Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

12 de agosto de 2017

Há muitas sombras no horizonte


Estamos começando a viver tempos difícies. Algums declarações absurdas parece que fazem eco em pessoas invigilantes. A psicosfera começa a ficar muito densa e já há que esteja desenvolvendo pânico e com isso somando energia às "foras pensamento" de vibração deletérias.
Já há muito tempo alguns autores vêm falando deste momento em que os paradigmas iriam mudar e ao que tudo indica não será uma mudança harmônica e suave.

As velhas respostas não servem mais para as novas perguntas. As velhas práticas já não resolvem os novos desafios. A violência parece que se espalha mundo a fora, rumores de guerra, a mentira parece ter assumido o comando apelidada de pós-verdade, já há quem fale de “Egoísmo absoluto” como coisa salutar. Agora volta-se a falar em “supremacia branca” e entre nós a Lei de Gerson e a Razão Cínica parecem ser a tônica.  Muitos de nós meio que estupefatos acabamos por entrar na mesma vibração de desespero e pânico. Ficamos reverberando, maldizendo e criticando quando devemos atentar que as velhas formas já não vão resolver. Não é de hoje que autores vêm nos brindando com inúmeras lições que nos servem na medida para estes tempos. É hora de colocar preconceitos de lado e nos preparar para ser LUZ no meio das trevas que se avizinham.
Em 1901, na Índia um livro já falava em “formas pensamento” e sua capacidade destrutiva. Pois bem a nova física vem demonstrando exatamente como podemos neutralizar esta influencias que nos fazem tão mal e que são produzidas por nós próprios. Autores como os físicos Frijof Cappra e Amit Goswami podem nos ajudar a entender e a como proceder neste tempo difícil que vamos enfrentar.


Tempo em que será imprescindível vibrar muita Luz, amor e Paz, para desfazer essas "formas pensamento" que a todo momento são potencializadas com o terrível estado de coisas que vivemos. Vamos ter que ser fortes na manutenção de uma vibração forte. Não podemos dar passagem para o desespero que vai aos poucos tomando a maior parte da população. Acho que chegou a hora de realmente começarmos a realizar a missão para a qual encarnamos nesta época e para a qual temos nos preparado todo este tempo.
Temos que ser Luz nas trevas que se avizinham.

11 de agosto de 2017

A dificil arte da convivência

Eu realmente gostaria de entender o que está acontecendo no mundo. 
Parece que  num repente todo mundo perdeu o senso de medida e passou a achar que pode dizer e fazer o que bem entende para além do respeito e da caridade para com o próximo. De postagens na rede social à nova treta com a  composição do Chico as metralhadoras estão sempre à postos. E lá vem pedras...tenho a impressão que alguma coisa destravou a censura e o ego inflado passou a dominar.  Em conjunto com o “caboclo reclamador” a intolerância vem também crescendo a olhos vistos. O pior é que muitos não percebem que se comportam exatamente da forma que criticam. A capacidade de raciocínio parece que se tornou inversamente proporcional à capacidade de ouvir e interpretar os fatos.
 Desta forma, que ninguém se assuste que alguém defenda veementemente a criminalização do aborto por ele ser contra a VIDA e, essa mesma pessoa afirmar que: ”bandido bom é bandido morto” ou que ela defenda a pena de morte como solução para a diminuição da criminalidade. Além disso parece que vivemos na era dos preconceitos.  Tenho me perguntado quando foi que perdemos a capacidade de nos relacionar com o que é diferente. Porque é tão difícil aceitar hoje a individualidade e a pluralidade. Porque não nos damos conta de nossa rigidez quando criticamos tanto a dos outros.
Tenho pensado muito que o mundo não é pasteurizado, há uma pluralidade de cores de sons de nuances. Um cristal apresenta faces que revelam aspectos diferentes de uma mesma realidade. Porque mesmo tendo preferência por um lado eu não posso tolerar, e aceitar que outros possam ter preferências diferentes.
Sinto que estamos nos aproximando de uma encruzilhada muito difícil de ser ultrapassada e que só conseguiremos atravessá-la se formos capazes de ir além das divergências e juntos, de mãos dadas, nos ajudemos mutuamente. Caso contrário será o fim, a destruição, o extermínio.


São tempos difíceis que amar passou a ser piegas. Consumir é a palavra de ordem, quando o que nos salvará será justamente o seu oposto, o comungar, ou seja, a capacidade de se fazer um com o outro, a capacidade de saborear a presença ou preservar as individualidades na relação em comum.
É preciso resgatar sorrisos, promover encontros  de amizade semear amor e colher compaixão.
O projeto humano é  bonito demais para se perder pelos caminhos do egoísmo e da violência barata, frutos da ganância e da sede de poder.



"The Little Church" do filme Irmão sol Irmã Lua







Se você quiser que o seu sonho se realize
Faça seu tempo, ir devagar
Faça algumas coisas, mas faça-as bem
trabalho Sincero cresce abundantemente
Se você quer viver uma vida livre
Faça seu tempo, ir devagar
Faça algumas coisas, mas faça-as bem
trabalho Sincero cresce abundantemente

Dia após dia, pedra por pedra
Construa o seu segredo lentamente
Dia após dia, você vai crescer muito
Você perceberá a glória de Deus

Se você quer viver uma vida livre
Faça seu tempo, ir devagar
Se você quiser que o seu sonho se realize
Faça seu tempo, ir devagar
Se você quiser que o seu sonho de ser
Faça seu tempo, ir devagar
Se você quer viver a vida livre


10 de agosto de 2017

Salve Santa Clara de Assis a companheira de Francisco


                              Santa Clara de Assis  16/6/1194 - 11/8/1253

Segundo a tradição, o seu nome vem de uma inspiração dada à sua religiosa mãe, de que haveria de ter uma filha que iluminaria o mundo.
Pertencia a uma família e era dotada de grande beleza. Destacou-se desde cedo  aos pequenos, tanto que, ao deparar-se com a pobreza evangélica vivida por Francisco foi tomada pela irresistível tendência religiosa de segui-lo.
Clara a despeito do que muitos dizem era apaixonada por Francisco e ele por ela, é uma pena que a realidade do relacionamento deles tenha ficado sepultada pelos preconceitos puritanos que acham que a santidade está acima das característica básicas do ser humano.



Ouvi, pobrezinhas, pelo Senhor chamadas,
que de muitas partes e províncias fostes congregadas:
vivei sempre na verdade, para morrerdes na obediência.
Não olheis a vida de fora, porque a do espírito é melhor.
Eu vos rogo com grande amor,
que tenhais discrição nas esmolas que vos dá o Senhor.
As que estão por doença agravadas
e as outras que por elas estão fatigadas,
umas e outras suportai-o em paz,
pois havereis de vender bem caro essa fadiga,
porque cada uma ser rainha
no céu coroada com a Virgem
 Maria.

Este cântico foi composto por São Francisco, já à beira da morte, para as Irmãs clarissas de São Damião entre 1225 e 1226.

7 de agosto de 2017

Perplexidade



Em muitos anos de vida sinto uma estranha sensação. Percebo que a cada dia as certezas diminuem, e as dúvidas se avolumam. Sempre gostei daquela frase que diz: quando acho que tenho todas as respostas, vem a vida e me mostra uma infinidade de novas perguntas. 
É mais do que isso, a sensação é de não ter mais chão, de que o projeto humano está por um fio muito tênue, prestes a se romper...
Nâo é depressão, não é pessimismo, o termo que melhor define é perplexidade.
Quando vejo  a mentira ser utilizada para enganar as pessoas de forma sórdida, e ainda ser apelidade de pós verdades. Quando vejo que valores éticos  parece se  desfazer em meio a um mar de corrupção onde justiça se confunde com levar vantagens. Quando vejo  atiradores entrando em templos, escolas, cinemas e matando sem a menor cerimônia... Quando constato uma quantidade de réus em um processo onde as dúvidas sobre a idoneidade dos acusados não são maiores do que as que pairam sobre os acusadores e pior sobre aqueles que deveriam ser isentos para julgar...Quando leio que na instituição igreja católica eminências pardas que possibilitam lavagem de dinheiro, investimentos em armas de morte se colocam de forma covarde contra um papa que veio restaurar os ensinamentos do mestre Jesus... Quando vejo pastores distorcendo a Bíblia em busca do próprio enriquecimento, e gente de todos os tipos de manifestação religiosa e espiritual mais preocupadas com o aspecto material, eu sinto uma estranha sensação de não saber onde estou e para onde quero ir.
Só o que me resta são dúvidas, e no meio delas uma única certeza de que o que quer que eu ainda acredite, está dentro de mim, bem lá no fundo do meu coração. E é para essa "coisa" que não ouso nomear, porque tenho medo que também me seja roubada, é para essa realidade que me aquece e ainda ilumina os meus pensamentos e a minha consciência que eu rezo todos os dias...
"O reino de Deus está no meio de vós" foi o que Ele disse...

1 de agosto de 2017

Coisas do progresso



Hoje pela manhã, ao me aproximar da esquina, notei um grupo de moradores em acalorada conversa.  Alguns reconheci como vizinhos e ao parar para atravessar pude ouvir parte da conversa.  Confabulavam sobre a expulsão de alguém, falavam do barulho e do incomodo, e de que não era possível conviver com esse absurdo. Já pensando tratar-se de algum morador incômodo, desses que ao ouvirem música, não se contentam de ouvir sozinhos, e insistem que todos ouçam suas preferencias musicais compulsoriamente, ou de alguém que na calada da noite causa  intermináveis “DRs” ou discussões outras com a participação silenciosa de toda a vizinhança. Decobri que qual nada, logo verifiquei que se tratava de um canto.
Pensei: seria algum cantor lírico a ensaiar nas madrugadas, ou quem sabe os sabiás  já estariam precocemente começando a anunciar a primavera, como já aconteceu há alguns anos atrás e causou tanta revolta em gente desacostumada a ouvir os pássaros. Não, era sim uma ave, um Galo cantor!
Tenho que Confessar que já o tinha ouvido no silencio da madrugada. Não nego que senti um certo saudosismo de minha infância e adolescência quando eram comuns na vizinhança e até no quintal de meus avós os galinheiros. Mas com o progresso que a tudo corrompe e destrói com a desculpa de melhorar a vida da população, os tornou cada vez mais raros e um canto de galo em plena manhã é, pelo menos para mim um alento de que a natureza ainda não desistiu de nós, apesar do tanto que a temos maltratado.
Então era esse o motivo da revolta e do complô. Era preciso expulsar o galo! Certamente ele estava distraindo a atenção e perturbardo quem já se acostumou com os gritos de socorro na madrugada, ou com os tiros seguidos de correria, ou quem sabe, com as descargas barulhentas (será que acham barulhentas?)  
dos automóveis dos frequentadores dos bares. Talvez prefiram as rizadas e o falatório dos frequentadores dos bares animados pelo elevado estado etílico...


 
Andando pela rua em direção ao trabalho fiquei pensando em como nos afastamos da natureza e de como hoje não nos reconhecemos como parte dela. Será que alguém se dá conta de que este afastamento está na base de tantas doenças e da maior e mais frequente delas a depressão?
Não ! Galos são coisa de gente pobre, a menos que estejam maquiados e disfarçados em bandejinhas nas geladeiras de supermercados. Estes já não podem cantar nem incomodar nossas neuroses cotidianas.
Veio a minha mente a alegria, a felicidade que ainda hoje sinto quando ouço em meio a madrugada, quando em viagens pelo interior, os sons da natureza, o cantar dos galos, o piar dos pássaros noturnos...
E por falar em saudosismo lembrei do saudoso Belchior:

“Quando eu não tinha o olhar lacrimoso,

Que hoje eu trago e tenho
....................................................................
Eu era alegre como um rio, 
Um bicho, um bando de pardais
Como um galo, quando havia, 
Quando havia galos, noites e quintais
Mas veio o tempo negro e, à força, fez comigo, 
O mal que a força sempre faz
Não sou feliz, mas não sou mudo, 
Hoje eu canto muito mais”

.

Santo Afonso Maria de Ligorio



Santo Afonso Maria de Ligório 
nasceu em Marianella, no Reino de Nápoles, no dia 27 de Setembro de 1696. De rara inteligência, recebeu em 1712 o doutorado em direito civil e canônico. Não lhe faltaram temperamento e dons artísticos: poeta, músico, arquiteto, pintor.
Era o primogênito de uma família bastante numerosa, pertencente à nobreza napolitana. Recebeu uma esmerada educação em ciências humanas, línguas clássicas e modernas, pintura e música. Compôs um Dueto da Paixão, como também o cântico de Natal mais popular da Itália, Tu Scendi dalle Stelle, e numerosos outros hinos. Terminou os estudos universitários alcançando o doutorado nos direitos civil e canônico e começou a exercer a profissão de advogado. No ano 1723, depois de um longo processo de discernimento, abandonou a carreira jurídica e, não obstante a forte oposição do pai, começou os estudos eclesiásticos.
Desde jovem Afonso dedica um carinho especial aos pobres. Participa de diversas confrarias, cuja finalidade era dar assistência aos necessitados. Ajuda, por exemplo:
- Os condenados à morte: Afonso inscreve-se na numa associação de voluntários que conforta na fé os condenados à morte, acompanha-os até o local da execução e faz os funerais.
- Os doentes incuráveis: Afonso pertenceu à Confraria dos Doutores, visitava e cuidava dos doentes do hospital conhecido como hospital dos incuráveis.
- Os "lazzaroni": cerca de trinta mil, vivendo e perambulando pelas ruas e dependendo da caridade alheia. Será seu grupo preferido em Nápoles. Para eles cria chamadas “capelas vespertinas”, uma das grandes iniciativas pastorais de seu século.

 

Evangelização os pobres

Um novo grupo de evangelizadores dos abandonados? - Para quê? Nápoles já tinha tantas congregações. Afonso também fizera para si mesmo todas essas perguntas. Mas havia os que ninguém abraçava, porque eram pobres, grosseiros, que só entendiam de cabras. Os cabreiros. Gente que não dava retorno algum. Só incômodo, despesas e sacrifício. Por isso, viviam abandonados. E o grupo dos congregados do Santíssimo Redentor era para eles.
Uma característica do grupo: não morar fora e longe dos abandonados . As residências do grupo não serão em Nápoles, mas o mais próximo possível dos pobres. Assim o grupo poderá girar mais facilmente entre eles e eles poderão participar mais da vida dos missionários. Irão às suas Igrejas, reunir-se-ão em suas casas para os exercícios espirituais... Não apenas pregam missões: a comunidade, a casa, tudo é missão e missão contínua. Assim os redentoristas, como serão chamados mais tarde, continuam Jesus Redentor que armou sua tenda no meio de nós.Sinal de contradição Afonso foi sinal de contradição. Em primeiro lugar, para a Igreja da época, que deixava no abandono os pobres dos campos.
Diante de uma mentalidade rigorista, que punha a lei e o pecado em primeiro lugar, Afonso apresenta o amor e a misericórdia. Deus nos ama: eis o anúncio predileto de toda a vida de Afonso.
. Afonso convida a uma resposta de amor: diante do amor tão grande de Deus, nós somos levados a amá-lo também.
O amor misericordioso de Deus revela-se de modo especial no sacramento da Reconciliação. Esse sacramento será marcante em sua vida. É o homem da escuta aberta, amiga, amorosa. O homem da reconciliação.
Ele dizia que o confessor deve ser "rico de amor e suave como o mel".
Foi ordenado presbítero a 21 de dezembro de 1726, aos 30 anos. Viveu seus primeiros anos de presbiterado com os sem-teto e os jovens marginalizados de Nápoles. Fundou as "Capelas da Tarde", que eram centros dirigidos pelos próprios jovens para a oração, proclamação da Palavra de Deus, atividades sociais, educação e vida comunitária. Na época da sua morte, havia 72 dessas capelas com mais de 10 mil participantes ativos.
No dia 9 de novembro de 1732, Afonso fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, popularmente conhecida como Redentorista, para seguir o exemplo de Jesus Cristo anunciando a Boa Nova aos pobres e aos mais abandonados. Daí em diante, dedicou-se inteiramente a esta nova missão. Afonso escreveu diversas obras importantes para a Igreja sobre espiritualidade e teologia 111 obras, que tiveram 21.500 edições e foram traduzidas em 72 línguas. Mas, sua maior contribuição para a Igreja foi na área da reflexão teológica moral, com a sua Teologia Moral. Esta obra nasceu da experiência pastoral de Afonso, da sua habilidade em responder às questões práticas apresentadas pelos fiéis e do seu contato com os problemas do dia-a-dia. Combateu o estéril legalismo que estava sufocando a teologia e rejeitou o rigorismo estrito do seu tempo, produto da elite poderosa.
Em 1762, aos 66 anos foi ordenado bispo de Santa Ágata dos Godos.
No dia 1º de agosto de 1787, morreu entre os seus no Convento de Pagani.
Foi canonizado em 1831 pelo Papa Gregório XVI e declarado Doutor da Igreja (1871) e Padroeiro dos Moralistas e Confessores (1950).

28 de julho de 2017

Palavras da Fonte

Jean Yves leloup 

Sobre a frase “tudo o que não é assumido não é salvo”, frequentemente me perguntam se Jesus assumiu a paternidade, se assumiu o envelhecimento. Respondo que Ele assumiu todas as faces do ser humano. A face do homem transfigurado no Monte Thabor e também a face do homem desfigurado na cruz.
Mas será que Ele assumiu a face da paternidade? O que os evangelhos nos contam é que Ele era muito paternal e  muito maternal para com as crianças. Usava frequentemente a imagem da criança que mama em sua mãe, que para Ele era uma imagem de não-dualidade, onde dois fazem um. Os discípulos talvez pensem que é preciso que regridamos, que é preciso que nos tornemos criancinhas, que é preciso que retornemos à unidade indiferenciada, à unidade fusional da criança com sua mãe. Jesus precisa bem que não se trata disso. Não se trata de regredir, de voltar à infância tornando-se criancinhas, vivendo como criancinhas como fazem estes adultos que imitam as crianças e que não são crianças, são infantis. Trata-se de reencontrar a qualidade da inocência e, sobretudo, da confiança na vida, confiança nos viventes que compartilham nossa vida. Mas esta confiança precisa ser reconquistada e, então, é preciso fazer de dois, um.
Não se deve retornar ao um, mas sim assumir o dois, assumir a dualidade que acabamos de falar, indo além do dois, além do Tu e do Eu. É preciso descobrir o terceiro incluído que nos une, o terceiro incluído secretamente, para falar como os físicos. Trata-se de fazer do dois, um; isso começa com a unidade entre o exterior e o interior. O que está no interior do cântaro está também no exterior, é o mesmo espaço. Descobrir isso é um ato de consciência.
Devemos também fazer um do alto e do baixo; mas onde começa o alto e onde termina o baixo? Para uns o alto começa na cabeça, para outros no tornozelo. Como diz Lao-Tsé, o alto e o baixo se tocam, então não é preciso colocar em oposição o céu e a terra. O céu não está somente acima das nossas cabeças, ele é também o espaço que nos envolve. A terra está no céu, o céu está na terra.
Como diz ainda Lao-Tsé: “O céu está voltado para a terra e a terra está voltada para o céu”. Os dois são inseparáveis mas algumas vezes opomos o céu e a terra dentro de nós. Então é preciso reencontrar a aliança entre a matéria e o espírito, entre o céu e a terra. Outra aliança que deve viver em nós é a aliança entre o masculino e o feminino. Este texto que tem quase 20 séculos é estranhamente atual, pois cada vez mais, em conferencias e seminários, fala-se da integração entre o feminino e o masculino, entre a anima e o animus.
Para podermos encontrar o outro, um outro inteiro, é preciso que já tenhamos realizado em nós mesmos a unidade entre o masculino e o feminino. Não se trata de procurar a outra metade, mas trata-se de procurar o outro, inteiro. Há muitos encontros de metades, mas há poucos encontros de seres inteiros. Procurar sua outra metade é sempre se procurar a si mesmo, é procurar a metade que nos falta, a metade masculina ou a metade feminina. Ocorre que, quando tivermos vivido algum tempo com esta metade que veio de fora e graças a esta metade exterior integramos a nossa metade interior, poderemos nos perguntar o que faremos com essa que nos ajudou em nossa integração. Isso pode se transformar em um drama. Em um drama ou no momento em que verdadeiramente escolhemos. Porque eu não escolho mais para preencher a minha falta. Eu escolho por ele mesmo, pela sua diferença. O que era um casal transforma-se em uma aliança de dois seres inteiros onde existe algo divino. O encontro entre a Sofia e o Logos, entre Yeshoua de Nazaré e Miriam de Magdala é o encontro entre dois seres inteiros...
Podemos dizer a alguém: “Não tenho mais necessidade de você, posso viver muito bem sem você, estou muito bem sozinho (é uma bela declaração de amor), mas escolhi viver com você.” Não falamos mais na ordem da necessidade, mas estamos na ordem do desejo. Não falamos da falta, mas da liberdade compartilhada. Nessa aliança existe algo de sagrado.
Jesus nos lembra no evangelho que somos capazes de amar um outro não somente a partir da nossa sede mas a partir da nossa fonte. Neste momento importante de nossa vida paramos de pedir ao outro, de exigir, que ele preencha nossa sede, que ele preencha a nossa falta e podemos realmente amá-lo. Agora, o masculino não é apenas um macho, o feminino não é apenas uma fêmea. As relações entre homem e mulher n ao são mais as relações entre macho e fêmea com todos os jogos mais ou menos sadomasoquistas de sedução e de dominação. Agora, estamos na relação entre duas pessoas.

Editora Vozes, 2000

20 de julho de 2017

20 de julho – Um dia, entre tantos dedicados aos amigos.







 
Tempos estranhos este que vivemos, temos dia para quase tudo. Dia da mãe, do pai e dos avós. Dia da mulher, da criança e agora do homem. Dia da mulher negra, da mulher índia, dia do irmão e da irmã, dos tios, dia dos primos, dos namorados e namoradas, e também dia da amizade e do amigo. Acho que vamos acabar tendo que criar o dia do dia já que dentre os 365 não sobrará um dia para ser dele mesmo.
Mas o que será que esse mundo capitalista e tão pouco emotivo considera amigo. Fiquei me perguntando quem eram meus amigos e como definir entre tantas pessoas, quem são os que considero assim, amigos? Pensei nos parentes, alguns que me sinto próximo emocionalmente, mas que não vejo e não falo desde o último casamento ou enterro da família, mas são amigos.
Pensei depois naqueles com quem falo diariamente, esses são amigos! Mas como, se alguns eu nunca olhei nos olhos e jamais troquei uma palavra fora do mundo não virtual, mas que são mais próximos, do que os mais próximos parentes próximos.
Coisa curiosa é o mundo virtual pessoas que nunca olhei nos olhos, que não conheço o timbre da voz. Mas mesmo assim, são tão caras a meu coração, tão próximas que passaram a fazer parte da família. Não raras vezes em situação muito comuns, tomo as dores deles quando algum infeliz comentário os atinge. Não consigo e nem sei se quero entender, mas uma certeza eu tenho, não quero e nem gosto de pensar na hipótese de perder qualquer um de meus amigos, virtuais e não virtuais. Para mim a nossa amizade, se é virtual ou cara a cara, não faz mais diferença, todas são para o meu coração completamente reais.
Acho que agora de pois de raciocinar entendo: amigo é aquele a quem se considera amigo, não importa a distância real, nem mesmo que o contato seja só virtual, estão sempre próximos. Amigos são como irmãos que estão sempre juntos de alguma forma comungando ou não das mesmas ideias, mas sempre unindo seus corações quando a necessidade ou o momento determina cuidar, consolar ou se alegrar. Mesmo quando discordam e acreditam em ideias diferentes, ou quando o time de futebol é rival, tem uma fé antagônica ou a posição política assim um pouco diferente. O que importa mesmo é aquilo que vem do coração, já que como o profeta Milton já disse, ”Amigo, é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância, digam não...
Por isso hoje deixo aqui o meu abraço carinhoso a esses muitos amigos/irmãos tão diferentes entre si e tão iguais no sentimento e na presença deles em minha vida.

13 de julho de 2017

Diante do Mar...


De frente para o mar reflito e constato que já deveríamos saber que os poderosos sempre levam, aparentemente a melhor. Os sinais, saltam aos nossos olhos e estão nas nossas caras há 2000 anos. Não são necessárias provas quando a vontade dos poderosos se faz presente. Nenhum interesse é maior ou superior do que aquele que emana da elite que domina. Poder que emana do povo só mesmo nos livros e quando a elite quer fazer o povo pensar que detém poder.
Eu posso entender claramente quando o jovem galileu disse que o reino d’Ele não é desse mundo, e não é. Consigo entender o porquê as igrejas cristãs se aliaram ao poder, na verdade elas não estão preocupadas como aquilo que Jesus propôs, elas constroem religiões, dogmas, crenças e doutrinas baseadas na materialidade de forma a anestesiar e domesticar o povo. Ele, o mestre galileu, sabia que tinha vindo trazer a espada, mas a espada não faz parte da sua proposta de Reino e sim da religião obrigatória, e oficial de um império. O amor e a misericórdia estão além de julgamentos, das excomunhões, das guerras, das proibições e dos anátemas.
No mundo onde o galileu reina, o amor é a lei, e não há disputas pelo amor, ele dá-se de bom grado e ninguém pretende dominá-lo ou ter poder sobre ele. Qualquer tentativa de encarcerar amor, ele se extingue.
Olhando o mar e o movimento das ondas percebo que o amor é como este movimento, nada pode detê-lo e é incessante.
Outra coisa que aprendi olhando o mar é que não a limites para a extensão do amor, uma vez que se abra espaço ele invade e preenche todo o espaço.
Por isso ganho nesse pensar a possibilidade de poder comparar saberes, crenças e informações as mais diversas, das mais diversas culturas, povos e tradições que se baseiem no princípio fundador, o amor.
O mundo real é muito mais vasto do que nós e do que os momentos que estamos atravessando, há variadas faces do prisma a serem vistas e interpretadas.
A história nos dá pistas sabias para que possamos entendê-la: Os algozes sempre morrem, geralmente são esquecidos ou lembrados com reservas, as vítimas além de imortais geralmente são eternamente lembradas e veneradas.
O mar também me diz que o segredo para entender a vida está bem ao nosso alcance, em uma instancia que convencionou-se chamar de consciência e que os místicos chamam de "a voz de Deus ". Ela pode ser acessada por todos os que aceitarem se desnudar da arrogância de seu Ego. Ela me diz agora, de frente para o mar, que simbolicamente representa o inconsciente em sua vastidão, que não podemos nos deixar dominar pelo medo ou pela ansiedade de querer controlar os acontecimentos. Muito menos podemos nos deixar levar por impulsos impensados. É preciso usar e abusar da terapêutica da água na boca para deter as palavras mal ditas. Qualquer palavra além do permissível acirra os ânimos e contribui para o desamor e pode comprometer o projeto maior. Não podemos esquecer que "O amor é a lei". É preciso não pretender buscar os holofotes e as glórias que este mundo tanto valorizam.
É mais que necessário alçar voo para ver melhor a realidade e quanto mais alto melhor, quanto mais alto mais superficiais se tornam o tempo e o espaço e é possível ver com olhos de eternidade.
Voemos então.
Sem que nos deixemos abater no voo, sem nos permitir a influência do passageiro, sem que os ventos dos humores nos tirem do curso traçado. O projeto é nada menos que
"O Reino". Esqueçam os dogmas, as doutrinas,e as condenações, todas elas, só o AMOR importa.
É tempo e hora de ver o que é real e está por traz daquilo que nossos limitados olhos conseguem perceber.
Sinto muito, Me perdoe, Sou grato, Eu vos amo!