Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

5 de janeiro de 2018

A construção de um mundo de Paz

J Ricardo A de Oliveira


Almejamos a Paz, desejamos a Paz, falamos sobre ela, mas o que é PAZ ?
Paz, em hebraico, é “Shalom”, que quer dizer: estar inteiro e em repouso. Seria interessante perguntar: o que nos impede de estarmos inteiros e em repouso? Ou seja, de estarmos em “PAZ”?

As respostas são muitas, mas me parece que essencialmente nosso maior impedimento é o medo.  Eu arrisco dizer que o que nos rouba atualmente a Paz é o permanente estado de temor.
Então o que nos ajudaria a vencer esse medo e conquistar a Paz?
Muitos afirmam ser a coragem, mas de minha parte penso que o que vence o medo  é a fé.  A coragem é o que vem depois que a fé toma conta de nosso ser. A fé nos capacita para amar e o amor é justamente o melhor remédio para estarmos inteiros e em repouso.  É o medo que impulsiona as pessoas para o egoísmo, medo da escassez, da desvalorização. É ele que produz o ódio, as desavenças e a necessidade de se defender. São muitos os medos na atualidade:  do desconhecido, do sofrimento, do abandono, da morte, de não ser amado, ou aceito. Os medos indicam a imensa dificuldade que a humanidade atravessa que é a insegurança que é fruto dela não amar a si própria. A insegurança coloca no outro a necessidade de aprovação. O mandamento é muito claro: “Amar ao próximo como a Si mesmo”. Sem amor não há repouso e não há inteireza, não há PAZ. Ninguém pode transmitir Paz se não a tiver em seu interior, da mesma forma que ninguém pode amar se não tiver amor em sí e por si.
Precisamos enfrentar o desfio de nosso tempo e esse enfrentamento começa com a necessidade de ampliarmos o conhecimento sobre nós mesmos, para ver o que está impedido a nossa fé de crescer. É através desta fé que poderemos atingir e ampliar a nossa capacidade de amar e então vencer o medo, o que nos possibilitará alcançar a PAZ.
Pode parecer difícil, mas a mensagem dos anjos no presépio é clara. Eles nos lembram que a Paz está sendo enviada àqueles que tem “boa vontade”. Tenhamos então boa vontade, busquemos em nós  aquilo que precisa ser aceito, perdoado e integrado, coloquemos tudo isso nas mãos daquele que nos fortalece e a fé e amor certamente brotarão e passaremos a viver e distribuir Paz .

(publicado no Jornal "O Redentor" da Paroquia de Santo Afonso na Tijuca /RJ)

https://drive.google.com/file/d/0B6Yn_ZbzgR1sTm1xMktaWlhXbkQ3SjVNOE83aVUzUUR2cWpj/view

4 de janeiro de 2018

E eles viram uma estrela e seguiram, porque a estrela indicava algo grandioso. Mas que estrela era essa?

 “Haverá sempre uma Estrela no caminho de quem busca. Importa, pois, buscar com mente pura e sempre atenta aos sinais dos tempos como o fizeram os reis magos. ’’ (Leonardo Boff)


( J. Ricardo Oliveira)

Na verdade não era uma e sim duas estrelas; a rigor nem eram estrelas eram planetas: Saturno e Júpiter.
Planetas revestidos de simbolismos e significados que hoje o moderno cristianismo satanizou. Mas naqueles tempos a astronomia e a astrologia andavam de mãos dadas e eram uma só ciência muito respeitada.
E foram os magos (senhores de um conhecimento mágico) que interpretaram que algo grandioso, que algo maior que todos os acontecimentos da terra estava chegando para promover uma grande síntese. E há como comprovar, (Kepler 1630 fez cálculos astronômicos e mostrou efetivamente que cientificamente Jesus nasceu no ano VI antes da era cristã e justamente neste ano houve uma grande conjunção entre Júpiter e Saturno que fazia com que parecesse uma grande e luminosa estrela. Mas toda esta luz para um leigo seria apenas um fenômeno ou, para o comum dos mortais, não passaria de algo belo e interessante. Mas para os magos, para astrólogos acostumados a perscrutar o céu em busca de sinais essa conjunção revelava algo muito importante.
Astrologicamente naquela época Júpiter simbolizava o grande Senhor do Mundo. Já Saturno era tido como a estrela do povo Judeu. Os Magos interpretaram que no povo judeu nasceria o senhor do mundo e puseram-se a caminho.
Que como os Magos nós possamos aprender a olhar o céu, entender os sinais que lá estão. Que possamos ter a mesma disposição para interpretar as mensagens que Deus nos manda através da natureza e que ultrapassando toda dúvida, todo medo e todo preconceito possamos seguir e frente em direção do grande arquétipo da síntese, que uniu a terra ao céu, o humano ao cósmico a criatura ao criador marcando de uma vez por todas toda a criação como obra de amor e fraternidade.


Que como os magos que geralmente nunca se dobram, possamos nos curvar diante da grande Luz, do grande senhor, que escolheu se apresentar como um menino, nascido entre animais se igualando aos rejeitados e excluídos pela sociedade, e adorá-lo em espírito e em verdade, em pneuma e alethéia, no sopro e na atenção.

28 de dezembro de 2017

Consumir ou comungar ?


A proximidade de um novo ano  me conduz a uma reflexão sobre a Paz.
Assassinatos com requintes de barbarismo e crueldade, noticias de homens que simplesmente matam para se livrar daquilo que supõem ser problema em suas vidas, a ganância de filhos que matam os pais e de pais que matam filhos... 
Tudo isso me remeteu a como estamos afastados daquilo que é nossa missão nesta planeta e nossa condição básica.
Um mundo desestruturado e baseado no poder e na ganância. Um mundo de facilidades e de conquistas fáceis, mas muito pouco honestas. Um mundo individualista que convida a alienação, ao descaso para com o semelhante, um mundo afastado da consciência da unidade. Um mundo em que ninguém percebe a presença da divindade em seu próprio interior.
Estamos muito próximo do momento em que o consumo desenfreado já não satisfará mais e não entorpecerá mais a necessidade de amor e a carência dos seres humanos. Estamos muito próximo da encruzilhada que dividirá o caminhos entre consumir e comungar.

Quem consome não comunga.

Consumir implica em destruir o objeto consumido. Comungar é a ação de estar em comum com aquilo que se ama e que se quer preservar no amor.

Consumir é um ato violento,
comungar é um ato de amor.

A febre consumista que a elite dominante impõe sobre os demais é como uma droga que vicia e faz com que os indivíduos percam o seu senso de medida e que cheguem a atos extremos para conseguir seus objetos de desejo. Somente os poderosos sem escrúpulos se beneficiam deste estado de coisas.
Há uma linha que liga todos os atos ilícitos que vão desde o assassinato da companheira grávida, para não pagar a penção, à propina ao politico para obter vantagens; ou ao policial para que ele faça vista grossa por um crime 
cometido. Essa linha pode ter vários nomes mas nos remete sempre à mesma realidade: ganância, sede de poder e o vício do consumo.
Uma sociedade justa não tem grandes desníveis que marcam as diferenças entre os que a quem tudo sobra e os que a quem tudo falta.
Esse escândalo que é a estrutura social em nosso país é a base da falta de justiça presente na corrupção dos políticos, na sonegação dos impostos, nos crimes, roubos e desregramentos tão evidentes nas páginas dos jornais.
É preciso que se tome consciência que mesmo que nos pequenos atos, que muitos de nós praticamos e pensando ser inocentes, está o germe, a semente da corrupção baseada no consumismo que precisa ser controlado. Só poderemos mudar o mundo a nossa volta se cada um de nós for capaz de promover a mudança em sua vida.
Não basta buscar a Paz !
É preciso promover a justiça que é geradora da Paz.
Dê  Paz, distribua  PAZ ao seu redor, praticando a justiça.
A Paz no mundo só será alcançada quando a prática da justiça for uma realidade no coração e na vida de cada um de nós.

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25 de dezembro de 2017

Tem gente que ainda não sabe o que é Natal.

Em meio a tantas mensagens de Natal, li algumas nas redes sociais e uma delas conseguiu me espantar. A pessoa dizia na mensagem que não desejaria Feliz Natal porque Jesus não nasceu em 25 de Dezembro e que isso era uma invenção etc, etc, etc. Dizia inclusive que a importância de Jesus era relativa se comparada a outras figuras míticas no mundo. Sugeria que esse tipo de manipulação só servia ao comercio e uma série de outras coisas que na verdade caberiam bem em alguém que pretendesse fazer um discurso ateu e revolucionário. Mas não, o depoimento era de alguém que se diz espiritualista, mística, holística e sei lá mais quantos "istica".
Na verdade eu nem discordo de alguns dos argumentos que foram distorcidos ao longo dos séculos, muito menos que o sistema venha investindo pesado no Natal do Papai Noel e dispensando o aniversariante como uma incomoda figura de segunda importância, um figurante que só traz problemas com suas ideias de amor, fraternidade e coisas no gênero.
Por outro lado, vi também gente questionando o fato de se dizer que Jesus é o aniversariante, porque Ele na verdade é maior, é da ordem dos mistérios e reduzi-lo a aniversariante é diminuir sua importância.
Não comentei, até porque tenho procurado polemizar ao mínimo nas redes sociais depois que percebi que essas situações acabam sempre em barracos, e em alguns casos até em processos judiciais e na verdade nada mudam. Mas confesso que fiquei pensando nos meus natais, dos quais apenas os primeiros não estão bem vivos gravados na minha memória.


Que importa se Jesus nasceu em 25 de dezembro ou em maio ou talvez abril ou setembro? Porque me exasperar se a sociedade capitalista transformou o papai Noel na figura central do Natal, ou se as pessoas fazem do Natal uma ocasião de excessos?
Há muito tempo que descobri que toda e qualquer mudança precisa começar primeiro em mim para que depois possa pretender que ela atinja as demais pessoas da sociedade. E entre a minha mudança e a mudança da sociedade vai um longo e demorado caminho a percorrer. Certamente não é pelo discurso, pela crítica direta e desprovida de caridade e pela revolta a questões mal resolvidas em meu íntimo que as pessoas vão mudar. É principalmente pelo exemplo, pelo testemunho de vida que eu posso fazer a diferença e posso me alegrar com os pequenos gestos de mudança das pessoas.
Se há mais de mil anos se repete em uma mesma data um festejo que coloca a fraternidade, o amor e a caridade em evidencia, porque não me alegrar e incentivar isto? Porque não aproveitar esse incentivo para exercitar estas virtudes?
O Natal para mim sempre foi ocasião de muita alegria, sempre foi lembrança de dias felizes na convivência dos primos, e tios, da família em uma mesa rodeada de sorrisos e afetos e abundancia de afeto e alegria e oportunidade de celebrar a união com quem se ama.
É uma época de caridade farta, até mesmo por pessoas pouco dadas a essa prática. É também uma época em que as pessoas se esforçam para pelo menos parecerem melhores.
Não acho que seja o dia da hipocrisia, como alguns insistem em ressaltar. Até mesmo porque se for por alguns instantes, qualquer gesto de amor e fraternidade é louvável. Não sou palmatória do mundo, prefiro errar por acreditar nas pessoas do que acertar sempre não confiando nelas.
Os meus natais, a maioria deles, sempre foram momentos de muita Alegria, Paz, entusiasmo e Contentamento.
Eu tive a graça de ter convivido com meus avós, tanto paternos como maternos. E natal sempre vai me remeter à casa dos avós. Na casa dos meus avós maternos a lembrança mais forte desta época é a do presépio, majestoso na sala de visitas, das orações em volta do presépio na noite de Natal. Era lá que passávamos a véspera de Natal. A ceia não era como hoje, com comilanças exageradas. Tínhamos as rabanadas, as frutas secas e alguns doces da tradição portuguesa: o Formigos ou Mexido. Era na verdade uma espécie de creme onde de tudo um pouco entrava na sua confecção: pão esfarelado lentamente até quase virar farinha, água, ovos , mel, vinho, amêndoas e uma quantidade enorme de paciência para mexer a grande panela de barro em fogo brando por horas e horas a fio. Uma tradição que minha avó manteve até seus oitenta e nove anos quando partiu e o mexido passou a só existir junto com ela, em nossas lembranças.
No dia de natal, o almoço era na casa dos avós paternos e ali, a família por ser maior, a atividade era imensa. Acho que nenhum de nós os netos conseguirá esquecer, por mais que o tempo passe aquelas festas, aquela algazarra de crianças por todo lado, e adultos atarefados. No quintal a mesa de pingue-pongue armada com uma toalha e a sua volta bancos, cadeiras e o que mais servisse para que TODOS pudessem sentar-se à volta da mesa e saborear o almoço de natal. O Almoço durava horas...


Terminado o almoço começava uma arenga, quase briga, era a disputa para quem ia lavar a louça... Por incrível que pareça todas, filhas e noras, disputavam a honra de pilotar a pia.
Mas, a coisa mais sagrada, depois do almoço era quando vovó fazia questão de buscar o saco das pedras e os cartões do jogo de víspora e a tarde voava entre o canto de um número e outro e a tensão de não perder nenhuma marcação com os caroços de feijão e os gritos: "duque", "terno!”...
De repente alguém dizia: Ah! Peraí ! Eu tinha marcado esses... e o vovô dizia : comeu barriga ! Perdeu... Muitos risos e muita alegria e já alguém gritava: “ duque de ponta”, ou terminava aquela série com um sonoro:
"V I S P O R A" !!!!!
Desta época de natal minha memória acusa a lembrança de uma iguaria que só era feita nesta época do ano: os Mantecais. Durante a semana que antecedia o Natal uma bacia era posta na sala de jantar sobre a mesa e nela alguns quilos de banha de porco que minha avó batia com uma colher de pau até que virasse um creme quase líquido em que eram acrescentados outros ingredientes até virar uma massa clara como massa de empada. Depois vinha o momento de enformar os “mantecais”, e eu sempre dava um jeitinho de roubar um pouco daquela massa doce e gostosa. As formas eram como que barquinhos e aos montes eram colocadas para assar e o cheiro ia longe. Assados os mantecais que na verdade eram uma espécie de biscoitos amanteigados, típicos da tradição espanhola, na distante Málaga da infância de vovó, eram passados no açúcar e canela e guardados em grandes latas para serem saboreados nas festas de fim de ano. Nunca consegui recuperar a receita para comer e reavivar aquele gosto de infância feliz.
A lembrança da vovó está muito associada àquelas festas na vila da rua Dona Maria e a alegria de tempos que embora difíceis, não foram capazes de escurecer a lembrança viva da alegria da família reunida no Natal.
Mais tarde o tempo se encarregou das transformações, algumas bem dolorosas e significativas. Por ironia a vovó Bebel, essa avó paterna, nos deixou em um dia de Natal bem cedo. Lembro bem e eu devia ter meus 19 anos, a notícia chegando no dia 25 de dezembro com o raiar do dia.
Depois que eu casei e os filhos chegaram eu tomei como tradição fazer o Natal, reunir a família e comemorar esta data, que até hoje é para mim muito especial.
Trouxe para mim o mesmo presépio que meu avô comprou lá pelos anos 30 e o gosto de reunir a família e celebrar. Celebrar algo que só quem não quer ver não percebe. São os judeus e a festa da Luz , ou pode ser a comemoração do Deus pagão como Mitra, ou para nós cristãos o nascimento da Luz.
“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz naquela noite”.

É assim que a bíblia se refere à chegada de Jesus. E o natal é exatamente isso, "Luz". O mistério da Luz que não se apaga nunca. Sejam as luzes artificiais das fachadas, ou a luz que cada um, se quiser e permitir, acende em seu próprio coração, neste tempo de grandes transformações. E qual sarça ardente jamais se apaga. Natal é oportunidade de renascimento, é tempo de nos lembrarmos de que existe algo luminoso em nós e que só depende de cada um de nós querer manter aceso, ou ocultar e alardear que não há mais esperança para esse mundo.
De minha parte, continuo acreditando em utopias e buscando manter acesa a chama da vida que a cada natal é avivada por uma onda de paz, e alegria.
É natal, pelo menos por hoje troque as reclamações por agradecimentos. Troque a cara feia por um sorriso. Nós podemos se quisermos transformar esse mundo em algo mais alegre, e digno de seres criados à semelhança de um Deus.
Feliz Natal! A transformação é possível, vamos manter bem forte esta chama, nós podemos.

7 de dezembro de 2017

Maria: a mãe da humanidade

Ela é Maria, de muitos nomes e apelidos, mas sempre a mesma Maria. Não importa o manto que use, se branco ou Azul. Nem faz diferença se é negra e a chamam de Aparecida ou branca conhecida como senhora de Nazaré. Se ela é de Fátima ou de Lourdes, ou de lugares outros pouco conhecidos.

Ela é sempre a mesma mãe, seja a mãe zelosa católica do Perpétuo Socorro ou a mãe das águas, ora salgadas reverenciada como Yemanja, Odô Yá !  Ou até mesmo as águas doces que correm nos riachos e cascatas pelo imenso Brasil cultuada como Oxum, Ora Yê Yê Ô!


 Ela sempre será a mãe, a que disse SIM, e se tornou referência nos momentos de dor. A figura que transmite a ternura, a doçura, mas que guarda em si a força e a autoridade de quem
 “... dispersa os soberbos; derruba os poderosos de seus tronos/e eleva os humildes;/ sacia de bens os famintos, / despede os ricos sem nada. ” (Magnificat – Lucas 1:52-53)
Como diz o grande cantor e compositor Altay Veloso:
Esta Maria é “ cheia de Raça...não teve de graça o que recebeu
Quando alguém é um rio que gera um oceano
Não há nenhum tirano que arranque o que é seu
Um ventre quando se transforma em um santuário é revolucionário a meu modo de ver
Ninguém vai do parto ao santo sudário sem saber porque
Tem que ter a luz da humildade/ Cumplicidade, amor e revelia
Ninguém se torna mãe da cristandade sem a santa ousadia ...” ( Altay Veloso, Estrela Luminosa in Alabê de Jeruzalém)

Ela é a Maria que nos adotou como filhos, nos fazendo irmãos de seu filho redentor. Ela tomou para si a tarefa de defensora de cada um dos humanos no tribunal da eternidade.



Que ela nos inspire sempre por sua força de permanecer de pé diante do sofrimento por ver covardia a que seu filho foi submetido.

“Divina mãe...estrela luminosa que perpetuou Belém
Guerreira mãe...nos dias de trevas nas ruas de Jerusalém...
Olhai por nós nas horas de tristezas, nos momentos de aflição

E derramai a poderosa força de vontade em nosso coração. ”  ( Altay Veloso, Estrela Luminosa in Alabê de Jeruzalém)

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18 de novembro de 2017

Uma Escola do Olhar

Uma Arte de Cuidar - O Estilo Alexandrino

Eis a importância da prática da transdisciplinaridade . Saber que há diferentes pontos de vista sobre uma mesma realidade. E que precisamos de todos eles para ver melhor.
Os Antigos Terapeutas [de Alexandria] buscavam despertar, em si, o que chamamos o olho do Querubim. O Querubim, na tradição antiga, é um estado de visão, representado como asas repletas de olhos. Essa imagem é encontrada em diversas culturas, particularmente na tradição da Etiópia, onde há querubins nos tetos das igrejas: olhos que nos olham.
Certa vez, quando adoeci na Etiópia, fiquei surpreso ao ver um médico me dar um pequeno rolinho e dizer: - Seu remédio. Ao desenrolar vi que havia nele asas com olhos. Tocou-me profundamente porque compreendi que tratava-se de colocar outro olhar sobre a doença.
Há a visão do médico, do psicólogo, dos amigos, mas há também o olhar do Anjo. Esse olhar que vê o que acontece segundo um outro ponto de vista, de outra profundidade e que contempla a nossa doença ou sintomas não somente como os olhos humanos são capazes. Então pode se abrir, talvez, uma outra interpretação sobre aquilo que nos ocorre.
Assim, convido-o a imaginar um olho, com facetas, como o de uma abelha. Como ele nos veria nesse momento? Não tem nada a ver com a nossa maneira habitual de olhar. Ou um cavalo – você já pensou em mirar alguém com o olhar de um cavalo? Aparecemos com uma forma completamente diferente. Trago essas imagens para nos lembrar que a visão do mundo que temos é ligada ao nosso instrumento de percepção e no olho de um cavalo ou de uma abelha há todo um outro mundo. A maneira de ver alguém pode mudar, segundo a qualidade do nosso olhar.
Então, a tarefa é despertar em nós essas diferentes facetas. Isso me faz pensar nas diferentes áreas do cérebro, nas diferentes capacidades de apreender o mundo.
Vou propor o olhar dos Antigos Terapeutas que possui sete olhos. Geralmente paramos no terceiro olho.

O primeiro olhar é o do ver – eu vejo.

O segundo é o olhar da ciência – eu observo, eu analiso. E´um olhar apoiado, aprofundado.

O terceiro olhar é o que pergunta – eu interrogo. O que é esse sintoma? O que ele manifesta? O quê? O que é?

O quarto olhar é o que se pergunta – eu me interrogo. Como é que eu vejo? E´o olho da filosofia metafísica. O que é o Ser? O que é o ser humano? Trata-se do como eu conheço. Esta é a filosofia de Kant , por exemplo, que se interroga sobre como a ciência é possível. Eu conheço muitas coisas, mas não apreendo o instrumento através do qual eu conheço as coisas. Para um Terapeuta há uma questão muito importante: Qual é o instrumento por meio do qual ele conhece o outro e interpreta sua doença? E´necessário purificar este instrumento e ver que, segundo o modo de percepção que adotamos, a realidade dos sintomas pode ser completamente diferente. Não somente interrogo o real, esse corpo que acompanho, mas também sobre minha maneira de conhece-lo.

O quinto olhar se abre para o sentido – eu acolho o sentido.
Por intermédio dos sintomas, dos sonhos, da fala, simplesmente acolho o sentido, antes de interpreta-lo.

O sexto olhar é o da interpretação – eu interpreto. Essa interpretação pode ser criadora. Após o exercício de todos esses olhos da observação, da análise, da interrogação, da escuta acolhedora, me torno capaz de interpretar e dar um sentido ao que a pessoa está vivendo.

O sétimo olhar é o que direciona e liberta – vá com sentido! Da mesma maneira que dizemos:- Vá com Deus! Poderíamos dizer: - Vá com sentido! Vá com a interpretação da sua doença, não apenas na sua dimensão mental; também com os meios de cura-la, de cuidar de você. Essa é a grande palavra dos Terapeutas: Vá em direção a você mesmo, eu estou com você! Esta foi a palavra de Deus dirigida a Abraão”

Uma Arte de Cuidar - O Estilo Alexandrino
 Jean Yves Leloup
(Para aprofundar consultar o livro de mesmo nome do autor)

3 de novembro de 2017

Jaconé



É aqui
Que cansado,
Ao fim da tarde, o sol
Descansa seus raios dourados
Nas ondas alegres deste mar.


E nesta hora, dizem,
Que o  mar apaixonado
Faz cafuné,
Nas brancas areias de Jaconé.

Revisitando lembranças...


Tempo de sonhos
Dos só - risos
Tempo criança,
De lembranças de lambanças...

Tempo de rua,
Portões abertos.
Momentos de alegria
Liberdade.
quando a vida fluía...
Tempo de espera
Sonho fantasiado,
Baionetas e sentinelas.
A vida aprisionada,
Para um adulto idealizado.
Ilusão do paraíso,
Muito riso e pouco sizo
Realidade de fumaça,
sem alicerces,
inconsistência sem juízo.

Desperto.
Acordado vivo o pesadelo:
Portões fechados,
crianças marginalizados,
adolescentes espancados,
Liberdades limitadas,
sorrisos encarcerados;
No saldo,
Só a teimosa esperança.


O que será do agora?

2 de novembro de 2017

Oração pelos ancestrais


GRATIDÃO, queridos pais, avós, e demais ancestrais por terem tecido o meu caminho!
Imensa gratidão pela imensidão dos seus sonhos que, de alguma forma, se tornaram, hoje, a minha realidade!
A partir deste ponto, e com muito Amor, levo LUZ à tristeza que houve nas gerações passadas.
Levo LUZ às raivas, às partidas prematuras aos nomes não recebidos, aos destinos trágicos, traumáticos.
Levo LUZ à flecha que cortou o caminho e tornou a caminhada mais fácil para nós. 
Levo LUZ à alegria, as histórias repetidas.
Levo LUZ ao não dito, às sombras, aos segredos de familia.
Levo LUZ às histórias de violência e ruptura entre casais, pais e filhos e entre irmãos!
Levo LUZ a todas as memórias de limitação, a todas as crenças destrutivas que permearam meu sistema familiar.



Aqui, agora, semeio nova esperança, união, prosperidade, que leve equilíbrio, alegria e FÉ!
Que sejam o PERDÃO e o AMOR os responsáveis por curar todos os enganos e reunir todos os que se acham separados!
Que sejam, agora, passado e futuro cobertos por um ARCO-IRIS de LUZ que cure e harmonize todos os relacionamentos!
Neste instante, que a FORÇA e a BENÇÃO de cada geração alcance a geração seguinte!
Que assim seja! E assim é!

PERDÃO, COMPAIXÃO, LIBERTAÇÃO, AMOR e LUZ 
a todos os nossos ancestrais!
( desconheço o autor)

26 de outubro de 2017

Será nova a onda tradicionalista na Igreja?


A foto do cardeal Burke que apareceu esta semana me levou a refletir e a ir longe...
Fiquei a imaginar que tipo de cristianismo chegou até nós. E isso me levou a pesquisar e a rever coisas escritas, procurar livros e anotações e um frio percorreu a espinha. Isso não é cristianismo. Mas que cristianismo chegou até nós? Muitas vezes, muitos de nós costumamos culpar Trento pelos absurdos. Mas O concílio na verdade não é o culpado. Os absurdos na igreja não começaram em 1545. É preciso assumir que muito antes do concílio de Trento, os Burkes da vida já eram figurinhas carimbadas na igreja com suas caudas, e esquisitices. Aliás se fossem só caudas até que não seria tão terrível. Mas o que falar das cruzadas, das mortes encomendadas, dos envenenamentos para obter poder, do assassinato de papas, reis, de amantes concubinas de bispos e toda sorte de apoios perversos a monarcas que mudavam de lado conforme mudava o vento do poder e dos tesouros. E as matanças em nome de Deus, a "Santa" Inquisição e a escravização do povo? O que pensar de toda aquela gente faminta, morrendo de peste e os prelados protegidos em seus priorados, monastérios e palácios. Peço que me perdoem, mas não consigo ver nenhum vestígio do jovem galileu nesta história.


Penso que na verdade os tradicionalistas sempre foram a igreja, o que é novo são os restauradores. Esses sim são o ponto fora da curva. Um Francisco de Assis entre outros poucos, que ousaram e quase pagaram com a vida, buscar o verdadeiro Jesus nesta instituição que desde que se aliou ao poder romano matou e substituiu por outro o verdadeiro e incômodo Joshua. Não é Burke, Lefebvre, João Clá, ou Plinio de Oliveira ou qualquer outro conservador, fundamentalista que estão fora da norma nesta igreja. São os Franciscos, o de Assis e o de Roma, e essa teimosia de atender o pedido de Jesus para restaurarem a sua igreja que são nota destoante nesta igreja que se perdeu do Cristo.


Será que alguém consegue imaginar um jovem cercado de gente da pior espécie para os padrões da sociedade cristã atual sendo levado a sério em uma pregação em uma praça qualquer de alguma cidade do mundo? Qualquer jovem malvestido que brada para o povo que passa qualquer um daqueles “ Ai de vós” que Jesus gritou aos quatro ventos, ou dizendo alto e bom som qualquer das bem-aventuranças? Seria tido como louco, drogado, embriagado, um vagabundo qualquer.  O livro dos Atos dos Apóstolos sempre me deixou com uma estranha sensação de que algo não bate, não encaixa. O livro “A Igreja Católica” do teólogo Hans Kung então me sacode as bases e os alicerces das minhas crenças. A história dos concílios, os livros de crônicas do período medieval, a Reforma Protestante e a Contra- reforma... Deus meu como estamos distantes... Diante disso a morte de João Paulo I, a renúncia de Bento XVI, os vários escândalos financeiros e sexuais nada mais são que repetição de algo que vem se repetindo ao longo destes quase dois mil anos.  Será que cabe falar em uma tradição? Em magistério da igreja? Qual tradição? A de Jesus e dos apóstolos, ou essa que manchou de sangue e vergonha os séculos em nome de um outro jesus? Qual magistério, o dos apóstolos, ou esse outro que inclui alguns papas que nem cristãos eram?
É muito triste, inclusive para mim que por um breve período de tempo tive o "Dom" como diretor espiritual e com o concílio vivi a esperança da mudança que deu origem ao surgimento de verdadeiros santos como o Ir Marcelo, o Leonardo Boff,  frei Beto e D Paulo e Ir Pedro Casaldáliga, e muitos outros além dos atuais como o amigo Cesar Kuzma. É triste constatar que eles na verdade são a exceção. São os perseguidos e cassados como Jon Sobrino, Leonardo Boff, e até assassinados como D. Romero, Pe. Burnier, Pe. Herrique Pereira Neto e o próprio João Paulo I. Esses lutadores, esses verdadeiros guardiões do verdadeiro cristianismo não tem lugar nesta igreja, que sobreviveu anunciando um Cristo que nada tem a ver com o verdadeiro, que não segue os seus ensinamentos. É essa igreja, a mesma que Francisco está tentando colocar nos trilhos, tal como o outro xará seu, de Assis, tentou mas não conseguiu, porque foi traído por seus iguais e sufocado pelo peso de uma igreja imperial, de uma igreja comprometida com o luxo e com a defesa dos poderosos. Espero que o nosso Francisco não morra de desgosto como o outro que não conseguiu fazer valer a regra que queria para sua ordem mendicante.
Sei que muita gente vai me achar, para variar, herege, mas já não tenho ilusões e nem certezas quanto ao que chegou até nós da verdadeira tradição dos primeiros tempos.
 Sei que vivemos tempos em que tudo parece desmoronar e isso me dá uma sensação boa, a de que é possível que Francisco de Roma consiga a restauração da instituição que Francisco de Assis não conseguiu.
Por hora me contento em tentar ser como aquelas primeiras comunidades, que se reuniam para ouvir a palavra, partiam o pão nas casas, e tentavam fazer do amor a sua maior lei, sendo que este último tópico confesso ainda é muito difícil de cumprir.


História dos 21 Concílios da Igreja – de Niceia ao Vaticano II Christopher M. Bellito Edições Loyola
A Igreja Católica – Hans Kung – Objetiva
História do Cristianismo- Paul Johnson- Imago