Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

Seja Bem vindo (a)!

Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de algumas outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

27 de setembro de 2018

Enquanto nós respondermos o ódio com o ódio, é ele, o ódio quem prevalecerá.


Dentre os muitos artifícios da sombra esse é, sem dúvida, um dos que ela mais usa
quando se faz autônoma. Todos nós temos em nós raiva, ódio, ressentimentos.
É ilusão, um engano pensar que qualquer um de nós mortais não tem todo
esse lixo dentro de nós. Nenhum de nós nasceu perfeito, nem mesmo o mais santo
dos humanos. Todos, sem exceção, estamos aqui em processo de aprendizagem.

Temos muitos indicadores no caminho, e precisamos reconhece-los se quisermos
percorrer nossa estada nesta terra e chegar a seu termo com algum aprendizado.
Mas não nos enganemos, não estamos aqui para aprender a investir nossos recursos materiais, ou construir um patrimônio para nossos descendentes. Também não estamos aqui para aprender a submeter as pessoas às nossas vontades. Nossa passagem neste paraíso que insistimos em destruir, tem como finalidade aprender a usar nosso segundo cérebro, o coração.

Os cientistas recentemente descobriram que várias funções emocionais são comandadas em conjunto: cérebro e coração. A ciência moderna tem comprovado o que os antigos acreditavam sobre o coração,  ele é o centro de uma sabedoria superior. Ele pode realmente lembrar de coisas e pode funcionar de forma muito parecida com o cérebro. A estrutura do coração é similar à do cérebro: ele tem uma intrincada rede de neurônios, neurotransmissores, proteínas e células de suporte.

“O que as pessoas não sabem é que o coração envia mais informações ao cérebro do que o cérebro envia ao coração” (
Dr. Rollin McCraty do Instituto HeartMath)
A Escola de Medicina de Harvard, indica que há conversações ‘químicas’ entre o coração e o cérebro que afetam ambos os órgãos. Depressão, estresse, solidão, uma perspectiva positiva e outros fatores psicossociais influenciam e são influenciados pelo coração.

O coração é também um importante centro energético que os orientais chamam de “Chacra cardíaco”.  Ele é responsável pelo equilíbrio das energias em todos os outros centros energéticos. O  Chacra Cardíaco é o mais frágil quando não há  controle emocional, ele é o mais afetado pelas energias negativas e isso atinge diretamente todo nosso organismo, nos deixando propensos a desenvolver problemas físicos e emocionais.
Certamente não por acaso que uma das figuras mais difundidas no cristianismo é o “Sagrado Coração de Jesus” que tem todo um ritual e uma veneração especial na igreja romana.  E sua representação expõe um coração em chamas e irradiando Luz.




No Budismo, especialmente no Budismo Tibetano, a compaixão tem um destaque especial. 
E em uma das muitas representações do Buda da Compaixão o coração também se destaca.


Buda da compaixão Avalokiteshvara


E não por acaso, vamos encontrar aqui  Sua Santidade o Dalai Lama 
diante do Sagrado Coração, 
ou seria a representação cristã do Buda da Compaixão


Tenho uma firme convicção de que este estado de coisas que observamos em nosso tempo, todo esse ódio, está a serviço da densa sombra que paira sobre nós. Não é por acaso que isso se manifeste tão fortemente na política, onde pode-se observar uma forte atuação da “Sombra”.
Políticos geralmente apresentam e só valorizam suas “personas”, escondem a sua sombra, já que ela sendo negativa, não seria interessante estar visível em suas disputas eleitorais. Jogam então “para baixo do tapete” tudo que acham reprovável. Mas o grande problema é que ao esconderem a sombra, escondem-na de uma vez por todas, como se ela não existisse.
Mas não só os políticos. Nossa sociedade cunhou a pratica de viver das aparências. É como se ninguém sentisse raiva, ou tivesse algum sentimento mal visto. Esquecem que sentimentos, não são passíveis de extirpação. Podem quando muito ser compreendidos e tratados de forma a não se eternizarem. Precisam principalmente ser aceitos e incorporados como algo normal em suas vidas mas não eternizados. A Raiva é um sentimento comum e corriqueiro do ser humano, mas se guardada, ressentida e acessada todas as vezes que  o fato gerador vem à mente, já não é mais um sentimento normal, mas um desequilíbrio que acaba por aprisionar a pessoa ao fato que a gerou.  A liberação destes estados precisa ser uma prática constante que nos fará evoluir e ascender a um nível de saúde psicológica superior e sobretudo a um estado de alegria e felicidade duradora.
Portanto nestes dias conturbados de campanha eleitoral, não precisamos engolir sapos, mas também não precisamos atirar os sapos na cara de nossos interlocutores.
Busquemos a Paz, o entendimento e o respeito pelas diferenças.
Aquele que já adquiriu conhecimentos suficientes para entender aquilo que tanto Jesus quanto Buda tentaram ensinar à humanidade, ou seja, o conceito de Unidade. “Eu e o pai somos UM sejam também vocês UM com o Pai”. Aquele que consegue entender, ampliar sua consciência e perceber que aquele que está à sua frente, discordando, é nada mais que alguém alimentado pela mesma vida que lhe dá vida, em essência a mesma imagem daquele que criou a todos, acabará percebendo que odiá-lo é na realidade odiar a si próprio, ou às facetas escondidas e guardadas de sua própria personalidade.
Entender essa difícil realidade, é a chave da eterna beatitude.

Ronald Lang o psiquiatra Britânico da contracultura, já dizia em seu livro “laços”


“Ele acha que ela o devora
com a sua exigência de que a devore

Duas pessoa que inicialmente
queriam devorar e ser devoradas
estão devorando e sendo devoradas

Ela é devorada por ele que é devorado pelo
devorador desejo dela de ser devorada por ele
Ele é devorado por ela que é devorada
por não ser por ele devorada

Ele é devorado
pelo medo de ser devorado
Ela é devorada
pelo desejo de ser devorada

Seu pavor de ser devorado
nasce de seu pavor de ser devorado pelo seu devorar
Seu desejo de ser devorada
nasce do seu pavor do desejo de devorar”

Nós sabemos que “quando Maria fala de João, Maria fala mais de Maria, do que de João”

Da próxima vez que entrar em um embate, seja ao vivo ou nas redes sociais primeiro respire, depois busque o que está lhe incomodando. Perceba se em algum lugar de você aquilo também não existe de forma disfarçada ou reprimida. Caso não encontre, volte a respirar. Se achar indispensável apresente seus argumentos sem, contudo, fazer qualquer crítica.
Se não conseguir apenas silencie e aproveite para investigar internamente o porquê de sua irritação.
Medite, indague e agradeça pela oportunidade que está tendo de ampliar seu autoconhecimento.
Se de tudo ficar ainda incomodado(a) lembre-se de que a Paz começa sempre em você e que fazer o outro mudar de ideia não irá fazer com que você tenha Paz, apenas irá alimentar a vaidade do seu Ego, o que é um grande empecilho na sua evolução.
Jamais esqueça que a evolução se dá, não pelo fato de você mudar a quem quer que seja, mas por sua capacidade de produzir mudanças qualitativas em você. O Mundo muda e evolui à medida que mudamos e evoluímos.
Dessa forma, pode ser que em algum momento o ódio possa parar de ser disseminado indistintamente como acontece nos dias atuais.











S. Cosme e S. Damião Resquícios de uma religiosidade popular

J. Ricardo A de Oliveira





O Dia de S. Cosme e S. Damião  me faz recordar da minha infância, correndo pelas ruas atrás de doces....Rsss
Uma festa de  uma religiosidade popular que aos poucos parece que vai se extinguindo com o crescimento do preconceito e da ignorância de seitas pentecostais e neo pentecostais. Lembro-me bem do sorriso da criançada  esperando na fila para entrar na casa de uma vizinha que preparava uma mesa farta de muitos doces deliciosos feitos por ela mesma. E em volta daquela mesa não havia distinção de classe todos éramos crianças com olhos brilhantes, mesmo que alguns alí tivessem acesso com frequência àquelas guloseimas.
O tempo passou e demonizaram os pobres dos santos doutores, passaram a ver um mal que só exiie em cabeças limitadas pelo preconceito.
 Hoje andando pela rua vi alguns carros distribuindo os famosos saquinhos. Vidros quase fechados, nem a mão de quem dá aparece, tal o medo daqueles "pobres"; e o carro sai rápido se começar a juntar muitas crianças, sim crianças...
Saudade da simplicidade daquele tempo, da caridade de quem abria as portas de sua casa para receber crianças em busca de festa, de alegria, de doces. Crianças tão queridas aos dois irmãos gêmeos, médicos em sua passagem pela terra.
E naquela mistura de classes, misturava-se também as crenças num país que era simples e não tinha lugar para a intolerância religiosa de nossos dias.

Salve S. Cosme  e S. Damião, salve as crianças!

26 de setembro de 2018

Jean-Yves Leloup: "É um longo caminho aprender a doçura"

Entrevista realizado por Tatiana Mendonça 
(http://atarde.uol.com.br/muito/noticias/1996608-jeanyves-leloup-e-um-longo-caminho-aprender-a-docura)



Antes Deus era uma ideia, depois passou a ser uma imagem, agora é um silêncio. Talvez por isso o francês Jean-Yves Leloup, 68, use tantas metáforas para falar dele, num esforço de traduzir o intraduzível. A relação cambiante entre os dois começou num hospital em Istambul. Leloup, até então ateu, estava entre a vida e a morte, vítima de uma grave intoxicação alimentar, quando reparou, num relance, que a consciência podia habitar fora do corpo. Desperto, saiu em busca de entender este além. Tornou-se doutor nas áreas de psicologia, filosofia e teologia e também padre da Igreja Ortodoxa. Mas ele não acredita que o cristianismo seja melhor que qualquer outra religião. “Todos os caminhos são bons. A condição é que a gente não pare no meio do caminho”, ri.  Presidente da Universidade Holística Internacional de Paris e autor de mais de 50 livros, Leloup vem frequentemente ao Brasil participar de palestras e seminários. Este mês, ele esteve em Salvador na abertura do 13º Simpósio Internacional sobre Consciência e Autoconhecimento: Nada Ocorre, promovido pela Fundação Ocidemnte – Organização Científica de Estudos Materiais, Naturais e Espirituais e pelo Instituto Superior de Educação Ocidemnte (Iseo). Antes do evento, Leloup conversou com a Muito – com tradução de Lucinei Caroso – sobre meditação, espiritualidade, sexo e política. Em tempos tumultuados de polarização, ele defende que é preciso investigar a real intenção dos políticos. Saber se são cordeiros ou dragões.
O senhor teve uma experiência de quase-morte em Istambul e depois enveredou por um caminho espiritual. Essa trajetória se repete com outras pessoas, talvez de modo não tão extremo... Quando estão num momento muito difícil da vida, vivendo uma situação-limite, é que passam a buscar algo ‘maior’ que a vida cotidiana. Por que isso acontece, na opinião do senhor?
Não é necessário beber o vinagre para saber que o vinho é bom. Não é necessário morrer para saber que a vida é boa. Alguém como eu precisava de uma situação extrema. Deus fala para cada um a linguagem que seja capaz de entender. Para alguns, é a linguagem da beleza e da natureza, para outros, é através de um acidente. Quando temos o ouvido entupido, é necessário falar mais alto. Quando temos o coração fechado, Deus precisa falar uma linguagem mais dura. Mas é sempre com o objetivo de nos despertar.
Ainda sobre este tema, fiquei impressionada com uma frase que o senhor escreveu: “Minha vida está em ruínas, não há obstáculo à visão daquilo que é”. E no entanto a gente vai num sentido contrário, lutando com todos os meios para que essa ruína nunca chegue, tentando a todo custo fugir da dor e do sofrimento...
Quanto mais nós procuramos o prazer, mais ele nos foge. Quanto mais a gente foge da dor, mais ela consegue nos alcançar. A morte faz parte da vida. Tentar negar a morte não impede que ela chegue. Isso faz com que a morte seja dolorosa. Eu amo muito o livro do Apocalipse, porque ele mostra que através da desintegração, seja no nível econômico, social ou cósmico, a vida se revela. O Apocalipse não é um livro dedicado às catástrofes, mas às revelações através das catástrofes. A grande questão é o que nós fazemos dos nossos fracassos. No cristianismo, acho muito interessante a imagem da cruz ser o caminho da ressurreição. A cruz não é o fim do caminho. A destruição não é o fim do caminho. O objetivo é a ressurreição. Mas quando nós estamos no sofrimento e na dor, a gente não sabe disso ainda. É necessário atravessar o caminho. Jesus não explica o sofrimento como um filósofo. Como uma criança, ele recebe, vive nele o sofrimento. Ele o atravessa, sem concessões. Não existe prazer em sofrer. É necessário atravessar o sofrimento.
O senhor é vinculado à Igreja Ortodoxa. Acredita que para desenvolver a espiritualidade é preciso estar conectado a uma religião, qualquer que seja ela, ou pelo menos à ideia de Deus, de uma força maior na qual se possa confiar?
Cada religião é como um poço. Podemos ficar na superfície e fazer uma publicidade para dizer que a nossa água é a melhor, mas o importante é ter sede. E beber na fonte. Não importa qual seja o poço que você vá beber. Existe um momento onde a forma é importante, mas são formas exteriores. Mas no fundo do fundo tem a fonte. E nesse caso, quando nós estamos no fundo, nós estamos além da forma, e fora inclusive do próprio poço, para além da religião. Mas cada um deve procurar o seu poço para ir na direção da fonte.
Mas o senhor acredita que esse poço precise ser religioso, necessariamente? Um ateu pode desenvolver sua espiritualidade? De que modo?
Sim, o importante é cavar (risos). No Evangelho de João, ele diz que a luz habita todos os homens vindos ao mundo. E todos os homens que procuram a luz, que procuram a fonte da vida, podem encontrá-la. O importante não é a forma do poço, mas a sede daquele que cava, que se aproxima da fonte. 

em salvador com crianças que meditam na escola
Para o senhor, a meditação é uma forma de reconectar-se com o divino. E muitas pessoas reclamam que é difícil meditar, apesar da popularização desta prática nos últimos anos. Estão lá sentadas brigando com seus pensamentos... Entre tantas técnicas, qual é a que o senhor prefere?
Meditar é estar consciente, estar atento, estar presente, quer estejamos em pé, sentados ou deitados. O que pode nos colocar na direção do interior é a atenção à respiração. Com a respiração, nós podemos nos aproximar do mistério da vida. Nossa vida se mantém através deste sopro. Este sopro é o fio que nos interliga à fonte. O sopro é uma maneira muito simples de estar atento, de estar presente. Eu gosto também muito de meditar estando na natureza, meditar como uma montanha, com todo meu peso, meditar como uma árvore, interligada ao céu e à terra. Meditar como um oceano... A meditação não é nem laica nem religiosa. Ela é natural. E é necessário reencontrar a oração primeira, a meditação original, a meditação de todos os elementos. É necessário aprender a orar como o pássaro que canta. Respirar com consciência. É importante não tentar controlar os pensamentos, mas abandonar-se.
O senhor é um ativista da paz, um dos criadores da Unipaz. O Brasil regista um dos maiores índices de violência do mundo. Foram 63 mil assassinatos no ano passado. Como promover de modo prático uma cultura da paz num cenário como este que vivemos?
É necessário não ter medo. O medo cria a violência. A violência é uma energia. A questão é como transformar essa energia de uma maneira criadora. Com a mesma força que nós carregamos as malas de alguém, nós podemos golpeá-lo na cabeça. Acredito que o esporte possa desempenhar um papel importante nessa transformação, como prática de energia. Mas isso não é o suficiente. É necessário introduzir a consciência, para que a gente possa saber o que fazer com a nossa energia, descobrir que existe mais prazer em construir do que em demolir. Mas a situação do Brasil é, de fato, um grande problema. É preciso se debruçar nas causas desta violência, nas suas origens, na desigualdade econômica, social que existe no país, mas também nas causas psicológicas e interiores. É preciso transformar a violência que está em nós. Antes de fazer grandes discursos contra a violência, é necessário aprender a transformá-la em si mesmo. Muitas vezes, são os nossos pensamentos que são violentos, nossos julgamentos. E é um longo caminho aprender a doçura. Jesus disse: ‘Aprendam de mim porque sou doce e humilde de coração’. E é o único momento que ele diz ‘aprendam de mim’. Como se fosse a coisa mais importante... E também é a coisa mais difícil. É necessário ser muito forte para ser doce. É necessário muita energia e muito autocontrole.
"
É necessário ser muito forte para ser doce. É necessário muita energia e muito autocontrole.
Jean-yves Leloup
Nós estamos às vésperas das eleições, e o país vive uma polarização exacerbada. É como se as pessoas fossem votar contra algo e não a favor de algo. Como podemos alimentar a serenidade nestes momentos de conflitos ideológicos?
Lembro das crianças com quem estive meditando na escola Ananda. No momento da meditação, se nós olhássemos de fora, havia crianças de diferentes cores. Quando olhamos para dentro, a consciência não tem cor, e nem tampouco tamanho. Não existe grande ou pequeno. Quando a gente olha para fora, existem diferentes partidos políticos, como existem diferentes religiões. Quando a gente olha para dentro, existem apenas seres humanos, procurando a justiça e a paz. E se os homens políticos meditassem juntos e descobrissem essa consciência interior? (Risos). Talvez nós pudéssemos ir na direção da justiça e da paz. O problema é a vontade de poder, de dominar. A vontade de poder te leva à vontade de apropriação, e a vontade de apropriação te leva à guerra, à fome. Dessa maneira, a gente encontra os quatro cavaleiros do Apocalipse. O cavaleiro branco representa a perversão da inteligência, que procura a dominação do outro. O cavaleiro vermelho é a guerra, a apropriação da terra, a possessão, que leva ao cavaleiro negro. O cavaleiro negro é a consumação, que leva na direção do cavaleiro verde, que é a cor da morte. É uma visão simbólica, mas é importante poder adaptá-la ao momento da atualidade. Esses quatro cavaleiros estão a serviço do dragão, e o dragão é o ego, que quer dominar, que quer devorar... A única força que pode vencer o dragão é a força do cordeiro, que simboliza a força invulnerável do amor. Somente o amor é mais forte do que a morte. Mas não sei como poderia traduzir isso em termos políticos... O importante é prestar atenção na intenção dos políticos. Se é o dragão ou o cordeiro que habita dentro deles.
O senhor já falou, em outras oportunidades, que a paz, na verdade, é a “grande paciência”. Vivemos hoje com as redes sociais uma era de imediatismos. Como conciliar tantas demandas com o silêncio interior?
A importância é estar livre. Livre com relação a qualquer tipo de tecnologia. E o momento de silêncio e de retraimento nos conduz à nossa liberdade. Nós não somos escravos das nossas máquinas. Mas existe um perigo, realmente.
O senhor já declarou que o sexo é um ritual divino, “fundamental para reconquistar a inteireza de corpo, mente e coração”. E no catolicismo ele permanece como um tabu. Por que isso acontece, na sua opinião?
Na origem, os rabinos perguntavam por que o homem não tinha sido criado redondo. A resposta era: para que não seja feliz sozinho. Para que não seja inteiro sozinho. Para que ele se torne inteiro com outra pessoa. Porque é na relação que está a imagem de Deus. Não é nem o homem, nem a mulher, mas é a relação entre eles. A sexualidade é o lugar do outro em si. E muitas vezes, é um lugar doloroso. Muitas vezes é difícil achar um local para o outro em si mesmo, aceitar não ser autossuficiente. O ser humano se completa através da relação. É por isso que a sexualidade é da ordem do sagrado. É por isso que essa parte do nosso corpo chama-se sacro. É nessa região que a vida é criada, que nós nascemos à imagem do Criador. E é por essa razão que é uma pena que essa dimensão não seja vivida de uma maneira espiritual e sagrada. Porque, de novo, é a consumação. A gente pode fazer do outro um objeto de consumo. E, dessa maneira, a gente passa ao largo da relação, ao largo da dimensão divina, do amor que transforma a sexualidade. Na tradição ortodoxa do primeiro milenário, é demandada à sexualidade essa transfiguração. É mais difícil transfigurar do que renunciar. Transfigurar quer dizer assumir, introduzindo a consciência e o amor em todos os nossos atos e, particularmente, nesse ato. Para algumas pessoas, pode parecer difícil. Preferem renunciar ou consumir, mas não conseguem transfigurar. Isso é um problema no cristianismo. A sexualidade não foi assumida e transfigurada. Ela se torna, dessa maneira, um assunto de idolatria ou desprezo. E esse assunto não deve ser tratado nem com idolatria, nem com desprezo, mas com respeito. O respeito é um belo nome do amor. Respeitar o próprio corpo e respeitar o corpo do outro. Nesse momento, se torna interessante.
"
O respeito é um belo nome do amor. Respeitar o próprio corpo e respeitar o corpo do outro.
Jean-yves Leloup
O senhor costuma visitar o Brasil para seminários e outros eventos. Já esteve em algum terreiro de candomblé? O que o senhor pensa sobre tradições politeístas?
Sim. Acho que é uma bela maneira de entrar em contato com as energias da natureza, que são personalizadas ali. De novo, é a mesma coisa. Não se trata de ideolatria. Para alguns, é um caminho, e um caminho muito sensível. Todos os caminhos são bons. A condição é que a gente não pare no meio do caminho (risos). Todos os poços são bons, se a gente não ficar na metade do poço. É preciso descer até a fonte.
O senhor cunhou há alguns anos o termo normose. Acredita que hoje estamos sofrendo mais ou menos desse mal?
A normose é querer ser como todo mundo. Com a incitação da mídia, todo mundo procura se parecer. Muitas vezes, no nível do pensamento, mas também na maneira de se vestir. Para muitos, é difícil aceitar as suas diferenças. No entanto, cada um de nós é único e diferente. Quando visitei a Ananda, eu dizia às crianças: a rã e os macacos são iguais, são animais, mas se a rã quiser se tornar tão grande quanto o macaco, ela vai explodir e não será nem uma rã, nem um macaco. É preciso aceitar a si próprio, aceitar que nós somos iguais uns aos outros, e ao mesmo tempo diferentes. Um elefante não é um gato. Não se deve procurar comparações, e sim ser você mesmo. O fato de sermos diferente nos faz ter medo de sermos rejeitados. É um sentimento muito forte o medo do ostracismo, medo de ser rejeitado pela família, pelos amigos, pelo partido, pela religião. É um longo caminho tornar-se livre.
Sua autobiografia, O Absurdo e a Graça, foi lançada em 1990 na França, quando o senhor estava com 40 anos. O senhor já disse que mudamos nossa forma de entender o que é divino em momentos diferentes da vida. De que maneira percebia Deus antes e como o percebe agora?
Antes, eu apreendia Deus de uma maneira muito mental, como sendo a causa primeira, como sendo uma abstração. Hoje em dia, eu tenho menos ideias ou imagens sobre Deus. É como Jó. Em determinado momento, Jó perde tudo: sua saúde, sua família, sua riqueza. E ele perde principalmente o bom Deus, porque ele acreditava que Deus era bom e justo. Mas apesar de tudo que acontece com ele, algo injusto e inaceitável, o sofrimento do inocente, ali ele descobre que talvez Deus não seja a imagem que ele tinha de Deus. Ele perde os conceitos, as representações que tinha de Deus, mas não a fé. Ele descobre que Deus é mais do que Deus. Está além do que nós chamamos do bem e do mal, além dos contrários. E para isso não existe um nome. Porque nosso cérebro funciona sempre em binários, positivo e negativo. E nesse momento, Jó entra no silêncio. E Deus existe nesse silêncio. Hoje em dia, para mim, Deus está no silêncio, além de todas as qualidades ou representações que a gente possa dar. É apenas o silêncio que pode conhecer o silêncio. Somente o silêncio que pode falar com o silêncio. E agora eu me calo.

24 de setembro de 2018

ELeições




Alguém fala em eleições, e ouço uma reclamação pelo feriado perdido, pela falta de escolha e logo o discurso passa para as críticas à classe política e para o mar de lama, e para a corrupção que se alastrou país a fora. Alguém atalha sugerindo anular o voto, outro sugere se abster o assunto se estende até se transformar em o que acaba sempre em rupturas de amizades e troca de palavras duras.
A conversa me levou a refletir sobre o que é uma eleição. Nossa jovem democracia é uma verdadeira criança comparada a outros países. Vem entre trancos e barrancos tentado sobreviver. Tivemos momentos em que ela foi ferida de morte, mas sobreviveu mas tenho a impressão de que nós, o povo, os cidadãos brasileiros, ou não sabemos ou não queremos saber a importância de uma eleição em nossas vidas. Afinal aquelas pessoas que ali estão na vitrine política são pessoas como nós e estão ali para serem escolhidas para nos representar, para defender nossos direitos. Políticos não entraram ali de forma mágica, receberam votos de quem supostamente conhecia sua capacidade e entendeu que elas seriam as melhores opções. Mas me parece que é justamente aí que começam os problemas. Muitos cidadãos brasileiros, seja por falta de instrução, por desinteresse, ou por interesses particulares, acabam elegendo candidatos pouco adequados para a função.

Muitas vezes a título de protesto ou brincadeira votam em animais do zoológico como já aconteceu com o rinoceronte “Cacareco” ou o macaco ”Tião”. Outras vezes escolhem candidatos completamente despreparados por afirmarem que “pior que está não vai ficar”. Agem como se não fosse a vida de cidadãos, a deles próprios que estivesse em jogo. É preciso não perder de vista que a classe política de um país é uma amostra do que é a população do país.
Somos seguidores de alguém que nos indicou que só a verdade nos libertará. E que é o amor a medida para todas as coisas. Que sejam esses os nossos principais critérios na hora da escolha, que tenhamos coragem de escolher representantes que muito antes de atender necessidades particulares nossas e deles, tenham sua atenção voltada para TODOS os cidadãos. Estejamos atentos para os discursos mirabolantes dos salvadores da pátria, dos que pretendem não incluir TODOS os cidadãos independente de credo, cor, sexo. Os que defendam a vida integralmente e não o façam só discursos bonitos contra o aborto, mas paradoxalmente preguem a pena de morte indiscriminadamente. Discursam sobre a defesa da vida, mas não apresentam projetos viáveis para cuidar dos desassistidos, dos pequeninos como a eles Jesus se referiu, no evangelho de Mateus.  



 Eleição é tempo de esperança, tempo de congraçamento e busca de soluções, tempo de estar atento às mentiras, atualmente apelidadas de “pós-verdades” ou “Fake News”. Temos um sério compromisso com aquilo que Jesus nos incumbiu, que é a construção do Reino do Pai, que é um reino que tem que incluir a todos indiscriminadamente e que não permite de nossa parte qualquer omissão.  Votar é mais do que uma obrigação, é um direito e um privilégio que temos de exercer a nossa liberdade e a nossa cidadania.

22 de setembro de 2018

É Primavera


São a serenidade e a Paz que nos conduzirão
pelos caminhos tenebrosos da escuridão.
 Não podemos e não devemos permitir que nos tirem do sério,
porque esta é a artimanha que usam para nos enfraquecer.
Querem que nos exasperemos, que nos tornemos violentos
para que possam responder com a única arma que sabem usar,
a violência, a força bruta. 
Nós temos a nosso favor a inteligência
e o fato de que somos capazes de pensar,
desenvolver estratégias.
Sigamos através dos caminhos da Paz
e seremos capazes de transformar a realidade 
e o mundo que nos cerca.
É o AMOR e não o TEMOR
que nos impulsiona para a vitória.
Não podemos esquecer que
 "um mais um é sempre mais que dois" 
e que "para melhor juntar as nossas forças,
é só repartir melhor o pão"
O Inverno terminou.
É primavera, a vida e o amor estão no comando.
Não importa o quanto pode demorar,
a luz se fará presente.
Paz e Luz a todos!



8 de setembro de 2018

A mais bela for de setembro





“De Jessé nasceu a vara / e da vara nasceu a flor
e da flor nasceu Maria / De Maria o Salvador”
(Milton Nascimento)

O poeta e compositor, um dos nossos melhores, compôs de forma singela a tradução do  imenso amor  de Deus por suas criaturas. Uma linda flor nascida do improvável e imponderável, fruto de um amor tido como estéril: Maria nascida na velhice de Ana e Joaquim. Mas nosso Deus parece que a todo momento nos mostra que absolutamente nada para Ele é impossível quando quer devotar seu amor a nós.
E assim nos presenteou com a flor das flores.
Comemoramos neste dia 8 de setembro o nascimento deste presente de Deus, a mulher que mudou o rumo da humanidade, aquela que aceitou gerar em sí, a salvação. Maria, modelo de discrição e aceitação incondicional aos convites de Deus. Sua vida  silenciosa e quase escondida nos evangelhos, mostra a força e a capacidade de resistir a toda  dor que uma mãe é capaz.  Se Deus lhe poupou das dores do parto, Ele a edificou na dor do sofrimento ao ver seu filho aniquilado na sua condição humana. Capacitou-a assim a se tornar mãe da humanidade inteira. Mãe silenciosa, mas sempre firme e presente. Mãe atenta, pronta a intervir indicando a quem devemos ouvir e seguir. Mãe amorosa, capaz de interceder por todos nós junto a seu filho Jesus.
Neste dia 8 de setembro que cada um de nós comemore  preparando o coração, adornando-o com o melhor dos vasos, o da disponibilidade, para receber a mais bela  das flores: Maria a mãe do nosso salvador. Que esta linda flor esteja sempre presente, enchendo-nos com o seu perfume de amor, sabedoria e singela alegria as nossas vidas.

28 de agosto de 2018

Como um Rio



Segue como um rio.
Em seu eterno passar
O rio da vida me leva.
Hora em calmaria,
Em momentos outros em corredeiras...
Contorna algumas pedras, afoga outras,
E muitas, simplesmente as faz rolar...
Mas sempre seguindo.
Num caminho sinuoso,
Limitado pelas margens
Abriga sonhos de transbordamento.
A natureza revolta das aguas
Vez por outra, denuncia que nem tudo é tranquilidade.
E segue.
Da nascente à grande vazão,
A novidade é a constante,
Nenhuma gota repete um caminho já feito.
Tudo é novo, similar, parecido talvez, mas sempre novo.

Numa curvam como agora,
O murmurar das aguas ansioso se pergunta:
Quanto ainda falta para ao grande mar chegar?
Loucuras de rio afoito
que não percebe que o melhor do trajeto
é a simplicidade do suave marulhar.

Que eu continue a agradecer esse fluir de energia, que há 67 primaveras, me presenteia sempre com um novo, simples e desafiante marulhar cotidiano. 





15 de agosto de 2018

Em Pneuma e Aletheia

J Ricardo A de Oliveira

Vai!
Vá para ti.
Vá e não desista,
Vá e não olhes para trás.
Vá e só pare quando chegar,
Quando encontrar o coração do coração.

Chegando lá faça uma faxina,
limpe tudo,
Não deixe nada,
nem um pingo da lama que lá houver.
Depois de tudo bem limpo,
De todo o perdão exercido,
Descubra lá, a presença que te habita.

Persista,
 permita-se desta vez,
Ser tomado pelo grande silêncio.
Perceba quem te respira
E deixe-se ser respirado por esta presença.

 Mas com toda a atenção:
Em Pneuma e Aletheia – em Espírito e Verdade !
Alí, onde tudo é Paz,
Onde tudo é Luz,
Na morada do “Eu Sou”

 Seja UM com Ele.

12 de agosto de 2018

Ser Pai





A chegada do mês de agosto me remete à comemoração do segundo domingo e me pego pensando o que representa a vocação da paternidade.  Ainda é muito forte a cena daquele pai em S. Paulo, mostrada pelos telejornais, convencendo o filho a não participar das manifestações de protesto. Alguns apoiaram, outros criticaram, mas eu no fundo fiquei mesmo me questionando o que é na verdade ser Pai. Por minha mente passam como relâmpago a agonia dos momentos na sala de parto onde estive por três vezes, essa mistura de medo, alegria e a explosão de felicidade com a chegada daquelas criaturinhas frágeis, totalmente dependentes de nós.
Mas afinal, o que é SER PAI ? Será manter uma casa, cuidar para que nada falte, adivinhar as necessidades dos filhos, conquistá-los atendendo suas mais absurdas vontades? 
Há momentos que me pego imaginando São José, naquela Nazaré de tantas necessidades o que deve ter passado para manter vivo e saudável aquela criança que lhe foi entregue como filho. Que conselhos teria dado a Jesus? Será que como aquele pai de S. Paulo, aconselhou ao jovem inquieto a abandonar aquelas estranhas ideias?
Como é difícil descobrir qual é o caminho certo, a melhor forma de edificar um lar. Acompanhar carinhosamente os filhos. Afinar percepções e encontrar o caminho que agregue o amor infinito da mãe e a necessidade de dar rumo e limite aos filhos. E como isso exige presença, empenho, tempo, cumplicidade.
Os novos tempos nos trouxeram um tipo novo de educação, mais participativa, com menos submissão e mais diálogo. Muitos talvez tenham se confundido na transição entre a criação autoritária que tiveram e o desejo de criar seus filhos de forma mais aberta. As exigências de um mundo que cobra sucesso, poder e fama tem também dificultado muito. Lamentavelmente, há muitos lares em que os pais são meros visitantes na vida dos filhos. Em outros foram colocados na classe dos dispensáveis , com a novidade “das produções independentes”. A TV, os jogos eletrônicos, os celulares se transformaram em excelentes meios de entretenimento que mantem as crianças e adolescentes ocupados, mas trazem como consequência uma grande alienação e o aumento da distancia afetiva nas relações familiares. Hoje cada qual em seu computador, sua TV, seu celular, dentro de seu quarto, se comunica, dentro da própria casa, por mensagens eletrônicas. O salto foi grande demais, rápido demais e temo que isso possa estar afetando o que de mais precioso temos: a família.
Como exercer a paternidade neste mundo que parece ter saído dos trilhos?  Como ser exemplo, sustentáculo, como não confundir o dar amor, com prover recursos, ser permissivo?



Voltemos àquela família de Nazaré, e debruçados sobre o que nos chegou através dos evangelhos, tentemos encontrar o caminho que certamente passa pelo grande ensinamento do Mestre que nos diz que a medida é uma só: Amar como ele nos ama. Então questionar  sem medo o estilo materialista que vem sendo imposto, deixar de lado a sede de poder, de sucesso a qualquer preço, para em família, juntos, pai, mãe e filhos, buscar o silêncio e a oração, e certamente poderão ouvir aquilo que o verdadeiro Pai tem a dizer sobre como ser verdadeiramente PAI.





25 de julho de 2018

A minha avó dizia...





A minha avó dizia...
Quem nunca disse esta frase?
Avós, essa materno-paternidade dupla, uma mistura de ternura e sabedoria. Avós são pais que atingiram a capacidade de educar através do amor.
Mas avós estragam as crianças lhes fazendo as vontades dizem alguns. Será?
Os pais geralmente estão preocupados com as regras e as disciplinas com a aprendizagem, a fixação de conceitos. Os avós já não têm esse compromisso, estão sempre mais atentos em passar aos netos a sabedoria adquirida enquanto seus cabelos embranqueciam. A minha avó dizia... Quanto de sabedoria essa frase esconde em nossas vidas. Quanta saudade nos traz.
Fico imaginando os avós daquele menino divino na distante e pobre Nazaré da Galileia: Ana e Joaquim. Infelizmente a tradição não nos informou os nomes dos pais de S José. Mas como terá sido a infância e o convívio de Jesus com seus avós? Tenho para mim que além dos valores que aprendeu com seus pais, Maria e José, valores de honestidade, firmeza, humildade, a mansidão, a doçura e o amor devem ter sido o legado de Joaquim e Ana àquele menino tão esperto e sábio.
Com as dificuldades do mundo moderno os avós têm sido chamados a exercer o desafio de cumprir um papel de substitutos dos pais. Pais que precisam trabalhar e até mesmo, pais que abrem mão de seus filhos fazem com que os avós assumam o duplo papel de avós e pais. Certamente estas serão crianças que terão a oportunidade de vivenciar uma maneira nova de aprendizagem da vida. Para os avós esse é um bom desafio que lhes ajudará a retardar a velhice e atravessar essa fase da vida de maneira mais jovial e ativa.
De tudo o mais importante é que a essência da sabedoria dos nossos mais velhos possa ser transmitida, com amor, às novas gerações. Se você tem avós vivos não deixe de dar um beijo carinhoso neles neste dia 26 de julho, se já se adiantaram no caminho transforme em oração o beijo, mas tenha a lembrança deles sempre viva em sua memória.
 S Joaquim e Sant’Ana, intercedei junto a Jesus por nós.