Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

7 de dezembro de 2017

Maria: a mãe da humanidade

Ela é Maria, de muitos nomes e apelidos, mas sempre a mesma Maria. Não importa o manto que use, se branco ou Azul. Nem faz diferença se é negra e a chamam de Aparecida ou branca conhecida como senhora de Nazaré. Se ela é de Fátima ou de Lourdes, ou de lugares outros pouco conhecidos.
Ela é sempre a mesma mãe, seja a mãe zelosa católica do Perpétuo Socorro ou a mãe das águas, ora salgadas reverenciada como Yemanja, Odô Yá !  Ou até mesmo as águas doces que correm nos riachos e cascatas pelo imenso Brasil cultuada como Oxum, Ora Yê Yê Ô!

 Ela sempre será a mãe, a que disse SIM, e se tornou referência nos momentos de dor. A figura que transmite a ternura, a doçura, mas que guarda em si a força e a autoridade de quem
 “... dispersa os soberbos; derruba os poderosos de seus tronos/e eleva os humildes;/ sacia de bens os famintos, / despede os ricos sem nada. ” (Magnificat – Lucas 1:52-53)
Como diz o grande cantor e compositor Altay Veloso:
Esta Maria é “ cheia de Raça...não teve de graça o que recebeu
Quando alguém é um rio que gera um oceano
Não há nenhum tirano que arranque o que é seu
Um ventre quando se transforma em um santuário é revolucionário a meu modo de ver
Ninguém vai do parto ao santo sudário sem saber porque
Tem que ter a luz da humildade/ Cumplicidade, amor e revelia
Ninguém se torna mãe da cristandade sem a santa ousadia ...” ( Altay Veloso, Estrela Luminosa in Alabê de Jeruzalém)

Ela é a Maria que nos adotou como filhos, nos fazendo irmãos de seu filho redentor. Ela tomou para si a tarefa de defensora de cada um dos humanos no tribunal da eternidade.



Que ela nos inspire sempre por sua força de permanecer de pé diante do sofrimento por ver covardia a que seu filho foi submetido.

“Divina mãe...estrela luminosa que perpetuou Belém
Guerreira mãe...nos dias de trevas nas ruas de Jerusalém...
Olhai por nós nas horas de tristezas, nos momentos de aflição

E derramai a poderosa força de vontade em nosso coração. ”  ( Altay Veloso, Estrela Luminosa in Alabê de Jeruzalém)

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18 de novembro de 2017

Uma Escola do Olhar

Uma Arte de Cuidar - O Estilo Alexandrino

Eis a importância da prática da transdisciplinaridade . Saber que há diferentes pontos de vista sobre uma mesma realidade. E que precisamos de todos eles para ver melhor.
Os Antigos Terapeutas [de Alexandria] buscavam despertar, em si, o que chamamos o olho do Querubim. O Querubim, na tradição antiga, é um estado de visão, representado como asas repletas de olhos. Essa imagem é encontrada em diversas culturas, particularmente na tradição da Etiópia, onde há querubins nos tetos das igrejas: olhos que nos olham.
Certa vez, quando adoeci na Etiópia, fiquei surpreso ao ver um médico me dar um pequeno rolinho e dizer: - Seu remédio. Ao desenrolar vi que havia nele asas com olhos. Tocou-me profundamente porque compreendi que tratava-se de colocar outro olhar sobre a doença.
Há a visão do médico, do psicólogo, dos amigos, mas há também o olhar do Anjo. Esse olhar que vê o que acontece segundo um outro ponto de vista, de outra profundidade e que contempla a nossa doença ou sintomas não somente como os olhos humanos são capazes. Então pode se abrir, talvez, uma outra interpretação sobre aquilo que nos ocorre.
Assim, convido-o a imaginar um olho, com facetas, como o de uma abelha. Como ele nos veria nesse momento? Não tem nada a ver com a nossa maneira habitual de olhar. Ou um cavalo – você já pensou em mirar alguém com o olhar de um cavalo? Aparecemos com uma forma completamente diferente. Trago essas imagens para nos lembrar que a visão do mundo que temos é ligada ao nosso instrumento de percepção e no olho de um cavalo ou de uma abelha há todo um outro mundo. A maneira de ver alguém pode mudar, segundo a qualidade do nosso olhar.
Então, a tarefa é despertar em nós essas diferentes facetas. Isso me faz pensar nas diferentes áreas do cérebro, nas diferentes capacidades de apreender o mundo.
Vou propor o olhar dos Antigos Terapeutas que possui sete olhos. Geralmente paramos no terceiro olho.

O primeiro olhar é o do ver – eu vejo.

O segundo é o olhar da ciência – eu observo, eu analiso. E´um olhar apoiado, aprofundado.

O terceiro olhar é o que pergunta – eu interrogo. O que é esse sintoma? O que ele manifesta? O quê? O que é?

O quarto olhar é o que se pergunta – eu me interrogo. Como é que eu vejo? E´o olho da filosofia metafísica. O que é o Ser? O que é o ser humano? Trata-se do como eu conheço. Esta é a filosofia de Kant , por exemplo, que se interroga sobre como a ciência é possível. Eu conheço muitas coisas, mas não apreendo o instrumento através do qual eu conheço as coisas. Para um Terapeuta há uma questão muito importante: Qual é o instrumento por meio do qual ele conhece o outro e interpreta sua doença? E´necessário purificar este instrumento e ver que, segundo o modo de percepção que adotamos, a realidade dos sintomas pode ser completamente diferente. Não somente interrogo o real, esse corpo que acompanho, mas também sobre minha maneira de conhece-lo.

O quinto olhar se abre para o sentido – eu acolho o sentido.
Por intermédio dos sintomas, dos sonhos, da fala, simplesmente acolho o sentido, antes de interpreta-lo.

O sexto olhar é o da interpretação – eu interpreto. Essa interpretação pode ser criadora. Após o exercício de todos esses olhos da observação, da análise, da interrogação, da escuta acolhedora, me torno capaz de interpretar e dar um sentido ao que a pessoa está vivendo.

O sétimo olhar é o que direciona e liberta – vá com sentido! Da mesma maneira que dizemos:- Vá com Deus! Poderíamos dizer: - Vá com sentido! Vá com a interpretação da sua doença, não apenas na sua dimensão mental; também com os meios de cura-la, de cuidar de você. Essa é a grande palavra dos Terapeutas: Vá em direção a você mesmo, eu estou com você! Esta foi a palavra de Deus dirigida a Abraão”

Uma Arte de Cuidar - O Estilo Alexandrino
 Jean Yves Leloup
(Para aprofundar consultar o livro de mesmo nome do autor)

3 de novembro de 2017

Jaconé



É aqui
Que cansado,
Ao fim da tarde, o sol
Descansa seus raios dourados
Nas ondas alegres deste mar.


E nesta hora, dizem,
Que o  mar apaixonado
Faz cafuné,
Nas brancas areias de Jaconé.

Revisitando lembranças...


Tempo de sonhos
Dos só - risos
Tempo criança,
De lembranças de lambanças...

Tempo de rua,
Portões abertos.
Momentos de alegria
Liberdade.
quando a vida fluía...
Tempo de espera
Sonho fantasiado,
Baionetas e sentinelas.
A vida aprisionada,
Para um adulto idealizado.
Ilusão do paraíso,
Muito riso e pouco sizo
Realidade de fumaça,
sem alicerces,
inconsistência sem juízo.

Desperto.
Acordado vivo o pesadelo:
Portões fechados,
crianças marginalizados,
adolescentes espancados,
Liberdades limitadas,
sorrisos encarcerados;
No saldo,
Só a teimosa esperança.


O que será do agora?

2 de novembro de 2017

Oração pelos ancestrais


GRATIDÃO, queridos pais, avós, e demais ancestrais por terem tecido o meu caminho!
Imensa gratidão pela imensidão dos seus sonhos que, de alguma forma, se tornaram, hoje, a minha realidade!
A partir deste ponto, e com muito Amor, levo LUZ à tristeza que houve nas gerações passadas.
Levo LUZ às raivas, às partidas prematuras aos nomes não recebidos, aos destinos trágicos, traumáticos.
Levo LUZ à flecha que cortou o caminho e tornou a caminhada mais fácil para nós. 
Levo LUZ à alegria, as histórias repetidas.
Levo LUZ ao não dito, às sombras, aos segredos de familia.
Levo LUZ às histórias de violência e ruptura entre casais, pais e filhos e entre irmãos!
Levo LUZ a todas as memórias de limitação, a todas as crenças destrutivas que permearam meu sistema familiar.



Aqui, agora, semeio nova esperança, união, prosperidade, que leve equilíbrio, alegria e FÉ!
Que sejam o PERDÃO e o AMOR os responsáveis por curar todos os enganos e reunir todos os que se acham separados!
Que sejam, agora, passado e futuro cobertos por um ARCO-IRIS de LUZ que cure e harmonize todos os relacionamentos!
Neste instante, que a FORÇA e a BENÇÃO de cada geração alcance a geração seguinte!
Que assim seja! E assim é!

PERDÃO, COMPAIXÃO, LIBERTAÇÃO, AMOR e LUZ 
a todos os nossos ancestrais!
( desconheço o autor)

26 de outubro de 2017

Será nova a onda tradicionalista na Igreja?


A foto do cardeal Burke que apareceu esta semana me levou a refletir e a ir longe...
Fiquei a imaginar que tipo de cristianismo chegou até nós. E isso me levou a pesquisar e a rever coisas escritas, procurar livros e anotações e um frio percorreu a espinha. Isso não é cristianismo. Mas que cristianismo chegou até nós? Muitas vezes, muitos de nós costumamos culpar Trento pelos absurdos. Mas O concílio na verdade não é o culpado. Os absurdos na igreja não começaram em 1545. É preciso assumir que muito antes do concílio de Trento, os Burkes da vida já eram figurinhas carimbadas na igreja com suas caudas, e esquisitices. Aliás se fossem só caudas até que não seria tão terrível. Mas o que falar das cruzadas, das mortes encomendadas, dos envenenamentos para obter poder, do assassinato de papas, reis, de amantes concubinas de bispos e toda sorte de apoios perversos a monarcas que mudavam de lado conforme mudava o vento do poder e dos tesouros. E as matanças em nome de Deus, a "Santa" Inquisição e a escravização do povo? O que pensar de toda aquela gente faminta, morrendo de peste e os prelados protegidos em seus priorados, monastérios e palácios. Peço que me perdoem, mas não consigo ver nenhum vestígio do jovem galileu nesta história.


Penso que na verdade os tradicionalistas sempre foram a igreja, o que é novo são os restauradores. Esses sim são o ponto fora da curva. Um Francisco de Assis entre outros poucos, que ousaram e quase pagaram com a vida, buscar o verdadeiro Jesus nesta instituição que desde que se aliou ao poder romano matou e substituiu por outro o verdadeiro e incômodo Joshua. Não é Burke, Lefebvre, João Clá, ou Plinio de Oliveira ou qualquer outro conservador, fundamentalista que estão fora da norma nesta igreja. São os Franciscos, o de Assis e o de Roma, e essa teimosia de atender o pedido de Jesus para restaurarem a sua igreja que são nota destoante nesta igreja que se perdeu do Cristo.


Será que alguém consegue imaginar um jovem cercado de gente da pior espécie para os padrões da sociedade cristã atual sendo levado a sério em uma pregação em uma praça qualquer de alguma cidade do mundo? Qualquer jovem malvestido que brada para o povo que passa qualquer um daqueles “ Ai de vós” que Jesus gritou aos quatro ventos, ou dizendo alto e bom som qualquer das bem-aventuranças? Seria tido como louco, drogado, embriagado, um vagabundo qualquer.  O livro dos Atos dos Apóstolos sempre me deixou com uma estranha sensação de que algo não bate, não encaixa. O livro “A Igreja Católica” do teólogo Hans Kung então me sacode as bases e os alicerces das minhas crenças. A história dos concílios, os livros de crônicas do período medieval, a Reforma Protestante e a Contra- reforma... Deus meu como estamos distantes... Diante disso a morte de João Paulo I, a renúncia de Bento XVI, os vários escândalos financeiros e sexuais nada mais são que repetição de algo que vem se repetindo ao longo destes quase dois mil anos.  Será que cabe falar em uma tradição? Em magistério da igreja? Qual tradição? A de Jesus e dos apóstolos, ou essa que manchou de sangue e vergonha os séculos em nome de um outro jesus? Qual magistério, o dos apóstolos, ou esse outro que inclui alguns papas que nem cristãos eram?
É muito triste, inclusive para mim que por um breve período de tempo tive o "Dom" como diretor espiritual e com o concílio vivi a esperança da mudança que deu origem ao surgimento de verdadeiros santos como o Ir Marcelo, o Leonardo Boff,  frei Beto e D Paulo e Ir Pedro Casaldáliga, e muitos outros além dos atuais como o amigo Cesar Kuzma. É triste constatar que eles na verdade são a exceção. São os perseguidos e cassados como Jon Sobrino, Leonardo Boff, e até assassinados como D. Romero, Pe. Burnier, Pe. Herrique Pereira Neto e o próprio João Paulo I. Esses lutadores, esses verdadeiros guardiões do verdadeiro cristianismo não tem lugar nesta igreja, que sobreviveu anunciando um Cristo que nada tem a ver com o verdadeiro, que não segue os seus ensinamentos. É essa igreja, a mesma que Francisco está tentando colocar nos trilhos, tal como o outro xará seu, de Assis, tentou mas não conseguiu, porque foi traído por seus iguais e sufocado pelo peso de uma igreja imperial, de uma igreja comprometida com o luxo e com a defesa dos poderosos. Espero que o nosso Francisco não morra de desgosto como o outro que não conseguiu fazer valer a regra que queria para sua ordem mendicante.
Sei que muita gente vai me achar, para variar, herege, mas já não tenho ilusões e nem certezas quanto ao que chegou até nós da verdadeira tradição dos primeiros tempos.
 Sei que vivemos tempos em que tudo parece desmoronar e isso me dá uma sensação boa, a de que é possível que Francisco de Roma consiga a restauração da instituição que Francisco de Assis não conseguiu.
Por hora me contento em tentar ser como aquelas primeiras comunidades, que se reuniam para ouvir a palavra, partiam o pão nas casas, e tentavam fazer do amor a sua maior lei, sendo que este último tópico confesso ainda é muito difícil de cumprir.


História dos 21 Concílios da Igreja – de Niceia ao Vaticano II Christopher M. Bellito Edições Loyola
A Igreja Católica – Hans Kung – Objetiva
História do Cristianismo- Paul Johnson- Imago

20 de outubro de 2017

Flores


Não sei se ainda há tempo,
Com tanto asfalto,
E tanto cimento.
Não sei se ainda vale a pena,
Lembrar e falar de pensamentos.
Com tantos letreiros luminosos
E caminhos tão escuros.
O que fazer
Se ainda existem pássaros
que insistem em voar?
Uma espingarda?
E o que dizer de flores,
Que resolutas, insistem em crescer?
Uma tesoura?
Loucura?
Insanidade santa,
Bendita seja,
Esta esquizofrenia aprendiz
Que insiste em acreditar
Que apesar da escuridão,
Possa eu ainda ver uma luz
e acreditar no poeta de Itabira,
saudoso Drummond,
que afirma ter visto,
uma flor nascer no asfalto.
( J Ricardo A. Oliveira)

19 de outubro de 2017

Quando o comportamento de certos prelados nos angustiam



Escrevendo para uma amiga no facebook, eu disse a ela que eu já tinha ficado muito angustiado, mas uma luz brotou no meu coração e comecei a ver com outros olhose com outro entendimento toda essa situação.
Somos eternos, dois milênios nos separam de Jesus, por mais que os Constantinos paganizem a mensagem do mestre, e uma malta de maus papas tenham desviado o caminho traçado por Jesus e os apóstolos, sempre haverá um Francisco de Assis sendo enviado pelo espírito Santo para reconstruir a eclésia e retomar a construção do Reino que parecia perdida entre as pompas, o luxo e a luxuria dos maus clerigos. E mesmo mais de mil anos passados quando depois de um papado desatroso e um papado mais próximo do fundamentalismo como foi Bento, que revogou as excomunhões de Lefebrvistas, o Espirito Santo mais uma vez nos surpreende nos mandando outro Francisco, o Francisco do fim do mundo, Latinoamericano, o Francisco de Roma.
Tudo isso acabou por suavisar minha angústia. As portas do inferno não prevalecerão sobre a minha igreja diz a escritura. Os tempos são cinzentos,não há dúvida, há sim muitas nuvens no céu e por muitas vezes é muito desanimador. 
De minha parte sinto tanta ou mais angústia como a que sentia naqueles anos de chumbo.
Mas é preciso seguir, como profeticamente o Vantré nos fez cantar naquela noite inesquecivel, naquele Maracanazinho lotado. Vamos novamente "caminhando , cantando e seguindo a canção". Os poetas são sábios e nos ensinam que "é preciso cantar, mais que nunca é preciso cantar", porque de minha parte, "a sorrir, eu pretendo levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida". Eu quase consigo ouvir outra vez a Nara Leão cantado: Finda a tempestade, o Sol Nascerá...

17 de outubro de 2017

Diaconisas

                                                      Febe a diacosnisa do novo testamento
Eu fico realmente curioso com a capacidade para fazer distorções que foram feitas e articuladas ao longo dos anos e que distorceram até as escrituras.
É curioso que de maneira desonesta, e se orgulham de rechaçar tudo o que não é “canônico”, falam dos apócrifos como se fossem escrituras do próprio demônio, mas se aproveitam dele para contar a história de Maria já que não se encontra nos evangelhos oficiais os vários fatos da ascendência e vida de Maria instrutora e primeira discípula do mestre.
Fica difícil negar as evidências bíblicas sobre as diaconisas, dizendo que seu fundamento não está na Bíblia, mas em autores consagrados.
Mas não seria Febe uma diaconisa?
Ou estaria a Bíblia Ave Maria errada?
Ou será que o erro é de Paulo autor da carta aos Romanos ?
E não me venham com uma destas desculpas esfarrapadas, que ao longo dos tempos, o magistério da igreja tem dado e que não convencem nem mais às crianças.
Atentem que no Segundo Testamento Grego, está registrado que “diakonos”, em Rm 16,1, é substantivo, acusativo, feminino, singular.
Se o texto em Romanos não for suficiente temos como alternativa o texto em 1Timóteo que coloco em duas versões na Bíblia Ferreira de Almeida e na Ave Maria:
Em Timóteo, temos uma série orientações acerca do diácono:
I Tim. 3.9
Os diáconos igualmente devem ser dignos, homens de palavra, não amigos de muito vinho nem de lucros desonestos. 9-Devem apegar-se ao mistério da fé com a consciência limpa. 10-"Devem ser primeiramente experimentados; depois, se não houver nada contra eles, que atuem como diáconos."[u]11-As mulheres igualmente sejam dignas, não caluniadoras, mas sóbrias e confiáveis em tudo[/u].12-O diácono deve ser marido de uma só mulher e governar bem seus filhos e sua própria casa. ( Biblia Ferreira se Almeida)
I Tim. 3.9
Do mesmo modo, os diáconos sejam honestos, não de duas atitudes nem propensos ao excesso da bebida e ao espírito de lucro; 9.que guardem o mistério da fé numa consciência pura. 10.Antes de poderem exercer o seu ministério, sejam provados para que se tenha certeza de que são irrepreensíveis.[u] 11.As mulheres também sejam honestas, não difamadoras, mas sóbrias e fiéis em tudo.[/u] 12.Os diáconos não sejam casados senão uma vez, e saibam governar os filhos e a casa. 13.E os que desempenharem bem este ministério, alcançarão honrosa posição e grande confiança na fé, em Jesus Cristo.( Bíblia Ave Maia)
A tudo isso devemos levar em consideração que nesta época a realidade do cristianismo era bem diversa da de nossos dias. Ainda não havia ocorrido a rendição à Roma, e nem mesmo existiam os sacerdotes ordenados como os conhecemos hoje, fruto da assimilação e inculturação com as religiões pagãs de Roma, uma vez que dois eram os entendimentos naquela época:
Ou todos os batizados eram tidos como sacerdotes, ou de que só havia um único sacerdote verdadeiro o Cristo.
Aliás, isso era o grande diferencial do caminho instituído por Jesus para a construção do Reino. Eram os pagãos que valorizavam os sacerdotes entre o homem e os deuses. Eram os sacerdotes que se incumbiam de aplacar a ira dos deuses. Para os cristãos que tinham um único e verdadeiro Deus e que Jesus revelou ser um abah, paizinho amoroso, não havia ira a ser acalmada e muito menos a necessidade de intermediário entre o pai amoroso e seus filhinhos.
"A idéia de "ordem" não tem origem bíblica. Tem origem política.
"Ordenação (ordinatio) era o termo técnico empregado no império romano para designar a nomeação de um funcionário imperial. Hoje se diz que a pessoa foi "nomeada" para um cargo. Naquela época se dizia que foi "ordenada".
Desde que Constantino transformou a Igreja num braço religioso do império romano, no século IV, os bispos, sacerdotes e diáconos passaram a fazer parte da hierarquia dos funcionários do império, com o direito de ostentarem títulos (como "pontífice" para o Papa) e vestes (como o pálio e a estola) que realçavam sua dignidade imperial. Mas o termo "hierarquia" só passou a ser aplicado à estrutura da Igreja a partir do século V. Introduzido por Dionísio Areopagita, como adequado a uma instituição que copiava seu modelo de Estado absolutista com sua pirâmide de poder.
O termo evangélico(bíblico) adequado aos ministérios estruturados na Igreja é "Diaconia" que significa "serviço".
(Sacramento da Ordem, A comunidade de Fé, pag. 126, Editora Ática - autor: Frei Betto)
O Conclio de Calcedônia, em 451, proibiu as "ordenações absolutas", sem relação a uma comunidade eclesial. Entenderam os bispos reunidos no concílio que é validamente ministro da Igreja quem for chamado e aceito por uma comunidade. Portanto, a ordenção incluia, naquele tempo, não só a imposição das mãos do bispo, mas também a inserção numa comunidade eclesial. E o padre que ficasse sem comunidade ficava também sem ministério na Igreja. Isso durou até o século XII. Portanto, durante mais de dez séculos, o "ser" do sacerdote esteve vinculado ao "fazer".
Não se concebia o sacerdócio como algo em si mesmo, como algo desligado do serviço a uma comunidade. Inclusive o quarto Concílio de Toledo, em 633, determinou que os bispos, padres e diáconos que haviam sido destituídos de suas funções por alguma falta grave, só poderiam retomá-las mediante nova ordenação.
Foi durante o século XII e XIII que se elaborou a teologia do sacramento da ordem. Era um momento em que a Igreja já não estava mais organizada em comunidades e sim em territórios feudais. A divisão geográfica passou a predominar sobre a dimensão comunitária.
(Sacramento da Ordem, Comunidade de Fé, pag. 127, ed. Ática, autor: Frei Betto)
...No terceiro Concílio de Latrão, em 1179, aceita-se que um sacerdote sem comunidade possa continuar no exercício de seu ministério desde que o bispo assuma seu sustento.
Da concepção de ministério como serviço à comunidade passou-se a idéia de um funcionário de culto mantido pelo bispo ou pela sua diocese.
E o quarto Concílio de Latrão, em 1215, declarou que a eucaristia só pode ser celebrada por um sacerdote devidamente ordenado - o que veio a reduzir a função do sacerdote à celebração eucarística, ainda que não esteja vinculado a uma comunidade ou mantenha um estilo de vida aparentemente pouco evangélico.
Ministérios e Carismas no Novo Testamento (NT)
(...) No NT são chamados "ministros" ou "diáconos" aqueles que exercem uma função de serviço a comunidade cristã. Função concedida pela própria comunidade ou por seu responsável (At 1, 17.25; 6,4;Rm11,13; 12,7; 1Cor 3,5; 12,5; 2Cor 4,1; 2Tm 4,5) É o caso dos "Bispos"  vigilantes), que presidem a comunidade; dos "presbíteros"( = anciãos) ou sacerdotes, e dos "diáconos"  servidores), que se dedicam especialmente aos cuidados dos pobres (At 6, 1-7)
(Sacramento da Ordem, Comunidade de Fé, pag. 128 - ed.Ática - autor: Frei Betto)
Essas mulheres maravilhosas e seus ministérios
É muito triste que se observe esse tipo de mentalidade misógina ainda hoje quando o mundo já deu tantas voltas.
Na décadade 80 eu estive numa comunidade uma certa vez e quem celebrou a ceia foi exatamente uma mulher, ela era a mais velha do grupo e por isso sua experiência falava mais alto. Ela é a parteira, é a conselheira, a rezadeira e porque não, a presbítera ?
Voltei com a alma lavada e agradecido a Deus por esta surpresa. Na verdade eu fui convidado para conhecer esse grupo e para vez por outra, estar com eles em suas reuniões e celebrações.
Eles são um grupo independente composto por alguns católicos, espíritas e dois ex evangélicos. Reúnem-se para discutir suas necessidades, estudar a palavra e celebrar uma ceia.
Cantam rezam e se alegram na partilha da palavra e da vida.
Eu não sabia que uma mulher liderava o grupo e pude ver de perto o quanto ela é cheia do Espirito Santo e com que autoridade ela proclama as coisas de Deus e os orienta em suas necessidades. Quanta sabedoria, quanto conhecimento numa mulher de uns 60 ou 70 anos presumidos e não mais de um metro e meio de altura.
Que Deus seja louvado, porque onde o Espírito santo atua verdadeiramente as hierarquias humanas não são capazes de impedir a que ele sopre e conduza o seu povo.
(J.Ricardo A Oliveira)

16 de outubro de 2017

Geraldo Magela, o doidinho de Deus

Geraldo era alguém muito interessante. Um jovem teimoso e insistente.
Era fraco e doente e ninguém o queria. Mas ele insistia e diante da negativa das ordens religiosos em aceita-lo partiu para o inusitado, resolveu perseguir pelo caminho os redentoristas até que eles não tiveram como não aceita-lo. Mas mesmo assim foi enviado para a ordem com um bilhete que lhe qualificava como um jovem fraco, doente e  inútil.
Ele não se importava. Dizia que queria ser santo. Aliás, foi isso que escreveu no bilhete que deixou em casa quando fugiu para ir atrás dos redentoristas: “Vou ser santo”.


Aprontou todas para atender aos pobres e excluídos, e fazia isso com a autoridade de quem era intimo da madona e do menino. Afinal era com ele que na sua infância ele brincava, e era sempre ela, a madona, que o presenteava com o pãozinho de farinha branca, que em casa ninguém compreendia onde ele tinha conseguido. Eram muito pobres, esses luxos naquela época eram coisa de quem tinha muitos recursos. E ele com naturalidade dizia que fora a Madona, a mãe de seu amigo, que lhe havia presenteado. Chegou a causar  suspeitas em sua mãe... Mas esse era Geraldo, que na necessidade se fazia de alfaiate para sustentar a família, sem nunca compreender como ele conseguia tal proeza sem nunca ter aprendido o oficio. Mas fazia muito mais, não sabia negar comida a quem pedia e como porteiro esvaziava a dispensa  para que nenhum pobre sentisse fome... Isso quase lhe causava castigos, mas sempre era socorrido por seu amigo e pela madona que sem que ele soubesse providenciavam tudo para que nada faltasse.
Geraldo nunca se ordenou, foi sempre um irmão na ordem e causava espanto por seus hábitos estranhos, tais como dormir no chão sob o altar, dizendo que não queria se afastar de seu grande amigo. Outras vezes conversava e convencia assaltantes a não lhe roubar e a se converter. São tantas as histórias. Talvez por isso seja um santo com tantos devotos, especialmente entre os necessitados e os perseguidos.

Ele era o doidinho de Deus, era assim que o chamavam, o louquinho que nos convida a ir além das etiquetas e dos padrões para fazer a vontade daquele seu particular amigo, Jesus, que para ele era o prisioneiro do sacrário... posso dizer que foi ele que me apresentou a esse modo de se referir a Jesus: "O prisoneiro do altar", "o prisioneiro do sacrário".
 Que Geraldo nos inspire com sua vida completamente incomum, toda ela dedicada ao amor aos “pequeninos” de Jesus.