase dois milênios, . Não seria demais afirmar que me sinto profundamente enganado e ludibriado, revoltado por ceder às estratégias que implantaram na vida de tantos o medo e a culpa.
 Olhar para isso em perspectiva faz com que a instituição que se fez maior e mais forte  que seu fundamento desaba no meu conceito e me traz uma estranha sensação de orfandade. Talvez seja este o maior dos pecados cometidos contra o Espírito Santo.
Práticas religiosas, dogmas, conceitos de pecado, mal, inúmeros deveres e um incentivo à baixa autoestima parece estar mais presentes no discurso e na pratica da instituição, do que as importantes mensagens de despego e libertação que o Mestre não cansava de ensinar. Uma instituição que diz se basear na escritura e na tradição. Mas cuja escritura parece sofrer uma censura e, enquanto alguns trechos são super valorizados outros são simplesmente como que omitidos. Como entender que algumas abominações do Levitico sequer sejam levadas em consideração, como “raspar a barba”, “usar roupas com mais de um tipo de tecido’, “comer frutos do mar”, enquanto outras são super valorizadas, como a condenação das relações homoafetivas. Qual foi o critério para estabelecer as relevâncias? Como respeitar e defender tanta incoerência como palavra inspirada?
 E a tradição? Qual tradição? Aquela das primeiras comunidades apostólicas, ou a tradição inventada que adulterou as práticas dos primeiros cristãos? Onde encontrar semelhança da igreja de hoje com a descrita nos Atos dos apóstolos?
 É como se o antigo paradigma, anterior a Jesus, tivesse ganho a batalha e novamente assumido o controle.  Os acontecimentos recentes nos permitem ver a prática da “Lei de Talião” em franca utilização. É o velho paradigma se fazendo presente. Por outro lado pode-se  perceber claramente como que um país poderoso age como a velha Roma, querendo dominar todo mundo.
A igreja católica ao longo dos séculos supervalorizou o sacrifício, o sofrimento, o medo, a culpa, a desvalorização do homem, muitas vezes sugerindo sua pequenez, quando está dito que ele foi feito à imagem e semelhança de Deus.  Onde foi parar a afirmativa de Jesus de que não veio para os sãos e sim para os que estavam necessitando de salvação. De onde vem a ideia de que para receber Jesus é preciso estar em estado de graça?
 Será que a mulher adultera estava em estado de graça quando Jesus se deu em comunhão e a livrou do apedrejamento? E a Samaritana e seus cinco maridos? Será que Ele não se deu a ela em comunhão, tanto como a qualquer um de nós quando o recebemos na hóstia consagrada? E o efebo do centurião Romano que ele curou em uma só palavra? Será que um efebo para os atuais “doutores da lei” estaria em “estado de graça” para receber a cura?
 Porque manter e supervalorizar a pratica da confissão auricular? Não me conste que Jesus pedisse a alguém que confessasse seus pecados antes de curar. O movimento de arrepender-se é interno e não algo que alguém de fora possa comandar. Ainda mais que esta prática controladora foi implantada 600 anos após a ressurreição. É desesperador pensar que um papa é visto como ameaçador por defender aquilo que Jesus viveu em seus dias na terra. É perfeita a informação de Francisco de que a igreja não pode ser a “alfandega de Deus”. Quantos perderam a fé, quantos abandonaram o caminho, depois de serem condenados peo nesta “alfandega”.
O mundo hoje vive uma ausência de Deus, a saudade de um Deus que se fez presença e anunciava a misericórdia e o amor.
Nossa nação Brasileira, prometida como “Coração do mundo” e “Pátria do evangelho”, parece que foi sequestrada de sua sublime missão. É uma verdadeira abominação que governantes que se dizem cristãos, ajam na contramão daquele que em sua passagem pela Terra optou por libertar os pobres e excluídos das garras dos poderosos que os oprimiam e os mantinham presos à penúria e à miséria, que agem na contramão de um Jesus que se colocava contra os poderosos do império de Roma, os doutores da Lei e a hierarquia Judaica. Um Jesus que escolheu viver entre os excluídos, os pobres, prostituas e os banidos pela sociedade. Tem-se a impressão de que esses senhores seguem um outro Jesus completamente diferente daquele descrito nos evangelhos.
Acho que até consigo entender porque a instituição mantém Jesus trancafiado em um cofre, acho que tem medo que ele saia e volte a fazer o que fazia há dois mil anos atrás.
Tenho a impressão de que quando se faz o silêncio necessário, quando nos colocamos meditativamente na escuta, podemos ouví-Lo criticar os sepulcros caiados, as víboras e os fariseus hipócritas... porque eles continuam em sua ânsia louca de dominar e controlar tudo.
Quem tiver a percepção aguçada há de perceber os lamentos de um mundo em dores de parto. Há um nascimento cujo parto parece bastante difícil. Os novos paradigmas precisam vir à luz e mudar o rumo da história, mas até que se consiga vencer a dualidade, a fantasia da separatividade e o medo da fusão com a consciência cística, ainda estaremos sofrendo com as contradições.
Que consigamos seguir como a mãe parturiente que embora sofrendo, se alegra com  a perspectiva da chegada do “novo”. Que aqueles que já entenderam a importância de orar, no sopro e na atenção, consigam manter a sintonia com o sublime criador e se tornem canais da grande mudança e não cansem de repetir o mantra: “ Maranatah” (vem senhor Jesus!)  
Certamente que Ele virá. Não como anunciam os usurpadores da fé. Ele sabe que se vier como na primeira vez, será outra vez preso e assassinado. A nova vinda será certamente será da forma que Ele ensinou à Samaritana a orar e adorar: em espírito e em verdade, em pneuma e alethéia, no sopro e na atenção. Ele vira e fortificará a sua presença nos nossos corações. 



Não esperem uma vinda espalhafatosa, com efeitos especiais nos céus. Não ! Isso não é do feitio dEle, mas do feitio dos usurpadores da fé. Ele vira preservando aquilo que pregoum a humildade, a simplicidade. Ele não vira como o mundo acha que seria a vinda de um rei, de um Deus. Ele sempre se fez pequeno para caber em nossoscoraçoes e porque se reconhece um com o Pai. A sua vinda será o despertar das qualidades adormecidas que ele nos ensinou há dois mil anos. No silêncio, reservadamente, como Ele ensinou que deveríamos orar ao Pai.
Aqueles que ao longo de suas existências o tem procurado imitar, aqueles que tem se esforçado e silenciado para ouvir o que Ele tem a nos falar, a estes está reservada a dádiva d e sua segunda vinda. Ele virá e então compreenderemos o que é ser UM com o Pai.
Enquanto isso, no silencio, na atenção na sintonia do sopro:

 Maranatah !

5 de janeiro de 2017

Entrevista com Jean Yves Leloup

http://www.oracaodejesus.com/textos-entrevista-com-jean-yves-leloup.html




Padre ortodoxo e pessoa de intensa vida espiritual, Jean-Yves Leloup diz em entrevista exclusiva que o ser humano pode ser um pacificador num mundo em guerra, mas precisa, primeiro, investir na busca da paz interior e na entrega e confiança em Deus.

Todas as vezes que vem a Brasília, o padre ortodoxo francês Jean-Yves Leloup hospeda-se na casa de seu velho amigo, o psicólogo e reitor da Universidade da Paz (Unipaz), Pierre Weil. Anualmente, Leloup vem à capital para proferir seminários organizados pela Unipaz.
Trajando vestes claras, este homem de 57 anos de idade e 35 anos de sacerdócio, com formação em Psicologia Transpessoal, Filosofia e Teologia, tem, como sua referência de vida, o Ser, que encontra-se presente no interior de cada homem que busca a paz e o sentido da vida. Ora, o Ser é, nada mais nada menos, que uma das várias alcunhas pelas quais ele denomina Deus. Leloup refere-se à Suprema Divindade de diversas formas, com reverência surpreendente: Clara Luz, Pura Consciência, Consciência Absoluta, Ser Essencial, Absoluto.
Autor de 43 livros, entre eles Terapeutas do Deserto, A Arte de Cuidar e a autobiografia O Absurdo e a Graça, Leloup também traduziu e comentou os evangelhos de Felipe, de Tomé e de Maria Madalena, considerados apócrifos na tradição cristã. Sua fé em Jesus Cristo não o impede de ter um profundo respeito por outras crenças, numa postura claramente ecumênica. Ele é pertencente a uma corrente espiritual da ortodoxia cristã, chamada hesicasmo, que, em grego, significa: calma, paz, tranqüilidade e ausência de preocupação. O sacerdote hesicasta procura devotar sua vida ao recolhimento interior e à oração.
Nesta entrevista ao Comunidade VIP, Jean-Yves Leloup revela como descobriu a espiritualidade em sua vida e mostra que a busca pelo aperfeiçoamento interior é a chave para pacificar as “guerras” que cada um trava em seu cotidiano.
Como descobriu a espiritualidade?
Nasci numa família de ateus. Tive formação muito racionalista. Saí da casa de meus pais para conhecer o mundo. Com apenas 19 anos, fiquei muito doente em Istambul (Turquia), em decorrência de uma comida estragada. E ali, naquela cidade, vivi uma experiência impressionante. Fui declarado clinicamente morto e até quiseram me enterrar. Quando voltei ao meu corpo, comecei a me interrogar: “O que não morre, quando todo o resto morre?”. Há o momento em que o pássaro sai da gaiola, e também há o momento em que o vôo sai do pássaro. Nesse momento em que o vôo sai do pássaro, tem um instante de luz e de presença que permanece. Em Istambul, encontrei o patriarca Atenágoras, da Igreja Ortodoxa, que me levou até um ícone do Cristo. Ao lado desse ícone estava uma inscrição em grego, que dizia “Eu Sou”. Naquele momento, o “Eu Sou” não eram meras palavras, mas o que eu tinha acabado de viver, durante a morte clínica. E foi a partir desse momento que me interessei pelo Cristianismo.
Nas chamadas “experiências de quase morte”, há relatos de pessoas que vêem um túnel de luz ou imagens referentes a sua crença. O que o senhor viu, naquela hora?
Vi apenas a vastidão, pois meu inconsciente não guardava nenhuma imagem religiosa. Foi até normal não ter visto nada. Senti apenas o espaço que contém todas as coisas. É como se estivesse vendo o dia, ao invés das coisas que aparecem no dia. E o dia permanece. Em latim, a palavra “dia” quer dizer dies, que, por sua vez, significa Deus. Essas palavras têm a mesma raiz, no latim. Então, ver o dia é ver Deus.
Após o encontro com Atenágoras, o que ocorreu?
Fui para o Monte Athos, na Grécia. Lá, encontrei a tradição cristã-ortodoxa, as raízes do Cristianismo. Para mim, ele é a síntese entre o interior e o exterior, entre os lados material e espiritual. São duas coisas que não podem ser separadas. É a síntese da encarnação. O visível e o invisível devem ser mantidos unidos; a eternidade e o tempo; o finito e o infinito. Precisamos sair da dualidade.
Como surgiu a vocação para ser padre?
Quando descobri Cristo, ao invés de ser apenas um professor de Psicologia e Filosofia preferi ser também padre, onde pude transmitir também essa dimensão espiritual. Não apenas de ensinamentos intelectuais, mas também através da prática, de forma a levar a transformação interior ao ser humano.
Como descobriu a Unipaz e conheceu Pierre Weil?
Na França eu era diretor de um centro internacional chamado Sainte Baume. Convidei Pierre a visitar o local e a participar de colóquios sobre Psicologia Transpessoal. Foi em Sainte Baume que concretizamos a visão da Universidade Holística Internacional, cujo princípio é o de uma educação que leve em conta todos os componentes do ser humano: físico, afetivo, emocional, religioso e intelectual.
O que recomenda para desenvolvermos a paz interior e sermos também pacificadores?
A primeira coisa é descobrir a paz interior. É importante, nesse aspecto, cultivar práticas que acalmem a nossa mente, pois é aí que residem todas as espécies de medos e resistências. Na prática hesicasta do cristianismo ortodoxo damos muita atenção à respiração, pois, quando ela está calma, a mente encontra-se calma também. Nessas condições, podemos encontrar esse lugar de paz dentro de nós mesmos. Mas tudo isso ainda são práticas externas. Talvez o mais importante seja o abandono, não tentar controlar nada. Devemos confiar no Ser Essencial que nos ajuda. E é nessa confiança, nessa fé, que descobrimos um centro que nos ajuda a atravessar as dificuldades da existência. Uma vida que não tem sentido é uma vida sem centro. Podemos fazer as mesmas coisas estando centrados ou não. E aí a gente consegue observar as diferenças.
A prática hesicasta é semelhante à meditação oriental?
Sim. É o mesmo princípio, porque o ser humano é igual, não importa onde esteja. A respiração não pertence a nenhuma religião em particular. E a luz também. A abertura do coração também pertence a todos. O ser humano está em busca da verdade, não importa se ele está no Oriente ou Ocidente. Ele está orientado em direção a esta mesma realidade. No evangelho de São João está escrito que o Verbo, o Logos, é aquele que esclarece e ilumina todo homem que vem a esse mundo, não apenas os cristãos.
Ultimamente, surgiu uma onda de livros em defesa do ateísmo, vindos de autores como o biólogo inglês Richard Dawkins e o jornalista inglês Christopher Hitchens. O que acha desse movimento?
Depende de qual imagem de Deus estamos rejeitando. Em nível psicológico, muitos ateus estão rejeitando aquilo que eles viveram no passado. Mas o Deus que eles estão rejeitando muitas vezes não tem nada a ver com o Deus verdadeiro. É, simplesmente, uma certa imagem ou representação divina que eles estão rejeitando. A questão é o que fazer com a religião, Deus e a razão. Com a mesma flor a abelha pode fazer o seu mel e a vespa pode fazer o seu veneno. E a culpa não é da flor.
O livro O Segredo, de Rhonda Byrne é um sucesso de vendas, ao relatar como funciona a chamada Lei da Atração. Como o senhor conceitua esse fenômeno?
O poder mental é algo conhecido há muito tempo e depende basicamente do que pensamos. Um antigo provérbio diz que, quando Deus quer punir alguém, Ele cumpre todos os seus desejos. Na realidade, não sabemos o que é verdadeiramente bom para a nossa vida. No filme O Segredo, um menino consegue a bicicleta vermelha que ele tanto desejava. Mas depois não é dito que ele pode ter tido um acidente com aquela mesma bicicleta. Da mesma forma, alguém que obtém uma casa imensa, enorme, pode ser, à primeira vista, maravilhoso. Mas depois, o que ocorre naquela casa pode ser algo muito destrutivo. Essa prática é muito superficial, porque, na verdade, a questão é saber o que é realmente bom para o ser humano.
Então, como devemos pedir o que queremos?
Temos nossos próprios pensamentos e desejos, mas devemos colocá-los nas mãos de uma Vontade maior. O Pai-Nosso diz: “Que seja feita a Vossa Vontade”. Eu quero isso, mas será que realmente será bom para mim? Que seja feita a vontade da Vida. Que seja feita a vontade do Amor. Que muitas vezes nossos desejos são egoístas e esta é uma maneira de colocarmos nosso ser dentro de um Ser Maior. Eu tenho o poder do pensamento, mas devemos também confiar numa força maior, mais elevada.
Ou seja, é uma entrega a Deus?
É um abandono, uma entrega, uma confiança em Deus.
Os anjos são referências constantes nos textos bíblicos, inclusive no episódio da vinda de Jesus. Qual o papel desses seres na nossa vida?
Da mesma forma que entre o ser humano e a matéria existem mundos intermediários, o vegetal e o animal, entre o ser humano e a Clara Luz, a Pura Consciência, também existem níveis de consciência intermediários. Os anjos são esses planos de consciência, esses níveis de ser que podem fazer esse elo entre a consciência ordinária e a Consciência Absoluta. Muitas vezes somos mais inteligentes do que a inteligência que temos, como se nossa consciência entrasse em contato com uma de âmbito mais elevado. E é isso que chamamos de anjos. Num nível mais humano, o anjo também pode ser um mestre interior, uma voz que nos guia. Ou seja, é nossa inteligência que está aberta a uma dimensão mais ampla.
Existem anjos da guarda, na sua concepção?
Cada ser humano tem uma maneira particular de entrar em relação com o Absoluto. E é essa maneira particular que chamamos de nosso anjo. Isso tem relação com o Absoluto, o Infinito Real. Quando a gente está nessa abertura, inteligência e fé, certas manifestações nos mostram que estamos acompanhados, guiados. A gente pode chamar a isso de anjo da guarda. Em outras tradições, recebem outros nomes. O importante não é o nome que damos, mas a realidade que está por trás das experiências que vivemos. A tradição cristã diz para não idolatrarmos esses mundos intermediários. E hoje em dia muitas pessoas tomam experiências do tipo psicológicas por experiências espirituais, e experiências do mundo intermediário como experiências do mundo absoluto. A gente deve colocar cada coisa em seu lugar.
É difícil diferenciar uma coisa da outra – o intermediário e o absoluto?
Não, não é difícil. Aquilo que faz parte do mundo intermediário faz parte do mundo terreno. São coisas que passam. São coisas emotivas, intelectuais, mas fazem parte do mundo mortal. O mundo do Absoluto está além do tempo. É aquilo que não conseguimos agarrar ou compreender, que a gente não consegue reduzir a nossas pequenas experiências.
As religiões cristãs em geral são caracterizadas como dogmáticas. Como funciona essa questão para você?
Na origem, o dogma era um paradoxo. Era algo feito para despertar a consciência para além do funcionamento binário do cérebro. Por exemplo, o dogma que diz que Cristo é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus tem o sentido de ultrapassar, ir além da consciência ordinária. O dogma então é um pouco como o Koan, do japonês. Ou seja, um paradoxo que nos ajuda a ir além da razão, mas sem perder a razão. Mas hoje em dia o dogma é confundido com dogmatismo, que significa obrigar alguém a acreditar em algo. Isso é destrutivo. O dogma, na realidade, foi criado para que saíssemos do dogmatismo. É um convite para que verifiquemos se isto é verdade.
Poderia deixar uma mensagem de Natal?
Pouco importa se Cristo nasceu há 2 mil anos, se Ele não nascer hoje, no interior de mim mesmo. O Natal é o momento onde podemos aceitar o nascimento do Ser no interior de nós mesmos, para o nosso bem-estar e o bem-estar de todos.
Devemos lembrar que somos poeira e ao pó retornaremos. A meditação diária sobre essas realidades tem sido sustentada pelos Padres do Deserto como essencial para a vida espiritual e como um meio de evitar o pecado; mas sobretudo como forma de atender às palavras de nosso Senhor, que nos adverte que não conhecemos nem o dia nem a hora. Aqui está a reflexão de um homem bem formado na sabedoria e tradição dos Santos Padres:

"Nunca devemos nos privar da contemplação da morte ou destas meditações... Todas estas contemplações criam vigilância na alma e purificam a mente... Essa contemplação é uma barreira para os maus pensamentos... Quando essa contemplação espiritual está dentro de nós, fechamos as portas aos maus pensamentos... Não deveriamos nunca parar de nos Lembrar da Morte. Os Santos Padres disseram que eles não foram dominados pela negligência em suas celas, porque traziam a Lembrança da Morte diante de Si, noite e dia. Os Padres continuamente pensavam: "Se hoje ou amanhã for o meu último dia, o que devo fazer?". Desta forma, essa Lembrança mantinha a mente no temor de Deus, e o temor de Deus iluminava sua consciência. O que virá com mais certeza do que a morte? É a coisa mais certa que cada pessoa encontrará... Devemos manter a Lembrança da Morte viva dentro de nós constantemente, para que, por meio desta lembrança salvífica, possamos evitar a morte da alma... Comprometa-se violentamente, diz o Senhor no evangelho, pois você não sabe quando o Noivo da vossa alma vos visitará, e ai daquele que Ele achar indolente e negligente da sua salvação: A verdade de Deus soa como uma trombeta de poder e diz: "Vaidade das vaidades, tudo é vaidade!" Pois, que aproveita o homem se ganha o mundo inteiro e perde a sua própria alma, ou o que dará o homem em troca da sua alma? Lembre-se do seu fim e não pecará pelos séculos. "As riquezas não permanecem, a glória não acompanha ninguém ao outro mundo, porque quando a morte vem, todas estas coisas são obliteradas." Eis a verdade, que esmaga a mentira... Quando visitarmos nossa morada final, nossa sepultura, veremos com nossos próprios olhos toda a vaidade do homem, como fez Abba Sisoes quando viu o túmulo de Alexandre, o Grande, e clamou: "Ai, ai, ó morte! O mundo inteiro não era grande o suficiente para ti, Alexandre." Como então te encaixaste em dois metros de terra agora? "Minha criança, tenha cuidado com este mundo que é como um teatro. Pessoas ignóbeis no palco do teatro usam roupas de reis, magnatas, etc. e parecem ser diferentes do que realmente são e enganam o público. Mas quando o show acaba e eles tiram suas máscaras, então suas verdadeiras faces são reveladas".  (Élder Efraim - Conselhos da Montanha Sagrada)

31 de dezembro de 2016

Ano Novo , Tudo novo


Daqui há algumas horas o ponteiro do relógio vai dar a ultima volta de 2016 e logo será um novo ano.
Quero então enquanto ainda restam algumas horas agradecer:
Deus pai e mãe, espírito, pneuma, Ruah, fonte de toda a vida neste universo, sou grato a Ti hoje e sempre por absolutamente tudo o que proporcionastes aos meus ancestrais que tornaram possível esta minha vida e a tudo que a mim proporcionas e também aos meus descendentes que certamente receberão como eu as suas bênçãos.
Quero agradecer pelas flores, pelo ar e pelo sol e pela chuva. Pela alegria e pela dor. Agradecer pela família maravilhosa, minha mulher, filhos, minha netinha e os demais que chegaram depois. Agradecer pelo que foi possível e pelo que teve que ficar para mais tarde, pelos amigos, virtuais e os do olho no olho. Agradecer pela ajuda que recebi e pela que pude dar. Agradecer pelas realizações pela palavra ouvida que fez crescer e pela que foi dita e encontrou solo fértil para florescer.
2016 não foi um ano fácil para o mundo, mas não posso me queixar e sim agradecer por ter sido preservado assim como os mais próximos a mim das catástrofes, das guerras, dos absurdos que vimos nas manchetes dos jornais. Agradecer por ter sido abençoado com uma vida nova, uma neta linda e muito amada por todos nós.
Quero ainda pedir ao criador que seja compassivo para com meus erros, meus defeitos que ainda falta muito para serem vencidos. Pedir que perdoe toda palavra mal dita, toda ofensa que eu ou algum de meus antepassados proferimos contra Ele, o sublime criador .
Aproveito para agradecer às minhas memórias e a oportunidade que estou tendo de poder libertá-las e me libertar através do perdão e da compaixão.
Quero por fim dizer que sou grato e sempre serei pela oportunidade de ter esta experiência neste planeta lindo.
Assim é , porque Tu queres que seja assim
Que assim seja, então,

Amém!

22 de dezembro de 2016

Quando a luz maior vem iluminar os mais humildes e necssitados

J, Ricardo A Oliveira


“ O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e aos que habitavam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz.” Is 9.2



"Jesus não só não vem de Roma, capital do império, nem de Jerusalém, capital dos judeus, mas vem de Belém, uma aldeia periférica na Judeia. E mais. Se Belém já é uma aldeia periférica, Jesus nasce ainda mais na periferia, nasce numa estrebaria, num estábulo nos arredores de Belém. Ali, seu primeiro berço foi uma manjedoura, um cocho onde os animais comem seu alimento. Também não é por acaso que o primeiro berço de Jesus é uma vasilha em que se coloca a comida, o pão cotidiano dos animais. Segundo o relato, os pais de Jesus eram forasteiros no lugar e não tinham onde pernoitar. É a partir dessa realidade extrema de marginalidade e de fragilidade, de abandono e de solidão de uma mãe dando à luz a sua criança, que vem a força do Deus libertador que quer incluir todas as pessoas de boa vontade em seu Reinado de justiça e de paz."
(Ildo BohnGass).



Só não entendo, como uma realidade tão simples e clara foi dar lugar a algo tão díspar: um império, luxo, pompa,  realeza, autoritarismo, tão distantes daquilo que Deus se dispôs a realizar. 

24 de novembro de 2016

tempos sombrios

  

Essa situação está insustentável, isso está adoecendo as pessoas e deixando-as completamente apáticas. É preocupante a sensação de impotência que as pessoas estão relatando. Tendo a acreditar nas muitas mensagens que tenho recebido de amigos espíritas e esotéricos que insistem que há uma enorme batalha espiritual no mundo sutil sobre a terra. Eles pedem que todos nós rezemos incessantemente em apoio aos espíritos superiores que combatem para que a terra não se perca.
A coisa está muito feia, e a única forma de sair disso, nestes tempos escuros é buscar a alegra que sustenta a fé. Funcionou assim no tempo da ditadura e acho que este é o caminho que precisamos trilhar.
Enquanto nós ficarmos só apontando o que está ruim, vamos espalhar mais desanimo e apatia e depressão. É tempo de fazer das tripas coração e afirmar, como os apóstolos depois da morte de Jesus, que a Ressureição era certa. Estamos justamente entre a sexta feira da paixão e o domingo da ressurreição, é uma comparação grosseira e imperfeita, eu sei, mas se continuarmos crendo e afirmando a morte, com certeza vamos impedir a ressureição.
É preciso sair desta armadilha que nos colocaram. Não é de hoje que a mídia vem vendendo essa imagem de que não tem mais jeito. Ou será que só eu percebi que já há alguns anos os noticiários só divulgam notícias ruins: desgraças, violência, cenas as mais chocantes. Não existe noticiário de notícias boas. E elas existem, mas não interessa divulga-las, Há muito tempo o povo vem sendo conduzido para o pessimismo, para ficar no ponto de não reagir.


Dizem os estudiosos da nova física, do mundo das infinitas possibilidades que aquilo que vibramos e jogamos no universo, é o que recebemos de volta.  A mecânica, segundo estes cientistas é a seguinte: O universo sempre devolverá aquilo que pedimos. Se emitimos sorrisos, vamos receber situações que nos façam sorris. Se vibramos raiva e ódio, vamos receber de volta situações que nos façam ter raiva. Parece simples. O Universo trabalha sempre a nosso favor, assim se eu vivo repetindo que a vida é uma merda, ela será. São inúmeras as crenças limitantes que foram colocadas em nosso software mental, e muitos de nós sequer percebem isso, e outros mesmo que percebam, não conhecem o antivírus para limpar suas consciências.
 As redes sociais estão repletas de denúncias e reclamações, compartilhadas ao infinito. Seria o caso de perguntar que efeito isso tem conseguido. Se essa mobilização pela divulgação é maciça, o empenho na participação e nas tentativas de mudança das situações denunciadas é quase inócua. É como se o fato de denunciar aliviasse as consciências e não exigisse mais nenhuma ação. O problema é que isso tem um subproduto muito nocivo, que é dar a sensação de que tudo vai de mal a pior e de que não há solução. O subproduto é o que estamos vendo, uma estrondosa apatia e uma grande sentimento de impotência.


 Esta situação é insustentável e precisa ser urgentemente mudada. 
Nestas horas lembro-me de Pedro Casaldáliga dizendo que o que se opõe ao MEDO, não é a coragem, mas a FÉ.  Não há também como não levar em conta a frase comum de Jesus quando libertava algum doente de seus males: Tua fé te salvou.
Concluo então que é este o caminho que temos que trilhar nestes momentos de escuridão que atravessamos. È pela Fé, é ela que tem que nos conduzir de volta à Luz. Mas por favor não confundam fé com apatia ou imobilismo. Com atitudes isoladas de joelhos dobrados em oração.
Não descarto essa possibilidade, mas insisto que é preciso ação, ação primeiramente de mudança de foco e de atitude. Mudança na maneira de olhar a realidade e de expressá-la. Mudança no sentido de esforçar-se para encontrar e expressar o positivo em toda e qualquer situação, mesmo que ela seja negativa.

Ainda esta semana uma pessoa me dizia que não consegue se conter e não falar mal de uma desafeto. Dizia ela que já não queria mais falar disso, mas que não conseguia. Perguntei a ela se essa pessoa não havia feito ou proporcionado nada de bom a ela. Qualquer coisa, mesmo que fosse bem pequena. Ela então me disse: essa pessoa sempre me usou, mas não posso negar que me proporcionou várias oportunidades, me abriu portas, mesmo que eu saiba que era para eu poder melhor servi-lo.
E eu lhe disse: mas você teve ganhos. Então todas as vezes que você se pegar falando mal dessa pessoa, arremate o final de seu comentário dizendo algo do tipo: é ele era um safado, mas não posso mentir, também me deu muitas oportunidades. Desta forma, aos poucos, o ranço vai passar e a libertação desta amarra acontecerá sem muito esforço.
Não esqueço o comentário de um cientista político nos anos 90 que dizia: o golpe militar foi um grande mal para o Brasil, mas temos que agradecer que foi para rechaçá-lo que surgiram grandes nomes na música, nas artes, na filosofia e em inúmeras outras áreas do conhecimento.

É isso, buscar o alento, a possibilidade de ter esperança, conseguir encontrar a promessa da luz, mesmo em meio a escuridão.
E vamos em frente, caminhando, cantando e seguindo a canção...

13 de novembro de 2016

A Unidade




"Disse Jesus:

Se duas pessoas fazem a paz na mesma casa,
dirão a uma montanha: "afasta-te" e ela afastar-se-á"
( Logion 48 - Evangelho de Tomé )



"Eis o poder da paz, da unidade!
Que se pode fazer contra um homem tranquilo, unificado?
Que se pode fazer contra duas ou três pessoas bem harmonizadas?
As montanhas, as dificuldades, afastam-se. É como se tivessem o apoio de toda Natureza, do Uno que se manifesta em sua harmonia.

Antes de desejar levar a paz para a casa dos outros, é necessário começar em sua "casa", fazer a paz com as partes "inimigas" de si mesmo, seja o instinto, a emoção ou o intelecto. Enquanto houver divisão em nós mesmos, não será que os obstáculos que encontramos são a expressão de nosso próprio caos?

"Encontra a paz interior, dizia São Serafim de Sarov, e uma multidão será salva ao teu lado". Um homem tranquilo, um homem feliz é fonte de paz e de felicidade para toda a humanidade. O que não fariam dois ou três?

Para Clemente de Alexandria, "transportar" montanhas significa nivelar as desigualdades entre os homens, tornar possível o encontro. A Paz permite que a Unidade de todos os seres se manifeste no momento em que o temos ou a cobiça erguem montanhas entre eles... (...)

A "fé é que transporta montanhas". Ora o que é a fé senão a Unidade da inteligência com o coração? A paz realizada entre esses "dois" que, muitas vezes, se opõem na mesma casa: o discernimento e a afetividade?

A fé é indissociavelmente, um movimento da inteligência para a Verdade e um ato de confiança. A fé é aderir com todo o seu ser ao que é reconhecido como verdadeiro e justo. Essa adesão íntima e total implica uma grande potência assim como uma grande lucidez: " Vai além da razão, mas não contra a razão". E o que tinha a aparência de montanha revela-se à luz dessa força clarividente e viva como um simples ninho de toupeira."


Jean-Yves Leloup em O Evangelho de Tomé

22 de outubro de 2016

Quando se vai um amigo...



Desde que você chegou por aqui sempre nos entendemos muito bem, eu era um adolescente e seus conselhos a minha mãe me foram muito uteis. Embora houvesse uma grande diferença de idade tínhamos uma visão do cristianismo bem parecida. Tão parecida que acabamos colegas de pré-vestibular para Psicologia. Em nossas conversas o meu e o seu jeito critico sobre algumas posturas combinava perfeitamente, e isso nossos anéis de tucum podiam atestar, até mesmo quando alguns tentavam demonizar esse simbolo da opção cristã pelos mais necessitados. Éramos muitos a lhe admirar. As crianças que corriam ao seu encontro, os jovens, que recebiam as suas broncas cheias de amor, os adultos e os mais velhos a quem você sabia tão bem tranquilizar e aliviar o coração. Você tinha esse dom de saber falar ao coração de cada um, de convencer-nos que o amor de nosso Deus era infinitamente maior do que qualquer falta que pudéssemos cometer.


Você nos ensinou a sermos inclusivos como Jesus, a deixar os julgamentos de lado, a na hora do ofertório, oferecer tudo, mas tudo mesmo, principalmente as nossas limitações, as nossas falhas, a entregar nas mãos do Pai exatamente aquilo que somos, com todos os nossos defeitos. quase posso ouvir você dizendo e olhando para nós:  vai! entrega! sem medo! se coloque por inteiro, coloque a sua vida aqui neste altar.


Embora a gente saiba que vai sentir saudade, tenho certeza de que hoje o céu está em festa, imagino que Santo Afonso estará de braços abertos para receber esse seu filho muito amado. Quanto a nós ganhamos um grande intercessor.

Descanse em Paz Pe. Marques, um descanso merecido depois de tantas ocupações e tantas realizações, os seus amigos especiais são muito gratos pela realização de uma obra fantástica, a Casa da Convivência. São gratas também as muitas famílias que aconselhou como psicólogo/sacerdote, além delas as incontáveis crianças que passaram pelo catecismo da Santo Afonso que durante muitos anos, por sua causa, tinha a fama de ser o melhor da arquidiocese. Foi uma jornada maravilhosa e você meu amigo e confessor, merece toda a nossa admiração.




A igreja do Brasil lhe deve a catequese dos especiais, uma luta sua em um tempo em que ninguém acreditava ser possível. Você desbravou e abriu muitos caminhos, cabe a nós caminhar e aprimorá-los.




Fica para nós essa saudade incomoda e a falta de alguém que celebre a Eucaristia com esse sorriso e essa intimidade que nos fazia sentir Jesus alí, bem perto de nós. 

                                                   

Quem ousará abrir caminhos e ouvir as criticas pela ousadia de fazer o novo?
Quem não se lembra da primeira vez que você colocou as crianças à sua volta no altar 
no momento da consagração?
Colocar especiais como acólitos?
Santa Ousadia !
Santa Alegria!
Santa disponibilidade para acolher a tantos.




Para nós o sentimento mais forte será sempre a gratidão.
Receba o nosso carinho e no céu continue a rezar por nós.

Até um dia Pe. Marques


+ 22-10-2016







15 de outubro de 2016

15 de Outubro - Dia do Professor

O texto abaixo circula na internet desde 2009. e eu o escolhi para homenagear a todos os professores neste seu dia. è um texto de alerta e de denúncia.

Aproveito a oportunidade para agradecer a todos os meus professores a quem devo tudo aquilo que sei e o que sou.


A EXTINÇÃO DOS PROFESSORES.

 O ano é 2.050 D.C. - Trata-se de  uma conversa entre avô e neto tem início a partir da seguinte interpelação:
   – Vovô, por que o mundo está acabando?
     A calma da pergunta revela a inocência da alma infante.
 E no mesmo tom vem a resposta:
     – Porque não existem mais PROFESSORES, meu anjo.
     – Professores?
Mas o que é isso?
O que fazia um professor?
   O velho responde, então, que professores eram homens e mulheres elegantes e  dedicados, que se expressavam sempre de maneira muito culta e que, muitos anos atrás, transmitiam conhecimentos e ensinavam as pessoas a ler, falar, escrever, se comportar, localizar-se no mundo e na história, entre muitas outras coisas.
Principalmente, ensinavam as pessoas a pensar.
– Eles ensinavam tudo isso?
Mas eles eram sábios?
– Sim, ensinavam, mas não eram todos sábios.
Apenas alguns, os grandes professores, que ensinavam outros professores, e eram amados pelos alunos.
     – E como foi que eles desapareceram, vovô?
  – Ah, foi tudo parte de um plano secreto e genial, que foi executado aos poucos por alguns vilões da sociedade.
O vovô não se lembra direito do que veio primeiro, mas sem dúvida, os políticos ajudaram muito. Eles acabaram com todas as formas de avaliação dos alunos, apenas para mostrar estatísticas de aprovação.Assim, sabendo ou não sabendo alguma coisa, os alunos eram aprovados. Isso liquidou o estímulo para o estudo e apenas os alunos mais interessados conseguiam aprender alguma coisa.
 Depois, muitas famílias estimularam a falta de respeito pelos professores, que passaram a ser vistos como empregados de seus filhos.
Estes foram ensinados a dizer “eu estou pagando e você tem que me ensinar”, ou “para que estudar se meu pai não estudou e ganha muito mais do que você” ou ainda “meu pai me dá mais de mesada do que você ganha”.
 Isso quando não iam os próprios pais gritar com os professores nas escolas.
Para isso muito ajudou a multiplicação de escolas particulares, as quais, mais interessadas nas mensalidades que na qualidade do ensino, quando recebiam reclamações dos pais, pressionavam os professores, dizendo que eles não estavam conseguindo “gerenciar a relação com o aluno”. Os professores eram vítimas da violência física, verbal e moral – que lhes era destinada por pobres e ricos.
Viraram saco de pancadas de todo mundo.
 Além disso, qualquer proposta de ensino sério e inovadora sempre esbarrava na obsessão dos pais com a aprovação
do filho no vestibular, para qualquer faculdade que fosse.
“Ah, eu quero saber se isso que vocês estão ensinando vai fazer meu filho passar no vestibular”, diziam os pais nas reuniões com as escolas.
 E assim, praticamente todo o ensino foi orientado para os alunos passarem no vestibular. Lá se foi toda a aprendizagem de conceitos, as discussões de idéias, tudo, enfim, virou decoração de fórmulas.
Com a Internet, os trabalhos escolares e as fórmulas ficaram acessíveis a todos, e nunca mais ninguém precisou ir à escola para estudar a sério.
 Em seguida, os professores foram desmoralizados.
Seus salários foram gradativamente sendo esquecidos e ninguém mais queria se dedicar à profissão. Quando alguém criticava a qualidade do ensino, sempre vinha algum tonto dizer que a culpa era do professor. As pessoas também se tornaram descrentes da educação, pois viam que as pessoas “bem sucedidas” eram políticos e empresários que os financiavam, modelos, jogadores de futebol, artistas de novelas da televisão, sindicalistas – enfim, pessoas sem nenhuma formação ou contribuição real para a sociedade.
E assim a profissão mais importante na antiguidade extinguiu-se.