O absurdo e a Graça

Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado. Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME ! Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo, não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder. "Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados. Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça " é igualmente mentir ou trapacear... "Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado, não mais estranhos, mas estranhamente amigos" A cada dia, nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo, ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup) * O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus livros retiros, seminários e workshops *

17 de agosto de 2021

Conheça a teoria do centésimo macaco ou teoria da ressonância mórfica

Você já ouviu falar sobre a teoria do centésimo macaco?


Por onde se olha o que se vê são absurdos, e pior, absurdos sendo aceitos e seguidos por pessoas que se dizem "do bem". O fanatismo religioso parece que ganhou o mundo.

Nossa indignação já não é suficiente, o sentimento de impotência é o que mais me incomoda neste momento. Um pai que entrega a filha ao Talibã, porque ela insiste em estudar e eles, arrancam-lhe os olhos, não é diferente do pai que espanca o filho para ele deixar de ser homossexual. Os poderosos que mantém pessoas escravizadas em nossos dias por pura ganância ou ainda, adolescentes, que colocam fogo em um mendigo que dorme na calçada nestas madrugadas frias, são realidades paralelas a estes horrores.

Alguma coisa está fora da ordem, ou sempre esteve e nós fingíamos que não víamos ou não vemos. Afinal prender um jovem, torturá-lo e condena-lo a morte em uma cruz, não é muito diferente do que estamos vendo hoje.
Na essência destes absurdos sempre vamos encontrar o fanatismo e a ganância.
Tenho me perguntado muitas vezes como podemos sair disso e a resposta é sempre a mesma: buscando a mudança e a melhoria individual.
 
Acreditando que um dia, como naquele fenômeno do centésimo macaco, sejamos em número suficiente, e assim como do nada os macacos aprenderam a lavar batatas sem que ninguém lhes ensinasse, nós os humanoides passemos, não a lavar batatas, mas a nos amar e respeitar, na descoberta de que todos fazemos parte da mesma unidade.

A teoria foi criada pelo biólogo teórico Rupert Sheldrake, resumidamente ela diz que uma mudança no comportamento de uma espécie irá ocorrer quando um número exato necessário é alcançado.

Quando isso acontecer, o comportamento ou hábitos de toda a espécie será alterado.
A história também é descrita em observações científicas, como na versão escrita por Ken Keyes Jr.
Foi realizado um estudo por cientistas em duas ilhas tropicais no Japão, que tinha o objetivo de analisar a colônia de macacos de mesma espécie, mas sem qualquer contato perceptível entre si.

Os cientistas começaram a observar um macaco em  uma pequena ilha chamada Koshima.  Ele gostava de batata-doce, raiz abundante na região. Ele descobriu que a iguaria poderia ficar muito mais saborosa se lavada antes.
Ele então começou a retirar a terra da batata-doce mergulhando-a na água. Depois, descobriu que poderia usar uma das mãos para segurar a batata submersa e a outra mão para retirar o barro que não tinha saído sozinho.

Depois de várias tentativas e erros, um macaco descobre uma maneira inovadora de lavar batatas antes de come-las, o que permite aproveitar melhor a batata sem a terra que lhe envolvia. Ninguém jamais havia lavado batatas dessa forma. Por imitação, o procedimento rapidamente se replica entre os seus companheiros e logo uma população de 99 macacos domina o novo jeito de lavar batatas.

"A ressonância mórfica é um processo básico, difuso e não-intencional que articula coletividades de qualquer tipo."
Quando o centésimo animal da ilha "A" aprende a técnica recém-descoberta, os macacos da ilha "B" começam espontaneamente a lavar batatas da mesma maneira, sem que ninguém os tenha ensinado.
Então a promessa da teoria do centésimo macaco diz que:
quando um número crítico de pessoas mudar seu comportamento ou atitude, a cultura como um todo mudará. O que não podia ser imaginado, é feito por alguns, depois por muitos, até que um número crítico de pessoas faz a mudança e torna-se o padrão de como nós iremos agir e do que somos como seres humanos.
“A ressonância mórfica tende a reforçar qualquer padrão repetitivo, seja ele bom ou mal”
— Rupert Sheldrake
Este experimento está descrito no Livro "Centésimo Macaco" de Ken Keyes Jr.
Se não nos é possível mudar o mundo, mudemos nós, desta forma estaremos contribuindo para que num futuro, quem sabe, a mudança aconteça espontaneamente.

7 de agosto de 2021

08 de agosto de2021: Um ano da Páscoa Do irmão Pedro Casaldáliga




Chamar-me-ão de subversivo
Eu responderei incisivo:
O sou. Pelo meu povo que luta,
Pelo meu povo que trilha apressado
Caminhos de sofrimento.
Eu tenho fé de guerrilheiro
E amor de revolução.


                                                             
             Pedro Casaldáliga
Barcelona 16/02/1928 -   Batatais ( SP) 08/08/2020

Ser o que se é
Falar o que se crê
Crer no que se prega
Viver o que se proclama
Até as últimas consequências

                   
  Pedro Casaldáliga o  santo que viveu entre nós

Malditas sejam todas as cercas!
Malditas todas as propriedades privadas que
nos privam de viver e de amar!
Malditas sejam todas as leis,
amanhadas por umas poucas mãos,
para ampararem cercas e bois
e fazerem da terra escrava
e escravos os homens!

     



Pedro Casaldáliga
O espanhol que adotou o Brasil  para defender seu povo


Não acontece todos os dias acompanhar o sepultamento de um santo


Ao final do caminho me dirá

E tu, viveste? Amaste?

E eu, sem dizer nada,

Abrirei o coração cheio de nomes

 


Pedro foi sepultado num cemitério indígena
às margens do seu Araguaia







6 de agosto de 2021

Até quando vamos conviver e tolerar a intolerância?

 


Hoje o face me trouxe uma postagem de 2019 que a amiga Inês, havia enviado  pelo zap. Vi que ela serve e se encaixa neste meu momento reflexivo, já que mostra diálogos perfeitamente possíveis e atuais.Tenho visto e ouvido coisas assim o tempo todo...

No elevador :

- Friozinho hoje, né?

- Não me lembro de ninguém reclamando do tempo quando eram os ladrões que estavam no governo.

- Não reclamei, senhora. Só comentei que está frio.

- Se prefere o calor insuportável de antes, vai pra Cuba, que lá é quente do jeito de vocês gostam.

- Vocês quem?

- Vocês que se locupletaram durante 13 anos, e agora, não tendo do que reclamar, botam a culpa de tudo no nosso presidente, que quase morreu pelo país.  Até o frio...

(Silêncio. A senhora, toda encasacada, desce no 4º andar, pisando duro e sem olhar para trás.

Entra um rapaz.

- Como tem gente maluca neste mundo. Comentei que estava frio e aquela senhora saiu cuspindo marimbondo, como se eu estivesse fazendo crítica política.

- E não estava?

- Não, só comentei que esfriou hoje e...

- E você acha que este frio não tem a ver com o aquecimento global? , Com a devastação das florestas? Com essa política ambiental criminosa? Com esse clima horroroso que vocês implantaram no país?

- Vocês quem?

- Vocês, fundamentalistas retrógrados, entreguistas.

- Mas...

- Eu não dialogo com fascistas.  Silêncio.


O rapaz, de camiseta regata, desce no térreo, pisando duro e sem olhar para trás.
Uma mocinha que aguarda o elevador pergunta:

- Está descendo ou subindo?

Uma outra pessoa :
- Não sabe se quer subir ou descer?
Decida-se primeiro, em vez de ficar aí em cima do muro.
É por culpa de vocês, isentões, que o Brasil está desse jeito!

 

Chegamos a um estágio em que as pessoas, na verdade será melhor dizer, nós, reagimos antes de pensar. É como se cada um tivesse uma pedra na mão prestes a ser lançada.
Nas redes ditas sociais então, elas a todo momento estão sendo arremessadas e podem fazer grandes estragos, como aconteceu essa semana com o rapaz de 16 anos e que, a partir do turbilhão de agressões e críticas, nas redes, não suportou e, acabou cometendo suicídio.

Estas redes hoje são povoadas por todo tipo de mentiras, as tais “fake News”, por pessoas preconceituosas, moralistas, fanáticos religiosos, sem falar nos sem limite que se acham no direito de entrar em postagens onde não foram chamados, para ultrapassar o direito de discordar.

Não sei se a pandemia acabou por agravar essa situação, tendo em vista o isolamento social e a tensão gerada pelo medo e falta do convívio social.Fato é que eu percebo que o caminho do meio, apregoado sabiamente pelos budistas, está cada vez mais fora do repertório das relações interpessoais. Estar no centro hoje assumiu uma imagem desgastada, que aos poucos parece ser associada com manipulação e falta de honestidade. Restam então os extremos, que se agridem permanentemente, sendo que em muitos casos de forma fanática e radical. Não há mais espaço para a pluralidade, para uma convivência que toler e respeita as diferenças. O que acaba sendo produzido é uma agressão que destrói relações e vem se tornando frequente e ascendente.

Não quero e não vou entrar nessa guerra de ideias e na sedução do reclamar sem avaliar o proveito deste ato de reclamar.
Não pretendo perder a harmonia e a paz e ter que aturar agressões de quem pensa diferente de meus valores sociais, morais e políticos. Já repeti inúmeras vezes que vejo no cristianismo primitivo o modelo mais acertado de convivência. É um modelo de tolerância e respeito e sim, é um modelo que serviu de base para o socialismo. Na verdade, o revolucionário de Nazaré só não tlerava quem era intransigente intolerante com os indefesos e excluídos, de resto acolhia a todos e deixava isso muito claro quando afirmava que os ladrões e as prostitutas precederiam os sacerdotes do tempo no paraíso. Ele foi claro e inclusivo quando disse á “pecadora” que se os moralistas não a condenaram ele também não a condenaria. Ao centurião romano que sabia que sua casa não era digna que um judeu lá entrasse, já que transgredia as leis mantendo “um escravo que ele muito amava’ e que estava enfermo, Jesus não teve dúvidas em curá-lo sem nem mesmo ir presencialmente lá. E a samaritana adultera, já que tinha tido não um, mas cinco maridos? Ele se limitou a dizer a ela que na verdade apesar de ter tido cinco não tinha nenhum.
Duas ciosas saltam aos olhos nos relatos dos evangelhos, tolerância e inclusão. Ele incluía a todos, mulheres tidas como inferiores no judaísmo da época, cobradores de impostos, mulheres condenadas pela sociedade da época, e até sacerdotes, desde que não tivessem o abominável comportamento farisaico, esse sim jamais tolerado por justamente ser oposto da mensagem de amor, inclusão e aceitação das criaturas de seu Pai. Esse tem sido um modelo que tento imperfeitamente seguir, confesso que com pouco sucesso.

Tenho percebido que às vezes me demoro demais nos círculos de críticos e reclamadores, e isso acaba por me frustrar, e além de não produzir os resultados esperados, ou seja, provocar as mudanças necessárias, acaba por alterar meu humor e me jogar num processo de desesperança, falta de fé  e ansiedade, que em nada ajudam na resolução da séria crise que atravessamos. Essa convivência também produz um efeito colateral que considero bastante negativo, que é nos manter atrelados por longos períodos no celular, logados nas tais redes, mais antissociais do que sociais.
Sirvo-me deste texto não com a pretensão de fazer alguém mudar de atitude ou de condenar o comportamento alheio, mas tomo-o como uma reflexão para colocar minhas ideias de forma mais claras para mim e como forma de rever minhas atitudes e comportamentos, de forma a organizar melhor  meu processo de mudança e crescimento.
Já há algum tempo adotei como lema para minha vida,  parte de um samba antológico do Cartola, o grande Cartola, da minha querida Mangueira que diz assim:
 “ A sorrir, eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida...”

 E é uma verdade, a minha mocidade foi abortada pela ditadura e hoje eu quero tomar muito cuidado para não ter também a minha velhice perdida. Na verdade eu sei, como prossegue o samba, que  “finda a tempestade, o sol nascerá...” quero muito conseguir ver esse sol nascente outra vez.

22 de julho de 2021

Sobre absurdos e a Graça

                                        

Eu sempre tive como uma verdade que onde há Absurdo, há também Graça.

Muitos que me conhecem sabem que desde 05 de maio 2008 mantenho o Blog cujo nome, “O absurdo e a Graça”, que foi inspirado no título do livro autobiográfico de um de meus queridos mestres, Jean Yves Leloup.

Ao longo dos 13 anos de existência, o blog  que conta hoje mais de 220 mil visualizações, tem procurado se manter nesta linha de procurar mostrar que há “Graça”, 
apesar de tantos absurdos. De uns tempos para cá tenho notado que há algo errado acontecendo com a humanidade e os absurdos parecem superar a possibilidade  de se encontrar, com facilidade, Graça a partir deles.

Hoje mesmo me surpreendo com o fato de o ódio crescente e irracional possa fazer com que “adultos” usem crianças, para extravasar sua doença, como no caso recente da filha de Manuela D’ávila.
Por outro lado em situações como a a ocorrida no Jacarezinho, ou ainda, o descaso com mais de meio milhão de brasileiros mortos, me deixam perplexo e sem conseguir encontrar a Graça a partir destes fatos.
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As vezes  tenho a sensação de que estou chovendo no molhado, outras penso que só encontrarei a “Graça”, justamente olhando de frente para esses absurdos. Fato é que hoje são muitos os absurdos e em alguns momentos me deixam surpreso, porque encontro em pessoas que pensei conhecer, comportamentos completamente fora do contexto esperado.
Não entendo que pessoas que se dizem religiosas, cristãs, possam agredir irmãos seus de mesma crença, por defenderem posições políticas diferentes, ou questionar a coerência do apoio a políticos que defendem e agem em oposição à mensagem expressa no evangelho. Não consigo compreender posicionamentos de sacerdotes que parecem andar na contramão da opção preferencial da igreja e preferem se envolver com exterioridades e com a aparência.  E o que dizer destas novas igrejas evangélicas e sua teologia da prosperidade e a supervalorização dos bens materiais. Renderam-se à Mamon?  Mas parece que
 alguns espíritas não ficam atrás, com apoios à pena de morte, e a quem  admira e valoriza a tortura. Médiuns de renome endossando fake News e assumindo posições muito pouco caridosas, como que esquecendo a máxima de que fora da caridade não há salvação. Infelizmente não fica aí, até judeus, vemos endossando o coro dos apoiadores de ideias fascistas, como que esquecidos do que o nazi fascismo fez a seu povo...

É desanimador constatar esses absurdos que parece não ter fim.
Tenho certeza de que a “graça” deve  estar se manifestando, só que de forma muito silenciosa, de forma mais reservada.
Seja  no atendimento às famílias em necessidade, ou através dos profissionais da saúde em atividades quase sacerdotais, no apoio às vítimas desse flagelo que se abateu sobre a humanidade, se pode vislumbrar a atuação da Graça.

Vale aqui a título de reflexão aquela máxima que o Jean Yves gosta de citar de que ouvimos sempre a destruição da floresta com o barulhos das árvores que caem, mas não somos capazes de ouvir o som das sementes que germinam e que serão as árvores amanhã.

Sigamos confiantes de que tudo colabora para a evolução e o crescimento, mesmo que não possamos ver com clareza no momento em que os acontecimentos ocorrem.  Sementes ainda germinam entre as pedras e se tornarão com certeza belos bonsais naturais. 

29 de junho de 2021

Pedro, pedra, pedreiro na edificação do Reino do Pai

 “Eu vou jogar minhas redes onde o Senhor me mandar.

Certo de que vou enchê-las de almas pro Reino de Deus”

(Bruno Camurati)

Pedro é o apóstolo com quem mais simpatizo. O mais impulsivo dos companheiros de Jesus, e que por muito amar era capaz de pensar poder ir até onde suas forças humanas não lhe permitiam.

Perdeu a cabeça ferindo o soldado, negou três vezes seu mestre, pescava nu, não teve fé suficiente para andar sobre as águas, não queria permitir que Jesus lavasse seus pés...
Tão humano que poderia ser qualquer um de nós. Mas foi a ele que o mestre escolheu como referência.
Pedro Tú és céfas!

Tu és como uma pedra, um cabeça dura, fruto de tua humanidade simples e pura, mas é sobre essa aparente dureza, cheia de verdade, simplicidade e amor que quero edificar o meu projeto. Pedro, tu és pedra, e é sobre esta pedra que quero iniciar o meu rebanho.


                      

Você Pedro é o nosso maior incentivo, é o sinal de que o mestre não se importa com nossa frágil humanidade e sim com nossa capacidade de rever os passos incertos e retornar ao verdadeiro caminho do amor e da luta pela libertação.

3 de junho de 2021

Jesus passou lá na esquina



Nos bons tempos, quando morávamos aqui num oásis de paz, silêncio, era realmente como se estivéssemos sendo abençoados o tempo todo. Mas tudo muda com o progresso e a mão do poder econômico. E assim nosso oásis foi se transformando em um polo gastronômico, que de gastronomia mesmo tem bem pouco. Bares, e restaurantes que para falar a verdade servem comida trivial chique, mas isso nem é tão importante.

Naquele tempo de Paz na semana santa tínhamos a via sacra na nossa porta, lembro que minha avó e depois minha mãe, colocava luz na janela e deixava uma mesa para que fosse colocado o quadro da via sacra e as velas e assim em portas de alguns vizinhos eram feitas as orações. Isso acontecia em várias ruas, eram vias sacras em cada dia da semana que antecediam a semana santa, como uma espécie de preparação.
 Com o tempo, e a chegada do tal do polo, não houve mais as vias sacras... Optaram por algo único e monumental na principal rua da Tijuca e a via sacra era grandiosa  e envolvia as varas paróquias do vicariato.


Com a chegada da pandemia no ano passado, as procissões se transformaram em carreatas que percorrem as ruas do bairro. E pensei que passariam por aqui...

Moro em um trecho da rua que é o limite entre duas paróquias  e o curioso as duas paróquias tem feito carreatas, alguém poderia pensar que nós seríamos privilegiados com  duas carreatas...
Aqui em frente de casa em um apartamento mora uma senhora frequentadora da Igreja Universal, ela é bem idosa e antes da pandemia ia sempre à igreja e trazia para distribuir entre os vizinhos o jornal. Com a pandemia ela se recolheu como todo mundo, mas sistematicamente, vem o pastor e alguns fiéis à sua porta, cantam, fazem orações e ela da janela percebe-se que emocionada agradece. Acho bem amorosa e cuidadosa essa acolhida aos fiéis que não podem estar saindo de casa, imagino que ela se sinta pertencente àquele grupo e certamente se manterá fiel.

Mas voltando às duas paróquias, sistematicamente essas carreatas desde o ano passado tem acontecido no domingo de Ramos, na páscoa e em Corpus Crhisti. Uma das paroquias faz também a procissão (carreata) do encontro na sexta-feira santa.  Mas... sempre tem um mas. Para frustração nossa nenhuma das duas passa no nosso trecho da rua.
 A Paroquia do Maracanã vem pela nossa rua, mas na esquina dobra e retorna sem passar no trecho final da rua.  A da Saens Pennã vem pela praça Varnhargem e ao invés de seguir pela rua Felipe Camarão e dobrar na nossa rua e seguir, prefere tomar a rota dos bares dos polos, e vem até a nossa esquina e dobra para seguir pela continuação da nossa rua até o final e retornar à igreja. Ou seja, apenas no trecho de nossa quadra, nenhuma das duas passa.
Assim me sinto desparoquiado,  e me contento com os cantos e orações da Universal, já que também não saio de casa devido ao isolamento sanitário.
 Depois reclamam que as igrejas evangélicas crescem.
Hoje Jesus passou lá na esquina, eu vi da janela...
Sorte minha que o tenho dentro de mim...

2 de junho de 2021

Orar sem cessar

Pelo que tenho observado há um insistente ataque das forças de involução, comumente identificada com as trevas, e a única forma de nos proteger é ser Luz , intensificar a nossa Luz, a Luz daquele que vive em nós. O Hesicasmo propõe "orar sem cessar", que aliás é o que está proposto em "I Tessalonicenses, 5,17"

 



Sendo assim:

"Senhor Jesus Cristo, filho de Deus,
Faz brilhar em mim a sua Luz".
(oração da tradição Hesicasta)


Maiores informações sobre a "Oração do Coração", ou "Oração do Nome de Jesus", pode ser encontrada no livro " Relatos de um Peregrino Russo" de autor desconhecido do séc XIX, ED. Vozes, ou com o mesmo título na Ed. Paulinas

20 de maio de 2021

Revisitando lembranças em tempos sombrios


Tempos de sonhos

Dos só-risos

Tempo criança,

De lembranças de lambanças...

Tempo de rua,

Portões abertos.

Momentos de alegria,

Liberdade.

A vida fluía...

 

Tempo de espera

Sonho fantasiado,

Baionetas e sentinelas.

A vida aprisionada...

Adulto idealizado.

Ilusão de paraíso,

Muito riso e pouco sizo.
 

Realidade de fumaça,

sem alicerces,

Inconsistência sem juízo.

 

Desperto.

Acordado vivo o pesadelo:

Portões fechados,

Crianças marginalizados,

Adolescentes espancados,

Balas que acham

Corpos negros

Não importa

Se criança ou adolescente,

Assassinados impunemente.

Liberdades limitadas,

Sorrisos encarcerados;

O humano perdeu o rumo...

Diante desta vida

Resta o saldo:

A teimosa esperança

Que teima não morrer.

Caminhemos...

13 de maio de 2021

Uma parada para rever o mapa do caminho.



Olhando o cenário atual brasileiro, seja político ou religioso, é cada dia mais desanimador. Vejo que muitas pessoas para aliviar a tensão e revolta, compartilham “memes”, outras fazem denúncias, outras ainda protestam, e já estamos nisso há alguns anos. Na verdade, o pandemônio é anterior a à pandemia. O projeto de destruição continua a todo vapor e por mais que haja protestos ele segue sem obstáculos. As empresas nacionais destruídas, os programas sociais destroçados, a pandemia em franca expansão, caminhamos de forma acelerada para alcançar meio milhão de brasileiros mortos, isso em números oficiais, porque na realidade, com a sub notificação, só Deus sabe quantos..

O desgaste é imenso, já houve quem tenha tido enfarto por conta deste estado de coisas. Não quero isso para mim. A minha juventude me foi roubada., eu tinha 13 anos quando estourou o golpe militar, e 17 na promulgação do AI-5. A primeira vez que votei para presidente da república, eu já tinha completado 38 anos. Pensei que teria uma velhice mais amena, me enganei profundamente.

Se a situação política está como está, a situação espiritual não é muito diferente. A igreja romana em seus movimentos carismáticos tem se posicionado apoiando absurdos como a tortuta, a pena de more, a crítica às vacinas e o isolamento social. Reivindica igrejas abertas e cheias, independente do grau de contaminação que isso possa gerar.
 As igrejas ditas evangélicas não ficam atrás, há denominações que alugam quadras de escola de samba para promover cultos com mais de mil pessoas. J
Os espiritas, parece que por um transtorno qualquer,  alguns médiuns resolveram apoiar publicamente quem defende a pena de morte, e modelos de justiça parciais, totalmente fora dos padrões e ainda teimam em apresentar grandes mentores encarnados em figuras públicas de moral e ética duvidosas.

Eu sinceramente me sinto cansado e desmotivado, mantenho a custo a esperança em tempos melhores que não sei se estarei vivo para vivenciá-los.
 Acredito sim que seja um processo de depuração, um processo de transformação, de ressignificação de valores, de mudança de paradigmas. Na minha avaliação isso é um processo que se estenderá provavelmente por um século inteiro, ou mais, já que percebo muita resistência em buscar novas formas de viver, novos comportamentos e novas atitudes.

 Eu lembro de que quando ouvi que o muro de Berlin estava sendo derrubado, tive a clareza de perceber que o regime socialista, mais radical, estava se desintegrando. Acho que eu não estava errado. No onze de setembro, no episódio do WTC, a sensação que me veio, foi que o sistema capitalista estava ruindo. Eram dois grades símbolos, um do socialismo e o outro do capitalismo. E o que estamos vivenciando é exatamente esse processo de desconstrução dos antigos valores, das antigas respostas, que já não respondem as novas perguntas.
Percebo que há uma recusa de muitos em sair de sua zona de conforto, em buscar o novo. A maioria  fica se repetindo sem conseguir se mover.
 A destruição destes sistemas, não se deu por completo. De cada um, a essência, a alma tanto do socialismo quanto do capitalismo,  que são bons e podem ser combinados de forma nova para uma nova maneira de ler a vida. É urgente encontrar o caminho para o verdadeiramente novo.

Certamente não será com ódio, ou com radicalismos ou com “memes” que mudaremos.  A civilização judaico-cristã está em agonia. As religiões que se apresentavam como seguidoras de Jesus, precisam se voltar para a realidade desse Jesus que foi esquecido e por que não dizer traído ao longo destes dois mil anos. É preciso reencontrá-lo e trazê-lo para nossos dias e reformular toda uma prática religiosa viciada e desgarrada de sua origem. Buscar a simplicidade e a maneira de ver a vida, que o revolucionário de Nazaré tentou ensinar ao mundo.

 Dentro de poucos meses eu vou completar um marco importante, eu vou alcançar meu décimo setênio. Sei que tenho muito menos tempo pela frente, do que o que já vivi, e percebo que já não tenho a disposição e a condição que tinha o jovem de 17 anos, para lutar por tempos melhores. O meu trabalho a minha participação nesta mudança é de outro tipo, o auxilio que posso prestar é mais sutil, mais mental e mais energético. Eu creio firmemente que a mudança que conquisto em mim, acaba por afetar a toda a humanidade. É como um corpo  nadando em uma piscina, que  embora não possamos ver, a medida que o corpo se desloca, toda a água da piscina se movimenta, toda a água é afetada pelo movimento deste corpo.
Frente a isso, pretendo manter um estado de espírito mais saudável, meditativo e na medida do possível junto à natureza. Vou  cuidar de minhas plantas, de meus peixes, dos visitantes alados, que vem diariamente me pedir água nas garrafinhas penduradas.
Viver uma espiritualidade como o jovem Galileu propôs: sem templos, já que nós somos o templo, sem sacrifícios, já que ele disse quejá  bastava de sacrifícios, que o que mais lhe agradava, era misericórdia. E que para adorar o Pai, como ele ensinou à Samaritana, bastava adorá-lo em Pneuma e Alethéia , no sopro e na atenção.
É dessa forma que pretendo seguir nesta viagem.
♫♪ A sorrir , eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida♫♫♪  

3 de abril de 2021

O Amor venceu

 A morte não é o final da vida, é apenas uma etapa,

uma transição necessária para atingirmos escalas mais altas,
mais próximas daquele que nos criou
.


Naquela manhã, diante do túmulo vazio, 

Maria de Magdala encontra-se com Jesus.

Era ela que estava com Maria aos pés da cruz
até o fim, quando os outros fugiram.

É a ela que Ele pede que avise a Pedro e aos outros.
Foi a ela que ele escolheu dar primeiro esta notícia:
Estou aqui !

eu vencí !



Da mesma forma que os apóstolos acreditaram

no que parecia impossível,

é preciso manter sempre acesa a esperança,

manter firme o sonho

de que uma nova maneira de viver é possível:

mais fraterna, igualitária e amorosa. 





Jesus Ressuscitou!

O AMOR venceu!

É tempo de ressuscitar os sorrisos,

 o amor, a certeza de novos e melhores dias

Ressuscitar a Alegria e a esperança.
Ressuscitar a vontade de lutar
por um mundo que tenha a face do amor.
A face de Jesus.

Que a nossa páscoa seja a certeza de que caminhamos todos para a luz, 
para a igualdade, para o renascimento da Paz, da justiça 
e da alegria para todos, sem exceções.


Feliz Páscoa !

A Vida que vence a morte - JESUS


 Ó Noite de Alegria verdadeira,

uniu de novo o céu e a terra inteira !



Na natureza tudo parece estar em vias de mudança,

as folhas mais amareladas, caem das árvores.

 A temperatura é mais amena, os dias um pouco mais curtos...

Momentos de transição.

O Outono, passagem do verão para o inverno parece nos lembrar 

que a vitalidade do verão 
 precisa passar por uma transformação
 
para que possa, mais adiante, voltar a ser verão.



A Páscoa é também a lembrança de uma passagem. 

A constatação, de que tudo é impermanente. 

Assim como na primeira páscoa 

o povo judeu conquistou a libertação de seu cativeiro no Egito, 

os cristãos rememoram a mensagem de libertação 

que Jesus veio nos trazer.


A morte não é o final da vida, é apenas uma etapa,
uma transição necessária para atingirmos escalas mais altas,
mais próximas daquele que nos criou
.

.

2 de abril de 2021

Calvário nos dias de hoje..

Hoje  num exercício de imaginação, fiquei  após a meditação a pensar sobre a crucificação de Jesus entre ladrões. Fiquei imaginando em como seria esta cena em nossos dias e em uma das nossas capitais do Sul/sudeste.


Imaginei aquela cruz e as pessoas ao redor a gritar:
 Vai pra Cuba! Ladrão! Enganador! Gentalha!
}Quem manda ficar vivendo com pobres, negros e putas>. Agora colhe o que plantou.
Bandido bom é bandido morto ! 

Imediatamente lembrei de como ainda se faz "justiçamento com as próprias mãos" 
Lembrei como as pessoas se apressam a julgar e a fazer o que chamam de “justiça”, sem se preocupar em avaliar o que realmente aconteceu, os motivos que levaram aquela pessoa a cometer aquele ato.

Pensei também, naquelas três figuras de rosto sofrido e desesperadas com a perda de alguém a quem amavam e por quem eram tão amadas: Maria, Madalena e João.
E um dos justiceiros repetindo aquilo que se tornou quase um mantra: Tá com peninha? Leva pra casa!

Pensei no calvário de milhares de cidadãos brasileiros, inocentes,  que são mortos pela inépcia e irresponsabilidade de nossos governantes.}

Dois mil anos ainda não foram suficientes para sensibilizar os corações da humanidade e para que aprendêssemos a saber o que estamos fazendo.
Por quanto tempo Deus nos perdoará por não sabermos o que estamos fazendo.

O longo caminho da nova civilização

                          

Eu em 1986, na época em que se comemorou uma grande conjunção de planetas no céu, tomei contato com um autor e com um livro que marcou a minha vida. O Livro foi “O ponto de Mutação” do Fritjof Cappra. Depois tive oportunidade de ler os outros livros dele, mas nenhum me impactou tanto quanto esse. Foi um tempo de intensa reflexão, fizemos grupo de estudos, grupos de discussão, mas acho que o que mais me cativou foi ver no livro, uma tese que um velho professor de biologia da faculdade, me apresentou em 1971, quando eu estava entrando na universidade. O Professor sustentava que a nossa civilização já naquela época estava agonizando, mas que em algum lugar do planeta, as sementes da nova civilização estavam já germinando. Eu na época com meus 19 para 20 anos, fiquei tão fascinado com a ideia que passei a buscar mais informação, mas não encontrava nada publicado sobre o assunto ou alguém que pudesse me ampliar esse conceito, o professor Fraga, infelizmente havia falecido e eu fiquei com isso, até encontrar o livro do Capra que lá pelas tantas sustentava com alguns gráficos inclusive essa mesma ideia.


O Livro sustenta que ao atingimos o ponto de mutação um novo paradigma surgiria. Na verdade o ponto de mutação é um hexagrama do I Ching , o velho oráculo Chines, que C. G. Jung tanto  gostava de usar, não como oráculo ou instrumento de predição, mas como ferramenta para autoconhecimento. Pois bem, no livro o hexagrama 24 tem o seguinte resumo:

Ao término de um período de decadência sobrevêm o ponto de mutação. A luz poderosa que fora banida ressurge. Há movimento, mas este não é gerado pela força... O movimento é natural, surge espontaneamente. Por essa razão, a transformação do antigo torna-se fácil. O velho é descartado, e o novo ê introduzido. Ambas as medidas se harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano.  (I Ching – o livro/ oráculo das mutações)

Nestes tempos de perplexidade quando fica difícil manter a esperança, e seguindo os caminhos propostos por Jung. ao meditar sobre o livro das mutações, não há como não reconhecer o Hexagrama 24 como o mais indicador do momento atual de nossa história humana. Que venham logo os novos paradigmas, embora eu saiba que ainda teremos uma longa noite de muitas dificuldades e sofrimentos até raiar um novo dia...



Neste momento que estamos vivendo precisamos fazer uma reavaliação de nossas atitudes e comportamenteos. Promover uma reconciliação com nossos fantasmas, e isso
  passa fatalmente por um processo de perdão.

Não tenho dúvidas quanto a importância do perdão, mas  depois de tantos anos em que a humanidade passou sob o domínio do medo e da culpa, acho que precisamos em primeiro lugar começar a nos perdoar , afinal o nosso olhar precisa se voltar para dentro, lá onde Deus nos habita, Ele não está no alto, nem além de nós. Nas palavras de Jesus o reino de Deus está no meio de nós, e o próprio S. Paulo nos deixou por escrito em uma de suas cartas “ não sabeis que sois o templo onde habita Deus?

Tenho certeza de que a criação é perfeita e até esse vírus tem um importante papel na nossa história. Depois de um tempo de exterioridades somos obrigados a nos recolher, a viver na intimidade de nossos lares. É como se ele (o vírus) nos dissesse voltem-se para dentro, 
encontre o divino que habita em todos vocês. Avaliem o quanto de supérfluo nós fingimos que era imprescindível. Porque tanto cuidado em parecer o que não se é na realidade.

Neste isolamento cada um é o que é, sem retoques, sem maquiagens. E o medo, um medo verdadeiro agora nos afronta. Um vírus,  diminuto, invisível, que ameaça toda a humanidade. E que não faz nenhuma distinção de status, raça gênero. Faz-nos olhar de frente para o fato que todos são iguais perante a morte. Passamos a viver numa verdadeira guerra, num caos generalizado.

É é desse caos, que ainda deve perdurar, que vai nascer a nova civilização. Aos que perguntam quando, a resposta se faz simples e direta: quanto todos nós tivermos aprendido a lição.

1 de abril de 2021

Uma quinta feira entre uma aclamação e uma crucifixão

 

Ele havia sido aclamado como um Rei, era de se esperar que agisse como um, mas surpreendeu a todos, aliás como era de seu feitio. Tirou o manto, tomou um jarro e uma bacia, ajoelhou-se diante de seus companheiros e começou a lavar-lhes os pés. Mas essa não seria uma tarefa de escravos? 

Um deles tentou impedi-lo, e ele o repreendeu:  se não lhe lavo os pés, não terás parte comigo! 

Então era um ritual de iniciação aquilo? 

Sim era um ritual de iniciação mas muitos poucos entenderam desta forma,
e consta que ele ainda arrematou: Viram o que fiz ? Lavei os pés de vocês.
Então de agora em diante lavai os pés uns dos outros. 

Mas aquela era uma ocasião especial e que estava só começando, e ele ainda os fez sentar à mesa e tomando de um pedaço de pão ele proferiu a benção e mais uma vez os surpreendeu. 

Este é o meu corpo que será dado por vós.
Fez o mesmo com o vinho, e o deu para que repartissem entre eles.

E então deu a segunda parte da iniciação, todas as vezes que vocês fizerem isso, será para relembrar este momento.

Lavem os pés uns dos outros e jamais esqueçam que eu estou me doando por vocês e para completar, para que não houvesse nenhuma dúvida arrematou: Amai-vos uns aos outros como eu vos amo, nisto está TODA a lei e toda a profecia.

Ele, como sempre, foi tão simples, tão direto. Não falou em sacrifícios, não falou em transubstanciações. Toda a Lei e toda profecia estava resumida em Amar como ele amou, e todo aquele que quiser fazer parte de seu reino, que é o reino do Pai só precisa saber ajoelhar-se diante de um semelhante seu, e lavar seus pés, humildar-se, porque para quem ama não existe humilhação. E de forma simples repartir o pão e o vinho, se fazendo “um” com aquele a quem se ama.

Dou-vos um novo mandamento:

Que vos ameis uns aos outros, como eu vos amei.