Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

Seja Bem vindo (a)!

Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de algumas outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

27 de abril de 2018

Sobre encaixotar pessoas, soluções absurdas para o sitema carcerário no Brasil




O texto  da reportagem  “encaixotando gente" ( 
http://justificando.cartacapital.com.br/2018/04/25/encaixotando-gente/), suscita em mim várias vertentes de raciocínio e vários caminhos para análise. Não quero adentrar por análises acadêmicas, prefiro fazer uma análise mais solta e pessoal. 
Inicialmente quero dizer que não sou Psicanalista. Embora tenha estudado a teoria de Freud no início da minha carreira, logo percebi que não me adequava a ela e segui por outros caminhos que me levaram a uma visão existencial/humanista, que resultou em um interesse pela Gestalt Terapia do discípulo dissidente de Freud, Fritz Perls, que mais tarde foi trocada pela visão de outro dissidente – C. G. Jung e que veio desaguar na minha última e mais recente formação, há 9 anos atrás, a Psicologia Transpessoal. Digo isso para que você não tome minhas considerações como as de um psicanalista, que na verdade não sou.

Preciso começar invocando um grande psicólogo, outro ex- psicanalista, que aplicou os princípios da psicologia da Gestalt no desenvolvimento da “pesquisa-ação”, tentando com ela dar conta de dois problemas levantados pela sociedade em sua época: os problemas sociais e a necessidade de pesquisa. Considerado o pai da Psicologia Social, sua teoria vai nos interessar por tratar das questões relativas ao “Campo Psicológico” e o “Espaço Vital”.
Segundo Lewin condutas são o resultado da interação entre as pessoas e o ambiente
Criador da “Teoria de Campo”, dentre outras, colocou a atenção nas interações dos grupos com o ambiente
Determinou duas condições básicas para sua teoria de campo.
A primeira, determina que o comportamento é deduzido de uma totalidade de fatos coexistentes.
A segunda é que estes fatos coexistentes têm o caráter de um “campo dinâmico”, e que (holisticamente) o estado de cada uma das partes do campo, depende de todas as outras.
Um campo, na física, é uma zona do espaço onde existem propriedades representadas por magnitudes físicas (temperaturas, forças, etc). Ele utilizou o conceito físico de “campo de forças” (Lewin, 1988) em sua teoria de campo para explicar os fatores ambientais que influenciam o comportamento humano.
O espaço vital ou Campo Psicológico de Forças vem a ser o ambiente que engloba a pessoa e sua percepção da realidade próxima. Resulta disto que o espaço é subjetivo, próprio, que guarda a forma como o mundo é olhado, incluindo as nossas aspirações, possibilidades, medos, experiências e expectativas. Ressalte-se que este “campo” é limitado especialmente pelas características físicas e sociais do ambiente.
O foco da teoria de campo de Kurt Lewin permite o estudo de nosso comportamento em uma perspectiva de totalidade, sem a limitação de uma análise das partes separadas.
A influência do campo psicológico sobre o comportamento é tal que Lewin chega a determinar: as mudanças no campo, determinarão mudanças no comportamento.
Para ele, a psicologia não deve focar o estudo da pessoa e do ambiente como peças a serem analisadas de forma separada, e sim ver o modo como elas interagem e se afetam entre si, em tempo real. Lewin afirma que a teoria do campo determina quais são os comportamentos possíveis e quais os impossíveis de cada sujeito. Para ele o conhecimento do espaço vital nos permite predizer razoavelmente o que a pessoa fará.


Expus tudo isso para que se possa entender que manter pessoas “encaixotadas”afetará de forma drástica seu espaço vital. Especialmente nos moldes do pretendido pelo projeto de construção de caixas de concreto com 14.5 metros quadrados para ser habitada por 12 pessoas, o que resultará em um espaço de pouco mais de 1 metro quadrado para cada pessoa.
Esta será uma condição em que os espaços vitais ficarão como que emaranhados e isso acabará por determinar sérios transtornos psicológicos.
Recordo aqui também  um experimento muito conhecido nos estudos de psicologia experimental e  de Etologia, feito com ratos em uma gaiola. Sabidamente ratos tem uma alta taxa de reprodução e quando a população aumenta e o espaço físico começa a ser diminuído para cada habitante da gaiola, inicia-se um conflito e uma verdadeira guerra entre os habitantes da gaiola, que certamente levará a óbito uma boa quantidade de habitantes.


T
udo isso nos leva a questionar quais os motivos pelos quais pretende-se encarcerar pessoas.
Qual a intenção? Queremos reabilitar ou punir?
O que se observa hoje no Brasil é que certamente não há nenhuma intenção de reabilitar os detentos para que estes retornem ao convívio na sociedade sem que voltem a cometer delitos.
Se assim não fosse não estaríamos proporcionando condições tão inumanas de encarceramento e proporcionando na verdade uma possibilidade de aperfeiçoamento das técnicas de delito com os outros companheiros de prisão.
Esta proposta de módulos/caixotes vem, na minha maneira de ver, piorar ainda mais as condições dos presos. Alguém submetido a estas condições de “encaixotamento“não terá nenhuma motivação que não seja sair dali e se vingar da sociedade que o trata desta forma.
 Temos aí então um conjunto de forças que se retroalimentam: o ódio da sociedade em punir o infrator, alimenta o ódio do infrator pela sociedade que o coloca naquelas condições, e vice-versa.

O Brasil vive hoje uma crise de valores sem precedente onde o ódio parece dominar o comportamento de boa parte da população. Os valores estão muito abalados e confusos.
Temos pessoas que incensam práticas de tortura e de exceção. Uma verdadeira guerra entre opostos, seja entre torcedores de times rivais ou admiradores de partidos políticos antagônicos. Vivemos em uma sociedade dividida, que tal qual um adolescente não se conforma com derrotas, distorce argumentos, burla leis e só vê o erro no outro. Não há, na maioria das vezes, autocrítica. O que é percebido no outro como erro é, em si próprio, visto como esperteza natural.
A recente onda de escândalos ligados à corrupção, leva a uma situação em que o conjunto da sociedade, tenha perdido a confiança nas leis e busquem muitas vezes, o caminho da delinquência, achando que conseguirão escapar com algum “jeitinho” tipicamente brasileiro, da punição. 
Um sistema que não investe em educação, não dá oportunidade de ascensão social e mantém as camadas mais humildes em uma situação de vulnerabilidade econômica, acaba por incentivar a criminalidade. Os crimes geram revolta naqueles que sofreram na pele os delitos, fato  que vai gerar um clima de ódio e mais desejo de vingança. Temos então aí o caldo de cultura para a violência estamos assistindo cotidianamente nos noticiários.

Lamentavelmente estamos reféns desta situação, o desemprego em níveis alarmantes, a educação sucateada, o ódio crescendo, a criminalidade se expandido, as prisões superlotadas, e os governos tentando apagar o fogo com querosene. Qualquer solução para esta situação só será possível a médio/longo prazo se houver investimentos em educação e geração de empregos. Do contrário não haverá caixotes suficientes para encarcerar os delinquidos por este sistema perverso que temos hoje.

Artigo publicado na Revista Pazes em 27 de abril de 2018
https://www.facebook.com/pg/revistapazes/posts/?ref=page_internal

25 de abril de 2018

25 de abril de 1974, o fim de um pesadelo em Portugal


25 de abril de 1974 - a senha foi dada:
 “Grândola, Vila Morena”, 
a musica proíbida pela ditadura salazarista 
e que se tornou o hino 
da resistência ao governo fascista. 


Celeste Caeiro em plena revolução, entusiasmada, 
se recusou a ir para casa e ofereceu um cravo a um soldado 
e os cravos se espalharam e a liberdade raiou no horizonte.


Portugal começou a ser o que é hoje, um paraíso, 
por ter se tornado um pais de governo SOCIALISTA
com justiça e igualdade para todos.

12 de abril de 2018

Mas que Jesus será este ?



É lamentável constatar que boa parte do ódio instilado nas redes sociais provém de alguns padres e bispos e seus rebanhos revoltosos que vivem de atacar a igreja progressista, mas não só. Atacam politicos e toda e qualquer coisa que eles rotulem como "de esquerda".

Pelo comportamento que manifestam dão a impressão de que desconhecem a história daquele a quem dizem seguir, que claramente era favoravel ao que eles chamam de heresia comunista/socialista.
E pior que tudo, seguem paradoxalmente um candidato que porpõe a tortura e a pena de morte, como se o Deus que eles dizem venerar e adorar não tivesse sido torturado e condenado a pena de morte.
Agem livremente em suas igrejas e até em radios oficiais da arquidiocese o que nos leva a crer que estão protegidos por seus Arcebispos, que desta forma demonstram seguir por uma linha oposta ao que vem determinando o papa Francisco.

Não reconheço esse cristianismo desse um outro Jesus rancoroso e dispensador de palavras de ódio e condenações á morte.
O meu Jesus disse que veio para que TODOS tenham VIDA e foi claro em afirmar que TODA a Lei e TODA a profecia se resumia em AMAR COMO ELE AMOU.

9 de abril de 2018

Se voce se diz cristão como pode... ?

O texto básico eu escrevi há dois anos atrás, mas hoje, tendo em vista alguns acontecimentos que voltaram a acontecer depois da prisão do presidente Lula eu me vi tentado a rever o texto e tornar a publicá-lo.


É um texto longo, um textão como se diz , mas é bem representativo do que penso e do que tenho tentado ser.
Muita gente vem me perguntando como posso defender um criminoso, um homem condenado já em segunda instancia.  Me perguntam se eu sou petista, se sou de esquerda.
Embora os xingamentos sejam, invariáveis: “petralha”, “esquerdopata”, “comunista” a realidade é bem outra. Meu posicionamento é político sim, mas não necessariamente partidário. Esse meu posicionamento político está atrelado à minha espiritualidade.
Sou cristão, sigo as ideias de um preso político, condenado injustamente, fruto de delação paga pelos poderosos do seu tempo, se chamava Yeshua, filho de José, um carpinteiro e de Maria.
Vivia na miserável Nazaré da Galileia, de onde diziam, não podia vir algo que prestasse.

Além dele um outro fora da lei, expulso pela sociedade da sua época e acusado de desvirtuar jovens da sua cidade, também fez minha cabeça. Era um jovem sonhador que revolucionou seu tempo, seu nome Francisco. Passou para a história como Francisco de Assis.

Mas há outros... Muitos outros. Há também o jovem advogado que lá pelos anos mil setecentos e alguma coisa, enojado com a corrupção dos poderosos nos tribunais,( já naquela época...) largou a profissão e resolveu se dedicar aos “invisíveis” de sua cidade, os “cabreiros”, evangelizar àqueles que nem a igreja se preocupava, os “sem nada” era seu propósito. Afonso fundou uma congregação para cuidar dos excluídos, foi muito incompreendido pela igreja de sua época.

Há também um outro, tido como “doido”, que distribuía a comida do convento aos pobres, um seguidor, por acaso, de Afonso. Nenhuma ordem religiosa da época o queria, dado que era franzino e desajeitado, e uma vez que ninguém queria aquele traste imprestável, depois de insistentemente perseguir os padres, foi mandado com um bilhete que o qualificava justamente assim; no entanto seu exemplo de amor e dedicação aos menos favorecidos santificou Geraldo, o doidinho de Deus.

Mas há tantos outros tipos esquisitos, tanta gente que não admitia viver a “normose” dos perfeitos. Desde os tempos remotos do início do cristianismo, homens e mulheres, Pedro, Madalena, João Crisóstomo, Antonio, Casaldáliga, Santos Dias, Penido Bournier, Ezequiel, Doroty,  Herrique, Józimo... já perdi a conta dessa gente que por um ideal de amor, por seguir o revolucionário de Nazaré, não se cala e vai à luta em defesa daqueles que não tem vez que na maioria das vezes lhes foi calada a voz.



Por isso a radicalidade aqui é outra, algo mais intenso do que o comunismo ou o socialismo.  A preocupação não é dividir igualmente, é atender às necessidades. Não é distribuir igualitariamente, mas não sobrar a uns o que falta a muitos. A motivação é o Amor e a Compaixão.

Somos radicais sim, nosso Mestre nos ensinou a não julgar, a não atirar pedras a não ser que fossemos mais puros do que a quem estivéssemos acusando. Nos alertou que primeiro tirássemos a trave do nosso olho antes de falar do cisco do olho do próximo. São tantos os ensinamentos, tantos os exemplos. Ele nos alertou que devíamos sempre confiar, nunca duvidar, a não nos preocupar com a aparência porque a natureza estava a nossa frente para nos ensinar que as aves não tecem, não fiam mas nem Salomão o poderoso rei de Israel, teve vestimentas tão belas e perfeitas como elas. Ele não condenou a Samaritana e seus CINCO casamentos e se deu em comunhão a ela com sua presença amorosa e ainda lhe disse que não eram precisos templos para adorar o Seu/nosso Pai.

Fico imaginando a cara dos fariseus ao ouvi-lo contar que diante do pobre caído, nem o sacerdote, muito menos o Levita e sim o Samaritano, o impuro, aquele que era execrado pelos judeus, foi o único a dar o testemunho de amor e que ele sim era o exemplo de amor ao próximo a ser seguido.
 
São muitos os exemplos, muitas as alusões a não seguir cordeiramente o que a religião oficial impunha aos seus irmãos de fé judaica.
E o que dizer da cura do servo preferido do Centurião Romano, o escravo a quem o centurião tanto amava?  Não há em toda a extensão do evangelho nenhuma menção ou condenação a qualquer atividade de diferenças de gênero ou de preferência sexual.
A única preocupação de Yeshua era o AMOR. Sua única lei, AMAR como ele amou.

Por isso não me tome por aquilo que não sou. Não confunda um cristão com um comunista porque o cristianismo é anterior e provavelmente o inspirador e influenciador das ideologias comunistas e socialistas.  Entenda que para um cristão alguém que promove e cuida dos que estão completamente abandonados e desassistidos é digno de respeito e admiração, mesmo que seja iletrado, pouco educado, rude. Exatamente como os pescadores onde o mestre dos mestres foi buscar seus seguidores. Ele não quis príncipes, quis gente do povo, gente excluída como o cobrador de impostos e os pescadores como Pedro, André, Tiago...
Ele teve a ousadia de dizer que os ladrões e as prostitutas precederiam os doutores da Lei no paraíso!
E como isso soa hoje quando vemos os purpurados em suas vestes reluzentes, seus anéis com pedrarias, seus “palácios episcopais?
Jesus !
Mas que Jesus é esse?
Que Jesus é este que nos empurraram que ao invés de amor espalha dor, medo e culpa?
Esse não é o filho do operário da Galileia, não é aquele que caminha rodeado de mulheres e de gente do povo, que não respeita muitas das absurdas leis e ainda se propõe a reformá-las. Esse outo é um Jesus feito a imagem daqueles que tal como os doutores da Lei da época querem subjugar os pequeninos.
O Deus da minha fé é alguém que eu aprendi que é um pai amoroso, que não é parcial, ciumento e muito menos exigente e vingativo. Ele está no meio de nós e quer ser adorado em Pneuma e Alethéia, em espirito e verdade, no sopro e na atenção.

Ele está presente em cada uma de suas criaturas.
Ele é o Jesus da Cruz, e o Jesus do túmulo vazio.
É o Jesus que desafia as leis dos poderosos e é o Jesus que pede ao Pai que afaste dele o cálice do sofrimento.
É o Jesus que pergunta porque foi abandonado e o que intercede pelos que o estão matando.
Ele é tão divino que quis se revelar humano e tão especialmente humano que se tornou Deus.
A minha fidelidade a este Deus-homem, não me permite não acolher e não defender a quem busca melhorar a vida de quem sofre de fome e de exclusão. Não me permite não me indignar com uma sociedade que vive o oposto daquilo que Ele propôs como caminho para alcançar o Seu reino.
Eu jamais posso esquecer que aquele a quem eu reverencio como Deus foi um preso político, condenado à pena de morte. Visto por aqueles que deram, ouvidos aos poderosos manipuladores, como um bandido e optaram por seguir a sugestão do mal de que “bandido bom é bandido morto”.
E O mataram! Mas Ele venceu a morte e segue adiante de nós indicando esse caminho que imperfeitamente, acabei de descrever. O caminho que Ele prometeu que nos levará à casa do Pai.

Por isso, quando eu fecho os meus olhos, e me recolho nos aposentos reais, lá, no mais íntimo do meu coração, em pneuma e alethéia, eu posso dizer:
Pai e mãe que estais aqui, no meu mais íntimo,
santificado seja o teu nome.
Venha até mim o teu reino de amor, Paz e compaixão.
Que eu revele a tua vontade antes da minha e que eu a honre, aqui e em todo o universo.
O pão do meu sustento tanto físico como espiritual me permita ganhar honestamente no dia a dia. Sê compassivo e misericordioso para com os meus erros e tropeços, assim como eu estou me esforçando para conseguir ser para com o meu próximo.
Me ajude a recusar os convites para me desviar do caminho da caridade, da humildade, da compaixão e da misericórdia
E livra-me dos caminhos tortuosos de aparência sedutora, mas que me afastarão da tua Presença. Ensina-me a mais comungar e menos consumir.
Porque só em Tí se encontra o AMOR, o poder e a glória, hoje e sempre.
Amém!
Shalom Adonai !

4 de abril de 2018

Tempos de absurdo completamente sem graça...



Demorei para entender, mas estou, uma vez que entendi, me convencendo e começando a me conformar. Somos minoria, não temos armas nem exército. Eles tem as armas, o exército, o poder e os poderosos do lado deles. Quando digo que somos minoria alguém poderia me dizer: e os 54 milhões de votos? E os votos do Lula nas pesquisas. E eu respondo, no Brasil temos que cair na realidade de que os 54 milhões são em sua maioria de pessoas de quem foi tirado todo o poder, que até pouco tempo era uma parcela significativa composta de miseráveis e que estão voltando ao estado de miséria outra vez. Não temos a mídia e muito menos recursos para desmascarar as mentiras e artimanhas dos pastores, magistrados e ruralistas. Somos um exército de Brancaleone que usa como arma utopia. Ficamos repetindo argumentos nas redes sociais e reverberando as notícias internacionais como se isso fosse fazer alguma diferença.
No Brasil o que parece não é, sempre foi assim. Ou vocês acham que a independência foi para valer, ou só mudamos de dono? Que a escravidão acabou, ou só tiraram o ônus do sustento dos escravos das costas dos senhores? Que somos uma república, ou o império agora é ocupado por imperadores do mercado ?
É tempo de acordar do sonho e descobrir que o pesadelo é a vida real, especialmente para quem ou é negro, ou pobre ou branco como eu que sendo filho de operário ousou cruzar a linha da pobreza e ter como se sustentar minimamente, mesmo que isso não represente nenhuma independência e sim uma eterna escravidão ao trabalho mal remunerado e ao sistema financeiro.
O pior é que cresce em mim a sensação de que deste pesadelo só se acorda na morte.

Desculpem o pessimismo, mas parafraseando o meu poeta preferido: ”... o tempo não chegou de completa justiça. O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera. O tempo pobre, o poeta pobre / fundem-se no mesmo impasse. ”(CDA)

Que Deus nos ampare.

1 de abril de 2018

Páscoa- Passagem


Este ano numa maravilhosa coincidência a Páscoa/ Pêssach judaica, a `Páscoa da Ressureição e o festival da lua cheia de Aires coincidiram exatamente.
Certamente isso deve ter algum significado, que não ouso por total incompetência tentar justificar ou explicar. Mas acho interessante rever esses acontecimentos, a passagem pelo mar vermelho na libertação do povo Judeu do cativeiro no Egito, A pascoa Cristã que é a passagem da morte para a vida, através da ressureição do judeu Jesus e o festival do Cristo vivente ressuscitado considerado o grande instrutor da humanidade e guia da hierarquia espiritual.
o povo Judeu relembra com rituais e orações a libertação do cativeiro;
Os cristãos com a chama do fogo novo anunciam que a morte foi vencida e que a luz voltou a brilhar com a ressureição do Cristo para toda a humanidade.
Os adeptos da grande fraternidade Branca marcam nesta primeira lua cheia da primavera no hemisfério norte a abertura do grade portal para toda a humanidade.
Nas igrejas cristãs o ritual envolve a benção de um fogo novo que através de um Círio leva a luz a todos os presentes com suas velas
Com aclamações a Páscoa é proclamada com cânticos:
“Ó noite de alegria verdadeira, uniu de novo o céu e a terra inteira”
“ Cantemos ao Senhor que fez brilhar a sua glória!”
— Ao Senhor quero cantar, pois fez brilhar a sua glória: precipitou no Mar Vermelho o cavalo e o cavaleiro! O Senhor é minha força, é a razão do meu cantar, pois foi ele neste dia para mim libertação! Ele é meu Deus e o louvarei, Deus de meu pai, e o honrarei.
E faz-se a Luz com o canto de louvor e Gloria
O evangelho de Marcos 16 descreve a cena da páscoa:
1Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para ungir Jesus. 2E no primeiro dia da semana, foram muito cedo ao sepulcro, mal o sol havia despontado. 3E diziam entre si: Quem nos há de remover a pedra da entrada do sepulcro? 4Levantando os olhos, elas viram removida a pedra, que era muito grande. 5Entrando no sepulcro, viram, sentado do lado direito, um jovem, vestido de roupas brancas, e assustaram-se. 6Ele lhes falou: Não tenhais medo. Buscais Jesus de Nazaré, que foi crucificado. Ele ressuscitou, já não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram. 7Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vos precede na Galileia. Lá o vereis como vos disse.
Nas casas judaicas inicia-se a Hagadá também com o acendimento da vela enquanto se reza:
Bendito sejas Tu, Eterno, nosso Deus, Rei do Universo, que nos deu vida, nos manteve e nos fez chegar até este momento.
Relembra-se a história da libertação do povo hebreu com cânticos, orações e muitos símbolos.
Nos grupos de meditação diante da lua cheia inicia-se a reunião com
A Grande Invocação
Desde o ponto de Luz na Mente de Deus,
Que aflua luz às mentes dos homens.
Que a Luz desça à Terra.
Desde o ponto de Amor no Coração de Deus,
Que aflua amor aos corações dos homens.
Que o Cristo retorne à Terra.
Desde o centro onde a Vontade de Deus é conhecida,
Que o propósito guie as pequenas vontades dos homens -
O propósito que os Mestres conhecem e a que servem.
Desde o centro a que chamamos raça dos homens,
Que se cumpra o Plano de Amor e Luz,
E que se sele a porta onde mora o mal.
Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano na Terra.
Três diferentes rituais e doutrinas, mas uma só a espiritualidade, nas três celebra-se a libertação da matéria e a eternidade do espírito. E pede-se ardentemente que sejamos preservados e confirmados nos desígnios do criador.

31 de março de 2018

Páscoa



E eis que entre morte e a vida abriu-se uma passagem: 
Páscoa.
A morte já não determina mais um fim, 
mas uma mudança, uma nova perspectiva.


O Túmulo, que antes era sinal da coroação da derrota, a confirmação da humilhação máxima que é um homem ser exposto ao mundo pendurado em uma cruz até a sua morte, agora vazio transmuta-se em símbolo de esperança, em anúncio de Sua vitória gloriosa.

Pouco antes de pendurarem-no naquela cruz, ainda reunido com os seus ele foi claro: dou-vos um novo mandamento. Neste mandamento está contida toda a lei e toda a profecia: Amar como eu vos amei. O Amor é incapaz de fazer mal a alguém.

O tumulo está vazio, o seu ocupante já não está mais lá. Venceu o que era invencível.
Deixou-nos claras recomendação para que construíssemos o seu reino, que nos indicou, não está distante, mas no meio de nós. Disse-nos também que cuidássemos de seus pequeninos, e que quando estivéssemos cuidando destes é a ele que estaríamos atendendo. Instruiu-nos que nos amássemos a nós mesmos e e que esta fosse a medida com que amaríamos o nosso próximo e para finalizar deixou claro á Samaritana e a todos nós, a forma como deveríamos adorar a Deus: não em templos e muito menos em montes, mas em pneuma e Aleteia, em espírito e em verdade, no sopro e na atenção, ou melhor dizendo, na atenção do sopro.

Cabe a nós, diante deste túmulo vazio cumprir o que nos indicou: resgatar a esperança, promover a justiça para que se possa anunciar o seu reino de Paz.

O AMOR venceu!
É tempo de ressuscitar sorrisos,
com a esperança de novos e melhores dias.
Ressuscitar a Alegria.
Ressuscitar a vontade de lutar
por um mundo que tenha a face do mestre.
Um mundo que seja o pré-anuncio do Reino do Pai.

Uma crucificação em nossos dias




Num exercício de imaginação, fiquei hoje após a meditação sobre a crucificação de Jesus entre ladrões, pénsando em como seria esta cena em nossos dias e em uma das nossas capitais do Sul/sudeste.
Imaginei aquela cruz e as pessoas ao redor a gritar: Vai pra Cuba! Ladrão! Enganador! Gentalha! Quem manda ficar vivendo com pobres, negros e putas, agora colhe o que plantou. Bandido bom é bandido morto ! Imediatamente lembrei de há algum tempo atrás o rapaz que foi amarrado a um poste, por ter furtado alguma coisa.
Lembrei como as pessoas se apressam a julgar e a fazer o que chamam de “justiça”, sem se preocupar em avaliar o que realmente aconteceu, os motivos que levaram aquela pessoa a cometer aquele ato.
Pensei também, como disse ontem, naquelas três figuras de rosto sofrido e desesperadas com a perda de alguém a quem amavam e por quem eram tão amadas: Maria, Madalena e João. E um dos justiceiros repetindo aquilo que se tornou quase um mantra: Tá com peninha? Leva pra casa!
Dois mil anos ainda não foram suficientes para sensibilizar os corações da humanidade e para que aprendêssemos a saber o que estamos fazendo.

30 de março de 2018

as diferentes religiões e as diferentes visões filosóficas






"Milhares e milhões de pessoas têm encontrado enorme benefício nos ensinamentos de Jesus Cristo, o que lhes permitiu viver suas vidas em plenitude.

A religião é um caminho,  mas se aceitarmos uma religião, devemos praticá-la com sinceridade.

Todas as tradições religiosas falam sobre o amor, compaixão, alegria e tolerância e os seus diferentes pontos de vista filosóficos têm a intenção de apoiar a prática destes valores.

Diferentes tradições espirituais, até mesmo diferentes escolas do budismo, podem propor diferentes visões filosóficas, mas transmitem uma mensagem comum de amor e compaixão."
                                                                 Sua Santidade Dalai Lama


Sexta Feira Santa

.J Ricardo A. de Oliveira


Um inocente é condenado à morte e morte de Cruz.

Um suplício contado e recontado e revivido nestes mais de 2000 anos 
que nos separam do ato em sí.


Nas muitas igrejas há adorações à Cruz, Vias Sacras,
e o estranho costume de beijar o senhor morto.
Pessoas se emocionam até as lágrimas 

diante da imagem de Jesus morto.
Procissões do Encontro de Maria 
com um punhal enterrado no coração 
e Jesus ensaguentado com uma cruz às costas.

Sermão das Chagas. Descendimento da cruz. 
Procissões do Enterro, com senhoras chorosas, 
acompanhando o esquife
 e ainda o lamento de Verônica.


Lembro-me de uma vez,
bem na hora da procissão sair
uma senhora me perguntou:
Onde está Nossa senhora?

E eu apontei uma paroquiana que vestida de azul,
seguiría na procissão como Maria, a mãe de Jesus.
A senhora revoltada disse:
Não!  Esta Não!!!
Aquela imagem,
com um punhal enterrado no peito...


E eu respondí: senhora,
este ano o padre resolveu que não teríamos
nenhuma imagem além da de Jesus
que foi tirado da cruz,
os outros, são paroquianos
vestidos como no tempo de Jesus.

A Senhora, a esta altura indignada
e atrapalhando a saída da procissão vociferou:


Vocês são todos uns hereges!
como é que eu vou rezar para Nossa senhora
se vocês botaram essa mulher aí !
E, esbravejando, foi saindo da igreja...

Mas se fosse só isso, crendices populares, 
eu até poderia compreender, 
mas o que eu nunca entendí é porque muitos 
preferem valorizar a cruz, o sofrimento e a morte 
ao invés da Alegria, da Vida e a Ressureição.

Os primeiros cristãos usavam como símbolo um peixe.

Mas a igreja se rendeu a Roma, preferiu a Cruz, o crucifixo, o sofrimento e a celebração do sacrifício incruento ao invés do Agape fraterno, do banquete de ação de graças do simples "partir do Pão".


Jesus não está mais na cruz, Ele venceu a morte, e é esta imagem que deveria ter sido fixada, a imagem de um Deus que venceu, se libertou e que a partir disto pode libertar a todos os que forem até ele em busca de alívio para suas dificuldades.
Toda esta série de equívocos acabou por desvirtuar aquilo que de mais importante há na missão que Jesus nos confiou.

Ele disse:
Eu vim para que todos tenham vida
e vida em abundância!
Eu vos dou um novo mandamento:
que vos ameis uns aos outros como eu vos amo!

Cada vez que fizerdes qualquer coisa
a um dos meus pequeninos
é à mim que o fareis!

Quando será que vamos acordar e
passar da sexta feira de escuridão
para um domingo repleto de Luz ?

PAI !!!!!
Perdoai-nos,
nós ainda não sabemos o que fazer!
Até quando senhor ?
.