O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

28 de agosto de 2021

Alvorecer aos 70...


Silencio e me recolho para contemplar.
sirvo-me daquela oração havaiana:

“Minhas queridas memórias, eu as amo...”

Olhar o desenrolar da vida traz um gosto doce,
Que vez por outra, se mistura com o sal daquela lágrima
De alegre emoção, ou de uma  lembrança saudosa.
As vezes é  uma dor funda
Que vem de um canto triste da memória...
Mas há também lembrança boa,
Lembrar da risada gostosa de minha mãe preta,
E também dos carinhos da minha vó branca,
As reuniões familiares, o alvoroço dos primos...
De um tempo em que a vida passava bem devagar.
    
               

Quanta ternura neste baú de lembranças...
Remexendo encontro o pátio da escola pública,
Amigos, professora, comemorações cívicas...
E de repente o desafio do curso de admissão ao ginasial.
Revejo então a chegada no ginasial,
A insegurança de um mundo novo,
Depois o colegial, a universidade o primeiro emprego...
Os anos de chumbo, os tempos cinzentos...
As muitas perdas, pai, irmã, mãe...
Amigos que foram exterminados pelo regime da época...
Mas nem tudo é  só cinza neste baú.
Salta então da memória
O casamento, os filhos as realizações...
São muitos os recortes de lembranças,
Tantos, nestas setenta voltas do sol
Que se relatados aqui se tornariam um livro.

Mas, olhando daqui,
Me parece que passaram tão rápido.
Teriam sido setenta mesmo ?

Mas, é tempo de olhar adiante.
Há muito que fazer ainda.
É hora de rever a bagagem
Abandonar, desapegar.
Há muita coisa, coisa demais até
Que só pertence ao passado,
É urgente libertá-las:

Minhas queridas memórias, eu as amo.
 Sou grato por poder libertá-las
E assim também me libertar...

É hora de transformar lembranças em experiência.

Minhas queridas memórias...

Lembro que ultrapassei, e muito, o meio da viagem,
Não faz  mais sentido acumular bagagem.
Pra onde eu vou agora,
Nas urgências desta vida,
Uma pequena maleta de  sonhos,
Uma mochila com boas esperanças,
Cheia de muito amor e bem querer,
Que acondicione bem uma boa porção
De bom humor e muitos sorrisos,
É só o que eu preciso, pra terminar bem
Essa minha feliz e bem sucedida viagem.
Hoje a palavra e o sentimento são um só:
Gratidão.

Sinto muito,
Se no caminho desapontei alguém.

Me perdoe,
Se mais que desapontar eu magoei ou ofendi alguém.

Sou Grato ,
Ao Divino Criador que tudo me deu,

E, é a ele que não me canso de dizer
Eu te amo

25 de agosto de 2021

«Oração do Coração»

meditação / Oração Hesicasta)   Henri Nouwen

A oração hesicástica, que leva ao descanso em que a alma habita com Deus, é a oração do coração. Para nós que damos tanta importância à mente, aprender a rezar com o coração e a partir dele tem importância especial. Os monges do deserto nos mostram o caminho. Embora não exponham nenhuma teoria sobre a oração, suas narrativas e seus conselhos concretos apresentam as pedras com as quais os autores espirituais ortodoxos mais tardios construíram uma espiritualidade magnífica. Os autores espirituais do monte Sinai, do monte Atos e os startsi da Rússia oitocentista apóiam-se todos na tradição do deserto. Encontramos a melhor formulação da oração do coração nas palavras do místico russo Teófano, o Recluso: "Rezar é descer com a mente ao coração e ali ficar diante da face do Senhor, onipresente, onividente dentro de nós". No decorrer dos séculos, essa perspectiva da oração tem sido central no hesicasmo Rezar é ficar na presença de Deus com a mente no coração, isto é, naquele ponto de nossa existência em que não há divisões nem distinções e onde somos totalmente um. Ali habita o Espírito de Deus e ali acontece o grande encontro. Ali, coração fala a coração, porque ali ficamos diante da face do Senhor, onividente, dentro de nós. É bom saber que aqui a palavra "coração" é usada em seu sentido bíblico pleno. em nosso meio, ela se tornou lugar-comum. Refere-se à sede da vida sentimental. Expressões como "coração partido" e "sentido no coração" mostram ser comum pensarmos no coração como o lugar quente onde se localizam as emoções, em contraste com o frio intelecto onde têm lugar nossos pensamentos. Mas, na tradição judeu-cristã, a palavra "coração" refere-se à fonte de todas as energias físicas, emocionais, intelectuais, volitivas e morais.


No coração, originam-se impulsos impenetráveis, além de sentimentos, disposições e desejos conscientes. O coração também tem suas razões e é o centro da percepção e do entendimento. Finalmente, ele é a sede da vontade: faz planos e chega a uma boa decisão. Assim, é o órgão central e unificador de nossa vida pessoal. Nosso coração determina nossa personalidade e é, portanto, não só o lugar onde Deus habita mas também o lugar ao qual Satanás dirige seus ataques mais ferozes. Esse coração é o lugar da oração. A oração do coração dirige-se a Deus a partir do centro da pessoa e, assim, afeta toda a nossa compaixão.

Um dos monges do deserto, Macário, o Grande, diz: "A tarefa principal do atleta (isto é, do monge) é entrar em seu coração". Isso não significa que o monge deva procura encher sua oração de sentimento; signfica que deve esforçar-se para deixar que ela remodele toda a sua pessoa. O discernimento mais profundo dos monges do deserto é que entrar no coração é entrar no Reino de Deus. Em outras palavras, o caminho para Deus é pelo coração. Isaac, o Sírio, escreve:

«Procure entrar na câmara do tesouro... que está dentro de você e então descobrirá a câmara do tesouro do céu. Pois ambas são a mesma coisa. Se conseguir entrar em uma, você verá ambas. A escada para este Reino está escondida dentro de você, em sua alma. Se você purificar a alma, ali verá os degraus da escada que deve subir.»

E João de Cárpato diz:

«É preciso grande esforço e luta na oração para alcançar aquele estado da mente que é livre de toda perturbação; é um céu dentro do coração (literalmente 'intracardíaco'), o lugar onde, como o apóstolo Paulo assegura, "Cristo está em vós.» (2Cor13,5).

Em suas falas, os monges do deserto nos indicam uma visão bastante holística de oração. Eles nos afastam de nossas práticas intelectuais, nas quais Deus se transforma em um dos muitos problemas com os quais temos de lidar. Mostram-nos que a verdadeira oração penetra no âmago de nossa alma e não deixa nada sem tocar. A oração do coração não nos permite limitar nosso relacionamento com Deus a palavras interessantes ou emoções piedosas. Por sua própria natureza, essa oração transforma todo o nosso ser em Cristo, precisamente porque abre os olhos de nossa alma à verdade de nós mesmos e também à verdade de Deus. Em nosso coração passamos a nos ver como pecadores abraçados pela misericórdia de Deus. É essa visão que nos faz clamar: "Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, tem misericórdia de mim, pecador". A oração do coração nos exorta a não esconder absolutamente nada de Deus e a nos entregar incondicionalmente a sua misericórdia.

Assim, a oração do coração é a oração da verdade. Desmascara as muitas ilusões sobre nós mesmos e sobre Deus e nos conduz ao verdadeiro relacionamento do pecador com o Deus misericordioso. Essa verdade é o que nos dá o "descanso" do hesicasta. Quando ela se abriga em nosso coração, somos menos distraídos por pensamentos mundanos e nos voltamos mais sinceramente para o Senhor de nossos corações e do universo. Assim, as palavras de Jesus: "Felizes os corações puros: eles verão a Deus" (Mt 5,8) tornam-se reais em nossa oração. As tentações e as lutas continuam até o fim de nossas vidas, mas com um coração puro ficamos tranqüilos, mesmo em meio a uma existência agitada.

Isso levanta o problema de como praticar a oração do coração em um ministério bastante agitado. É a essa questão de disciplina para a qual precisamos agora voltar a atenção.

                                  

                                                       Kombuskini ou Chapelet   

Oração e ministério

Como nós, que não somos monges nem vivemos no deserto, praticamos a oração do coração? Como ela influencia nosso ministério cotidiano?

A resposta a essa pergunta está na formulação de uma disciplina definitiva, uma regra de oração. As características da oração do coração que nos ajudam a formular essa disciplina:

— A oração do coração alimenta-se de orações breves e simples.

— A oração do coração é incessante.

— A oração do coração inclui tudo.

— Alimenta-se de Orações Breves

No contexto de nossa cultura verbosa, é significativo ouvir os monges do deserto nos aconselhando a não usar palavras em excesso:

«Perguntaram ao aba Macário: 'Como se deve rezar?' O ancião respondeu: 'Não há, em absoluto, necessidade de fazer longos discursos; basta estender a mão e dizer: Senhor, como queres e como sabes, tem misericórdia. E se o conflito ficar mais ameaçador, dizer: Senhor, ajuda. Ele sabe muito bem do que precisamos e nos mostra sua misericórdia.»

João Clímaco é ainda mais explícito:

«Quando rezar, não procure se expressar em palavras extravagantes pois, quase sempre, são as frases simples e repetitivas de uma criancinha que nosso Pai do céu acha mais irresistíveis. Não se esforce em muito falar, para que a busca de palavras não lhe distraia a mente da oração. Uma única frase nos lábios do coletor de impostos foi suficiente para lhe alcançar a misericórdia divina; um pedido humilde feito com fé foi suficiente para salvar o bom ladrão. A tagarelice na oração sujeita a mente à fantasia e à dissipação; por sua natureza, as palavras simples tendem a concentrar a atenção. Quando encontrar satisfação ou contrição em determinada palavra de sua oração, pare nesse ponto.»

Essa é uma sugestão muito útil para nós que tanto dependemos da capacidade verbal. A tranqüila repetição de uma única palavra ajuda-nos a descer com a mente ao coração. (Também a base da OC, nota da autora do site). Essa repetição nada tem a ver com mágica. Não tem o propósito de enfeitiçar Deus, nem de forçá-lo a nos ouvir. Pelo contrário, uma palavra ou sentença repetida com freqüência ajuda-nos a nos concentrar, a nos mover para o centro, a criar uma tranqüilidade interior e, assim, a ouvir a voz de Deus. Quando simplesmente tentamos ficar sentados em silêncio e esperar que Deus nos fale, nos vemos bombardeados por intermináveis pensamentos e idéias conflitantes. Mas quando usamos uma sentença bastante simples como: "Ó Deus, vem em meus auxílio", ou "Jesus, mestre, tem piedade de mim", ou uma palavra como "Senhor" ou "Jesus", é mais fácil deixar as muitas distrações passarem sem nos deixarmos iludir por elas. Essa oração simples, repetida com facilidade, esvazia aos poucos nossa vida interior apinhada e cria o espaço sossegado onde habitamos com Deus. É como uma escada pela qual descemos ao coração e subimos a Deus. Nossa escolha de palavras depende de nossas necessidades e das circunstâncias do momento, mas é melhor usar palavras da Escritura.

Quando somos fiéis a essa oração simples e a praticamos com regularidade, ela nos conduz devagar a uma experiência de descanso e nos abre à presença ativa de Deus. Além disso, em um dia muito atarefado, podemos levar essa oração conosco. Quando, por exemplo, passamos, no início da manhã, 20 minutos sentados na presença de Deus com as palavras: "O Senhor é meu pastor", elas lentamente constroem em nosso coração um pequeno ninho para si mesmas e ali ficam o restante de nosso dia atarefado. Até enquanto falamos, estudamos, cuidamos do jardim ou construímos alguma coisa, a oração continua em nosso coração e nos mantém conscientes da orientação onipresente de Deus. A disciplina não é agora dirigida para um discernimento mais profundo do que significa chamar Deus de nosso Pastor, mas para a íntima experiência da ação pastoral de Deus em tudo que pensamos, dizemos ou fazemos.

Incessante

A segunda característica da oração do coração é ser incessante. A pergunta de como seguir a ordem de Paulo: "Orai incessantemente" foi fundamental no hesicasmo desde a época dos monges do deserto até a Rússia oitocentista. Há muitos exemplos desse interesse nos dois extremos da tradição hesicástica. (Vejamos um dos principais:)

                                  ...

Na famosa história do Peregrino Russo lemos:

«Pela graça de Deus sou cristão, mas pelas minhas ações sou um grande pecador... No vigésimo quarto domingo depois de Pentecostes, fui à igreja para ali fazer minhas orações durante a liturgia. Estava sendo lida a primeira Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses e, entre outras palavras, ouvi estas: 'Orai incessantemente' (1Ts 5,17). Foi esse texto, mais que qualquer outro, que se inculcou em minha mente, e comecei a pensar como seria possível rezar incessantemente, já que um homem tem de se preocupar também com outras coisas a fim de ganhar a vida.»

O camponês foi de igreja em igreja, para ouvir sermões, mas não encontrou a resposta que queria. Finalmente, encontrou um santo staretz que lhe disse:

«A oração interior incessante é um anseio contínuo do espírito humano por Deus. Para sermos bem-sucedidos nesse exercício consolador, precisamos suplicar com mais freqüência a Deus que nos ensine a rezar sem cessar. Rezar mais e rezar com mais fervor. É a própria oração que lhe revela como rezá-la sem cessar; mas leva algum tempo.»

Então, o santo staretz ensinou ao camponês a Oração de Jesus: "Senhor Jesus Cristo, tem misericórdia de mim". Enquanto viajava como peregrino pela Rússia, o camponês passou a repetir essa oração com os lábios. Até considerava a oração de Jesus sua companheira verdadeira. E, então, um dia, teve a sensação de que a oração passou sozinha de seus lábios para seu coração. Ele diz:

«... parecia que, pulsando normalmente, meu coração começava a dizer as palavras da oração a cada batida... Desisti de dizer a oração com os lábios. Passei simplesmente a ouvir o que meu coração dizia.»

Aqui aprendemos outro jeito de chegar à oração incessante. A oração continua a rezar dentro de mim, até enquanto falo com os outros ou me concentro no trabalho manual. Ela se torna a presença ativa do Espírito de Deus que me guia pela vida.

Desse modo vemos como, pela caridade e pela atividade da oração de Jesus em nosso coração, nosso dia todo se transforma em oração contínua. Não sugiro que imitemos o peregrino russo, mas que, também nós, em nosso ministério atarefado, nos preocupemos em rezar sem cessar, para que, seja o que for que comamos ou bebamos, seja o que for que façamos o façamos pela glória de Deus. (Veja 1Cor 10,31). Amar e trabalhar pela glória de Deus não pode permanecer uma idéia sobre a qual pensamos de vez em quando. Deve se tornar uma incessante doxologia interior.

Inclui tudo

Uma última característica da oração do coração é que ela inclui todos os nossos interesses. Quando entramos com a mente no coração e ali ficamos na presença de Deus, então todas as nossa preocupações mentais se transformam em oração. O poder da oração do coração é precisamente que, por meio dela, tudo que está em nossa mente se transforma em oração.

Quando dizemos a alguém: "Vou rezar por você", assumimos um compromisso muito importante. É uma pena que esse comentário muitas vezes não passe de uma expressão de interesse. Mas, quando aprendemos a descer com nossa mente em nosso coração, todos os que fazem parte de nossa vida são guiados à presença curativa de Deus e tocados por ele no centro de nosso ser. Falamos aqui de um mistério para o qual palavras são inadequadas. É o mistério em que o coração, centro de nosso ser, é transformado por Deus em seu coração, um coração grande o bastante para abraçar todo o universo. pela oração, carregamos em nosso coração toda a dor e tristeza humanas, todos os conflitos agonias, toda a tortura e a guerra, toda a fome, solidão e miséria, não por causa de alguma grande capacidade psicológica ou emocional, mas porque o coração de Deus uniu-se ao nosso.

Aqui vislumbramos o sentidos das palavras de Jesus:

«Tomais sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque eu sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas. Sim, o meu jugo é fácil de carregar, e o meu fardo é leve.» (Mt 11,29-30).

Jesus nos convida a aceitar seu fardo, que é o do mundo todo, um fardo que inclui o sofrimento humano em todos os tempos e lugares. Mas esse fardo divino é leve e podemos carregá-lo quando nosso coração se transforma no coração manso e humilde de nosso Senhor.

Vemos aqui o íntimo relacionamento entre oração e ministério. A disciplina de conduzir todo o nosso povo com suas lutas ao coração manso e humilde de Deus é a disciplina de oração e também do ministério. Enquanto o ministério significar apenas que nos preocupamos muito com as pessoas e seus problemas; enquanto significar um número interminável de atividades que dificilmente conseguimos coordenar, ainda dependeremos muito de nosso coração tacanho e ansioso. Mas quando nossas preocupações são elevadas ao coração de Deus e ali se transformam em oração, ministério e oração se tornam duas manifestações do mesmo amor universal de Deus.

Vimos como a oração do coração se nutre de orações breves, é incessante e inclui tudo. Essas três características mostram como a oração do coração é o alento da vida espiritual e de todo o ministério. Na verdade, essa oração não é apenas uma atividade importante, mas o próprio centro da nova vida que queremos representar e na qual queremos iniciar nosso povo. As características da oração do coração deixam claro que ela exige uma disciplina pessoal. Para levar uma vida de oração não podemos passar sem orações específicas. Precisamos dizê-las de uma forma que nos ajude a ouvir melhor o Espírito que reza em nós. Precisamos continuar a incluir em nossa oração todas as pessoas com as quais e para as quais vivemos e trabalhamos. Essa disciplina vai nos ajudar a passar de um ministério entontecedor, fragmentário e muitas vezes frustrante para um ministério integrador, holístico e muito gratificante. Ela não vai facilitar o ministério, mas simplificá-lo; não vai torná-lo doce e piedoso, mas sim espiritual; não vai fazê-lo indolor e sem lutas, mas tranqüilo no verdadeiro sentido hesicástico."

FONTE:

NOUWEN, Henri J. M. A Espiritualidade do Deserto e o Ministério Contemporâneo - O Caminho do Coração. São Paulo: Ed. Loyola, 2000.

21 de agosto de 2021

Vai, segue seu caminho...

Este é um ensinamento cristão de verdade, não o monte de culpas e medo com que algumas pessoas oprimem seus irmãos. Jesus veio libertar a humanidade e não criar um bando de seguidores neuróticos dependentes de falsos seguidores em sua mensagem de amor e paz.

Li hoje esse texto e achei ele perfeito não é de minha autoria, embora eu gostaria de trê-lo escrito. Não havia indicação de autor.

Estava andando no supermercado hoje, e de repente ouvi um barulho de coisa quebrando. Cruzei o supermercado, e notei que tinha alguns funcionários cochichando. Quando entrei no corredor prá onde olhavam, vi uma cena triste. A repositora tinha batido o carrinho na gôndola de pratos e copos. Ela, ajoelhada, em desespero juntando os cacos, enquanto seu colega pegava cada código de barra de cada louça quebrada dizendo: viu? viu? Agora a conta disso vai sobrar pra você.
Cena triste. Alguém que errou, com aquele show de olhares encima. Quando me aproximei, um rapaz veio, se ajoelhou ao lado dela e disse:

                            

- Deixa aí, que a gente limpa. Pede para o bombeiro ver esse corte na sua mão.

Ela olhou prá ele, com uma afeição envergonhada e disse:

- Não! Eu tenho que juntar isso prá pagar.

Aquele rapaz apenas disse:

- Fique tranquila! Temos seguro para esse tipo de perda, e você não tem que pagar nada.
Segue, vai!
O rapaz, quando levantou, pude notar que ele tinha a identificação de gerente do supermercado.

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Prá você que leu até aqui, gostaria que você me desse um minuto apenas. Aonde estiver, feche seus olhos, e imagine Deus fazendo o mesmo por você!
Ele te ajudando a recolher os cacos que a vida traz de graça.
Ele te curando e dando a certeza que seus pecados e erros serão perdoados.
Existe um seguro chamado “Graça”, que se você aceitar quando reconhecer que errou, o Gerente da Existência do Universo dirá:
SEGUE, VAI!
 Os seus erros, não intencionais, não premeditados e sem nenhuma maldade jamais lhe serão cobrados.


17 de agosto de 2021

Conheça a teoria do centésimo macaco ou teoria da ressonância mórfica

Você já ouviu falar sobre a teoria do centésimo macaco?


Por onde se olha o que se vê são absurdos, e pior, absurdos sendo aceitos e seguidos por pessoas que se dizem "do bem". O fanatismo religioso parece que ganhou o mundo.

Nossa indignação já não é suficiente, o sentimento de impotência é o que mais me incomoda neste momento. Um pai que entrega a filha ao Talibã, porque ela insiste em estudar e eles, arrancam-lhe os olhos, não é diferente do pai que espanca o filho para ele deixar de ser homossexual. Os poderosos que mantém pessoas escravizadas em nossos dias por pura ganância ou ainda, adolescentes, que colocam fogo em um mendigo que dorme na calçada nestas madrugadas frias, são realidades paralelas a estes horrores.

Alguma coisa está fora da ordem, ou sempre esteve e nós fingíamos que não víamos ou não vemos. Afinal prender um jovem, torturá-lo e condena-lo a morte em uma cruz, não é muito diferente do que estamos vendo hoje.
Na essência destes absurdos sempre vamos encontrar o fanatismo e a ganância.
Tenho me perguntado muitas vezes como podemos sair disso e a resposta é sempre a mesma: buscando a mudança e a melhoria individual.
 
Acreditando que um dia, como naquele fenômeno do centésimo macaco, sejamos em número suficiente, e assim como do nada os macacos aprenderam a lavar batatas sem que ninguém lhes ensinasse, nós os humanoides passemos, não a lavar batatas, mas a nos amar e respeitar, na descoberta de que todos fazemos parte da mesma unidade.

A teoria foi criada pelo biólogo teórico Rupert Sheldrake, resumidamente ela diz que uma mudança no comportamento de uma espécie irá ocorrer quando um número exato necessário é alcançado.

Quando isso acontecer, o comportamento ou hábitos de toda a espécie será alterado.
A história também é descrita em observações científicas, como na versão escrita por Ken Keyes Jr.
Foi realizado um estudo por cientistas em duas ilhas tropicais no Japão, que tinha o objetivo de analisar a colônia de macacos de mesma espécie, mas sem qualquer contato perceptível entre si.

Os cientistas começaram a observar um macaco em  uma pequena ilha chamada Koshima.  Ele gostava de batata-doce, raiz abundante na região. Ele descobriu que a iguaria poderia ficar muito mais saborosa se lavada antes.
Ele então começou a retirar a terra da batata-doce mergulhando-a na água. Depois, descobriu que poderia usar uma das mãos para segurar a batata submersa e a outra mão para retirar o barro que não tinha saído sozinho.

Depois de várias tentativas e erros, um macaco descobre uma maneira inovadora de lavar batatas antes de come-las, o que permite aproveitar melhor a batata sem a terra que lhe envolvia. Ninguém jamais havia lavado batatas dessa forma. Por imitação, o procedimento rapidamente se replica entre os seus companheiros e logo uma população de 99 macacos domina o novo jeito de lavar batatas.

"A ressonância mórfica é um processo básico, difuso e não-intencional que articula coletividades de qualquer tipo."
Quando o centésimo animal da ilha "A" aprende a técnica recém-descoberta, os macacos da ilha "B" começam espontaneamente a lavar batatas da mesma maneira, sem que ninguém os tenha ensinado.
Então a promessa da teoria do centésimo macaco diz que:
quando um número crítico de pessoas mudar seu comportamento ou atitude, a cultura como um todo mudará. O que não podia ser imaginado, é feito por alguns, depois por muitos, até que um número crítico de pessoas faz a mudança e torna-se o padrão de como nós iremos agir e do que somos como seres humanos.
“A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal”
— Rupert Sheldrake
Este experimento está descrito no Livro "Centésimo Macaco" de Ken Keyes Jr.
Se não nos é possível mudar o mundo, mudemos nós, desta forma estaremos contribuindo para que num futuro, quem sabe, a mudança aconteça espontaneamente.

7 de agosto de 2021

08 de agosto de2021: Um ano da Páscoa Do irmão Pedro Casaldáliga




Chamar-me-ão de subversivo
Eu responderei incisivo:
O sou. Pelo meu povo que luta,
Pelo meu povo que trilha apressado
Caminhos de sofrimento.
Eu tenho fé de guerrilheiro
E amor de revolução.


                                                             
             Pedro Casaldáliga
Barcelona 16/02/1928 -   Batatais ( SP) 08/08/2020

Ser o que se é
Falar o que se crê
Crer no que se prega
Viver o que se proclama
Até as últimas consequências

                   
  Pedro Casaldáliga o  santo que viveu entre nós

Malditas sejam todas as cercas!
Malditas todas as propriedades privadas que
nos privam de viver e de amar!
Malditas sejam todas as leis,
amanhadas por umas poucas mãos,
para ampararem cercas e bois
e fazerem da terra escrava
e escravos os homens!

     



Pedro Casaldáliga
O espanhol que adotou o Brasil  para defender seu povo


Não acontece todos os dias acompanhar o sepultamento de um santo


Ao final do caminho me dirá

E tu, viveste? Amaste?

E eu, sem dizer nada,

Abrirei o coração cheio de nomes

 


Pedro foi sepultado num cemitério indígena
às margens do seu Araguaia







6 de agosto de 2021

Até quando vamos conviver e tolerar a intolerância?

 


Hoje o face me trouxe uma postagem de 2019 que a amiga Inês, havia enviado  pelo zap. Vi que ela serve e se encaixa neste meu momento reflexivo, já que mostra diálogos perfeitamente possíveis e atuais.Tenho visto e ouvido coisas assim o tempo todo...

No elevador :

- Friozinho hoje, né?

- Não me lembro de ninguém reclamando do tempo quando eram os ladrões que estavam no governo.

- Não reclamei, senhora. Só comentei que está frio.

- Se prefere o calor insuportável de antes, vai pra Cuba, que lá é quente do jeito de vocês gostam.

- Vocês quem?

- Vocês que se locupletaram durante 13 anos, e agora, não tendo do que reclamar, botam a culpa de tudo no nosso presidente, que quase morreu pelo país.  Até o frio...

(Silêncio. A senhora, toda encasacada, desce no 4º andar, pisando duro e sem olhar para trás.

Entra um rapaz.

- Como tem gente maluca neste mundo. Comentei que estava frio e aquela senhora saiu cuspindo marimbondo, como se eu estivesse fazendo crítica política.

- E não estava?

- Não, só comentei que esfriou hoje e...

- E você acha que este frio não tem a ver com o aquecimento global? , Com a devastação das florestas? Com essa política ambiental criminosa? Com esse clima horroroso que vocês implantaram no país?

- Vocês quem?

- Vocês, fundamentalistas retrógrados, entreguistas.

- Mas...

- Eu não dialogo com fascistas.  Silêncio.


O rapaz, de camiseta regata, desce no térreo, pisando duro e sem olhar para trás.
Uma mocinha que aguarda o elevador pergunta:

- Está descendo ou subindo?

Uma outra pessoa :
- Não sabe se quer subir ou descer?
Decida-se primeiro, em vez de ficar aí em cima do muro.
É por culpa de vocês, isentões, que o Brasil está desse jeito!

 

Chegamos a um estágio em que as pessoas, na verdade será melhor dizer, nós, reagimos antes de pensar. É como se cada um tivesse uma pedra na mão prestes a ser lançada.
Nas redes ditas sociais então, elas a todo momento estão sendo arremessadas e podem fazer grandes estragos, como aconteceu essa semana com o rapaz de 16 anos e que, a partir do turbilhão de agressões e críticas, nas redes, não suportou e, acabou cometendo suicídio.

Estas redes hoje são povoadas por todo tipo de mentiras, as tais “fake News”, por pessoas preconceituosas, moralistas, fanáticos religiosos, sem falar nos sem limite que se acham no direito de entrar em postagens onde não foram chamados, para ultrapassar o direito de discordar.

Não sei se a pandemia acabou por agravar essa situação, tendo em vista o isolamento social e a tensão gerada pelo medo e falta do convívio social.Fato é que eu percebo que o caminho do meio, apregoado sabiamente pelos budistas, está cada vez mais fora do repertório das relações interpessoais. Estar no centro hoje assumiu uma imagem desgastada, que aos poucos parece ser associada com manipulação e falta de honestidade. Restam então os extremos, que se agridem permanentemente, sendo que em muitos casos de forma fanática e radical. Não há mais espaço para a pluralidade, para uma convivência que toler e respeita as diferenças. O que acaba sendo produzido é uma agressão que destrói relações e vem se tornando frequente e ascendente.

Não quero e não vou entrar nessa guerra de ideias e na sedução do reclamar sem avaliar o proveito deste ato de reclamar.
Não pretendo perder a harmonia e a paz e ter que aturar agressões de quem pensa diferente de meus valores sociais, morais e políticos. Já repeti inúmeras vezes que vejo no cristianismo primitivo o modelo mais acertado de convivência. É um modelo de tolerância e respeito e sim, é um modelo que serviu de base para o socialismo. Na verdade, o revolucionário de Nazaré só não tlerava quem era intransigente intolerante com os indefesos e excluídos, de resto acolhia a todos e deixava isso muito claro quando afirmava que os ladrões e as prostitutas precederiam os sacerdotes do tempo no paraíso. Ele foi claro e inclusivo quando disse á “pecadora” que se os moralistas não a condenaram ele também não a condenaria. Ao centurião romano que sabia que sua casa não era digna que um judeu lá entrasse, já que transgredia as leis mantendo “um escravo que ele muito amava’ e que estava enfermo, Jesus não teve dúvidas em curá-lo sem nem mesmo ir presencialmente lá. E a samaritana adultera, já que tinha tido não um, mas cinco maridos? Ele se limitou a dizer a ela que na verdade apesar de ter tido cinco não tinha nenhum.
Duas ciosas saltam aos olhos nos relatos dos evangelhos, tolerância e inclusão. Ele incluía a todos, mulheres tidas como inferiores no judaísmo da época, cobradores de impostos, mulheres condenadas pela sociedade da época, e até sacerdotes, desde que não tivessem o abominável comportamento farisaico, esse sim jamais tolerado por justamente ser oposto da mensagem de amor, inclusão e aceitação das criaturas de seu Pai. Esse tem sido um modelo que tento imperfeitamente seguir, confesso que com pouco sucesso.

Tenho percebido que às vezes me demoro demais nos círculos de críticos e reclamadores, e isso acaba por me frustrar, e além de não produzir os resultados esperados, ou seja, provocar as mudanças necessárias, acaba por alterar meu humor e me jogar num processo de desesperança, falta de fé  e ansiedade, que em nada ajudam na resolução da séria crise que atravessamos. Essa convivência também produz um efeito colateral que considero bastante negativo, que é nos manter atrelados por longos períodos no celular, logados nas tais redes, mais antissociais do que sociais.
Sirvo-me deste texto não com a pretensão de fazer alguém mudar de atitude ou de condenar o comportamento alheio, mas tomo-o como uma reflexão para colocar minhas ideias de forma mais claras para mim e como forma de rever minhas atitudes e comportamentos, de forma a organizar melhor  meu processo de mudança e crescimento.
Já há algum tempo adotei como lema para minha vida,  parte de um samba antológico do Cartola, o grande Cartola, da minha querida Mangueira que diz assim:
 “ A sorrir, eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida...”

 E é uma verdade, a minha mocidade foi abortada pela ditadura e hoje eu quero tomar muito cuidado para não ter também a minha velhice perdida. Na verdade eu sei, como prossegue o samba, que  “finda a tempestade, o sol nascerá...” quero muito conseguir ver esse sol nascente outra vez.

22 de julho de 2021

Sobre absurdos e a Graça

                                        

Eu sempre tive como uma verdade que onde há Absurdo, há também Graça.

Muitos que me conhecem sabem que desde 05 de maio 2008 mantenho o Blog cujo nome, “O absurdo e a Graça”, que foi inspirado no título do livro autobiográfico de um de meus queridos mestres, Jean Yves Leloup.

Ao longo dos 13 anos de existência, o blog  que conta hoje mais de 220 mil visualizações, tem procurado se manter nesta linha de procurar mostrar que há “Graça”, 
apesar de tantos absurdos. De uns tempos para cá tenho notado que há algo errado acontecendo com a humanidade e os absurdos parecem superar a possibilidade  de se encontrar, com facilidade, Graça a partir deles.

Hoje mesmo me surpreendo com o fato de o ódio crescente e irracional possa fazer com que “adultos” usem crianças, para extravasar sua doença, como no caso recente da filha de Manuela D’ávila.
Por outro lado em situações como a a ocorrida no Jacarezinho, ou ainda, o descaso com mais de meio milhão de brasileiros mortos, me deixam perplexo e sem conseguir encontrar a Graça a partir destes fatos.
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As vezes  tenho a sensação de que estou chovendo no molhado, outras penso que só encontrarei a “Graça”, justamente olhando de frente para esses absurdos. Fato é que hoje são muitos os absurdos e em alguns momentos me deixam surpreso, porque encontro em pessoas que pensei conhecer, comportamentos completamente fora do contexto esperado.
Não entendo que pessoas que se dizem religiosas, cristãs, possam agredir irmãos seus de mesma crença, por defenderem posições políticas diferentes, ou questionar a coerência do apoio a políticos que defendem e agem em oposição à mensagem expressa no evangelho. Não consigo compreender posicionamentos de sacerdotes que parecem andar na contramão da opção preferencial da igreja e preferem se envolver com exterioridades e com a aparência.  E o que dizer destas novas igrejas evangélicas e sua teologia da prosperidade e a supervalorização dos bens materiais. Renderam-se à Mamon?  Mas parece que
 alguns espíritas não ficam atrás, com apoios à pena de morte, e a quem  admira e valoriza a tortura. Médiuns de renome endossando fake News e assumindo posições muito pouco caridosas, como que esquecendo a máxima de que fora da caridade não há salvação. Infelizmente não fica aí, até judeus, vemos endossando o coro dos apoiadores de ideias fascistas, como que esquecidos do que o nazi fascismo fez a seu povo...

É desanimador constatar esses absurdos que parece não ter fim.
Tenho certeza de que a “graça” deve  estar se manifestando, só que de forma muito silenciosa, de forma mais reservada.
Seja  no atendimento às famílias em necessidade, ou através dos profissionais da saúde em atividades quase sacerdotais, no apoio às vítimas desse flagelo que se abateu sobre a humanidade, se pode vislumbrar a atuação da Graça.

Vale aqui a título de reflexão aquela máxima que o Jean Yves gosta de citar de que ouvimos sempre a destruição da floresta com o barulhos das árvores que caem, mas não somos capazes de ouvir o som das sementes que germinam e que serão as árvores amanhã.

Sigamos confiantes de que tudo colabora para a evolução e o crescimento, mesmo que não possamos ver com clareza no momento em que os acontecimentos ocorrem.  Sementes ainda germinam entre as pedras e se tornarão com certeza belos bonsais naturais. 

29 de junho de 2021

Pedro, pedra, pedreiro na edificação do Reino do Pai

 “Eu vou jogar minhas redes onde o Senhor me mandar.

Certo de que vou enchê-las de almas pro Reino de Deus”

(Bruno Camurati)

Pedro é o apóstolo com quem mais simpatizo. O mais impulsivo dos companheiros de Jesus, e que por muito amar era capaz de pensar poder ir até onde suas forças humanas não lhe permitiam.

Perdeu a cabeça ferindo o soldado, negou três vezes seu mestre, pescava nu, não teve fé suficiente para andar sobre as águas, não queria permitir que Jesus lavasse seus pés...
Tão humano que poderia ser qualquer um de nós. Mas foi a ele que o mestre escolheu como referência.
Pedro Tú és céfas!

Tu és como uma pedra, um cabeça dura, fruto de tua humanidade simples e pura, mas é sobre essa aparente dureza, cheia de verdade, simplicidade e amor que quero edificar o meu projeto. Pedro, tu és pedra, e é sobre esta pedra que quero iniciar o meu rebanho.


                      

Você Pedro é o nosso maior incentivo, é o sinal de que o mestre não se importa com nossa frágil humanidade e sim com nossa capacidade de rever os passos incertos e retornar ao verdadeiro caminho do amor e da luta pela libertação.

3 de junho de 2021

Jesus passou lá na esquina



Nos bons tempos, quando morávamos aqui num oásis de paz, silêncio, era realmente como se estivéssemos sendo abençoados o tempo todo. Mas tudo muda com o progresso e a mão do poder econômico. E assim nosso oásis foi se transformando em um polo gastronômico, que de gastronomia mesmo tem bem pouco. Bares, e restaurantes que para falar a verdade servem comida trivial chique, mas isso nem é tão importante.

Naquele tempo de Paz na semana santa tínhamos a via sacra na nossa porta, lembro que minha avó e depois minha mãe, colocava luz na janela e deixava uma mesa para que fosse colocado o quadro da via sacra e as velas e assim em portas de alguns vizinhos eram feitas as orações. Isso acontecia em várias ruas, eram vias sacras em cada dia da semana que antecediam a semana santa, como uma espécie de preparação.
 Com o tempo, e a chegada do tal do polo, não houve mais as vias sacras... Optaram por algo único e monumental na principal rua da Tijuca e a via sacra era grandiosa  e envolvia as varas paróquias do vicariato.


Com a chegada da pandemia no ano passado, as procissões se transformaram em carreatas que percorrem as ruas do bairro. E pensei que passariam por aqui...

Moro em um trecho da rua que é o limite entre duas paróquias  e o curioso as duas paróquias tem feito carreatas, alguém poderia pensar que nós seríamos privilegiados com  duas carreatas...
Aqui em frente de casa em um apartamento mora uma senhora frequentadora da Igreja Universal, ela é bem idosa e antes da pandemia ia sempre à igreja e trazia para distribuir entre os vizinhos o jornal. Com a pandemia ela se recolheu como todo mundo, mas sistematicamente, vem o pastor e alguns fiéis à sua porta, cantam, fazem orações e ela da janela percebe-se que emocionada agradece. Acho bem amorosa e cuidadosa essa acolhida aos fiéis que não podem estar saindo de casa, imagino que ela se sinta pertencente àquele grupo e certamente se manterá fiel.

Mas voltando às duas paróquias, sistematicamente essas carreatas desde o ano passado tem acontecido no domingo de Ramos, na páscoa e em Corpus Crhisti. Uma das paroquias faz também a procissão (carreata) do encontro na sexta-feira santa.  Mas... sempre tem um mas. Para frustração nossa nenhuma das duas passa no nosso trecho da rua.
 A Paroquia do Maracanã vem pela nossa rua, mas na esquina dobra e retorna sem passar no trecho final da rua.  A da Saens Pennã vem pela praça Varnhargem e ao invés de seguir pela rua Felipe Camarão e dobrar na nossa rua e seguir, prefere tomar a rota dos bares dos polos, e vem até a nossa esquina e dobra para seguir pela continuação da nossa rua até o final e retornar à igreja. Ou seja, apenas no trecho de nossa quadra, nenhuma das duas passa.
Assim me sinto desparoquiado,  e me contento com os cantos e orações da Universal, já que também não saio de casa devido ao isolamento sanitário.
 Depois reclamam que as igrejas evangélicas crescem.
Hoje Jesus passou lá na esquina, eu vi da janela...
Sorte minha que o tenho dentro de mim...

2 de junho de 2021

Orar sem cessar

Pelo que tenho observado há um insistente ataque das forças de involução, comumente identificada com as trevas, e a única forma de nos proteger é ser Luz , intensificar a nossa Luz, a Luz daquele que vive em nós. O Hesicasmo propõe "orar sem cessar", que aliás é o que está proposto em "I Tessalonicenses, 5,17"

 



Sendo assim:

"Senhor Jesus Cristo, filho de Deus,
Faz brilhar em mim a sua Luz".
(oração da tradição Hesicasta)


Maiores informações sobre a "Oração do Coração", ou "Oração do Nome de Jesus", pode ser encontrada no livro " Relatos de um Peregrino Russo" de autor desconhecido do séc XIX, ED. Vozes, ou com o mesmo título na Ed. Paulinas

20 de maio de 2021

Revisitando lembranças em tempos sombrios


Tempos de sonhos

Dos só-risos

Tempo criança,

De lembranças de lambanças...

Tempo de rua,

Portões abertos.

Momentos de alegria,

Liberdade.

A vida fluía...

 

Tempo de espera

Sonho fantasiado,

Baionetas e sentinelas.

A vida aprisionada...

Adulto idealizado.

Ilusão de paraíso,

Muito riso e pouco sizo.
 

Realidade de fumaça,

sem alicerces,

Inconsistência sem juízo.

 

Desperto.

Acordado vivo o pesadelo:

Portões fechados,

Crianças marginalizados,

Adolescentes espancados,

Balas que acham

Corpos negros

Não importa

Se criança ou adolescente,

Assassinados impunemente.

Liberdades limitadas,

Sorrisos encarcerados;

O humano perdeu o rumo...

Diante desta vida

Resta o saldo:

A teimosa esperança

Que teima não morrer.

Caminhemos...

13 de maio de 2021

Uma parada para rever o mapa do caminho.



Olhando o cenário atual brasileiro, seja político ou religioso, é cada dia mais desanimador. Vejo que muitas pessoas para aliviar a tensão e revolta, compartilham “memes”, outras fazem denúncias, outras ainda protestam, e já estamos nisso há alguns anos. Na verdade, o pandemônio é anterior a à pandemia. O projeto de destruição continua a todo vapor e por mais que haja protestos ele segue sem obstáculos. As empresas nacionais destruídas, os programas sociais destroçados, a pandemia em franca expansão, caminhamos de forma acelerada para alcançar meio milhão de brasileiros mortos, isso em números oficiais, porque na realidade, com a sub notificação, só Deus sabe quantos..

O desgaste é imenso, já houve quem tenha tido enfarto por conta deste estado de coisas. Não quero isso para mim. A minha juventude me foi roubada., eu tinha 13 anos quando estourou o golpe militar, e 17 na promulgação do AI-5. A primeira vez que votei para presidente da república, eu já tinha completado 38 anos. Pensei que teria uma velhice mais amena, me enganei profundamente.

Se a situação política está como está, a situação espiritual não é muito diferente. A igreja romana em seus movimentos carismáticos tem se posicionado apoiando absurdos como a tortuta, a pena de more, a crítica às vacinas e o isolamento social. Reivindica igrejas abertas e cheias, independente do grau de contaminação que isso possa gerar.
 As igrejas ditas evangélicas não ficam atrás, há denominações que alugam quadras de escola de samba para promover cultos com mais de mil pessoas. J
Os espiritas, parece que por um transtorno qualquer,  alguns médiuns resolveram apoiar publicamente quem defende a pena de morte, e modelos de justiça parciais, totalmente fora dos padrões e ainda teimam em apresentar grandes mentores encarnados em figuras públicas de moral e ética duvidosas.

Eu sinceramente me sinto cansado e desmotivado, mantenho a custo a esperança em tempos melhores que não sei se estarei vivo para vivenciá-los.
 Acredito sim que seja um processo de depuração, um processo de transformação, de ressignificação de valores, de mudança de paradigmas. Na minha avaliação isso é um processo que se estenderá provavelmente por um século inteiro, ou mais, já que percebo muita resistência em buscar novas formas de viver, novos comportamentos e novas atitudes.

 Eu lembro de que quando ouvi que o muro de Berlin estava sendo derrubado, tive a clareza de perceber que o regime socialista, mais radical, estava se desintegrando. Acho que eu não estava errado. No onze de setembro, no episódio do WTC, a sensação que me veio, foi que o sistema capitalista estava ruindo. Eram dois grades símbolos, um do socialismo e o outro do capitalismo. E o que estamos vivenciando é exatamente esse processo de desconstrução dos antigos valores, das antigas respostas, que já não respondem as novas perguntas.
Percebo que há uma recusa de muitos em sair de sua zona de conforto, em buscar o novo. A maioria  fica se repetindo sem conseguir se mover.
 A destruição destes sistemas, não se deu por completo. De cada um, a essência, a alma tanto do socialismo quanto do capitalismo,  que são bons e podem ser combinados de forma nova para uma nova maneira de ler a vida. É urgente encontrar o caminho para o verdadeiramente novo.

Certamente não será com ódio, ou com radicalismos ou com “memes” que mudaremos.  A civilização judaico-cristã está em agonia. As religiões que se apresentavam como seguidoras de Jesus, precisam se voltar para a realidade desse Jesus que foi esquecido e por que não dizer traído ao longo destes dois mil anos. É preciso reencontrá-lo e trazê-lo para nossos dias e reformular toda uma prática religiosa viciada e desgarrada de sua origem. Buscar a simplicidade e a maneira de ver a vida, que o revolucionário de Nazaré tentou ensinar ao mundo.

 Dentro de poucos meses eu vou completar um marco importante, eu vou alcançar meu décimo setênio. Sei que tenho muito menos tempo pela frente, do que o que já vivi, e percebo que já não tenho a disposição e a condição que tinha o jovem de 17 anos, para lutar por tempos melhores. O meu trabalho a minha participação nesta mudança é de outro tipo, o auxilio que posso prestar é mais sutil, mais mental e mais energético. Eu creio firmemente que a mudança que conquisto em mim, acaba por afetar a toda a humanidade. É como um corpo  nadando em uma piscina, que  embora não possamos ver, a medida que o corpo se desloca, toda a água da piscina se movimenta, toda a água é afetada pelo movimento deste corpo.
Frente a isso, pretendo manter um estado de espírito mais saudável, meditativo e na medida do possível junto à natureza. Vou  cuidar de minhas plantas, de meus peixes, dos visitantes alados, que vem diariamente me pedir água nas garrafinhas penduradas.
Viver uma espiritualidade como o jovem Galileu propôs: sem templos, já que nós somos o templo, sem sacrifícios, já que ele disse quejá  bastava de sacrifícios, que o que mais lhe agradava, era misericórdia. E que para adorar o Pai, como ele ensinou à Samaritana, bastava adorá-lo em Pneuma e Alethéia , no sopro e na atenção.
É dessa forma que pretendo seguir nesta viagem.
♫♪ A sorrir , eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida♫♫♪