O absurdo e a Graça
27 de setembro de 2021
Salve as crianças ! Salvem as Crianças e todos nós !
Parece que essa ausência das crianças, da alegria barulhenta delas, nos denuncia que há uma mudança muito ruim à nossa volta. Há gente que está desvirtuando e demonizando esse jeito simples de ser criança, de correr arás de doces, de reverenciar os santos médicos, que para o gosto popular, foram sincretizados como crianças. Verdadeiros arquétipos da alegria, da simplicidade do jeito bom de ser eternamente criança. Não há espaço para isso mais. Mas não culpem a pandemia. Isso começou bem antes. Começou quando a intolerância seletiva passou a ter espaço, quando gente corrupta resolveu acabar com a corrupção, dos outros. Quando os supostos evangélicos passaram a agir na contramão do que pregam os evangelhos, quando o preconceito, o racismo, a homofobia e tudo mais de ruim que os auto proclamados “gente de bem“ perderam a vergonha de mostrar publicamente. Foi desde aí que espancar pessoas homoafetivas, amarrar meninos negros em postes e começaram a bradar que bandido bom é bandido morto. Mas eles só não dizem que depende do bandido. Porque bandido branco e rico, esses estão acima de qualquer condenação, e dependendo são merecedores de votos e de cargos nos altos escalões governamentais.
Hoje minha oração tem endereço certo, eu a dirijo aos santos médicos, aos santos meninos, peço a eles que pelo bem desta nação, que dizem ter sido abençoada por Deus, e que parece caiu nas garras de algum espírito trevoso, que eles venham em nosso socorro. Que eles tomem Jesus, o verdadeiro, o que disse que o reino era dos puros, das crianças, dos ladrões e das prostitutas, antes de ser dos sacerdotes e auto proclamados “homens de bem”, que de mãos dadas com ele, o divino mestre e que ele, como fez no tempo quando andava nesta terra, de chicote na mão, expulse essa gente falsa, esses vendilhões que dizem falar em seu nome, que usam trechos do evangelho que exalta a verdade, para esconder suas mentiras. Que ele, o senhor dos senhores expulse de uma vez por todas esse verdadeiro câncer que adoenta a nossa terra de Santa Cruz, o Brasil de todos os brasileiros: índios, negros, brancos, mulatos, pobres e também ricos, desde que tenham boa vontade.
São Cosme e São Damião, os santos médicos, Doum, Crispim Crispiniano, Caboclinhos da mata e toda sorte de crianças nós estamos pedindo, venham salvar este país, porque já estamos perdendo a alegria, essa alegria infantil de nossas crianças interiores que sempre nos ajudaram a seguir em frente com confiança.
Salve Cosme e Damião ! Salve os Erês !
SALVEM AS NOSSAS CRIANÇAS!
SALVEM-NOS!
Psicoterapeuta / Psicólogo Clínico - Membro do Colégio Internacional de Terapeutas (Terapeutas de Alexandria) – Terapeuta Holístico - Pós graduado em Arteterapia e em Terapia Floral - Formação Holística de Base na Unipaz - Formação básica em Teologia pelo Centro Loyola de Fé e Cultura -PUC/RJ. Ger.de Rec.Humanos na Cia Souza Cruz Ind. e Comércio - Consultor empresarial - consultor Psicopedagógico dos projetos Sociais de Capacitação Solidária
28 de agosto de 2021
Alvorecer aos 70...
É hora de transformar lembranças em experiência.
Minhas queridas memórias...
Psicoterapeuta / Psicólogo Clínico - Membro do Colégio Internacional de Terapeutas (Terapeutas de Alexandria) – Terapeuta Holístico - Pós graduado em Arteterapia e em Terapia Floral - Formação Holística de Base na Unipaz - Formação básica em Teologia pelo Centro Loyola de Fé e Cultura -PUC/RJ. Ger.de Rec.Humanos na Cia Souza Cruz Ind. e Comércio - Consultor empresarial - consultor Psicopedagógico dos projetos Sociais de Capacitação Solidária
25 de agosto de 2021
«Oração do Coração»
meditação / Oração Hesicasta)
A oração hesicástica, que leva ao descanso em que a alma
habita com Deus, é a oração do coração. Para nós que damos tanta importância à
mente, aprender a rezar com o coração e a partir dele tem importância especial.
Os monges do deserto nos mostram o caminho. Embora não exponham nenhuma teoria
sobre a oração, suas narrativas e seus conselhos concretos apresentam as pedras
com as quais os autores espirituais ortodoxos mais tardios construíram uma
espiritualidade magnífica. Os autores espirituais do monte Sinai, do monte Atos
e os startsi da Rússia oitocentista apóiam-se todos na tradição do deserto.
Encontramos a melhor formulação da oração do coração nas palavras do místico
russo Teófano, o Recluso: "Rezar é descer com a mente ao coração e ali
ficar diante da face do Senhor, onipresente, onividente dentro de nós". No
decorrer dos séculos, essa perspectiva da oração tem sido central no hesicasmo
Rezar é ficar na presença de Deus com a mente no coração, isto é, naquele ponto
de nossa existência em que não há divisões nem distinções e onde somos
totalmente um. Ali habita o Espírito de Deus e ali acontece o grande encontro.
Ali, coração fala a coração, porque ali ficamos diante da face do Senhor,
onividente, dentro de nós. É bom saber que aqui a palavra "coração" é
usada em seu sentido bíblico pleno. em nosso meio, ela se tornou lugar-comum.
Refere-se à sede da vida sentimental. Expressões como "coração
partido" e "sentido no coração" mostram ser comum pensarmos no
coração como o lugar quente onde se localizam as emoções, em contraste com o
frio intelecto onde têm lugar nossos pensamentos. Mas, na tradição
judeu-cristã, a palavra "coração" refere-se à fonte de todas as
energias físicas, emocionais, intelectuais, volitivas e morais.
Um dos monges do deserto, Macário, o Grande, diz: "A
tarefa principal do atleta (isto é, do monge) é entrar em seu coração".
Isso não significa que o monge deva procura encher sua oração de sentimento;
signfica que deve esforçar-se para deixar que ela remodele toda a sua pessoa. O
discernimento mais profundo dos monges do deserto é que entrar no coração é
entrar no Reino de Deus. Em outras palavras, o caminho para Deus é pelo
coração. Isaac, o Sírio, escreve:
«Procure entrar na câmara do tesouro... que está dentro de
você e então descobrirá a câmara do tesouro do céu. Pois ambas são a mesma
coisa. Se conseguir entrar em uma, você verá ambas. A escada para este Reino
está escondida dentro de você, em sua alma. Se você purificar a alma, ali verá
os degraus da escada que deve subir.»
E João de Cárpato diz:
«É preciso grande esforço e luta na oração para alcançar
aquele estado da mente que é livre de toda perturbação; é um céu dentro do
coração (literalmente 'intracardíaco'), o lugar onde, como o apóstolo Paulo
assegura, "Cristo está em vós.» (2Cor13,5).
Em suas falas, os monges do deserto nos indicam uma visão
bastante holística de oração. Eles nos afastam de nossas práticas intelectuais,
nas quais Deus se transforma em um dos muitos problemas com os quais temos de
lidar. Mostram-nos que a verdadeira oração penetra no âmago de nossa alma e não
deixa nada sem tocar. A oração do coração não nos permite limitar nosso
relacionamento com Deus a palavras interessantes ou emoções piedosas. Por sua
própria natureza, essa oração transforma todo o nosso ser em Cristo,
precisamente porque abre os olhos de nossa alma à verdade de nós mesmos e
também à verdade de Deus. Em nosso coração passamos a nos ver como pecadores
abraçados pela misericórdia de Deus. É essa visão que nos faz clamar:
"Senhor Jesus Cristo, Filho do Deus vivo, tem misericórdia de mim,
pecador". A oração do coração nos exorta a não esconder absolutamente nada
de Deus e a nos entregar incondicionalmente a sua misericórdia.
Assim, a oração do coração é a oração da verdade. Desmascara
as muitas ilusões sobre nós mesmos e sobre Deus e nos conduz ao verdadeiro
relacionamento do pecador com o Deus misericordioso. Essa verdade é o que nos
dá o "descanso" do hesicasta. Quando ela se abriga em nosso coração,
somos menos distraídos por pensamentos mundanos e nos voltamos mais
sinceramente para o Senhor de nossos corações e do universo. Assim, as palavras
de Jesus: "Felizes os corações puros: eles verão a Deus" (Mt 5,8)
tornam-se reais em nossa oração. As tentações e as lutas continuam até o fim de
nossas vidas, mas com um coração puro ficamos tranqüilos, mesmo em meio a uma
existência agitada.
Isso levanta o problema de como praticar a oração do coração
em um ministério bastante agitado. É a essa questão de disciplina para a qual
precisamos agora voltar a atenção.

Oração e ministério
Como nós, que não somos monges nem vivemos no deserto,
praticamos a oração do coração? Como ela influencia nosso ministério cotidiano?
A resposta a essa pergunta está na formulação de uma
disciplina definitiva, uma regra de oração. As características da oração do
coração que nos ajudam a formular essa disciplina:
— A oração do coração alimenta-se de orações breves e
simples.
— A oração do coração é incessante.
— A oração do coração inclui tudo.
— Alimenta-se de Orações Breves
No contexto de nossa cultura verbosa, é significativo ouvir
os monges do deserto nos aconselhando a não usar palavras em excesso:
«Perguntaram ao aba Macário: 'Como se deve rezar?' O ancião
respondeu: 'Não há, em absoluto, necessidade de fazer longos discursos; basta
estender a mão e dizer: Senhor, como queres e como sabes, tem misericórdia. E
se o conflito ficar mais ameaçador, dizer: Senhor, ajuda. Ele sabe muito bem do
que precisamos e nos mostra sua misericórdia.»
João Clímaco é ainda mais explícito:
«Quando rezar, não procure se expressar em palavras
extravagantes pois, quase sempre, são as frases simples e repetitivas de uma
criancinha que nosso Pai do céu acha mais irresistíveis. Não se esforce em
muito falar, para que a busca de palavras não lhe distraia a mente da oração.
Uma única frase nos lábios do coletor de impostos foi suficiente para lhe
alcançar a misericórdia divina; um pedido humilde feito com fé foi suficiente
para salvar o bom ladrão. A tagarelice na oração sujeita a mente à fantasia e à
dissipação; por sua natureza, as palavras simples tendem a concentrar a
atenção. Quando encontrar satisfação ou contrição em determinada palavra de sua
oração, pare nesse ponto.»
Essa é uma sugestão muito útil para nós que tanto dependemos
da capacidade verbal. A tranqüila repetição de uma única palavra ajuda-nos a
descer com a mente ao coração. (Também a base da OC, nota da autora do site).
Essa repetição nada tem a ver com mágica. Não tem o propósito de enfeitiçar
Deus, nem de forçá-lo a nos ouvir. Pelo contrário, uma palavra ou sentença
repetida com freqüência ajuda-nos a nos concentrar, a nos mover para o centro,
a criar uma tranqüilidade interior e, assim, a ouvir a voz de Deus. Quando
simplesmente tentamos ficar sentados em silêncio e esperar que Deus nos fale,
nos vemos bombardeados por intermináveis pensamentos e idéias conflitantes. Mas
quando usamos uma sentença bastante simples como: "Ó Deus, vem em meus
auxílio", ou "Jesus, mestre, tem piedade de mim", ou uma palavra
como "Senhor" ou "Jesus", é mais fácil deixar as muitas
distrações passarem sem nos deixarmos iludir por elas. Essa oração simples,
repetida com facilidade, esvazia aos poucos nossa vida interior apinhada e cria
o espaço sossegado onde habitamos com Deus. É como uma escada pela qual
descemos ao coração e subimos a Deus. Nossa escolha de palavras depende de
nossas necessidades e das circunstâncias do momento, mas é melhor usar palavras
da Escritura.
Quando somos fiéis a essa oração simples e a praticamos com
regularidade, ela nos conduz devagar a uma experiência de descanso e nos abre à
presença ativa de Deus. Além disso, em um dia muito atarefado, podemos levar essa
oração conosco. Quando, por exemplo, passamos, no início da manhã, 20 minutos
sentados na presença de Deus com as palavras: "O Senhor é meu
pastor", elas lentamente constroem em nosso coração um pequeno ninho para
si mesmas e ali ficam o restante de nosso dia atarefado. Até enquanto falamos,
estudamos, cuidamos do jardim ou construímos alguma coisa, a oração continua em
nosso coração e nos mantém conscientes da orientação onipresente de Deus. A
disciplina não é agora dirigida para um discernimento mais profundo do que
significa chamar Deus de nosso Pastor, mas para a íntima experiência da ação
pastoral de Deus em tudo que pensamos, dizemos ou fazemos.
Incessante
A segunda característica da oração do coração é ser
incessante. A pergunta de como seguir a ordem de Paulo: "Orai
incessantemente" foi fundamental no hesicasmo desde a época dos monges do
deserto até a Rússia oitocentista. Há muitos exemplos desse interesse nos dois
extremos da tradição hesicástica. (Vejamos um dos principais:)

...
Na famosa história do Peregrino Russo lemos:
«Pela graça de Deus sou cristão, mas pelas minhas ações sou
um grande pecador... No vigésimo quarto domingo depois de Pentecostes, fui à
igreja para ali fazer minhas orações durante a liturgia. Estava sendo lida a
primeira Epístola de S. Paulo aos Tessalonicenses e, entre outras palavras,
ouvi estas: 'Orai incessantemente' (1Ts 5,17). Foi esse texto, mais que
qualquer outro, que se inculcou em minha mente, e comecei a pensar como seria
possível rezar incessantemente, já que um homem tem de se preocupar também com
outras coisas a fim de ganhar a vida.»
O camponês foi de igreja em igreja, para ouvir sermões, mas
não encontrou a resposta que queria. Finalmente, encontrou um santo staretz que
lhe disse:
«A oração interior incessante é um anseio contínuo do
espírito humano por Deus. Para sermos bem-sucedidos nesse exercício consolador,
precisamos suplicar com mais freqüência a Deus que nos ensine a rezar sem
cessar. Rezar mais e rezar com mais fervor. É a própria oração que lhe revela
como rezá-la sem cessar; mas leva algum tempo.»
Então, o santo staretz ensinou ao camponês a Oração de
Jesus: "Senhor Jesus Cristo, tem misericórdia de mim". Enquanto
viajava como peregrino pela Rússia, o camponês passou a repetir essa oração com
os lábios. Até considerava a oração de Jesus sua companheira verdadeira. E,
então, um dia, teve a sensação de que a oração passou sozinha de seus lábios
para seu coração. Ele diz:
«... parecia que, pulsando normalmente, meu coração começava
a dizer as palavras da oração a cada batida... Desisti de dizer a oração com os
lábios. Passei simplesmente a ouvir o que meu coração dizia.»
Aqui aprendemos outro jeito de chegar à oração incessante. A
oração continua a rezar dentro de mim, até enquanto falo com os outros ou me
concentro no trabalho manual. Ela se torna a presença ativa do Espírito de Deus
que me guia pela vida.
Desse modo vemos como, pela caridade e pela atividade da
oração de Jesus em nosso coração, nosso dia todo se transforma em oração
contínua. Não sugiro que imitemos o peregrino russo, mas que, também nós, em
nosso ministério atarefado, nos preocupemos em rezar sem cessar, para que, seja
o que for que comamos ou bebamos, seja o que for que façamos o façamos pela
glória de Deus. (Veja 1Cor 10,31). Amar e trabalhar pela glória de Deus não
pode permanecer uma idéia sobre a qual pensamos de vez em quando. Deve se
tornar uma incessante doxologia interior.
Inclui tudo
Uma última característica da oração do coração é que ela
inclui todos os nossos interesses. Quando entramos com a mente no coração e ali
ficamos na presença de Deus, então todas as nossa preocupações mentais se
transformam em oração. O poder da oração do coração é precisamente que, por
meio dela, tudo que está em nossa mente se transforma em oração.
Quando dizemos a alguém: "Vou rezar por você",
assumimos um compromisso muito importante. É uma pena que esse comentário
muitas vezes não passe de uma expressão de interesse. Mas, quando aprendemos a
descer com nossa mente em nosso coração, todos os que fazem parte de nossa vida
são guiados à presença curativa de Deus e tocados por ele no centro de nosso
ser. Falamos aqui de um mistério para o qual palavras são inadequadas. É o
mistério em que o coração, centro de nosso ser, é transformado por Deus em seu coração,
um coração grande o bastante para abraçar todo o universo. pela oração,
carregamos em nosso coração toda a dor e tristeza humanas, todos os conflitos
agonias, toda a tortura e a guerra, toda a fome, solidão e miséria, não por
causa de alguma grande capacidade psicológica ou emocional, mas porque o
coração de Deus uniu-se ao nosso.
Aqui vislumbramos o sentidos das palavras de Jesus:
«Tomais sobre vós o meu jugo e sede discípulos meus, porque
eu sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas.
Sim, o meu jugo é fácil de carregar, e o meu fardo é leve.» (Mt 11,29-30).
Jesus nos convida a aceitar seu fardo, que é o do mundo
todo, um fardo que inclui o sofrimento humano em todos os tempos e lugares. Mas
esse fardo divino é leve e podemos carregá-lo quando nosso coração se
transforma no coração manso e humilde de nosso Senhor.
Vemos aqui o íntimo relacionamento entre oração e
ministério. A disciplina de conduzir todo o nosso povo com suas lutas ao
coração manso e humilde de Deus é a disciplina de oração e também do
ministério. Enquanto o ministério significar apenas que nos preocupamos muito
com as pessoas e seus problemas; enquanto significar um número interminável de
atividades que dificilmente conseguimos coordenar, ainda dependeremos muito de
nosso coração tacanho e ansioso. Mas quando nossas preocupações são elevadas ao
coração de Deus e ali se transformam em oração, ministério e oração se tornam
duas manifestações do mesmo amor universal de Deus.
Vimos como a oração do coração se nutre de orações breves, é
incessante e inclui tudo. Essas três características mostram como a oração do
coração é o alento da vida espiritual e de todo o ministério. Na verdade, essa
oração não é apenas uma atividade importante, mas o próprio centro da nova vida
que queremos representar e na qual queremos iniciar nosso povo. As
características da oração do coração deixam claro que ela exige uma disciplina
pessoal. Para levar uma vida de oração não podemos passar sem orações
específicas. Precisamos dizê-las de uma forma que nos ajude a ouvir melhor o
Espírito que reza em nós. Precisamos continuar a incluir em nossa oração todas
as pessoas com as quais e para as quais vivemos e trabalhamos. Essa disciplina
vai nos ajudar a passar de um ministério entontecedor, fragmentário e muitas
vezes frustrante para um ministério integrador, holístico e muito gratificante.
Ela não vai facilitar o ministério, mas simplificá-lo; não vai torná-lo doce e
piedoso, mas sim espiritual; não vai fazê-lo indolor e sem lutas, mas tranqüilo
no verdadeiro sentido hesicástico."
FONTE:
NOUWEN, Henri J. M. A Espiritualidade do Deserto e o
Ministério Contemporâneo - O Caminho do Coração. São Paulo: Ed. Loyola, 2000.
21 de agosto de 2021
Vai, segue seu caminho...
Este é um ensinamento cristão de verdade, não o monte de culpas e medo com que algumas pessoas oprimem seus irmãos. Jesus veio libertar a humanidade e não criar um bando de seguidores neuróticos dependentes de falsos seguidores em sua mensagem de amor e paz.
Li hoje esse texto e achei ele perfeito não é de minha autoria, embora eu
gostaria de trê-lo escrito. Não havia indicação de autor.
Estava andando no supermercado hoje, e de repente ouvi um
barulho de coisa quebrando. Cruzei o supermercado, e notei que tinha alguns
funcionários cochichando. Quando entrei no corredor prá onde olhavam, vi uma
cena triste. A repositora tinha batido o carrinho na gôndola de pratos e copos.
Ela, ajoelhada, em desespero juntando os cacos, enquanto seu colega pegava cada
código de barra de cada louça quebrada dizendo: viu? viu? Agora a conta disso
vai sobrar pra você.
Cena triste. Alguém que errou, com aquele show de olhares encima. Quando me
aproximei, um rapaz veio, se ajoelhou ao lado dela e disse:
- Deixa aí, que a gente limpa. Pede para o bombeiro ver esse
corte na sua mão.
Ela olhou prá ele, com uma afeição envergonhada e disse:
- Não! Eu tenho que juntar isso prá pagar.
Aquele rapaz apenas disse:
- Fique tranquila! Temos seguro para esse tipo de perda, e
você não tem que pagar nada.
Segue, vai!
O rapaz, quando levantou, pude notar que ele tinha a
identificação de gerente do supermercado.
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Prá você que leu até aqui, gostaria que você me desse um
minuto apenas. Aonde estiver, feche seus olhos, e imagine Deus fazendo o mesmo
por você!
Ele te ajudando a recolher os cacos que a vida traz de graça.
Ele te curando e dando a certeza que seus pecados e erros serão perdoados.
Existe um seguro chamado “Graça”, que se você aceitar quando reconhecer que
errou, o Gerente da Existência do Universo dirá:
SEGUE, VAI!
Os seus erros, não intencionais, não
premeditados e sem nenhuma maldade jamais lhe serão cobrados.
Psicoterapeuta / Psicólogo Clínico - Membro do Colégio Internacional de Terapeutas (Terapeutas de Alexandria) – Terapeuta Holístico - Pós graduado em Arteterapia e em Terapia Floral - Formação Holística de Base na Unipaz - Formação básica em Teologia pelo Centro Loyola de Fé e Cultura -PUC/RJ. Ger.de Rec.Humanos na Cia Souza Cruz Ind. e Comércio - Consultor empresarial - consultor Psicopedagógico dos projetos Sociais de Capacitação Solidária
17 de agosto de 2021
Conheça a teoria do centésimo macaco ou teoria da ressonância mórfica
Você já ouviu falar sobre a teoria do centésimo macaco?
Por onde se olha o que se vê são absurdos, e pior, absurdos sendo aceitos e seguidos por pessoas que se dizem "do bem". O fanatismo religioso parece que ganhou o mundo.
Nossa indignação já não é suficiente, o sentimento de
impotência é o que mais me incomoda neste momento. Um pai que entrega a filha
ao Talibã, porque ela insiste em estudar e eles, arrancam-lhe os olhos, não é
diferente do pai que espanca o filho para ele deixar de ser homossexual. Os
poderosos que mantém pessoas escravizadas em nossos dias por pura ganância ou
ainda, adolescentes, que colocam fogo em um mendigo que dorme na calçada nestas
madrugadas frias, são realidades paralelas a estes horrores.
Alguma coisa está fora da ordem, ou sempre esteve e nós
fingíamos que não víamos ou não vemos. Afinal prender um jovem, torturá-lo e
condena-lo a morte em uma cruz, não é muito diferente do que estamos vendo
hoje.
Na essência destes absurdos sempre vamos encontrar o fanatismo e a
ganância.
Tenho me perguntado muitas vezes como podemos sair disso e a resposta
é sempre a mesma: buscando a mudança e a melhoria individual.
Acreditando que
um dia, como naquele fenômeno do centésimo macaco, sejamos em número suficiente,
e assim como do nada os macacos aprenderam a lavar batatas sem que ninguém lhes
ensinasse, nós os humanoides passemos, não a lavar batatas, mas a nos amar e
respeitar, na descoberta de que todos fazemos parte da mesma unidade.
A teoria foi criada pelo biólogo teórico Rupert Sheldrake, resumidamente ela diz que uma mudança no comportamento de uma espécie irá ocorrer quando um número exato necessário é alcançado.
Os cientistas começaram a observar um macaco em uma pequena ilha chamada Koshima. Ele gostava de batata-doce, raiz abundante na região. Ele descobriu que a iguaria poderia ficar muito mais saborosa se lavada antes.
Ele então começou a retirar a terra da batata-doce mergulhando-a na água.
Depois, descobriu que poderia usar uma das mãos para segurar a batata submersa
e a outra mão para retirar o barro que não tinha saído sozinho.
Depois de várias tentativas e erros, um macaco descobre uma maneira inovadora de lavar batatas antes de come-las, o que permite aproveitar melhor a batata sem a terra que lhe envolvia. Ninguém jamais havia lavado batatas dessa forma. Por imitação, o procedimento rapidamente se replica entre os seus companheiros e logo uma população de 99 macacos domina o novo jeito de lavar batatas.
7 de agosto de 2021
08 de agosto de2021: Um ano da Páscoa Do irmão Pedro Casaldáliga
Eu responderei incisivo:
O sou. Pelo meu povo que luta,
Pelo meu povo que trilha apressado
Caminhos de sofrimento.
Eu tenho fé de guerrilheiro
E amor de revolução.
O espanhol que adotou o Brasil para defender seu povo
Ao final do caminho me dirá
E tu, viveste? Amaste?
E eu, sem dizer nada,
Abrirei o coração cheio de nomes
Psicoterapeuta / Psicólogo Clínico - Membro do Colégio Internacional de Terapeutas (Terapeutas de Alexandria) – Terapeuta Holístico - Pós graduado em Arteterapia e em Terapia Floral - Formação Holística de Base na Unipaz - Formação básica em Teologia pelo Centro Loyola de Fé e Cultura -PUC/RJ. Ger.de Rec.Humanos na Cia Souza Cruz Ind. e Comércio - Consultor empresarial - consultor Psicopedagógico dos projetos Sociais de Capacitação Solidária
6 de agosto de 2021
Até quando vamos conviver e tolerar a intolerância?
Hoje o face me trouxe uma postagem de 2019 que a amiga Inês,
havia enviado pelo zap. Vi que ela serve
e se encaixa neste meu momento reflexivo, já que mostra diálogos perfeitamente
possíveis e atuais.Tenho visto e ouvido coisas assim o tempo todo...
No elevador :
- Friozinho hoje, né?
- Não me lembro de ninguém
reclamando do tempo quando eram os ladrões que estavam no governo.
- Não reclamei, senhora. Só comentei que está frio.
- Se prefere o calor
insuportável de antes, vai pra Cuba, que lá é quente do jeito de vocês gostam.
- Vocês quem?
- Vocês que se locupletaram durante
13 anos, e agora, não tendo do que reclamar, botam a culpa de tudo no nosso presidente,
que quase morreu pelo país. Até o
frio...
(Silêncio. A senhora, toda encasacada, desce no 4º andar,
pisando duro e sem olhar para trás.
Entra um rapaz.
- Como tem gente maluca neste mundo. Comentei que estava
frio e aquela senhora saiu cuspindo marimbondo, como se eu estivesse fazendo
crítica política.
- E não estava?
- Não, só comentei que esfriou hoje e...
- E você acha que este frio
não tem a ver com o aquecimento global? , Com a devastação das florestas? Com
essa política ambiental criminosa? Com esse clima horroroso que vocês
implantaram no país?
- Vocês quem?
- Vocês, fundamentalistas retrógrados,
entreguistas.
- Mas...
- Eu não dialogo com fascistas. Silêncio.
O rapaz, de camiseta regata, desce no térreo, pisando duro e sem olhar para
trás.
Uma mocinha que aguarda o elevador pergunta:
- Está descendo ou subindo?
Uma outra pessoa :
- Não sabe se quer subir ou descer?
Decida-se primeiro, em vez de ficar aí em cima do muro.
É por culpa de vocês, isentões, que o Brasil está desse jeito!
Chegamos a um estágio em que as pessoas, na verdade será
melhor dizer, nós, reagimos antes de pensar. É como se cada um tivesse uma pedra
na mão prestes a ser lançada.
Nas redes ditas sociais então, elas a todo momento estão sendo arremessadas e
podem fazer grandes estragos, como aconteceu essa semana com o rapaz de 16 anos
e que, a partir do turbilhão de agressões e críticas, nas redes, não suportou
e, acabou cometendo suicídio.
Estas redes hoje são povoadas por todo tipo de mentiras, as
tais “fake News”, por pessoas preconceituosas, moralistas, fanáticos
religiosos, sem falar nos sem limite que se acham no direito de entrar em
postagens onde não foram chamados, para ultrapassar o direito de discordar.
Não sei se a pandemia acabou por agravar essa situação, tendo em vista o
isolamento social e a tensão gerada pelo medo e falta do convívio social.Fato é
que eu percebo que o caminho do meio, apregoado sabiamente pelos budistas, está
cada vez mais fora do repertório das relações interpessoais. Estar no centro
hoje assumiu uma imagem desgastada, que aos poucos parece ser associada com
manipulação e falta de honestidade. Restam então os extremos, que se agridem
permanentemente, sendo que em muitos casos de forma fanática e radical. Não há
mais espaço para a pluralidade, para uma convivência que toler e respeita as
diferenças. O que acaba sendo produzido é uma agressão que destrói relações e
vem se tornando frequente e ascendente.
Não quero e não vou entrar nessa guerra de ideias e na sedução do reclamar sem
avaliar o proveito deste ato de reclamar.
Não pretendo perder a harmonia e a paz e ter que aturar agressões de quem pensa
diferente de meus valores sociais, morais e políticos. Já repeti inúmeras vezes
que vejo no cristianismo primitivo o modelo mais acertado de convivência. É um
modelo de tolerância e respeito e sim, é um modelo que serviu de base para o
socialismo. Na verdade, o revolucionário de Nazaré só não tlerava quem era intransigente
intolerante com os indefesos e excluídos, de resto acolhia a todos e deixava
isso muito claro quando afirmava que os ladrões e as prostitutas precederiam os
sacerdotes do tempo no paraíso. Ele foi claro e inclusivo quando disse á “pecadora”
que se os moralistas não a condenaram ele também não a condenaria. Ao centurião
romano que sabia que sua casa não era digna que um judeu lá entrasse, já que transgredia
as leis mantendo “um escravo que ele muito amava’ e que estava enfermo, Jesus
não teve dúvidas em curá-lo sem nem mesmo ir presencialmente lá. E a samaritana
adultera, já que tinha tido não um, mas cinco maridos? Ele se limitou a dizer a
ela que na verdade apesar de ter tido cinco não tinha nenhum.
Duas ciosas saltam aos olhos nos relatos dos evangelhos, tolerância e inclusão.
Ele incluía a todos, mulheres tidas como inferiores no judaísmo da época,
cobradores de impostos, mulheres condenadas pela sociedade da época, e até sacerdotes,
desde que não tivessem o abominável comportamento farisaico, esse sim jamais
tolerado por justamente ser oposto da mensagem de amor, inclusão e aceitação das
criaturas de seu Pai. Esse tem sido um modelo que tento imperfeitamente seguir,
confesso que com pouco sucesso.
Tenho percebido que às vezes me demoro demais nos círculos
de críticos e reclamadores, e isso acaba por me frustrar, e além de não
produzir os resultados esperados, ou seja, provocar as mudanças necessárias,
acaba por alterar meu humor e me jogar num processo de desesperança, falta de
fé e ansiedade, que em nada ajudam na
resolução da séria crise que atravessamos. Essa convivência também produz um
efeito colateral que considero bastante negativo, que é nos manter atrelados
por longos períodos no celular, logados nas tais redes, mais antissociais do
que sociais.
Sirvo-me deste texto não com a pretensão de fazer alguém mudar de atitude ou de
condenar o comportamento alheio, mas tomo-o como uma reflexão para colocar
minhas ideias de forma mais claras para mim e como forma de rever minhas
atitudes e comportamentos, de forma a organizar melhor meu processo de mudança e crescimento.
Já há algum tempo adotei como lema para minha vida, parte de um samba antológico do Cartola, o grande
Cartola, da minha querida Mangueira que diz assim:
“ A sorrir, eu pretendo levar a vida,
pois chorando eu vi a mocidade perdida...”
E é uma verdade, a minha mocidade foi abortada
pela ditadura e hoje eu quero tomar muito cuidado para não ter também a minha
velhice perdida. Na verdade eu sei, como prossegue o samba, que “finda a tempestade, o sol nascerá...” quero
muito conseguir ver esse sol nascente outra vez.
Psicoterapeuta / Psicólogo Clínico - Membro do Colégio Internacional de Terapeutas (Terapeutas de Alexandria) – Terapeuta Holístico - Pós graduado em Arteterapia e em Terapia Floral - Formação Holística de Base na Unipaz - Formação básica em Teologia pelo Centro Loyola de Fé e Cultura -PUC/RJ. Ger.de Rec.Humanos na Cia Souza Cruz Ind. e Comércio - Consultor empresarial - consultor Psicopedagógico dos projetos Sociais de Capacitação Solidária
22 de julho de 2021
Sobre absurdos e a Graça
Eu sempre tive como uma verdade que onde há Absurdo, há também Graça.
Muitos que me conhecem sabem que desde 05 de maio 2008 mantenho o Blog cujo nome, “O absurdo e a Graça”, que foi inspirado no título do livro autobiográfico de um de meus queridos mestres, Jean Yves Leloup.
Ao longo dos 13 anos de existência, o blog que conta hoje mais de 220 mil visualizações, tem procurado se manter nesta linha de procurar mostrar que há “Graça”, apesar de tantos absurdos. De uns tempos para cá tenho notado que há algo errado acontecendo com a humanidade e os absurdos parecem superar a possibilidade de se encontrar, com facilidade, Graça a partir deles.
Hoje mesmo me surpreendo com o fato de o ódio crescente e irracional possa fazer com que “adultos” usem crianças, para extravasar sua doença, como no caso recente da filha de Manuela D’ávila.
Por outro lado em situações como a a ocorrida no Jacarezinho, ou ainda, o descaso com mais de meio milhão de brasileiros mortos, me deixam perplexo e sem conseguir encontrar a Graça a partir destes fatos..
As vezes tenho a sensação de que estou chovendo no molhado, outras penso que só encontrarei a “Graça”, justamente olhando de frente para esses absurdos. Fato é que hoje são muitos os absurdos e em alguns momentos me deixam surpreso, porque encontro em pessoas que pensei conhecer, comportamentos completamente fora do contexto esperado.
Não entendo que pessoas que se dizem religiosas, cristãs, possam agredir irmãos seus de mesma crença, por defenderem posições políticas diferentes, ou questionar a coerência do apoio a políticos que defendem e agem em oposição à mensagem expressa no evangelho. Não consigo compreender posicionamentos de sacerdotes que parecem andar na contramão da opção preferencial da igreja e preferem se envolver com exterioridades e com a aparência. E o que dizer destas novas igrejas evangélicas e sua teologia da prosperidade e a supervalorização dos bens materiais. Renderam-se à Mamon? Mas parece que alguns espíritas não ficam atrás, com apoios à pena de morte, e a quem admira e valoriza a tortura. Médiuns de renome endossando fake News e assumindo posições muito pouco caridosas, como que esquecendo a máxima de que fora da caridade não há salvação. Infelizmente não fica aí, até judeus, vemos endossando o coro dos apoiadores de ideias fascistas, como que esquecidos do que o nazi fascismo fez a seu povo...
É desanimador constatar esses absurdos que parece não ter fim.
Tenho certeza de que a “graça” deve estar se manifestando, só que de forma muito silenciosa, de forma mais reservada.
Seja no atendimento às famílias em necessidade, ou através dos profissionais da saúde em atividades quase sacerdotais, no apoio às vítimas desse flagelo que se abateu sobre a humanidade, se pode vislumbrar a atuação da Graça.
Vale aqui a título de reflexão aquela máxima que o Jean Yves gosta de citar de que ouvimos sempre a destruição da floresta com o barulhos das árvores que caem, mas não somos capazes de ouvir o som das sementes que germinam e que serão as árvores amanhã.
Sigamos confiantes de que tudo colabora para a evolução e o crescimento, mesmo que não possamos ver com clareza no momento em que os acontecimentos ocorrem. Sementes ainda germinam entre as pedras e se tornarão com certeza belos bonsais naturais.
29 de junho de 2021
Pedro, pedra, pedreiro na edificação do Reino do Pai
“Eu vou jogar minhas redes onde o Senhor me mandar.
Certo de que vou enchê-las de almas pro Reino de Deus”
(Bruno Camurati)
Pedro é o apóstolo com quem mais simpatizo. O mais impulsivo dos companheiros de Jesus, e que por muito amar era capaz de pensar poder ir até onde suas forças humanas não lhe permitiam.
Perdeu a cabeça ferindo o soldado, negou três vezes seu mestre, pescava nu, não
teve fé suficiente para andar sobre as águas, não queria permitir que Jesus
lavasse seus pés...
Tão humano que poderia ser qualquer um de nós. Mas foi a ele que o mestre
escolheu como referência.
Pedro Tú és céfas!
Tu és como uma pedra, um cabeça dura, fruto de tua humanidade simples e pura, mas é sobre essa aparente dureza, cheia de verdade, simplicidade e amor que quero edificar o meu projeto. Pedro, tu és pedra, e é sobre esta pedra que quero iniciar o meu rebanho.
Você Pedro é o nosso maior incentivo, é o sinal de que o
mestre não se importa com nossa frágil humanidade e sim com nossa capacidade de
rever os passos incertos e retornar ao verdadeiro caminho do amor e da luta
pela libertação.
3 de junho de 2021
Jesus passou lá na esquina
Nos bons tempos, quando morávamos aqui num oásis de paz, silêncio, era realmente como se estivéssemos sendo abençoados o tempo todo. Mas tudo muda com o progresso e a mão do poder econômico. E assim nosso oásis foi se transformando em um polo gastronômico, que de gastronomia mesmo tem bem pouco. Bares, e restaurantes que para falar a verdade servem comida trivial chique, mas isso nem é tão importante.
Naquele tempo de Paz na semana santa tínhamos a via sacra na
nossa porta, lembro que minha avó e depois minha mãe, colocava luz na janela e
deixava uma mesa para que fosse colocado o quadro da via sacra e as velas e
assim em portas de alguns vizinhos eram feitas as orações. Isso acontecia em várias
ruas, eram vias sacras em cada dia da semana que antecediam a semana santa,
como uma espécie de preparação.
Com o tempo, e a chegada do tal do polo,
não houve mais as vias sacras... Optaram por algo único e monumental na
principal rua da Tijuca e a via sacra era grandiosa e envolvia as varas paróquias do vicariato.
Com a chegada da pandemia no ano passado, as procissões se transformaram em carreatas
que percorrem as ruas do bairro. E pensei que passariam por aqui...
Moro em um trecho da rua que é o limite entre duas paróquias e o curioso as duas paróquias tem feito
carreatas, alguém poderia pensar que nós seríamos privilegiados com duas carreatas...
Aqui em frente de casa em um apartamento mora uma senhora frequentadora da
Igreja Universal, ela é bem idosa e antes da pandemia ia sempre à igreja e
trazia para distribuir entre os vizinhos o jornal. Com a pandemia ela se
recolheu como todo mundo, mas sistematicamente, vem o pastor e alguns fiéis à
sua porta, cantam, fazem orações e ela da janela percebe-se que emocionada agradece.
Acho bem amorosa e cuidadosa essa acolhida aos fiéis que não podem estar saindo
de casa, imagino que ela se sinta pertencente àquele grupo e certamente se
manterá fiel.
Mas voltando às duas paróquias, sistematicamente essas carreatas desde o ano
passado tem acontecido no domingo de Ramos, na páscoa e em Corpus Crhisti. Uma
das paroquias faz também a procissão (carreata) do encontro na sexta-feira
santa. Mas... sempre tem um mas. Para
frustração nossa nenhuma das duas passa no nosso trecho da rua.
A Paroquia do Maracanã vem pela nossa
rua, mas na esquina dobra e retorna sem passar no trecho final da rua. A da Saens Pennã vem pela praça Varnhargem e
ao invés de seguir pela rua Felipe Camarão e dobrar na nossa rua e seguir,
prefere tomar a rota dos bares dos polos, e vem até a nossa esquina e dobra
para seguir pela continuação da nossa rua até o final e retornar à igreja. Ou
seja, apenas no trecho de nossa quadra, nenhuma das duas passa.
Assim me sinto desparoquiado, e me
contento com os cantos e orações da Universal, já que também não saio de casa
devido ao isolamento sanitário.
Depois reclamam que as igrejas evangélicas
crescem.
Hoje Jesus passou lá na esquina, eu vi da janela...
Sorte minha que o tenho dentro de mim...
2 de junho de 2021
Orar sem cessar
Pelo que tenho observado há um insistente ataque das forças de involução, comumente identificada com as trevas, e a única forma de nos proteger é ser Luz , intensificar a nossa Luz, a Luz daquele que vive em nós. O Hesicasmo propõe "orar sem cessar", que aliás é o que está proposto em "I Tessalonicenses, 5,17"
Sendo assim:
"Senhor Jesus Cristo, filho de Deus,
Faz brilhar em mim a sua Luz".
(oração da tradição Hesicasta)
Maiores informações sobre a "Oração do Coração", ou "Oração do Nome de Jesus", pode ser encontrada no livro " Relatos de um Peregrino Russo" de autor desconhecido do séc XIX, ED. Vozes, ou com o mesmo título na Ed. Paulinas
Psicoterapeuta / Psicólogo Clínico - Membro do Colégio Internacional de Terapeutas (Terapeutas de Alexandria) – Terapeuta Holístico - Pós graduado em Arteterapia e em Terapia Floral - Formação Holística de Base na Unipaz - Formação básica em Teologia pelo Centro Loyola de Fé e Cultura -PUC/RJ. Ger.de Rec.Humanos na Cia Souza Cruz Ind. e Comércio - Consultor empresarial - consultor Psicopedagógico dos projetos Sociais de Capacitação Solidária
20 de maio de 2021
Revisitando lembranças em tempos sombrios
Tempos de sonhos
Dos só-risos
Tempo criança,
De lembranças de lambanças...
Tempo de rua,
Portões abertos.
Momentos de alegria,
Liberdade.
A vida fluía...
Tempo de espera
Sonho fantasiado,
Baionetas e sentinelas.
A vida aprisionada...
Adulto idealizado.
Ilusão de paraíso,
Muito riso e pouco sizo.
Realidade de fumaça,
sem alicerces,
Inconsistência sem juízo.
Desperto.
Acordado vivo o pesadelo:
Portões fechados,
Crianças marginalizados,
Adolescentes espancados,
Balas que acham
Corpos negros
Não importa
Se criança ou adolescente,
Assassinados impunemente.
Liberdades limitadas,
Sorrisos encarcerados;
O humano perdeu o rumo...
Diante desta vida
Resta o saldo:
A teimosa esperança
Que teima não morrer.
Caminhemos...
Psicoterapeuta / Psicólogo Clínico - Membro do Colégio Internacional de Terapeutas (Terapeutas de Alexandria) – Terapeuta Holístico - Pós graduado em Arteterapia e em Terapia Floral - Formação Holística de Base na Unipaz - Formação básica em Teologia pelo Centro Loyola de Fé e Cultura -PUC/RJ. Ger.de Rec.Humanos na Cia Souza Cruz Ind. e Comércio - Consultor empresarial - consultor Psicopedagógico dos projetos Sociais de Capacitação Solidária
13 de maio de 2021
Uma parada para rever o mapa do caminho.
Olhando o cenário atual brasileiro, seja político ou religioso, é cada dia mais desanimador. Vejo que muitas pessoas para aliviar a tensão e revolta, compartilham “memes”, outras fazem denúncias, outras ainda protestam, e já estamos nisso há alguns anos. Na verdade, o pandemônio é anterior a à pandemia. O projeto de destruição continua a todo vapor e por mais que haja protestos ele segue sem obstáculos. As empresas nacionais destruídas, os programas sociais destroçados, a pandemia em franca expansão, caminhamos de forma acelerada para alcançar meio milhão de brasileiros mortos, isso em números oficiais, porque na realidade, com a sub notificação, só Deus sabe quantos..
O desgaste é imenso, já houve quem tenha tido
enfarto por conta deste estado de coisas. Não quero isso para mim. A minha
juventude me foi roubada., eu tinha 13 anos quando estourou o golpe militar, e
17 na promulgação do AI-5. A primeira vez que votei para presidente da
república, eu já tinha completado 38 anos. Pensei que teria uma velhice mais
amena, me enganei profundamente.
Se a situação política está como está, a situação espiritual não é muito
diferente. A igreja romana em seus movimentos carismáticos tem se posicionado
apoiando absurdos como a tortuta, a pena de more, a crítica às vacinas e o
isolamento social. Reivindica igrejas abertas e cheias, independente do grau de
contaminação que isso possa gerar.
As igrejas ditas evangélicas não ficam
atrás, há denominações que alugam quadras de escola de samba para promover
cultos com mais de mil pessoas. J
Os espiritas, parece que por um transtorno qualquer, alguns médiuns resolveram apoiar publicamente
quem defende a pena de morte, e modelos de justiça parciais, totalmente fora
dos padrões e ainda teimam em apresentar grandes mentores encarnados em figuras
públicas de moral e ética duvidosas.
Eu sinceramente me sinto cansado e desmotivado, mantenho a custo a esperança em
tempos melhores que não sei se estarei vivo para vivenciá-los.
Acredito sim que seja um processo de
depuração, um processo de transformação, de ressignificação de valores, de
mudança de paradigmas. Na minha avaliação isso é um processo que se estenderá
provavelmente por um século inteiro, ou mais, já que percebo muita resistência
em buscar novas formas de viver, novos comportamentos e novas atitudes.
Eu lembro de que quando ouvi que o muro
de Berlin estava sendo derrubado, tive a clareza de perceber que o regime
socialista, mais radical, estava se desintegrando. Acho que eu não estava
errado. No onze de setembro, no episódio do WTC, a sensação que me veio, foi
que o sistema capitalista estava ruindo. Eram dois grades símbolos, um do
socialismo e o outro do capitalismo. E o que estamos vivenciando é exatamente
esse processo de desconstrução dos antigos valores, das antigas respostas, que
já não respondem as novas perguntas.
Percebo que há uma recusa de muitos em sair de sua zona de conforto, em buscar
o novo. A maioria fica se repetindo sem
conseguir se mover.
A destruição destes sistemas, não se deu
por completo. De cada um, a essência, a alma tanto do socialismo quanto do
capitalismo, que são bons e podem ser
combinados de forma nova para uma nova maneira de ler a vida. É urgente
encontrar o caminho para o verdadeiramente novo.
Certamente não será com ódio, ou com radicalismos ou com “memes” que mudaremos. A civilização judaico-cristã está em agonia.
As religiões que se apresentavam como seguidoras de Jesus, precisam se voltar
para a realidade desse Jesus que foi esquecido e por que não dizer traído ao
longo destes dois mil anos. É preciso reencontrá-lo e trazê-lo para nossos dias
e reformular toda uma prática religiosa viciada e desgarrada de sua origem.
Buscar a simplicidade e a maneira de ver a vida, que o revolucionário de Nazaré
tentou ensinar ao mundo.
Dentro de poucos meses eu vou completar
um marco importante, eu vou alcançar meu décimo setênio. Sei que tenho muito
menos tempo pela frente, do que o que já vivi, e percebo que já não tenho a
disposição e a condição que tinha o jovem de 17 anos, para lutar por tempos
melhores. O meu trabalho a minha participação nesta mudança é de outro tipo, o
auxilio que posso prestar é mais sutil, mais mental e mais energético. Eu creio
firmemente que a mudança que conquisto em mim, acaba por afetar a toda a
humanidade. É como um corpo nadando em
uma piscina, que embora não possamos
ver, a medida que o corpo se desloca, toda a água da piscina se movimenta, toda
a água é afetada pelo movimento deste corpo.
Frente a isso, pretendo manter um estado de espírito mais saudável, meditativo
e na medida do possível junto à natureza. Vou
cuidar de minhas plantas, de meus peixes, dos visitantes alados, que vem
diariamente me pedir água nas garrafinhas penduradas.
Viver uma espiritualidade como o jovem Galileu propôs: sem templos, já que nós
somos o templo, sem sacrifícios, já que ele disse quejá bastava de sacrifícios, que o que mais lhe
agradava, era misericórdia. E que para adorar o Pai, como ele ensinou à
Samaritana, bastava adorá-lo em Pneuma e Alethéia , no sopro e na atenção.
É dessa forma que pretendo seguir nesta viagem.
♫♪ A
sorrir , eu pretendo levar a vida, ♫ pois chorando eu vi a mocidade perdida♪♫♫♪























