Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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24 de novembro de 2016

tempos sombrios

  

Essa situação está insustentável, isso está adoecendo as pessoas e deixando-as completamente apáticas. É preocupante a sensação de impotência que as pessoas estão relatando. Tendo a acreditar nas muitas mensagens que tenho recebido de amigos espíritas e esotéricos que insistem que há uma enorme batalha espiritual no mundo sutil sobre a terra. Eles pedem que todos nós rezemos incessantemente em apoio aos espíritos superiores que combatem para que a terra não se perca.
A coisa está muito feia, e a única forma de sair disso, nestes tempos escuros é buscar a alegra que sustenta a fé. Funcionou assim no tempo da ditadura e acho que este é o caminho que precisamos trilhar.
Enquanto nós ficarmos só apontando o que está ruim, vamos espalhar mais desanimo e apatia e depressão. É tempo de fazer das tripas coração e afirmar, como os apóstolos depois da morte de Jesus, que a Ressureição era certa. Estamos justamente entre a sexta feira da paixão e o domingo da ressurreição, é uma comparação grosseira e imperfeita, eu sei, mas se continuarmos crendo e afirmando a morte, com certeza vamos impedir a ressureição.
É preciso sair desta armadilha que nos colocaram. Não é de hoje que a mídia vem vendendo essa imagem de que não tem mais jeito. Ou será que só eu percebi que já há alguns anos os noticiários só divulgam notícias ruins: desgraças, violência, cenas as mais chocantes. Não existe noticiário de notícias boas. E elas existem, mas não interessa divulga-las, Há muito tempo o povo vem sendo conduzido para o pessimismo, para ficar no ponto de não reagir.


Dizem os estudiosos da nova física, do mundo das infinitas possibilidades que aquilo que vibramos e jogamos no universo, é o que recebemos de volta.  A mecânica, segundo estes cientistas é a seguinte: O universo sempre devolverá aquilo que pedimos. Se emitimos sorrisos, vamos receber situações que nos façam sorris. Se vibramos raiva e ódio, vamos receber de volta situações que nos façam ter raiva. Parece simples. O Universo trabalha sempre a nosso favor, assim se eu vivo repetindo que a vida é uma merda, ela será. São inúmeras as crenças limitantes que foram colocadas em nosso software mental, e muitos de nós sequer percebem isso, e outros mesmo que percebam, não conhecem o antivírus para limpar suas consciências.
 As redes sociais estão repletas de denúncias e reclamações, compartilhadas ao infinito. Seria o caso de perguntar que efeito isso tem conseguido. Se essa mobilização pela divulgação é maciça, o empenho na participação e nas tentativas de mudança das situações denunciadas é quase inócua. É como se o fato de denunciar aliviasse as consciências e não exigisse mais nenhuma ação. O problema é que isso tem um subproduto muito nocivo, que é dar a sensação de que tudo vai de mal a pior e de que não há solução. O subproduto é o que estamos vendo, uma estrondosa apatia e uma grande sentimento de impotência.


 Esta situação é insustentável e precisa ser urgentemente mudada. 
Nestas horas lembro-me de Pedro Casaldáliga dizendo que o que se opõe ao MEDO, não é a coragem, mas a FÉ.  Não há também como não levar em conta a frase comum de Jesus quando libertava algum doente de seus males: Tua fé te salvou.
Concluo então que é este o caminho que temos que trilhar nestes momentos de escuridão que atravessamos. È pela Fé, é ela que tem que nos conduzir de volta à Luz. Mas por favor não confundam fé com apatia ou imobilismo. Com atitudes isoladas de joelhos dobrados em oração.
Não descarto essa possibilidade, mas insisto que é preciso ação, ação primeiramente de mudança de foco e de atitude. Mudança na maneira de olhar a realidade e de expressá-la. Mudança no sentido de esforçar-se para encontrar e expressar o positivo em toda e qualquer situação, mesmo que ela seja negativa.

Ainda esta semana uma pessoa me dizia que não consegue se conter e não falar mal de uma desafeto. Dizia ela que já não queria mais falar disso, mas que não conseguia. Perguntei a ela se essa pessoa não havia feito ou proporcionado nada de bom a ela. Qualquer coisa, mesmo que fosse bem pequena. Ela então me disse: essa pessoa sempre me usou, mas não posso negar que me proporcionou várias oportunidades, me abriu portas, mesmo que eu saiba que era para eu poder melhor servi-lo.
E eu lhe disse: mas você teve ganhos. Então todas as vezes que você se pegar falando mal dessa pessoa, arremate o final de seu comentário dizendo algo do tipo: é ele era um safado, mas não posso mentir, também me deu muitas oportunidades. Desta forma, aos poucos, o ranço vai passar e a libertação desta amarra acontecerá sem muito esforço.
Não esqueço o comentário de um cientista político nos anos 90 que dizia: o golpe militar foi um grande mal para o Brasil, mas temos que agradecer que foi para rechaçá-lo que surgiram grandes nomes na música, nas artes, na filosofia e em inúmeras outras áreas do conhecimento.

É isso, buscar o alento, a possibilidade de ter esperança, conseguir encontrar a promessa da luz, mesmo em meio a escuridão.
E vamos em frente, caminhando, cantando e seguindo a canção...

21 de novembro de 2016

Uma cidade em guerra




De repente, não mais que de repente eu me sinto como se todos os valores que aprendi a respeitar e preservar não valessem para mais nada...
Ou será que há diferença entre vidas humanas que prematuramente são extintas?
Dos dois lados da guerra existem pessoas, nada há que se comemorar com as mortes de uns e de outros.
Em nada lucramos desrespeitando o direito à privacidade das pessoas, isso não faz parte da ética da apuração de casos de justiça.
Não sei, eu vejo o mundo com outros olhos, talvez a idade, a catarata, ou um pouco de miopia, não sei...
Não se pode resolver a criminalidade só com repressão, é preciso ir além da repressão e buscar meios de exinguir  a criminalidade proporcionando outros caminhos para os jovens. Não adianta citar a Suécia, a Noruega como modelos e não copiar destes países os meios que eles utilizam para ter uma sociedade organizada.


Enquanto uns poucos acharem que gastar em uma festinha intima para os amigos, uma quantia que equivale a ALGUNS ANOS de salários da maioria da população, estaremos preservando esse absurdo que é ter crianças com armas na mão buscando no desvio, aquilo que lhes ensinaram ser a maneira mais fácil de serem felizes.


Enquanto o próprio umbigo for a medida com que se julga e avalia tudo na vida , teremos muito ainda que chorar pelos mortos que irão tombar pelo caminho, não importa de que lado da guerra estejam. E mais, todos nós, TODOS NÓS! somos responsáveis por isso, nem que seja por estarmos nos omitindo na hora de exigir as mudanças que este país tanto precisa.


20 de novembro de 2016

Dia da consciência Negra





“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele,
por sua origem ou ainda por sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender;
e, se podem aprender a odiar,
podem ser ensinadas a amar."
(Nelson Mandela)

Dia da Consciencia Negra

.
Um belo poema para comemorar o dia da consciência 
da igualdade de todos 
os que constroem um novo amanhã de Paz e Fraternidade.





Encontrei Minhas Orígens
Oliveira Silveira
poeta gaúcho,
idealizador do 20 de novembro
como o dia da "Consciência Negra"


Encontrei minhas orígens

em velhos arquivos

.........livros

encontrei

em malditos objetos

troncos e grilhetas

encontrei minhas origens

no leste

no mar em imundos tumbeiros

encontrei

em doces palavras

..........cantos

em furiosos tambores

..........ritos

encontrei minhas origens

na cor de minha pele

nos lanhos de minha alma

em mim

em minha gente escura

em meus heróis altivos

encontrei

encontrei-as enfim

me encontrei.

17 de novembro de 2016

Brasil, minha pobre nação sem rumo...



Uma sociedade para se manter precisa de leis, precisa da justiça para garantir a liberdade e a Paz. Os primeiros sintomas de preocupação surgem com os sinais de que o respeito e a capacidade de entender o limite e as necessidades do semelhante entraram em colapso.
Posso estar sendo repetitivo, mas me lembro que já, há algumas décadas eu venho me repetindo e batendo na mesma tecla. Lembro bem de que foi em uma palestra em que fui convidado na Universidade Gama Filho, lá pelo final da década de 80, que toquei neste assunto. Pediram-me para falar sobre ética profissional para a turma de psicologia do último período. Foi nesta palestra que falei pela primeira vez sobre a lei de Gerson e sobre a Razão cínica. Naquela época estes não eram assuntos abordados com frequência e alguns alunos chegaram a me questionar o que isso tinha a ver com a ética e o código de ética dos psicólogos. Eu então lhes disse que esses dois assuntos, eram para nós profissionais de saúde, algo muito perigoso pelo potencial de desagregação da sociedade e principalmente dos indivíduos. Falei-lhes que se isso não fosse combatido teríamos muitos problemas no futuro e certamente teríamos que dar conta no consultório, nas empresas e nas escolas, as três áreas de atuação da psicologia, dos desajustes, transtornos que encontraríamos em nosso cotidiano.
Eis que me vejo aqui, em 2016, algumas décadas depois, observando o que profeticamente eu havia dito aos naquela época, futuros colegas de profissão.
Temos hoje uma sociedade completamente desorganizada, violenta e sem rumo. Algo muito próximo de um barco à deriva em pelo oceano. As leis, a constituição, foram completamente aviltadas, a dignidade perdeu seu valor, sentimentos como empatia saíram de moda. E o que restou? Eu lhes digo, restou a lei de Gerson, ou a necessidade quase visceral de levar vantagem sempre e em tudo, restou a famigerada razão cínica que justifica o injustificável e faz da mentira a sua maior aliada. Restou o caos, a desinformação, as atitudes impensadas e às vezes desesperadas, restou isso que estamos vendo e vivendo.



A Agressão ao jornalista Caco Barcelos, a invasão enlouquecida do congresso nacional, o total desrespeito á população com a repressão descomunal das policias à qualquer manifestação. Esse clima de salve-se quem puder que faz com que alguns se beneficiem com jantares e festas multimilionárias, enquanto a aprovação de mais um rasgo na constituição, vai sacrificar o povo já tão faminto e necessitado de tudo.







 Tenho muito medo do que ainda virá. Depois que se pegou um desvio da história, que se aceitou mutilar a constituição, que se justificou pela mentira absurdos inconstitucionais apenas para satisfazer a tal lei que prega levar sempre vantagem, não importando as circunstancias, vai ser cada vez mais difícil voltar ao estado de direito e ao fluxo racional da vida em sociedade.
Independente da minha aprovação ao governo eleito com 54 milhões de votos, jamais poderia se ter permitido essa quebra, jamais poderíamos aceitar tamanho risco para as instituições. Mas ai está o Brasil jogado aos porcos, sendo vendido como banana podre , com escolas precisando ser ocupadas pelos alunos, para garantir o direito à educação. Com pais matando filhos por não compreender a gravidade daquilo que o filho tentava defender. Com gente completamente enlouquecida tomando de assalto a casa do povo sem conseguir dizer o porquê e o que na verdade estavam reivindicando. Gente clamando por liberdade mas exigindo um golpe totalitário que restinja a liberdade dos cidadãos. Gente que supostamente quer defender os direitos do povo, atacando um dos poucos jornalistas que faz de sua profissão justamente esta defesa. Jurista na mais alta corte batendo boca e sugerindo coisas que ali não são cabíveis.
Senhor ! Porque nos abandonastes?
Fico como que ouvindo o grito dos trombadinhas: perdeu Tio! Perdeu!

 

Estamos todos perdendo o pouco que tínhamos conseguido conquistar, ou se restaura a dignidade e a legalidade ou seremos em pouco tempo como aquela massa desesperada  do romance de Victor Hugo, “Os Miseráveis”

15 de novembro de 2016

PODEMOS MUDAR O MUNDO IMITANDO AS BORBOLETAS




Zygmunt Bauman, no artigo publicado no jornal 'La Republica', 2011, lança reflexões sobre o Estado-nação, o papel dos homens dentro desse Estado e nos ensina como nossas ações, aparentemente, simples e menores, como o bater de asas de uma borboleta, podem nos levar às mudanças que esperamos em nossas sociedades. Sem dúvida, crises civilizatórias estão ocorrendo em todo o mundo, e faz-se necessária a reflexão sobre o funcionamento dos nossos Estados e até mesmo do que vem a ser, realmente, a democracia da qual tanto falamos

“Em que mundo eu gostaria de viver? Na verdade, não posso dizer muito. Isso porque, em primeiro lugar, em 60 anos de empenho na sociologia, nunca fui bom em profetizar. Em segundo lugar, no fim de uma vida imperdoavelmente longa, a única definição de boa sociedade que eu encontrei diz que uma boa sociedade é tal se acredita não ser suficientemente boa. Portanto, prefiro me concentrar não tanto no mundo em que queremos viver, mas sim no mundo em que devemos viver, simplesmente porque não temos outros mundos para os quais escapar. Refiro-me a uma citação de Karl Marx, em que afirmava que as pessoas fazem a sua própria história, mas não nas condições escolhidas por elas. Todas as vezes que eu a ouço, lembro-me também de uma historinha irlandesa que nos fala de um motorista, que para o seu carro e pergunta a um transeunte: "Desculpe-me, senhor, poderia me dizer por gentileza como posso chegar a Dublin a partir daqui?". O transeunte para, coça a cabeça e depois de um tempo responde: "Bem, caro senhor, se eu tivesse que ir a Dublin não começaria daqui". Este é o problema: infelizmente, estamos começando daqui e não temos nenhum outro lugar de onde partir.
Portanto, pretendo sublinhar como o mundo do qual partimos "voltados para Dublin", seja lá o que Dublin queira dizer, está cheio de desafios e de tarefas urgentes, substancialmente improcrastináveis. Penso que, se o século XX foi a época em que as pessoas se perguntavam o que precisava ser feito, o século XXI será cada vez mais a era em que as pessoas farão a pergunta sobre quem fará o que deve ser feito.
Existe uma discrepância entre os objetivos e os meios à nossa disposição. Meios que foram criados pelos nossos antepassados, que deram vida ao Estado-nação e o dotaram e armaram de muitas instituições extremamente importantes, feitas à medida do Estado-nação. No que se refere ao Estado-nação, ele era verdadeiramente o ápice da ideia de autogoverno e de soberania, a ideia de estar em casa, e assim por diante. Acima de tudo, o Estado-nação era um meio confiável e impecável de ação coletiva, instrumento para alcançar os objetivos sociais coletivos.
Acreditava-se nisso para além da diferença entre "direita" e "esquerda". O Estado-nação era capaz de implementar as ideias vencedoras. Por que era assim? Porque o Estado-nação era considerado, e em grande parte o foi por bastante tempo na história, a fazenda do poder e da política. O matrimônio entre poder e política é um casamento celebrado no céu, nenhum homem pode destruí-lo. Poder significa habilidade em fazer as coisas. Política significa habilidade em dirigir essa atividade de fazer as coisas, indicando quais coisas devem ser feitas.



Ora, o que está acontecendo hoje é a indubitável separação, uma perspectiva de divórcio, entre poder e política. Poder que evapora no ciberespaço e que se manifesta naquilo que eu chamo de "globalização negativa". Negativa no sentido de que se aplica a todos os aspectos da vida social que têm uma coisa em comum: trata-se do enfraquecimento, a erosão, a não consideração dos hábitos locais, das necessidades locais. A "globalização negativa" abraça poderes como as finanças, o capital, o comércio, a informação, a criminalidade, o tráfico de drogas e de armas, o terrorismo etc. Ela não é seguida pela "globalização positiva". Em nível global, não temos nada de remotamente semelhante à eficácia do instrumento do controle político sobre o poder, da expressão da vontade popular, isto é, da representação e da jurisdição, realidades que se desenvolveram e foram bloqueadas no nível do Estado-nação.
À luz dessa discrepância, todas as vezes em que ouço o conceito de "comunidade internacional", eu choro e rio ao mesmo tempo. Nós ainda nem começamos a construí-la. Os nossos problemas são verdadeiramente globais, mas só possuímos os meios locais para enfrentá-los; e eles são despudoradamente inadequados para a tarefa. Por isso a pergunta que eu sugiro provavelmente é questão de vida ou de morte para o século XXI. Quem vai se ocupar disso? Essa será a questão.
Eu não tenho a resposta a essa pergunta, só posso propor algumas palavras de encorajamento. Edward Lorenz é bastante conhecido pela sua tremenda descoberta de que até os eventos mais pequenos, minúsculos e irrelevantes poderiam – dado o tempo, dada a distância – se desenvolver em catástrofes enormes e chocante. A descoberta de Lorenz é conhecida na alegoria de uma borboleta, em Pequim, que sacudia suas asas e mudava o percurso dos furacões no Golfo do México seis meses depois. Essa ideia foi recebida com horror, porque ia contra a natureza da nossa convicção de que podemos ter pleno conhecimento do que virá depois. Ele ia contra a teoria do tudo. De que podemos conhecer, prever, até mesmo criar, se necessário, com a nossa tecnologia, o mundo.

Lembro que nessa descoberta de Lorenz também há um vislumbre de esperança e é muito importante. Consideremos o que uma borboleta sabe fazer: uma grande quantidade de coisas. Não ignoremos os pequenos movimentos, os desenvolvimentos minoritários, locais e marginais. A nossa imaginação vai longe, além da nossa habilidade de fazer e arruinar coisas. 





Na nossa história humana, tivemos um número relevante de mulheres e de homens corajosos, que, como borboletas, mudaram a história de maneira radical e positiva. De verdade. O único conselho que posso dar, então: olhemos para as borboletas, são de várias cores, felizmente são muito numerosas. Ajudemo-las a bater as suas asas.”

14 de novembro de 2016

Hora de rearrumar a estratégia de crescimento

Pois é!
Fica o dito e o redito
Por não dito
E é difícil dizer
Que foi bonito
É inútil cantar
O que perdi. (Chico Buarque)

Fico impressionado com a quantidade de absurdos, de mentiras, de desmentidos que vejo nas redes, nos jornais, na mídia em geral. Tenho a nítida impressão que perdemos o rumo e a história é um barco à deriva num oceano revolto. Já não falo de política por que tenho a certeza de que com o atual sistema não iremos a parte alguma. E também não pensem que me baseio só em terras tupiniquins, não, a coisa é bem maior, afinal vivemos em um mundo globalizado. Percebo que o sistema levou à esquizofrenia toda a sociedade, sim pois não encontro outra explicação para ver trumps, bolsonaros, tiriricas, temers e toda essa tchurma esdrúxula sendo apontada como solução de alguma coisa.  Se não fosse suficiente vou ter que conviver, como prefeito na minha cidade, um bispo de uma igreja que se arroga universal, mas exclui boa parte da população e a rotula preconceituosamente como tendo arte com o demo. Se não bastasse ela também exclui católicos e justifica dizendo que estes são operários de satanás. E para culminar neste sintoma esquizofrênico temos um prelado e alguns padres “católicos” apoiando o candidato da tal seita e ameaçando com excomunhão quem votasse no outro candidato. E o país que se diz laico tem bancada evangélica da qual participam católicos e a cada dia tem mais evangélicos em cargos de comando.
Mas eu disse que não era de política que eu iria falar, pelo menos da partidária. Quero refletir sobre mudanças, sobre como vamos ser capazes de adentrar na modernidade com um país que deu marcha ré e caminha em todos os sentidos para trás. De políticas públicas a preconceito contra pobres, nordestinos, negros, homoafetivos, índios e um sem número de outros, temos assistido a um retrocesso alarmante.
Mas como mudar, como proceder a mudança? Especialmente quando se prega mais retrocesso na educação com uma tal de “escola sem partido” onde os alunos não terão mais acesso a informações básicas sobre história, ciências e os professores não poderão mais articular discussões de cunho político.
Se a educação já ia mal e a formação de nossos jovens deixava muito a desejar imagine com esse tipo de mudanças.
Assistimos a um país refém de uma mídia aparelhada, cada dia mais parcial e que claramente manipula as informações contra o povo de forma a fazer dele massa de manobra.
Mas de que forma pode-se promover alguma mudança?

“Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo desse chão, da nossa casa
Vem que tá na hora de arrumar. ” (Beto Guedes)

Ouso responder que no coletivo não podermos, a cada tentativa tenho ouvido como reação as clássicas máximas da imprensa golpista: petralha, comunista, esquerdinha...
Já percebi também que ficar denunciando incansavelmente nas redes  não produz muita coisa além de um grande desgaste energético, uma sensação de impotência, e uma postura de só reclamar e nunca conseguir ver alternativa e futuro.
O que então se pode fazer numa situação destas?
Resta-nos o trabalho de formigas, as pequenas associações, a preocupação em criar redes de informação e ampliação do conhecimento algo que consiga minar o “esquemão” da mídia, e levar a informação verdadeira ao cidadão comum, aquele que se senta em frente a TV depois de um dia exaustivo e assiste ao noticiário, com as informações parciais e maquiadas e depois dormita diante da novela que lhe traz valores alienantes e uma realidade muito diversa daquela que ele tem em seu dia a dia.
Quem já observou formigueiros ao longo dos campos e o movimento constante das formigas vai entender o que eu estou falando.  Isso já foi tentado, mas foi ardilosamente desarticulado. Existe ainda em várias partes do Brasil, mas perdeu um pouco o gás. O nome: comunidades eclesiais de base, ou simplesmente “CEBs”. Onde as CEBs minguaram ou foram desarticuladas em seu lugar surgiram as igrejas pentecostais ou neo –pentecostais, a grande diferença é que enquanto as CEBs informam e ampliam a cidadania, as seitas alienam e restringem a capacidade de discernimento e crítica da realidade. Enquanto as CEBs se orientam por uma teologia de libertação, as seitas se orientam e propagam uma teologia de prosperidade que anuncia um Deus parcial, ciumento que quer ser agradado com ofertas e sacrifícios. O Jesus das CEBs é o galileu, o filho do operário José, da favela Nazaré, um preso político sentenciado e executado pelo poder daquela época. O Jesus das seitas está sempre bem vestido, barbeado, é parcial e faz distinção entre seus filhos, é ciumento, exige ser agradado e se deixa vender por sacrifícios materiais. O primeiro, o das CEBs, só quer uma coisa, que o AMOR seja a lei da humanidade, ama a todos indistintamente e aceita a todos como filhos. O segundo, o das seitas, faz distinção e escolhe a quem atender, tem regras para aceitar e distribuir suas benção e amor. Coloca fora das portas de seu reino homoafetivos e os seguidores de outras crenças, especialmente as provenientes da África e das camadas mais pobres da população.

“Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças é só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora para merecer quem vem depois”(
Beto Guedes)

Neste momento da história o que os resta é construir formigueiros, se me entendem. Nos aprimorar e crescer como pessoas, promover esclarecimento e parar de reclamar.
Do contrário o máximo que vamos conseguir é nos tornar chatos, ranzinzas e o pior ficar estagnados sem conseguir sair do lugar.
Precisamos criar comunidades não só virtuais mas principalmente reais, nas cidades, nos campos onde quer que exista alguém precisando sair do entorpecimento e da crença da escassez, da culpa e sobretudo do medo.
Mãos à obra!
Vamos construir formigueiros, vamos espalhar cultura e educação de qualidade, vamos transformar a realidade à nossa volta sem alarde e sem pressa. Sigamos caminhando, cantando e seguindo a canção, uma canção de Paz, discernimento e sobretudo de muito amor.


Caminhando e cantando e seguindo a canção
Somos todos iguais, braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas, campos, construções
Caminhando e cantando e seguindo a canção (Geraldo Vandré)


13 de novembro de 2016

A Unidade




"Disse Jesus:
Se duas pessoas fazem a paz na mesma casa,
dirão a uma montanha: "afasta-te" e ela afastar-se-á"
( Logion 48 - Evangelho de Tomé )



"Eis o poder da paz, da unidade!
Que se pode fazer contra um homem tranquilo, unificado?
Que se pode fazer contra duas ou três pessoas bem harmonizadas?
As montanhas, as dificuldades, afastam-se. É como se tivessem o apoio de toda Natureza, do Uno que se manifesta em sua harmonia.

Antes de desejar levar a paz para a casa dos outros, é necessário começar em sua "casa", fazer a paz com as partes "inimigas" de si mesmo, seja o instinto, a emoção ou o intelecto. Enquanto houver divisão em nós mesmos, não será que os obstáculos que encontramos são a expressão de nosso próprio caos?

"Encontra a paz interior, dizia São Serafim de Sarov, e uma multidão será salva ao teu lado". Um homem tranquilo, um homem feliz é fonte de paz e de felicidade para toda a humanidade. O que não fariam dois ou três?

Para Clemente de Alexandria, "transportar" montanhas significa nivelar as desigualdades entre os homens, tornar possível o encontro. A Paz permite que a Unidade de todos os seres se manifeste no momento em que o temos ou a cobiça erguem montanhas entre eles... (...)

A "fé é que transporta montanhas". Ora o que é a fé senão a Unidade da inteligência com o coração? A paz realizada entre esses "dois" que, muitas vezes, se opõem na mesma casa: o discernimento e a afetividade?

A fé é indissociavelmente, um movimento da inteligência para a Verdade e um ato de confiança. A fé é aderir com todo o seu ser ao que é reconhecido como verdadeiro e justo. Essa adesão íntima e total implica uma grande potência assim como uma grande lucidez: " Vai além da razão, mas não contra a razão". E o que tinha a aparência de montanha revela-se à luz dessa força clarividente e viva como um simples ninho de toupeira."


Jean-Yves Leloup em O Evangelho de Tomé

22 de outubro de 2016

Quando se vai um amigo...



Desde que você chegou por aqui sempre nos entendemos muito bem, eu era um adolescente e seus conselhos a minha mãe me foram muito uteis. Embora houvesse uma grande diferença de idade tínhamos uma visão do cristianismo bem parecida. Tão parecida que acabamos colegas de pré-vestibular para Psicologia. Em nossas conversas o meu e o seu jeito critico sobre algumas posturas combinava perfeitamente, e isso nossos anéis de tucum podiam atestar, até mesmo quando alguns tentavam demonizar esse simbolo da opção cristã pelos mais necessitados. Éramos muitos a lhe admirar. As crianças que corriam ao seu encontro, os jovens, que recebiam as suas broncas cheias de amor, os adultos e os mais velhos a quem você sabia tão bem tranquilizar e aliviar o coração. Você tinha esse dom de saber falar ao coração de cada um, de convencer-nos que o amor de nosso Deus era infinitamente maior do que qualquer falta que pudéssemos cometer.


Você nos ensinou a sermos inclusivos como Jesus, a deixar os julgamentos de lado, a na hora do ofertório, oferecer tudo, mas tudo mesmo, principalmente as nossas limitações, as nossas falhas, a entregar nas mãos do Pai exatamente aquilo que somos, com todos os nossos defeitos. quase posso ouvir você dizendo e olhando para nós:  vai! entrega! sem medo! se coloque por inteiro, coloque a sua vida aqui neste altar.


Embora a gente saiba que vai sentir saudade, tenho certeza de que hoje o céu está em festa, imagino que Santo Afonso estará de braços abertos para receber esse seu filho muito amado. Quanto a nós ganhamos um grande intercessor.

Descanse em Paz Pe. Marques, um descanso merecido depois de tantas ocupações e tantas realizações, os seus amigos especiais são muito gratos pela realização de uma obra fantástica, a Casa da Convivência. São gratas também as muitas famílias que aconselhou como psicólogo/sacerdote, além delas as incontáveis crianças que passaram pelo catecismo da Santo Afonso que durante muitos anos, por sua causa, tinha a fama de ser o melhor da arquidiocese. Foi uma jornada maravilhosa e você meu amigo e confessor, merece toda a nossa admiração.




A igreja do Brasil lhe deve a catequese dos especiais, uma luta sua em um tempo em que ninguém acreditava ser possível. Você desbravou e abriu muitos caminhos, cabe a nós caminhar e aprimorá-los.




Fica para nós essa saudade incomoda e a falta de alguém que celebre a Eucaristia com esse sorriso e essa intimidade que nos fazia sentir Jesus alí, bem perto de nós. 

                                                   

Quem ousará abrir caminhos e ouvir as criticas pela ousadia de fazer o novo?
Quem não se lembra da primeira vez que você colocou as crianças à sua volta no altar 
no momento da consagração?
Colocar especiais como acólitos?
Santa Ousadia !
Santa Alegria!
Santa disponibilidade para acolher a tantos.




Para nós o sentimento mais forte será sempre a gratidão.
Receba o nosso carinho e no céu continue a rezar por nós.

Até um dia Pe. Marques


+ 22-10-2016







19 de outubro de 2016

Em Pneuma e Aletheia

J Ricardo A de Oliveira


Vai!
Vá para ti.
Vá e não desista,
Vá e não olhes para trás.
Vá e só pare quando chegar,
Quando encontrar o coração do coração.
Chegando lá faça uma faxina,
limpe tudo,Não deixe nada,
nem um pingo da lama que lá houver.
Depois de tudo bem limpo,
De todo o perdão exercido,
Descubra lá, a presença que te habita.
Persista,
 permita-se desta vez,
Ser tomado pelo grande silêncio.
Perceba quem te respira
E deixe-se ser respirado por esta presença,
 Mas com toda a atenção:
Em Pneuma e Aletheia – em Espírito e Verdade !
Alí, onde tudo é Paz,
Onde tudo é Luz,
É a morada do “Eu Sou”

 Seja UM com Ele.