Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

Seja Bem vindo (a)!

Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de algumas outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

15 de agosto de 2018

Em Pneuma e Aletheia

J Ricardo A de Oliveira

Vai!
Vá para ti.
Vá e não desista,
Vá e não olhes para trás.
Vá e só pare quando chegar,
Quando encontrar o coração do coração.

Chegando lá faça uma faxina,
limpe tudo,
Não deixe nada,
nem um pingo da lama que lá houver.
Depois de tudo bem limpo,
De todo o perdão exercido,
Descubra lá, a presença que te habita.

Persista,
 permita-se desta vez,
Ser tomado pelo grande silêncio.
Perceba quem te respira
E deixe-se ser respirado por esta presença.

 Mas com toda a atenção:
Em Pneuma e Aletheia – em Espírito e Verdade !
Alí, onde tudo é Paz,
Onde tudo é Luz,
Na morada do “Eu Sou”

 Seja UM com Ele.

25 de julho de 2018

A minha avó dizia...





A minha avó dizia...
Quem nunca disse esta frase?
Avós, essa materno-paternidade dupla, uma mistura de ternura e sabedoria. Avós são pais que atingiram a capacidade de educar através do amor.
Mas avós estragam as crianças lhes fazendo as vontades dizem alguns. Será?
Os pais geralmente estão preocupados com as regras e as disciplinas com a aprendizagem, a fixação de conceitos. Os avós já não têm esse compromisso, estão sempre mais atentos em passar aos netos a sabedoria adquirida enquanto seus cabelos embranqueciam. A minha avó dizia... Quanto de sabedoria essa frase esconde em nossas vidas. Quanta saudade nos traz.
Fico imaginando os avós daquele menino divino na distante e pobre Nazaré da Galileia: Ana e Joaquim. Infelizmente a tradição não nos informou os nomes dos pais de S José. Mas como terá sido a infância e o convívio de Jesus com seus avós? Tenho para mim que além dos valores que aprendeu com seus pais, Maria e José, valores de honestidade, firmeza, humildade, a mansidão, a doçura e o amor devem ter sido o legado de Joaquim e Ana àquele menino tão esperto e sábio.
Com as dificuldades do mundo moderno os avós têm sido chamados a exercer o desafio de cumprir um papel de substitutos dos pais. Pais que precisam trabalhar e até mesmo, pais que abrem mão de seus filhos fazem com que os avós assumam o duplo papel de avós e pais. Certamente estas serão crianças que terão a oportunidade de vivenciar uma maneira nova de aprendizagem da vida. Para os avós esse é um bom desafio que lhes ajudará a retardar a velhice e atravessar essa fase da vida de maneira mais jovial e ativa.
De tudo o mais importante é que a essência da sabedoria dos nossos mais velhos possa ser transmitida, com amor, às novas gerações. Se você tem avós vivos não deixe de dar um beijo carinhoso neles neste dia 26 de julho, se já se adiantaram no caminho transforme em oração o beijo, mas tenha a lembrança deles sempre viva em sua memória.
 S Joaquim e Sant’Ana, intercedei junto a Jesus por nós.


22 de julho de 2018

Oração de Maria Madalena

Extraída do livro "O Romance de Maria Madalena , uma mulher incomparável", 
de Jean Yves Leloup


“Meu Deus, tu és o Deus da primavera, O que faz florescer, o que faz crescer.
Será que é mesmo necessário que sejamos “pequeninos”
Para que tu sejas todo-poderoso?
“Pobres pecadores”, para que tu sejas misericórdia?
Não é suficiente que estejamos nus, para que tu brilhes,
Que estejamos vazios, para que tu sejas tudo?
Tu não és um Deus que desconfia das mulheres,
Que canoniza os santos e queima as feiticeiras.
Tu és belo e amas a beleza
Eu orei a ti, com frequência, Meu Deus
Para que me livrasses dos deuses que acusam
Que desprezam e fanatizam...
E tu me enviaste a primavera:
A amendoeira foresceu.
Respirei o grande dia e a grande noite,
Reconheci teu sopro no jardim,
Tua brisa à beira do lago.
Tu me ensinaste que rezar mais
É respirar melhor.
Ainda não sei se és o Deus dos amantes,
Se fores aquele que ama em todos os que amam.
Amo-te sem te ver, sem te tocar
E, no entanto, sei que me deste
Olhos para ver e braços para abraçar.
Um dia talvez, em cores oceânicas,
Um homem virá
Para te dar um semblante
E abençoar a terra na oferenda de meu corpo;
Então, eu te amarei, meu Deus
Como as mulheres amam,
Como as crianças,
Como a tempestade
E nos tornaremos Um.”

Mirian de Magdala: que mulher é essa?

. .
Mulher e principal discípula de Jesus.

Quem é esta mulher que junto a Maria de Nazaré
permaneceu aos pés da cruz?

Porque Jesus a escolheu para primeiro aparecer
depois da Ressurreição? 

Maria de Magdala pecadora perdoada ?

Discípula que mais estava próxima do mestre,
a ponto de despertar ciúmes ?

Nunca saberemos, o tempo e o preconceito
se encarregaram de apagar sua história...
De companheira de Jesus a prostituta,
muito ao longo dos séculos foi dito,
mas só mesmo o mestre, o raboni Yeshua
poderia dizer com segurança
quem foi, quem é,
Myrian de Magdala .


Com o relato da ressurreição e, a aparição de Jesus,
depois de ressuscitado à Maria Madalena
reacende-se a dúvida quanto ao papel desta mulher
na comunidade primitiva dos seguidores de Jesus.


Ao ler o O código Da Vinci,
o jornalista e escritor Juan Arias
lamentou as dezenas de erros de pesquisa
na trama de Dan Brown.
Como teólogo e vaticanista,
no entanto, reconheceu que
o best-seller havia conseguido
o que tentam há anos centenas de estudiosos,
levar ao grande público polêmicas religiosas
que a Igreja, segundo ele, esforça-se em ocultar.
As discussões provocadas pelo livro
foram a deixa para que Arias
iniciasse uma busca pela verdadeira identidade
da mulher que teria sido casada com Jesus,
trabalho reunido em
"Madalena, o último tabu do cristianismo"
(editora Objetiva).


Madalena Grávida
Imagem na Notre Dame de paris

A notícia é do jornal Globo, 19-6-2006.
Para autor, Madalena foi "apóstolo" mais importante.
Em um misto de reportagem e pesquisa histórica, Arias, autor de estudos religiosos como Jesus, esse grande desconhecido,
vasculhou centenas de documentos.
Textos como os Evangelhos Gnósticos (não reconhecidos
pelo Vaticano) e preciosos pergaminhos
descobertos no Egito na década de 40.
O livro redefine a origem do celibato e sacerdócio masculino exclusivo e derruba a imagem de Maria Madalena como meretriz convertida. "
À instituição interessa que Madalena seja a prostituta arrependida e não a esposa e escolhida de Jesus para continuar seus ensinamentos, porque isso ressaltaria o sexismo da Igreja.
Mas como explicar por que Madalena
foi a primeira a ver Jesus ressuscitado?
E a intimidade entre os dois nos Evangelhos Gnósticos,
onde Jesus beija Madalena na boca?
Ou as cenas de ciúmes dos apóstolos ao perceberem
o quanto ela era importante ao profeta?", polemiza ele.
Em vez de investir na teoria de que Jesus teria se casado com Maria Madalena, dando origem a uma linhagem que seguiria até hoje, principal tema de O código Da Vinci, Arias reúne provas históricas que conferem a Madalena um papel muito maior na formação da Igreja Católica, a de "apóstolo" mais importante para Jesus.
"Como me disse José Saramago, se Jesus ressuscitado apareceu a Madalena antes de todos, é porque ela era a mulher que mais amava. Ele sabia que duvidariam do testemunho de Madalena, como o fez Pedro, mas a escolheu",explica o teólogo.
Um outro exemplo é o pedido de Madalena ao chegar ao sepulcro de Jesus, quando ela se desespera ao não encontrar o corpo do profeta. Madalena pergunta a um homem onde estava o seu senhor, pois ela iria recolhê-lo.
Para os judeus, o corpo era sagrado e responsabilidade da família.
Que direitos tinha Madalena em reclamar o corpo de Jesus?
O direito de esposa.
O jornalista espanhol, que foi correspondente no Vaticano por 14 anos, constrói o livro com capítulos-ensaios, submetendo os trechos bíblicos a análises semiológicas e formulando uma hermenêutica acessível mesmo aos leigos nos textos sagrados.
Para Arias, Madalena pertencia à corrente gnóstica, que valorizava o conhecimento intuitivo e a palavra, e era contrária à hierarquização do cristianismo.
Ela acreditava que, por meio do conhecimento, o eu e a divindade tornavam-se um só.
"A Igreja seria menos dogmática e mais universal" Culta e de família abastada, Madalena teria sido responsável pela construção existencial e filosófica do cristianismo, que ainda não havia fixado um corpo definitivo de doutrina.
Ela foi a escolhida do profeta, definido por Arias como "um semeador de liberdades" que considerava as mulheres inteiramente aptas ao sacerdócio.
Com a morte de Jesus, porém, entre a corrente gnóstica de Madalena e a oficialista de Pedro, venceu a primazia masculina.
"Um dia a Igreja terá que pedir perdão, como fez com Galileu Galilei, por ter corrompido a figura de Madalena utilizando-a como símbolo do pecado sexual.
Se isso não tivesse acontecido, a Igreja seria menos dogmática e mais universal. E o feminismo teria sido adiantado em muitos séculos",
calcula Juan Arias.
.

Jesus e Maria Madalena - Para os puros, tudo é puro



No princípio de toda filosofia há um assombro, um maravilhamento; o assombro, por exemplo, diante da mudança e da impermanência de todas as coisas... e das questões que isso incita: Existe uma realidade que permanece dentre tudo aquilo que passa? O que resta quando não resta mais nada?
Quer respondamos através da substância , como os pré-socráticos, ou através da vacuidade, como no madyamika , isso não diminui em nada o assombro e leva a questão um pouco mais adiante: o que é a substância? Que experiência de vacuidade podemos fazer?...

O assombro de nossos contemporâneos não recai tanto sobre o ser ou o não ser quanto sobre o desejo (de viver) e o não desejo (de viver) e sobre aquilo que o sustenta ou o expressa, aquilo que, utilizando uma palavra mais ou menos redutora, chamaremos “a sexualidade”, outros preferirão “o élan vital”(Bergson), “a libido”(Freud) ou ainda, “a energia vital”, “força criadora”...
O assombro diante da sexualidade raramente é filosófico. As dificuldades de algumas funções e disfunções clamam por respostas mais pragmáticas e repelem todas as formas de especulação...
Uma abordagem menos trivial da sexualidade seria, então, impossível?

Psicólogos e sociólogos já responderam a diversas dessas questões, mas talvez ainda não tenham respondido ao nosso assombro fundamental, “de sermos um ser que deseja”. Se nos inclinarmos para o lado da teologia, nos assombraremos até mesmo diante do termo “da encarnação”; o Ser encarnado seria então um ser que deseja? Como se expressa esse desejo? Não apenas através das formas sublimes que conhecemos e que foram, algumas vezes, celebradas de maneira soberba pelas igrejas, mas, o que dizer da sexualidade do Cristo?

Para muitos essa questão não é mais da ordem do assombro, do maravilhamento, mas antes do estupor e para alguns, até mesmo da blasfêmia.
Por que?
Por que tais resistências, outrora e ainda hoje em dia? No entanto, a questão é importante, não apenas para melhor conhecermos o Cristo e para respeitá-lo em todas as dimensões de sua humanidade, mas também tendo em vista sua função “exemplar”, “arquetípica” e reveladora, para melhor conhecermos o ser humano na sua realidade sexuada, sendo esta considerada hoje em dia dimensão essencial de sua identidade e de seu advir (sua substância “e” sua falta), não apenas como lugar de transmissão da vida, mas como condição para nosso prazer ou para nosso desgosto pela vida.

Nossa abordagem permanece neste assombro, neste maravilhamento, ela não deseja ser nem polêmica, nem moralizante, nem dogmática, ela se questiona o mais honestamente possível acerca do realismo da encarnação, até aonde o Verbo se fez carne? Existem elementos da nossa humanidade que escapam à Sua luz e à Sua ternura?

Se o Amor encarnou-se na História e hoje em dia continua apenas pedindo para encarnar-se, como ele não o faria nas carnes que lhe são normalmente e naturalmente consagradas?
“Aquele que é carnal, o é até mesmo nas obras do espírito, aquele que é espiritual, o é até mesmo nas obras da carne” dizia Santo Agostinho.
Nós talvez tenhamos que redescobrir uma espiritualidade vivida dentro das obras do corpo e do quotidiano que respeitaria prioritariamente o Espírito d’Aquele que se fez homem e “inteiramente homem”, “a fim de que”, como dizem os Padres, “o homem se fizesse Deus”.

Porque, repetidas vezes, o Cristianismo nos apresentou a sexualidade como sendo algo aviltante, degradante, “mãe de todos os pecados” e raramente como algo divinizante, fonte da vida e da criatividade, participação à imagem e à semelhança do Deus Vivo e Criador.

Não deveríamos, assim hoje como ontem, ir procurar a sexualidade reduzida a seus apêndices nos sex-shop e outros locais obscuros, lá onde ela “enclausurou-se” e perdeu-se, e trazê-la de volta ao santuário que foi sua morada, seu “sacrum”, a câmara nupcial que é, de acordo com o Evangelho de Felipe, um templo aonde “oramos de verdade”?
O Cristo não veio salvar, curar e divinizar aquilo que estava perdido?

Não seria a vida sexual transfigurada, quer seja numa vida de casal ou em um celibato escolhido e assumido, a grande Aventura e Alquimia que devemos incessantemente descobrir e renovar? devolver a Deus um dos maiores dons que nos foram dados? e não pararmos de nos assombrar...

Editora Vozes, 2007


21 de julho de 2018

22 de Julho - Myrian de Magdala

Maria Madalena


Todas as incertezas a respeito de Maria Madalena deve-se à uma projeção totalmente alterada. Ela acabou presa entre as incongruências da interjeição moral cristã e a imagem arquetípica da natureza feminina erótica. 


Tudo que se sabe de Maria Madalena é retirado da bíblia ou de fontes apócrifas. A discussão a respeito dessa figura feminina que acompanhou Jesus e seus discípulos no final de sua vida pública perdura por séculos. Pouco se sabe na verdade


Para alguns, ela foi mulher de Jesus, a mais sábia dos apóstolos e a causadora das revoltas de Pedro, líder do grupo dos 12, que não suportava vê-la receber de Jesus ensinamentos ocultos. Para outros, apenas uma seguidora fiel que ajudava financeiramente a causa do Nazareno


Existem poucas citações diretas sobre ela nos quatro evangelhos, porém ela está nominalmente presente nas passagens mais marcantes na vida do Cristo, como a Paixão e a Ressurreição. Ela é a discípula que ama o mestre acima de tudo e é testemunha da Sua Ressurreição, sendo a portadora da Boa Nova. Por isso ela pode ser considerada a primeira apóstola. 


Marcos se refere a Maria Madalena como "aquela que Jesus havia tirado sete demônios" a referencia da expulsão de sete demônios (Marcos 16:9 / Lucas 8:2), que na linguagem evangélica significa libertar da totalidade do poder que aprisiona o homem. 
É a partir do que Jesus a transforma, um ser livre e preparada para servir e doar-se ao projeto de Deus, que devemos conhecer Maria Madalena. Nada mais interessa.Lucas fala de uma mulher que segue Jesus, e que "havia sido curada de espíritos malignos e enfermidades"; se chamava Maria, provinha de uma cidade de Magdala, e Jesus expulsou dela sete diabos. Imediatamente antes disto, Lucas relata a cena com o fariseu, quando uma mulher sem nome lavou os pés de Jesus com suas lágrimas, os secou com seus cabelos e logo o unge, em agradecimento ao perdão por parte de Jesus por seus pecados. 







A justaposição nos leva a acreditar que as duas mulheres se identificam em uma só. A mesma história aparece em Mateus e Marcos, mas a mulher sem nome não é tachada de pecadora e lhe foi dada muita importância ao colocá-la na última Ceia, em Betania. Não unge os pés de Jesus, mas sim sua cabeça, de modo mais cerimonial em que se unge os reis, durante a cerimônia de um sacrifício ritual. Ante a indignação dos discípulos, que argumentam que o azeite foi mal gasto, pois poderia ser vendido e dado aos pobres, Jesus pede que sua ação seja considerada como um ato de celebração, dizendo: " Porque os pobres tereis sempre convosco, porém a mim não me tereis sempre (Marcos). 




João, no entanto, acrescenta uma complicação a mais ao descrever a ressurreição de Lázaro, onde identifica de forma explícita a Maria de Betania com "a que ungiu ao Senhor com perfumes e lhe ungiu os pés com seus cabelos". João relata a cena no capítulo seguinte de forma muito similar aos outros Evangélicos, não tachando Maria como pecadora: "Então Maria, tomando uma libra de perfume de nardo puro, muito caro, ungiu os pés de Jesus e os secou com seus cabelos. E a casa se encheu do odor do perfume". Porém João não identifica em modo algum a Maria de Betania e a Maria Madalena. 



Há inúmeras outras citações e publicações sobre esta mulher importantíssima na vida do cristianismo primitivo. Sem dúvida Madalena foi muito mais do que quiseram nos fazer crer.







20 de julho de 2018

Dia dos Amigos


Um dia, entre tantos dedicados aos amigos.
Tempos estranhos este que vivemos, temos dia para quase tudo. Dia da mãe, do pai e dos avós. Dia da mulher, da criança e agora do homem. Dia da mulher negra, da mulher índia, dia do irmão e da irmã, dos tios, dia dos primos, dos namorados e namoradas, e também dia da amizade e do amigo. Acho que vamos acabar tendo que criar o dia do dia, já que dentre os 365 não sobrará um dia para ser dele mesmo. Mas o que será que esse mundo capitalista e tão pouco emotivo considera amigo. Fiquei me perguntando quem eram meus amigos e como definir entre tantas pessoas, quem são os que considero assim: amigos? Pensei nos parentes, alguns que me sinto próximo emocionalmente, mas que não vejo e não falo desde o último casamento ou enterro da família, mas são amigos. Pensei depois naqueles com quem falo diariamente, esses são amigos! Mas como, se alguns eu nunca olhei nos olhos e jamais troquei uma palavra fora do mundo não virtual, mas que são mais próximos, do que os mais próximos parentes próximos. Coisa curiosa é o mundo virtual pessoas que nunca olhei nos olhos, que não conheço o timbre da voz. Mas mesmo assim, são tão caras a meu coração, tão próximas que passaram a fazer parte da família. Não raras vezes em situação muito comuns nas comunidades virtuais, me apresso a tomar as dores deles quando algum infeliz comentário os atinge. Outras ocasiões fico preocupado quando algum deles está doente ou passando por um momento dificil. Não consigo e nem sei se quero entender, mas uma certeza eu tenho, não quero e nem gosto de pensar na hipótese de perder qualquer um de meus amigos, virtuais e não virtuais. Para mim a nossa amizade, se é virtual ou cara a cara, não faz mais diferença, todas são para o meu coração completamente reais. Acho que agora depois de raciocinar entendo: amigo é aquele a quem se considera amigo, não importa a distância real, nem mesmo que o contato seja só virtual, estão sempre próximos. Amigos são como irmãos que estão sempre juntos de alguma forma comungando ou não das mesmas ideias, mas sempre unindo seus corações quando a necessidade ou o momento determina cuidar, consolar ou se alegrar. Mesmo quando discordam e acreditam em ideias diferentes, ou quando o time de futebol é rival, tem uma fé antagônica ou a posição política assim um pouco diferente. O que importa mesmo é aquilo que vem do coração, já que como o profeta Milton já disse, ”Amigo, é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância, digam não...
Por isso hoje deixo aqui o meu abraço carinhoso a esses muitos amigos/irmãos tão diferentes entre si e tão iguais no sentimento e na presença deles em minha vida.
.

18 de julho de 2018

Jesus, Joshua, Raboni Joshua o Mestre


Penso que só passamos a ser realmente "humanos" depois da vinda de Jesus.
Ele veio trazer a possibilidade de uma etapa importante na evolução 
da espécie humana, desenvolver a emoção, 
abrir o "chacra cardíaco" da humanidade. 
Daí sua imagem tão popular com o coração aberto 
e sua mensagem de Amor incondicional.

Definitivamente Ele é um mestre.
Só Ele pode abrir para nós a capacidade de resolver conflitos 
sem uma espada ou um punho fechado.

"Amai-vos uns aos outros como Eu vos amo ".

Não importa se é filho de Deus, o próprio Deus, ou um ser especial. 
Na verdade, Ele é único, pena que tenhamos evoluído tão pouco desde sua vinda. Pena que tantos queiram aprisioná-lo em suas prisões-religiões, menores que Ele.  Por ele tanto já se matou e tantos se matam.

Uma incoerência com a missão que ele veio cumprir e  com o que pediu que fizéssemos depois de sua volta para o Pai.
Temos falhado muito neste aspecto, interpretamos errado seu pedido,
nos entrincheiramos em nossas pequenas verdades
 esquecemos que nada pode limitar o Amor,
nem mesmo rótulos poderosos ou pensamentos de maioria

"A maioria dos homens, fechados em seu corpo mortal
como caramujos em suas conchas,
enrolados como ouriços  nas suas obsessões,

modela sobre sí mesmo
a ideia do Deus bem-aventurado"
(Clemente de Alexandria 150-215 DC


Deus é sopro, pois o sopro do vento pertence a todos
Atravessa tudo, nada aprisiona,nada O oprime
nada O pode capturar
( Maximo Confessor 590-662 DC)

 O Reino de Deus está no meio de vós, foi o que Ele disse, e disse também que somos templo, morada do Espírito de Deus. 
Ele está em tudo e em todos os lugares. 

Jesus é meu irmão expresso em rostos como um Babalorixá, Padre,  Pastor,  Rabino,  Aiatolá,  Lama e tantos outros sacerdotes de tantos rótulos religiosos.
Ele é o trabalhador, o professor, o médico, a enfermeira, a cozinheira e também o aluno, o funcionário, o cliente e toda a diversidade de pessoas, profissões, nacionalidades.
Ele é, em tudo e em  todos...
É o humilde e também o poderoso. 
E é aquele mesmo que me aponta o revolver, que furta a carteira no ônibus, ou que se prostitui nas ruas.  É corrupto na política, e também o corruptor.
É o que abusa de um menor usando sua capa de sacerdote, e o menor abusado.
O que se preocupa mais com o dízimo do que com o amor dos irmãos, e também o fiel que paga o dízimo...
Mas é também o sacerdote honesto, o pastor piedoso o político consciencioso.
É aquele que empresta seu corpo para uma entidade fazer caridade ou é o que finge receber a entidade para tirar proveito da situação, ou simplesmente, o indivíduo honesto, pacato, sincero; a mulher dedicada, o marido, os filhos...É branco, negro aziático e indigena, é heterossexual, homossexual e trans...

É como já disse o Raulzito:  "o principio, o fim e o meio..."

Ele está no meio de nós, de Todos nós.

E prometeu estar presente sempre que pelo menos dois de nós 
nos reuníssemos em seu nome. E, todas as vezes
que fizermos qualquer coisa 
 a um de seus pequeninos,
é a Ele que estaremos fazendo.

Deu-nos um mandamente que se resume, segundo Ele,
toda Lei e toda a Profecia:

Amar como Ele nos ama. 



Que Ele nos traga a Paz inquieta, acalente nossos sonhos e esperanças
e nos torne operários construtores do seu reino de amor.

Parada para ouvir a voz interior


É preciso ouvir a sabedoria que vem de dentro e o momento é de silenciar e observar. 
Fora o que acontece no plano físico temos que considerar a grande batalha no plano espiritual. Atravessamos momentos muito difíceis. Além disso é preciso colocar em pratica o que se aprendeu com a física quântica e com a lei de Atração. Se ficarmos vibrando só reclamação e as coisas que estão erradas, vamos pouco a pouco nos enredando neste novelo negativo até estarmos totalmente sufocados. 
É preciso muita serenidade e atenção. Temos que plasmar internamente a mudança para que ela ocorra do lado de fora, 
É tempo de ação e não de reclamação. Pode parecer muito difícil, mas no momento é o que nos compete fazer.

15 de junho de 2018

Aborto uma encruzilhada entre o Absurdo e a Graça

Há toda uma questão que vem mexendo com as pessoas, com a regulamentação do Aborto em países da América Latina. Penso que é preciso acordarmos para que os estados são laicos e a pluralidade de crenças e escolhas de vida imensa. O que vejo como importante é encararmos o fato de que nós precisamos fortalecer o discurso inclusivo, a mudança de valores e a abertura para um maior conhecimento e valorização da vida. E isso não pode estar somente ligado aos ainda em gestação, mas a tudo que se refere a uma agressão a Vida, não só a intrauterina.


Sou contrário ao aborto, não tenho a menor dúvida quanto a isso, aliás será que alguém é a favor? Mas será que isso me dá o direito de impedir o livre arbítrio dos que não pensam como eu, dos que não professam as mesmas crenças que tenho? Aqui estamos falando de leis, de legislação de países com uma grande multiplicidade de crenças, comportamentos, ideologias e até da ausência de qualquer crença ou religiosidade. Para os que por convicções próprias não aceitam o aborto, a lei que o permite ou descriminaliza não fará diferença, ele continuará não sendo aceito e não praticado.



No Brasil e em boa parte dos países em desenvolvimento o aborto é uma questão de saúde pública, e pior, é algo que só prejudica as mulheres mais pobres.  As mulheres de poder aquisitivo mais alto sempre contaram com as clinicas clandestinas que cobram fortunas para fazer o aborto, que por ser proibido, acabam tendo como vantagem a maior discrição, fazendo com que ninguém fique sabendo. Por força da minha profissão recebo mulheres, muitas que na aparência são “religiosas”, e que já praticaram ás escondidas um ou mais de um aborto. Todas foram bem assistidas e acompanhadas e na maioria das vezes encaminhadas por suas famílias também “religiosas”. Já as mulheres do povo, que não tem a possibilidade de pagar uma destas clínicas, acabam por  optar pelos métodos mais absurdos, que vão de agulhas de tricô aos chás , quando não caem nas mãos de algum “aborteiro”  irresponsável que colocam em risco a vida dessas mulheres  que muitas vezes vão a óbito por ignorância e falta de acompanhamento adequado.
Na minha opinião a verdadeira luta   deveria passar por uma campanha de conscientização desde as escolas no que se refere a educação sexual, métodos de prevenção e contracepção e planejamento familiar. Foi-se o tempo em que se poderia ter 8, 10 ou mais filhos. Ninguém hoje pode ter essa quantidade de filhos e cria-los com dignidade. Só mesmo as famílias com muitos recursos, e que justamente são as que optam por um número limitado de crianças. O mundo mudou e já não são aceitos os discursos e pregações de sexo só para procriação, namoro santo, por parte de pessoas que não fazem parte destas comunidades religiosas. Entretanto falar em educação sexual e contracepção parece ser algo que os mesmos adeptos dos tais S.O.S Vida também combatem. Aliás essa questão destes setores tradicionalistas e do fundamentalismo religioso, que tanto barulho fazem contra a legislação do aborto, são justamente os que não aceitam os métodos contraceptivos a não ser o natural, que não funciona com a grande maioria dos casais. Vivemos em outros tempos, a erotização está por toda parte como um dos principais objetos do marketing, a sociedade de consumo não se furta a consumir todo tipo de pessoas.


Mas então, dizem alguns, se não puderem evitar, que deixem nascer e que sejam entregues a uma instituição. Sem querer discutir esse absurdo que é ter um filho e rejeitá-lo, vemos que estas crianças em sua maioria são condenadas a ficar nas instituições até a idade adulta, especialmente as que forem negras, rotuladas como feias ou os portadores de algum tipo de deficiência. 




          Casa Mello Matos para crianças - RJ

Mas podem ser adotadas, há muitos casais que não podem ter filhos é o que usam como argumento.
 A realidade é outra, a maioria dos casais querem escolher e fazer restrições e exigências quanto a criança a ser adotada. Cor da pele, de cabelo, de olhos, tipo de cabelo, aparecia em geral... Fora o fato de alguns casais que tratam essas crianças como mercadoria, e não exitam em devolvê-las aos orfanatos depois de um tempo com essas crianças e constatarem que não era essa “mercadoria” que queriam.  Isso sem falar que a grande maioria quer recém-nascidos o que condena os maiores de 5/6 anos de idade, considerados já velhos para a adoção.




E para além disso tudo, aquela criança, rejeitada antes de nascer e abandonada após o seu nascimento, ainda tem que contar com as exigências legais para a adoção, que em nosso país são muito complicadas. Temos ainda que somar a isso, a carga de preconceito que muitos têm contra as crianças adotadas e contra quem quer adotá-las.  Os mesmos religiosos contrários ao aborto e aos métodos contraceptivos são também contrários a adoção de crianças por pais homo afetivos.


                                Criança adotada depois que 90 casais a rejeitaram por suas deficiencias




Como se vê, a questão não é complexa, na verdade ela é simples, mas o que a torna complexa é o preconceito, o fundamentalismo e o fanatismo religioso, que parece não ter se acostumado com o fato de que não estamos mais na idade média quando a igreja era o centro de tudo.
Não vivemos em feudos, a legislação não pode ser para parte da população, há uma grande massa de pessoas em situação de extrema pobreza e miserabilidade, uma grande parcela destes é também privada de informação e cultura que lhe permita planejar sua vida, escolher o melhor momento da concepção, ou até mesmo evitar a concepção.




É fundamental que consigamos sair desta situação de ser contra somente os abortos de indivíduos em estágio intrauterino e passemos a ser contra todo tipo de aborto, o dos nascidos que não consegue chegar aos 5 anos de idade, o dos que passando pelos cinco anos morrem na adolescência por terem sido cooptados pelo tráfico e todo tipo de criminalidade como forma de sobrevivência e dos que adultos estão abortados de uma vida digna que lhes permita trabalhos moradia e alimentação dignas de qualquer ser humano


Do contrário é uma hipocrisia ser ferrenhamente contra o aborto dos não nascidos e omissos ao aborto dos que nasceram e se encontram abandonados total pela vida.