O absurdo e a Graça
22 de dezembro de 2021
Nasceu sem luxo, quase no lixo em meio aos animais...

13 de novembro de 2021
Monge que levou o mindfulness para o Ocidente se prepara para morrer
Thich Nhat Hanh Thây
Thich Nhat Hanh, o monge que popularizou a atenção plena (mindfulness) no Ocidente, voltou para o Vietnã para aproveitar o resto de sua vida. Devotos de muitas partes do mundo estão o visitando. Aos 92 anos, ele se retirou em um templo budista fora da cidade de Huế.
.Em 2014, Thây,sofreu um derrame. Desde então, tem sido incapaz de falar ou continuar seus ensinamentos. Em outubro de 2018, ele expressou seu desejo, usando gestos, de retornar ao templo no Vietnã, onde foi ordenado como um jovem monge.
Eu não estou preso neste corpo, sou a vida sem limites, eu nunca nasci e eu nunca morrerei.
Lá o vasto oceano e o céu com muitas galáxias todos manifestos na base da consciência. Desde tempos sem início sempre fui livre. Nascimento e morte são apenas um meio - uma porta que nós entramos e saimos. Nascimento e morte são apenas um jogo de esconde-esconde. Então sorria para mim e pegue minha mão e acene um adeus. Amanhã vamos nos encontrar de novo ou até mesmo antes. Estaremos sempre nos encontrando novamente na verdadeira fonte, sempre encontrando novamente nos caminhos inumeráveis da vida. " Thich Nhat Hanh no livro Nenhuma morte, Nenhum medo

11 de novembro de 2021
Um passeio pelas redes e pelo noticiário.
Hoje resolvi fazer uma coisa que já não fazia há algum tempo. Ler notícias e ver o que dizem as redes sobre a situação atual. Vi bem o que isso produz em mim. As postagens que compartilhei, uma parte delas mostram bem como essas coisas nos afetam, pelo menos afetam a mim de forma muito pouco positiva. Despertam uma revolta que pouco utilidade tem e afetam de forma bem negativa o meu projeto de ser uma pessoa melhor. Eu tenho como um projeto muito importante o fato de que quando nasci recebi um “ego”, e pretendo devolver quando for embora, um bem melhor. Pelo menos tenho me empenhado neste sentido.
Coisas que acontecem em dia qualquer nestes tempos difíceis.
“… um menino de uns 10 anos estava parado, na frente de uma loja de sapatos olhando a vitrine e tremendo de frio. Uma senhora aproximou-se do menino e disse-lhe:

20 de outubro de 2021
E o ódio abunda em Pindorama
27 de setembro de 2021
Salve as crianças ! Salvem as Crianças e todos nós !
Parece que essa ausência das crianças, da alegria barulhenta delas, nos denuncia que há uma mudança muito ruim à nossa volta. Há gente que está desvirtuando e demonizando esse jeito simples de ser criança, de correr arás de doces, de reverenciar os santos médicos, que para o gosto popular, foram sincretizados como crianças. Verdadeiros arquétipos da alegria, da simplicidade do jeito bom de ser eternamente criança. Não há espaço para isso mais. Mas não culpem a pandemia. Isso começou bem antes. Começou quando a intolerância seletiva passou a ter espaço, quando gente corrupta resolveu acabar com a corrupção, dos outros. Quando os supostos evangélicos passaram a agir na contramão do que pregam os evangelhos, quando o preconceito, o racismo, a homofobia e tudo mais de ruim que os auto proclamados “gente de bem“ perderam a vergonha de mostrar publicamente. Foi desde aí que espancar pessoas homoafetivas, amarrar meninos negros em postes e começaram a bradar que bandido bom é bandido morto. Mas eles só não dizem que depende do bandido. Porque bandido branco e rico, esses estão acima de qualquer condenação, e dependendo são merecedores de votos e de cargos nos altos escalões governamentais.
Hoje minha oração tem endereço certo, eu a dirijo aos santos médicos, aos santos meninos, peço a eles que pelo bem desta nação, que dizem ter sido abençoada por Deus, e que parece caiu nas garras de algum espírito trevoso, que eles venham em nosso socorro. Que eles tomem Jesus, o verdadeiro, o que disse que o reino era dos puros, das crianças, dos ladrões e das prostitutas, antes de ser dos sacerdotes e auto proclamados “homens de bem”, que de mãos dadas com ele, o divino mestre e que ele, como fez no tempo quando andava nesta terra, de chicote na mão, expulse essa gente falsa, esses vendilhões que dizem falar em seu nome, que usam trechos do evangelho que exalta a verdade, para esconder suas mentiras. Que ele, o senhor dos senhores expulse de uma vez por todas esse verdadeiro câncer que adoenta a nossa terra de Santa Cruz, o Brasil de todos os brasileiros: índios, negros, brancos, mulatos, pobres e também ricos, desde que tenham boa vontade.
São Cosme e São Damião, os santos médicos, Doum, Crispim Crispiniano, Caboclinhos da mata e toda sorte de crianças nós estamos pedindo, venham salvar este país, porque já estamos perdendo a alegria, essa alegria infantil de nossas crianças interiores que sempre nos ajudaram a seguir em frente com confiança.
Salve Cosme e Damião ! Salve os Erês !
SALVEM AS NOSSAS CRIANÇAS!
SALVEM-NOS!

28 de agosto de 2021
Alvorecer aos 70...
É hora de transformar lembranças em experiência.
Minhas queridas memórias...

25 de agosto de 2021
«Oração do Coração»
meditação / Oração Hesicasta)
A oração hesicástica, que leva ao descanso em que a alma
habita com Deus, é a oração do coração. Para nós que damos tanta importância à
mente, aprender a rezar com o coração e a partir dele tem importância especial.
Os monges do deserto nos mostram o caminho. Embora não exponham nenhuma teoria
sobre a oração, suas narrativas e seus conselhos concretos apresentam as pedras
com as quais os autores espirituais ortodoxos mais tardios construíram uma
espiritualidade magnífica. Os autores espirituais do monte Sinai, do monte Atos
e os startsi da Rússia oitocentista apóiam-se todos na tradição do deserto.
Encontramos a melhor formulação da oração do coração nas palavras do místico
russo Teófano, o Recluso: "Rezar é descer com a mente ao coração e ali
ficar diante da face do Senhor, onipresente, onividente dentro de nós". No
decorrer dos séculos, essa perspectiva da oração tem sido central no hesicasmo
Rezar é ficar na presença de Deus com a mente no coração, isto é, naquele ponto
de nossa existência em que não há divisões nem distinções e onde somos
totalmente um. Ali habita o Espírito de Deus e ali acontece o grande encontro.
Ali, coração fala a coração, porque ali ficamos diante da face do Senhor,
onividente, dentro de nós. É bom saber que aqui a palavra "coração" é
usada em seu sentido bíblico pleno. em nosso meio, ela se tornou lugar-comum.
Refere-se à sede da vida sentimental. Expressões como "coração
partido" e "sentido no coração" mostram ser comum pensarmos no
coração como o lugar quente onde se localizam as emoções, em contraste com o
frio intelecto onde têm lugar nossos pensamentos. Mas, na tradição
judeu-cristã, a palavra "coração" refere-se à fonte de todas as
energias físicas, emocionais, intelectuais, volitivas e morais.
Um dos monges do deserto, Macário, o Grande, diz: "A
tarefa principal do atleta (isto é, do monge) é entrar em seu coração".
Isso não significa que o monge deva procura encher sua oração de sentimento;
signfica que deve esforçar-se para deixar que ela remodele toda a sua pessoa. O
discernimento mais profundo dos monges do deserto é que entrar no coração é
entrar no Reino de Deus. Em outras palavras, o caminho para Deus é pelo
coração. Isaac, o Sírio, escreve:
«Procure entrar na câmara do tesouro... que está dentro de
você e então descobrirá a câmara do tesouro do céu. Pois ambas são a mesma
coisa. Se conseguir entrar em uma, você verá ambas. A escada para este Reino
está escondida dentro de você, em sua alma. Se você purificar a alma, ali verá
os degraus da escada que deve subir.»
E João de Cárpato diz:
«É preciso grande esforço e luta na oração para alcançar
aquele estado da mente que é livre de toda perturbação; é um céu dentro do
coração (literalmente 'intracardíaco'), o lugar onde, como o apóstolo Paulo
assegura, "Cristo está em vós.» (2Cor13,5).
Em suas falas, os monges do deserto nos indicam uma visão
bastante holística de oração. Eles nos afastam de nossas práticas intelectuais,
nas quais Deus se transforma em um dos muitos problemas com os quais temos de
lidar. Mostram-nos que a verdadeira oração penetra no âmago de nossa alma e não
deixa nada sem tocar. A oração do coração não nos permite limitar nosso
relacionamento com Deus a palavras interessantes ou emoções piedosas. Por sua
própria natureza, essa oração transforma todo o nosso ser em Cristo,
precisamente porque abre os olhos de nossa alma à verdade de nós mesmos e
também à verdade de Deus. Em nosso coração passamos a nos ver como pecadores
abraçados pela misericórdia de Deus. É essa visão que nos faz clamar:
"Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, tem misericórdia de mim,
pecador". A oração do coração nos exorta a não esconder absolutamente nada
de Deus e a nos entregar incondicionalmente a sua misericórdia.
Assim, a oração do coração é a oração da verdade. Desmascara
as muitas ilusões sobre nós mesmos e sobre Deus e nos conduz ao verdadeiro
relacionamento do pecador com o Deus misericordioso. Essa verdade é o que nos
dá o "descanso" do hesicasta. Quando ela se abriga em nosso coração,
somos menos distraídos por pensamentos mundanos e nos voltamos mais
sinceramente para o Senhor de nossos corações e do universo. Assim, as palavras
de Jesus: "Felizes os corações puros: eles verão a Deus" (Mt 5,8)
tornam-se reais em nossa oração. As tentações e as lutas continuam até o fim de
nossas vidas, mas com um coração puro ficamos tranqüilos, mesmo em meio a uma
existência agitada.
Isso levanta o problema de como praticar a oração do coração
em um ministério bastante agitado. É a essa questão de disciplina para a qual
precisamos agora voltar a atenção.
Oração e ministério
Como nós, que não somos monges nem vivemos no deserto,
praticamos a oração do coração? Como ela influencia nosso ministério cotidiano?
A resposta a essa pergunta está na formulação de uma
disciplina definitiva, uma regra de oração. As características da oração do
coração que nos ajudam a formular essa disciplina:
— A oração do coração alimenta-se de orações breves e
simples.
— A oração do coração é incessante.
— A oração do coração inclui tudo.
— Alimenta-se de Orações Breves
No contexto de nossa cultura verbosa, é significativo ouvir
os monges do deserto nos aconselhando a não usar palavras em excesso:
«Perguntaram ao aba Macário: 'Como se deve rezar?' O ancião
respondeu: 'Não há, em absoluto, necessidade de fazer longos discursos; basta
estender a mão e dizer: Senhor, como queres e como sabes, tem misericórdia. E
se o conflito ficar mais ameaçador, dizer: Senhor, ajuda. Ele sabe muito bem do
que precisamos e nos mostra sua misericórdia.»
João Clímaco é ainda mais explícito:
«Quando rezar, não procure se expressar em palavras
extravagantes pois, quase sempre, são as frases simples e repetitivas de uma
criancinha que nosso Pai do céu acha mais irresistíveis. Não se esforce em
muito falar, para que a busca de palavras não lhe distraia a mente da oração.
Uma única frase nos lábios do coletor de impostos foi suficiente para lhe
alcançar a misericórdia divina; um pedido humilde feito com fé foi suficiente
para salvar o bom ladrão. A tagarelice na oração sujeita a mente à fantasia e à
dissipação; por sua natureza, as palavras simples tendem a concentrar a
atenção. Quando encontrar satisfação ou contrição em determinada palavra de sua
oração, pare nesse ponto.»
Essa é uma sugestão muito útil para nós que tanto dependemos
da capacidade verbal. A tranqüila repetição de uma única palavra ajuda-nos a
descer com a mente ao coração. (Também a base da OC, nota da autora do site).
Essa repetição nada tem a ver com mágica. Não tem o propósito de enfeitiçar
Deus, nem de forçá-lo a nos ouvir. Pelo contrário, uma palavra ou sentença
repetida com freqüência ajuda-nos a nos concentrar, a nos mover para o centro,
a criar uma tranqüilidade interior e, assim, a ouvir a voz de Deus. Quando
simplesmente tentamos ficar sentados em silêncio e esperar que Deus nos fale,
nos vemos bombardeados por intermináveis pensamentos e idéias conflitantes. Mas
quando usamos uma sentença bastante simples como: "Ó Deus, vem em meus
auxílio", ou "Jesus, mestre, tem piedade de mim", ou uma palavra
como "Senhor" ou "Jesus", é mais fácil deixar as muitas
distrações passarem sem nos deixarmos iludir por elas. Essa oração simples,
repetida com facilidade, esvazia aos poucos nossa vida interior apinhada e cria
o espaço sossegado onde habitamos com Deus. É como uma escada pela qual
descemos ao coração e subimos a Deus. Nossa escolha de palavras depende de
nossas necessidades e das circunstâncias do momento, mas é melhor usar palavras
da Escritura.
Quando somos fiéis a essa oração simples e a praticamos com
regularidade, ela nos conduz devagar a uma experiência de descanso e nos abre à
presença ativa de Deus. Além disso, em um dia muito atarefado, podemos levar essa
oração conosco. Quando, por exemplo, passamos, no início da manhã, 20 minutos
sentados na presença de Deus com as palavras: "O Senhor é meu
pastor", elas lentamente constroem em nosso coração um pequeno ninho para
si mesmas e ali ficam o restante de nosso dia atarefado. Até enquanto falamos,
estudamos, cuidamos do jardim ou construímos alguma coisa, a oração continua em
nosso coração e nos mantém conscientes da orientação onipresente de Deus. A
disciplina não é agora dirigida para um discernimento mais profundo do que
significa chamar Deus de nosso Pastor, mas para a íntima experiência da ação
pastoral de Deus em tudo que pensamos, dizemos ou fazemos.
Incessante
A segunda característica da oração do coração é ser
incessante. A pergunta de como seguir a ordem de Paulo: "Orai
incessantemente" foi fundamental no hesicasmo desde a época dos monges do
deserto até a Rússia oitocentista. Há muitos exemplos desse interesse nos dois
extremos da tradição hesicástica. (Vejamos um dos principais:)
...
Na famosa história do Peregrino Russo lemos:
«Pela graça de Deus sou cristão, mas pelas minhas ações sou
um grande pecador... No vigésimo quarto domingo depois de Pentecostes, fui à
igreja para ali fazer minhas orações durante a liturgia. Estava sendo lida a
primeira Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses e, entre outras palavras,
ouvi estas: 'Orai incessantemente' (1Ts 5,17). Foi esse texto, mais que
qualquer outro, que se inculcou em minha mente, e comecei a pensar como seria
possível rezar incessantemente, já que um homem tem de se preocupar também com
outras coisas a fim de ganhar a vida.»
O camponês foi de igreja em igreja, para ouvir sermões, mas
não encontrou a resposta que queria. Finalmente, encontrou um santo staretz que
lhe disse:
«A oração interior incessante é um anseio contínuo do
espírito humano por Deus. Para sermos bem-sucedidos nesse exercício consolador,
precisamos suplicar com mais freqüência a Deus que nos ensine a rezar sem
cessar. Rezar mais e rezar com mais fervor. É a própria oração que lhe revela
como rezá-la sem cessar; mas leva algum tempo.»
Então, o santo staretz ensinou ao camponês a Oração de
Jesus: "Senhor Jesus Cristo, tem misericórdia de mim". Enquanto
viajava como peregrino pela Rússia, o camponês passou a repetir essa oração com
os lábios. Até considerava a oração de Jesus sua companheira verdadeira. E,
então, um dia, teve a sensação de que a oração passou sozinha de seus lábios
para seu coração. Ele diz:
«... parecia que, pulsando normalmente, meu coração começava
a dizer as palavras da oração a cada batida... Desisti de dizer a oração com os
lábios. Passei simplesmente a ouvir o que meu coração dizia.»
Aqui aprendemos outro jeito de chegar à oração incessante. A
oração continua a rezar dentro de mim, até enquanto falo com os outros ou me
concentro no trabalho manual. Ela se torna a presença ativa do Espírito de Deus
que me guia pela vida.
Desse modo vemos como, pela caridade e pela atividade da
oração de Jesus em nosso coração, nosso dia todo se transforma em oração
contínua. Não sugiro que imitemos o peregrino russo, mas que, também nós, em
nosso ministério atarefado, nos preocupemos em rezar sem cessar, para que, seja
o que for que comamos ou bebamos, seja o que for que façamos o façamos pela
glória de Deus. (Veja 1Cor 10,31). Amar e trabalhar pela glória de Deus não
pode permanecer uma idéia sobre a qual pensamos de vez em quando. Deve se
tornar uma incessante doxologia interior.
Inclui tudo
Uma última característica da oração do coração é que ela
inclui todos os nossos interesses. Quando entramos com a mente no coração e ali
ficamos na presença de Deus, então todas as nossa preocupações mentais se
transformam em oração. O poder da oração do coração é precisamente que, por
meio dela, tudo que está em nossa mente se transforma em oração.
Quando dizemos a alguém: "Vou rezar por você",
assumimos um compromisso muito importante. É uma pena que esse comentário
muitas vezes não passe de uma expressão de interesse. Mas, quando aprendemos a
descer com nossa mente em nosso coração, todos os que fazem parte de nossa vida
são guiados à presença curativa de Deus e tocados por ele no centro de nosso
ser. Falamos aqui de um mistério para o qual palavras são inadequadas. É o
mistério em que o coração, centro de nosso ser, é transformado por Deus em seu coração,
um coração grande o bastante para abraçar todo o universo. pela oração,
carregamos em nosso coração toda a dor e tristeza humanas, todos os conflitos
agonias, toda a tortura e a guerra, toda a fome, solidão e miséria, não por
causa de alguma grande capacidade psicológica ou emocional, mas porque o
coração de Deus uniu-se ao nosso.
Aqui vislumbramos o sentidos das palavras de Jesus:
«Tomais sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque
eu sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas.
Sim, o meu jugo é fácil de carregar, e o meu fardo é leve.» (Mt 11,29-30).
Jesus nos convida a aceitar seu fardo, que é o do mundo
todo, um fardo que inclui o sofrimento humano em todos os tempos e lugares. Mas
esse fardo divino é leve e podemos carregá-lo quando nosso coração se
transforma no coração manso e humilde de nosso Senhor.
Vemos aqui o íntimo relacionamento entre oração e
ministério. A disciplina de conduzir todo o nosso povo com suas lutas ao
coração manso e humilde de Deus é a disciplina de oração e também do
ministério. Enquanto o ministério significar apenas que nos preocupamos muito
com as pessoas e seus problemas; enquanto significar um número interminável de
atividades que dificilmente conseguimos coordenar, ainda dependeremos muito de
nosso coração tacanho e ansioso. Mas quando nossas preocupações são elevadas ao
coração de Deus e ali se transformam em oração, ministério e oração se tornam
duas manifestações do mesmo amor universal de Deus.
Vimos como a oração do coração se nutre de orações breves, é
incessante e inclui tudo. Essas três características mostram como a oração do
coração é o alento da vida espiritual e de todo o ministério. Na verdade, essa
oração não é apenas uma atividade importante, mas o próprio centro da nova vida
que queremos representar e na qual queremos iniciar nosso povo. As
características da oração do coração deixam claro que ela exige uma disciplina
pessoal. Para levar uma vida de oração não podemos passar sem orações
específicas. Precisamos dizê-las de uma forma que nos ajude a ouvir melhor o
Espírito que reza em nós. Precisamos continuar a incluir em nossa oração todas
as pessoas com as quais e para as quais vivemos e trabalhamos. Essa disciplina
vai nos ajudar a passar de um ministério entontecedor, fragmentário e muitas
vezes frustrante para um ministério integrador, holístico e muito gratificante.
Ela não vai facilitar o ministério, mas simplificá-lo; não vai torná-lo doce e
piedoso, mas sim espiritual; não vai fazê-lo indolor e sem lutas, mas tranqüilo
no verdadeiro sentido hesicástico."
FONTE:
NOUWEN, Henri J. M. A Espiritualidade do Deserto e o
Ministério Contemporâneo - O Caminho do Coração. São Paulo: Ed. Loyola, 2000.
21 de agosto de 2021
Vai, segue seu caminho...
Este é um ensinamento cristão de verdade, não o monte de culpas e medo com que algumas pessoas oprimem seus irmãos. Jesus veio libertar a humanidade e não criar um bando de seguidores neuróticos dependentes de falsos seguidores em sua mensagem de amor e paz.
Li hoje esse texto e achei ele perfeito não é de minha autoria, embora eu
gostaria de trê-lo escrito. Não havia indicação de autor.
Estava andando no supermercado hoje, e de repente ouvi um
barulho de coisa quebrando. Cruzei o supermercado, e notei que tinha alguns
funcionários cochichando. Quando entrei no corredor prá onde olhavam, vi uma
cena triste. A repositora tinha batido o carrinho na gôndola de pratos e copos.
Ela, ajoelhada, em desespero juntando os cacos, enquanto seu colega pegava cada
código de barra de cada louça quebrada dizendo: viu? viu? Agora a conta disso
vai sobrar pra você.
Cena triste. Alguém que errou, com aquele show de olhares encima. Quando me
aproximei, um rapaz veio, se ajoelhou ao lado dela e disse:
- Deixa aí, que a gente limpa. Pede para o bombeiro ver esse
corte na sua mão.
Ela olhou prá ele, com uma afeição envergonhada e disse:
- Não! Eu tenho que juntar isso prá pagar.
Aquele rapaz apenas disse:
- Fique tranquila! Temos seguro para esse tipo de perda, e
você não tem que pagar nada.
Segue, vai!
O rapaz, quando levantou, pude notar que ele tinha a
identificação de gerente do supermercado.
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Prá você que leu até aqui, gostaria que você me desse um
minuto apenas. Aonde estiver, feche seus olhos, e imagine Deus fazendo o mesmo
por você!
Ele te ajudando a recolher os cacos que a vida traz de graça.
Ele te curando e dando a certeza que seus pecados e erros serão perdoados.
Existe um seguro chamado “Graça”, que se você aceitar quando reconhecer que
errou, o Gerente da Existência do Universo dirá:
SEGUE, VAI!
Os seus erros, não intencionais, não
premeditados e sem nenhuma maldade jamais lhe serão cobrados.

17 de agosto de 2021
Conheça a teoria do centésimo macaco ou teoria da ressonância mórfica
Você já ouviu falar sobre a teoria do centésimo macaco?
Por onde se olha o que se vê são absurdos, e pior, absurdos sendo aceitos e seguidos por pessoas que se dizem "do bem". O fanatismo religioso parece que ganhou o mundo.
Nossa indignação já não é suficiente, o sentimento de
impotência é o que mais me incomoda neste momento. Um pai que entrega a filha
ao Talibã, porque ela insiste em estudar e eles, arrancam-lhe os olhos, não é
diferente do pai que espanca o filho para ele deixar de ser homossexual. Os
poderosos que mantém pessoas escravizadas em nossos dias por pura ganância ou
ainda, adolescentes, que colocam fogo em um mendigo que dorme na calçada nestas
madrugadas frias, são realidades paralelas a estes horrores.
Alguma coisa está fora da ordem, ou sempre esteve e nós
fingíamos que não víamos ou não vemos. Afinal prender um jovem, torturá-lo e
condena-lo a morte em uma cruz, não é muito diferente do que estamos vendo
hoje.
Na essência destes absurdos sempre vamos encontrar o fanatismo e a
ganância.
Tenho me perguntado muitas vezes como podemos sair disso e a resposta
é sempre a mesma: buscando a mudança e a melhoria individual.
Acreditando que
um dia, como naquele fenômeno do centésimo macaco, sejamos em número suficiente,
e assim como do nada os macacos aprenderam a lavar batatas sem que ninguém lhes
ensinasse, nós os humanoides passemos, não a lavar batatas, mas a nos amar e
respeitar, na descoberta de que todos fazemos parte da mesma unidade.
A teoria foi criada pelo biólogo teórico Rupert Sheldrake, resumidamente ela diz que uma mudança no comportamento de uma espécie irá ocorrer quando um número exato necessário é alcançado.
Os cientistas começaram a observar um macaco em uma pequena ilha chamada Koshima. Ele gostava de batata-doce, raiz abundante na região. Ele descobriu que a iguaria poderia ficar muito mais saborosa se lavada antes.
Ele então começou a retirar a terra da batata-doce mergulhando-a na água.
Depois, descobriu que poderia usar uma das mãos para segurar a batata submersa
e a outra mão para retirar o barro que não tinha saído sozinho.
Depois de várias tentativas e erros, um macaco descobre uma maneira inovadora de lavar batatas antes de come-las, o que permite aproveitar melhor a batata sem a terra que lhe envolvia. Ninguém jamais havia lavado batatas dessa forma. Por imitação, o procedimento rapidamente se replica entre os seus companheiros e logo uma população de 99 macacos domina o novo jeito de lavar batatas.
7 de agosto de 2021
08 de agosto de2021: Um ano da Páscoa Do irmão Pedro Casaldáliga
Eu responderei incisivo:
O sou. Pelo meu povo que luta,
Pelo meu povo que trilha apressado
Caminhos de sofrimento.
Eu tenho fé de guerrilheiro
E amor de revolução.
O espanhol que adotou o Brasil para defender seu povo
Ao final do caminho me dirá
E tu, viveste? Amaste?
E eu, sem dizer nada,
Abrirei o coração cheio de nomes

6 de agosto de 2021
Até quando vamos conviver e tolerar a intolerância?
Hoje o face me trouxe uma postagem de 2019 que a amiga Inês,
havia enviado pelo zap. Vi que ela serve
e se encaixa neste meu momento reflexivo, já que mostra diálogos perfeitamente
possíveis e atuais.Tenho visto e ouvido coisas assim o tempo todo...
No elevador :
- Friozinho hoje, né?
- Não me lembro de ninguém
reclamando do tempo quando eram os ladrões que estavam no governo.
- Não reclamei, senhora. Só comentei que está frio.
- Se prefere o calor
insuportável de antes, vai pra Cuba, que lá é quente do jeito de vocês gostam.
- Vocês quem?
- Vocês que se locupletaram durante
13 anos, e agora, não tendo do que reclamar, botam a culpa de tudo no nosso presidente,
que quase morreu pelo país. Até o
frio...
(Silêncio. A senhora, toda encasacada, desce no 4º andar,
pisando duro e sem olhar para trás.
Entra um rapaz.
- Como tem gente maluca neste mundo. Comentei que estava
frio e aquela senhora saiu cuspindo marimbondo, como se eu estivesse fazendo
crítica política.
- E não estava?
- Não, só comentei que esfriou hoje e...
- E você acha que este frio
não tem a ver com o aquecimento global? , Com a devastação das florestas? Com
essa política ambiental criminosa? Com esse clima horroroso que vocês
implantaram no país?
- Vocês quem?
- Vocês, fundamentalistas retrógrados,
entreguistas.
- Mas...
- Eu não dialogo com fascistas. Silêncio.
O rapaz, de camiseta regata, desce no térreo, pisando duro e sem olhar para
trás.
Uma mocinha que aguarda o elevador pergunta:
- Está descendo ou subindo?
Uma outra pessoa :
- Não sabe se quer subir ou descer?
Decida-se primeiro, em vez de ficar aí em cima do muro.
É por culpa de vocês, isentões, que o Brasil está desse jeito!
Chegamos a um estágio em que as pessoas, na verdade será
melhor dizer, nós, reagimos antes de pensar. É como se cada um tivesse uma pedra
na mão prestes a ser lançada.
Nas redes ditas sociais então, elas a todo momento estão sendo arremessadas e
podem fazer grandes estragos, como aconteceu essa semana com o rapaz de 16 anos
e que, a partir do turbilhão de agressões e críticas, nas redes, não suportou
e, acabou cometendo suicídio.
Estas redes hoje são povoadas por todo tipo de mentiras, as
tais “fake News”, por pessoas preconceituosas, moralistas, fanáticos
religiosos, sem falar nos sem limite que se acham no direito de entrar em
postagens onde não foram chamados, para ultrapassar o direito de discordar.
Não sei se a pandemia acabou por agravar essa situação, tendo em vista o
isolamento social e a tensão gerada pelo medo e falta do convívio social.Fato é
que eu percebo que o caminho do meio, apregoado sabiamente pelos budistas, está
cada vez mais fora do repertório das relações interpessoais. Estar no centro
hoje assumiu uma imagem desgastada, que aos poucos parece ser associada com
manipulação e falta de honestidade. Restam então os extremos, que se agridem
permanentemente, sendo que em muitos casos de forma fanática e radical. Não há
mais espaço para a pluralidade, para uma convivência que toler e respeita as
diferenças. O que acaba sendo produzido é uma agressão que destrói relações e
vem se tornando frequente e ascendente.
Não quero e não vou entrar nessa guerra de ideias e na sedução do reclamar sem
avaliar o proveito deste ato de reclamar.
Não pretendo perder a harmonia e a paz e ter que aturar agressões de quem pensa
diferente de meus valores sociais, morais e políticos. Já repeti inúmeras vezes
que vejo no cristianismo primitivo o modelo mais acertado de convivência. É um
modelo de tolerância e respeito e sim, é um modelo que serviu de base para o
socialismo. Na verdade, o revolucionário de Nazaré só não tlerava quem era intransigente
intolerante com os indefesos e excluídos, de resto acolhia a todos e deixava
isso muito claro quando afirmava que os ladrões e as prostitutas precederiam os
sacerdotes do tempo no paraíso. Ele foi claro e inclusivo quando disse á “pecadora”
que se os moralistas não a condenaram ele também não a condenaria. Ao centurião
romano que sabia que sua casa não era digna que um judeu lá entrasse, já que transgredia
as leis mantendo “um escravo que ele muito amava’ e que estava enfermo, Jesus
não teve dúvidas em curá-lo sem nem mesmo ir presencialmente lá. E a samaritana
adultera, já que tinha tido não um, mas cinco maridos? Ele se limitou a dizer a
ela que na verdade apesar de ter tido cinco não tinha nenhum.
Duas ciosas saltam aos olhos nos relatos dos evangelhos, tolerância e inclusão.
Ele incluía a todos, mulheres tidas como inferiores no judaísmo da época,
cobradores de impostos, mulheres condenadas pela sociedade da época, e até sacerdotes,
desde que não tivessem o abominável comportamento farisaico, esse sim jamais
tolerado por justamente ser oposto da mensagem de amor, inclusão e aceitação das
criaturas de seu Pai. Esse tem sido um modelo que tento imperfeitamente seguir,
confesso que com pouco sucesso.
Tenho percebido que às vezes me demoro demais nos círculos
de críticos e reclamadores, e isso acaba por me frustrar, e além de não
produzir os resultados esperados, ou seja, provocar as mudanças necessárias,
acaba por alterar meu humor e me jogar num processo de desesperança, falta de
fé e ansiedade, que em nada ajudam na
resolução da séria crise que atravessamos. Essa convivência também produz um
efeito colateral que considero bastante negativo, que é nos manter atrelados
por longos períodos no celular, logados nas tais redes, mais antissociais do
que sociais.
Sirvo-me deste texto não com a pretensão de fazer alguém mudar de atitude ou de
condenar o comportamento alheio, mas tomo-o como uma reflexão para colocar
minhas ideias de forma mais claras para mim e como forma de rever minhas
atitudes e comportamentos, de forma a organizar melhor meu processo de mudança e crescimento.
Já há algum tempo adotei como lema para minha vida, parte de um samba antológico do Cartola, o grande
Cartola, da minha querida Mangueira que diz assim:
“ A sorrir, eu pretendo levar a vida,
pois chorando eu vi a mocidade perdida...”
E é uma verdade, a minha mocidade foi abortada
pela ditadura e hoje eu quero tomar muito cuidado para não ter também a minha
velhice perdida. Na verdade eu sei, como prossegue o samba, que “finda a tempestade, o sol nascerá...” quero
muito conseguir ver esse sol nascente outra vez.
