Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

Receba "O Absurdo e a Graça" por Email

Total de visualizações de página

Seja Bem vindo (a)!

Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

20 de julho de 2017

20 de julho – Um dia, entre tantos dedicados aos amigos.






 
 
Tempos estranhos este que vivemos, temos dia para quase tudo. Dia da mãe, do pai e dos avós. Dia da mulher, da criança e agora do homem. Dia da mulher negra, da mulher índia, dia do irmão e da irmã, dos tios, dia dos primos, dos namorados e namoradas, e também dia da amizade e do amigo. Acho que vamos acabar tendo que criar o dia do dia já que dentre os 365 não sobrará um dia para ser dele mesmo.
Mas o que será que esse mundo capitalista e tão pouco emotivo considera amigo. Fiquei me perguntando quem eram meus amigos e como definir entre tantas pessoas, quem são os que considero assim, amigos? Pensei nos parentes, alguns que me sinto próximo emocionalmente, mas que não vejo e não falo desde o último casamento ou enterro da família, mas são amigos.
Pensei depois naqueles com quem falo diariamente, esses são amigos! Mas como, se alguns eu nunca olhei nos olhos e jamais troquei uma palavra fora do mundo não virtual, mas que são mais próximos, do que os mais próximos parentes próximos. 
Coisa curiosa é o mundo virtual pessoas que nunca olhei nos olhos, que não conheço o timbre da voz. Mas mesmo assim, são tão caras a meu coração, tão próximas que passaram a fazer parte da família. Não raras vezes em situação muito comuns, tomo as dores deles quando algum infeliz comentário os atinge. Não consigo e nem sei se quero entender, mas uma certeza eu tenho, não quero e nem gosto de pensar na hipótese de perder qualquer um de meus amigos, virtuais e não virtuais. Para mim a nossa amizade, se é virtual ou cara a cara, não faz mais diferença, todas são para o meu coração completamente reais.
Acho que agora de pois de raciocinar entendo: amigo é aquele a quem se considera amigo, não importa a distância real, nem mesmo que o contato seja só virtual, estão sempre próximos. Amigos são como irmãos que estão sempre juntos de alguma forma comungando ou não das mesmas ideias, mas sempre unindo seus corações quando a necessidade ou o momento determina cuidar, consolar ou se alegrar. Mesmo quando discordam e acreditam em ideias diferentes, ou quando o time de futebol é rival, tem uma fé antagônica ou a posição política assim um pouco diferente. O que importa mesmo é aquilo que vem do coração, já que como o profeta Milton já disse, ”Amigo, é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, mesmo que o tempo e a distância, digam não...
Por isso hoje deixo aqui o meu abraço carinhoso a esses muitos amigos/irmãos tão diferentes entre si e tão iguais no sentimento e na presença deles em minha vida.

13 de julho de 2017

Diante do Mar...


De frente para o mar reflito e constato que já deveríamos saber que os poderosos sempre levam, aparentemente a melhor. Os sinais, saltam aos nossos olhos e estão nas nossas caras há 2000 anos. Não são necessárias provas quando a vontade dos poderosos se faz presente. Nenhum interesse é maior ou superior do que aquele que emana da elite que domina. Poder que emana do povo só mesmo nos livros e quando a elite quer fazer o povo pensar que detém poder.
Eu posso entender claramente quando o jovem galileu disse que o reino d’Ele não é desse mundo, e não é. Consigo entender o porquê as igrejas cristãs se aliaram ao poder, na verdade elas não estão preocupadas como aquilo que Jesus propôs, elas constroem religiões, dogmas, crenças e doutrinas baseadas na materialidade de forma a anestesiar e domesticar o povo. Ele, o mestre galileu, sabia que tinha vindo trazer a espada, mas a espada não faz parte da sua proposta de Reino e sim da religião obrigatória, e oficial de um império. O amor e a misericórdia estão além de julgamentos, das excomunhões, das guerras, das proibições e dos anátemas.
No mundo onde o galileu reina, o amor é a lei, e não há disputas pelo amor, ele dá-se de bom grado e ninguém pretende dominá-lo ou ter poder sobre ele. Qualquer tentativa de encarcerar amor, ele se extingue.
Olhando o mar e o movimento das ondas percebo que o amor é como este movimento, nada pode detê-lo e é incessante.
Outra coisa que aprendi olhando o mar é que não a limites para a extensão do amor, uma vez que se abra espaço ele invade e preenche todo o espaço.
Por isso ganho nesse pensar a possibilidade de poder comparar saberes, crenças e informações as mais diversas, das mais diversas culturas, povos e tradições que se baseiem no princípio fundador, o amor.
O mundo real é muito mais vasto do que nós e do que os momentos que estamos atravessando, há variadas faces do prisma a serem vistas e interpretadas.
A história nos dá pistas sabias para que possamos entendê-la: Os algozes sempre morrem, geralmente são esquecidos ou lembrados com reservas, as vítimas além de imortais geralmente são eternamente lembradas e veneradas.
O mar também me diz que o segredo para entender a vida está bem ao nosso alcance, em uma instancia que convencionou-se chamar de consciência e que os místicos chamam de "a voz de Deus ". Ela pode ser acessada por todos os que aceitarem se desnudar da arrogância de seu Ego. Ela me diz agora, de frente para o mar, que simbolicamente representa o inconsciente em sua vastidão, que não podemos nos deixar dominar pelo medo ou pela ansiedade de querer controlar os acontecimentos. Muito menos podemos nos deixar levar por impulsos impensados. É preciso usar e abusar da terapêutica da água na boca para deter as palavras mal ditas. Qualquer palavra além do permissível acirra os ânimos e contribui para o desamor e pode comprometer o projeto maior. Não podemos esquecer que "O amor é a lei". É preciso não pretender buscar os holofotes e as glórias que este mundo tanto valorizam.
É mais que necessário alçar voo para ver melhor a realidade e quanto mais alto melhor, quanto mais alto mais superficiais se tornam o tempo e o espaço e é possível ver com olhos de eternidade.
Voemos então.
Sem que nos deixemos abater no voo, sem nos permitir a influência do passageiro, sem que os ventos dos humores nos tirem do curso traçado. O projeto é nada menos que
"O Reino". Esqueçam os dogmas, as doutrinas,e as condenações, todas elas, só o AMOR importa.
É tempo e hora de ver o que é real e está por traz daquilo que nossos limitados olhos conseguem perceber.
Sinto muito, Me perdoe, Sou grato, Eu vos amo!

Uma nova saída é o que precisamos neste momento

Um video bastante interessante especialmente por ser da TED,
o que lhe confere seriedade e especialmente
por nos trazer lições de vida muito importantes.
Acho que quando todas as saídas parecem estar fechadas
é bom continuar insistindo até encontrar outros caminhos.
A mudança de paradigmas vai neste sentido,
não será repetindo o que sempre fizemos
que vamos conseguir mudar o mundo.
https://www.youtube.com/watch?v=rhcJNJbRJ6U


10 de julho de 2017

Parábola do Samaritano.

Ele não nos enganou, deixou clara a sua denuncia. Não foi o sacerdote quem parou para ajudar e muito menos o Levita, que era a tribo dos auxiliares
dos sacerdotes, aqueles que ajudavam no Templo. Ele escolheu um "Samaritano" para ensinar como ajudar ao próximo.
Mas quem eram os Samaritanos na época de Jesus ?
Samaritanos eram odiados pelos judeus, tidos como hereges, pagãos,impuros.
É bom que se saiba que se fosse em nossos dias os Samaritanos poderiam ser:
Petistas para os coxinhas e vice versa
Umbandistas ou Candomblecistas para evangélicos e católicos fundamentalistas.
Gays para os Homofóbicos.
Ou qualquer tipo de gente que um grupo costume rechaçar ou excluir por preconceito.
É preciso ligar essa parábola aos ensinamentos de Jesus que pedia para AMAR os inimigos. Jesus via a todos como irmãos, mesmo aqueles que ele fazia questão de reprovar, ele tudo o por amor, para que enxergando a verdade se reconciliassem com o projeto do Reino.
Por isso não nos cabe escolher quem são nossos próximos, que "tipo de gente" ajudar, ordem é AMAR indiscriminadamente.

29 de junho de 2017

29 de Junho - Apóstolo Pedro

Hoje 29 de junho , dia dedicado a Pedro, o apóstolo com quem mais simpatizo.
O mais impulsivo dos companheiros de Jesus, e que por muito amar era capaz de pensar poder ir até onde suas forças humanas não lhe permitiam.
Perdeu a cabeça ferindo o soldado, negou três vezes seu mestre, pescava nú, não teve fé suficiente para andar sobre as águas, não queria permitir que Jesus lavasse seus pés...
Tão humano que poderia ser qualquer um de nós. Mas foi a ele que o mestre escolheu como referência.
Pedro Tú és céfas!
Tu és como uma pedra, um cabeça dura, fruto de tua humanidade simples e pura, mas é sobre essa aparente dureza, cheia de verdade, simplicidade e amor que quero edificar o meu projeto. Pedro, tu és pedra, e é sobre esta pedra que quero iniciar o meu rebanho.
Você Pedro é onoisso maior incentivo, é o sinal de que o mestre não se importa com nossa frágil humanidade e sim com nossa capacidade de rever os passos incertos e retornar ao verdadeiro caminho do amor e da luta pela libertação.

27 de junho de 2017

Mãe do Perpétuo Socorro




27 de junho: Maria, Mãe do Perpétuo Socorro.


Muitos autores afirmam que o primeiro Ícone de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO foi pintado em madeira por São Lucas, no século I, na época em que a VIRGEM MARIA morava em Jerusalém. Revela a tradição que Ela com o MENINO JESUS aos braços viu a pintura e apreciou muito, abençoando o artista e o seu trabalho.

Quando Lucas completou o Ícone, é tradição que ele deu de presente ao seu amigo pessoal e patrono Teófilo, e viajou em companhia de São Paulo, no prosseguimento do trabalho de evangelização.

Consta ainda de informações antigas, que em meados do século V, o Ícone da VIRGEM foi encontrado no Império Bizantino. Santa Pulquéria, que era Rainha e governava o país, ergueu um Santuário em honra da VIRGEM MARIA em Constantinopla, e segundo fontes fidedignas, aquele Ícone permaneceu lá por muitos anos, onde nossa MÃE SANTÍSSIMA era venerada por milhares de cristãos: reis, imperadores, santos e pecadores, homens, mulheres e crianças, ricos e pobres, e sobre todos derramava, uma quantidade incontável de graças, milagres e benefícios. Também neste período, se tem conhecimento de que já existia pelo menos uma copia do original, que se encontrava no salão imperial de audiências da Rainha em Constantinopla.

Por outro lado, desde longa data, a arte sempre foi influenciada pela religiosidade popular, e mais especificamente nos séculos XII e XIII, com muito fervor foi colocada em grande evidência a Natureza Humana de JESUS, sendo divulgados com frequência os sofrimentos da Paixão, o Drama do Calvário do SENHOR e as Dores de NOSSA SENHORA. Aqueles fatos tristes e terríveis centralizavam a devoção das pessoas, que pelo cultivo deles, revelavam a grandeza de seu piedoso amor e carinho a JESUS e a VIRGEM MARIA. Neste sentido, dois grandes Santos da época contribuíram exercendo uma forte influência com suas pregações, para que existisse de fato um acentuado exercício da devoção aos sofrimentos do SENHOR: foram São Bernardo de Claraval e São Francisco de Assis.
E esta ênfase foi sentida principalmente no Oriente, através da obra evangelizadora dos Padres Franciscanos. E desta realidade, resultou o aparecimento de uma manifestação artística denominada “Kardiotissa”, derivada da palavra grega (kardia ou kardio, que significa coração). Assim, a denominação artística “Kardiotissa” ou “Kariotissa”significava (revelar misericórdia e piedade, mostrar um sentimento de compaixão). Então, esta corrente de pintores colocava as imagens sacras de seus quadros, expressando algum tipo de dor e sofrimento em relação à Paixão do SENHOR.
Historicamente fomos encontrar informações fidedignas relacionadas à pintura de São Lucas, somente a partir desta época, e mais precisamente no ano 1207, num despacho do Papa Inocêncio III, em face da admirável quantidade de milagres que NOSSO SENHOR realizava, pela intercessão da sua MÃE, representada numa pintura em madeira, com o MENINO JESUS ao colo, que afirmavam ser a pintura de São Lucas. Sua Santidade o Papa declarou que “verdadeiramente a alma de MARIA parecia se encontrar na imagem, uma vez que era tão bonita e tão milagrosa”.
Segundo afirma a tradição, São Lucas era grego, da mesma maneira que os seus pais. Assim o estilo bizantino originário daquela região, estava por assim dizer, no seu sangue. Então, nos séculos XII, XIII e XIV, os pintores fizeram diversas cópias em madeira e tela, criando o Ícone de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO, procurando mesclar o estilo bizantino de Bizâncio, com aquela nova manifestação artística, buscando colocar expressões de sofrimento, dor e expectativa, nas faces da VIRGEM MARIA e do MENINO DEUS.
Importante, todavia, era que o poder da graça Divina continuava operando de maneira notável naqueles Ícones benzidos e consagrados, que se tornaram verdadeiros intercessores milagrosos. A VIRGEM MÃE DE DEUS continuou vivendo naquelas imagens, ajudando, socorrendo as necessidades das pessoas, protegendo, inspirando, e estimulando todos os seus filhos que buscavam a ternura de seu inefável afeto e tão querido amor.
Entretanto o Ícone original desapareceu misteriosamente. A tradição comenta que foi durante o cerco de Constantinopla.
A conquista da capital bizantina pelo Império Otomano, no dia 29 de Maio de 1453, causou o desaparecimento de diversas relíquias cristãs, de valor inestimável. Descreve a tradição que na véspera da queda da Cidade, durante o reboliço vivido pela multidão, cada pessoa se movimentava articulando alguma providência para escapar do cerco turco. À noite alguém se apossou do Ícone da VIRGEM e da Coroa Imperial, dos quais, nunca mais se teve qualquer notícia!
Este fato nos faz presente, que a passagem dos séculos não alterou e nem modificou o comportamento e a dedicação de MARIA em relação a humanidade, Ela continua demonstrado o mesmo carinho, a preciosa atenção e o perpétuo auxílio, através do Ícone pintado por São Lucas, assim como de todos os outros Ícones cópias e imagens, que visam, sobretudo, fazer com que Ela, a MÃE DE DEUS, seja mais conhecida e amada pelos seus filhos.
Assim o Ícone (“eikon”, palavra grega cuja tradução é imagem) de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO que normalmente conhecemos, é desse tipo: tradicional bizantino ligeiramente modificado pelo medieval estilo “Kardiotissa”. Nele observamos a VIRGEM MARIA segurando o MENINO JESUS aos braços, e ELE, com uma expressão de expectativa um pouco assustado, segurando fortemente com as duas pequenas mãos, o polegar direito de sua MÃE, e olhando na direção do Arcanjo Gabriel. O Arcanjo Gabriel está com a Cruz da Redenção e a esquerda da VIRGEM MARIA, está o Arcanjo São Miguel com os instrumentos da Paixão do SENHOR: a lança, o cravo de ferro, balde e a cana (vara de hissopo) com a esponja molhada no vinagre (conforme Jo 19, 29). Como uma criança assustada diante daqueles terríveis instrumentos de Sua Paixão, ELE deve ter se movimentado nos braços da MÃE e involuntariamente soltado de seu pé direito a sandália, que está dependurada. A face de NOSSA SENHORA é séria e triste, olhando em nossa direção, nos mostrando o seu pequenino e amoroso FILHO, e ao redor, os instrumentos da sua abominável flagelação e crucificação, suscitando nossa piedade e devoção, e nos convidando a lembrar sempre os motivos do sofrimento e das dores de JESUS para Redimir a Humanidade de todas as gerações. 
A Ilha de Creta na Grécia era uma possessão veneziana (Monarquia de Veneza na Itália) desde 1204. Pela facilidade de transporte e comunicação com a Europa, era o centro dominador da produção e distribuição de mercadorias entre o Oriente e o Ocidente.
No século XV, por volta do ano 1498, havia um Ícone muito bonito de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO numa Igreja na Ilha de Creta, que desde algum tempo vinha atraindo frequentadores e causando emoção pelos milagres de DEUS que aconteciam em face das orações, preces e suplicas do povo à MÃE DE DEUS na presença intercessora daquela imagem. Inclusive pessoas com elevada posição social afirmavam que aquele Ícone era o original pintado por São Lucas.  Ele já estava naquela Igreja há algum tempo e era conhecido e venerado por todas as pessoas. Um dia, um comerciante local, com sérios problemas financeiros, com planos de viajar para a Itália, roubou a imagem e a levou consigo num navio.
Por causa das embarcações não serem suficientemente resistentes, o percurso marítimo era margeando a costa do continente. Entretanto, já distante de Creta, se formou uma grande tempestade, e os marinheiros apavorados imploraram a misericórdia de DEUS, pedindo a NOSSA SENHORA que intercedesse por eles para salvar a embarcação e suas vidas. Suas preces foram ouvidas e eles foram salvos do naufrágio, sem saberem que dentro da embarcação existia uma cópia ou o original, do Ícone da VIRGEM DO PERPÉTUO SOCORRO.
O grego raptor da Imagem desembarcou em Veneza, e trabalhou durante um ano na cidade, quando decidiu mudar para Roma. A imagem seguia com ele, muito bem protegida. Instalado na Cidade Eterna há mais de quatro anos, em face do excesso de trabalho, pegou uma séria enfermidade, que se agravou na sequência dos meses.
Entre as amizades que formou, tinha um amigo especial, também grego como ele, que lá residia há mais de dez anos e inclusive tinha esposa e uma filha.  O raptor sabendo que seu estado de saúde não era bom abriu o coração e narrou ao amigo, à audaciosa aventura de sua vida: “Alguns anos passados, eu roubei um quadro com uma bela imagem da MADONNA na Igreja de Creta! Não era para vender. Estava atravessando uma fase infeliz nos negócios e queria uma proteção pessoal, a fim de ter coragem para me aventurar e desbravar outros horizontes. Não sou um fervoroso religioso, mas só de olhar a imagem, sempre senti crescer uma poderosa força dentro de mim. Por isso, agora doente, no fim da vida, peço levá-la a uma Igreja, e, por favor, descreva este fato apresentando as minhas desculpas. Eu lhe imploro que a imagem seja colocada numa Igreja onde o povo possa visitá-la e honrá-la”.
Assim que ele faleceu, o amigo encontrou o quadro e o levou para sua casa, a fim de mostrá-lo a sua esposa e juntos, escolherem a Igreja, aonde deveriam conduzi-lo. Mas, ao ver a imagem, a esposa ficou admirada e naquele primeiro momento não quis levar o Ícone da VIRGEM para uma Igreja. Na verdade, o casal não era muito religioso, rezavam às vezes, mas nunca seguidamente, por que também nada conhecia da obra de JESUS e da incomensurável grandeza do Amor Divino.
Aquele quadro foi colocado na parede da sala de refeições, e numa posição tão estratégica, que ao passar diante dele, ou estando à mesa durante as refeições, involuntariamente o olhar descansava na beleza invulgar e profunda da MÃE DE DEUS. E assim, o casal adquiriu a delicadeza de olhar a imagem da VIRGEM, sempre que se assentava a mesa. Como primeira manifestação, o casal começou a se persignar diante da imagem antes das refeições. Depois se acostumaram a trocar algumas palavras diante da Imagem, como se a colocassem participando do assunto. E às vezes, em silêncio, deixavam o coração falar... No silêncio da voz o ouvido do coração se abria com mais nitidez a resposta do SENHOR. Outras vezes, confiantemente suplicavam a VIRGEM pedindo a Divina proteção no trabalho, para vencer as dificuldades do cotidiano, conservando-lhes a boa saúde para a continuidade da caminhada existencial.
Certo dia, oito meses após a morte do amigo, junto ao Ícone da VIRGEM, o casal conversava e trocava idéias, sobre a necessidade de ser cumprida a vontade do falecido, como condição primordial, para se conseguir uma necessária paz interior e também, a amizade de NOSSA SENHORA. Eles já estavam frequentando a Igreja com mais pontualidade e até faziam algumas orações. Por esse motivo, naquele momento, contritos e decididos diante da Imagem da VIRGEM, receberam uma “Luz”, que entenderam ser o desejo de NOSSA SENHORA, que o quadro fosse colocado numa Igreja situada entre a Basílica de Santa Maria Maggiore e a Basílica de São João de Latrão.
Naquele mesmo dia 27 de Março de 1499, a imagem foi levada para a Igreja de São Mateus Apóstolo, no Monte Esquilino, uma das sete colinas de Roma, que estava situada entre a Basílica de Santa Maria Maggiore e a Basílica de São João de Latrão. Foi colocada entre duas lindas colunas de mármore preto de Carrara, logo acima de um magnífico altar de mármore branco.
E se constituiu numa maravilha, durante três séculos, desde 1499 até 1798, a Igreja de São Mateus, foi uma das mais procuradas pelos peregrinos que visitavam Roma, porque queriam rezar diante da imagem milagrosa de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO.  
Entretanto, em 1796/1797, o exército francês sob o comando de Napoleão Bonaparte invadiu os Estados Pontifícios. Roma ficou diante da terrível ameaça do inimigo, a tal ponto que o Papa Pio VI, foi forçado a assinar um Tratado de Paz, o Tratado de Tolentino, em 17 de Fevereiro de 1797.
Todavia, um ano após a assinatura do Tratado, o general francês Louis Alexandre Berthier marchou sobre Roma e proclamou a "República Romana Livre". Ele mentiu, dizendo que não havia liberdade e que o povo estava escravizado. Mas na realidade, o pretexto da quebra do Tratado de Paz foi justamente o assassinato de um general da embaixada francesa em Roma, de nome Mathurin Léonard Duphot, num tumulto popular provocado por revolucionários franceses e italianos no dia 28 de Dezembro de 1797. E por esse motivo, pelo fato de ter mentido e ser muito autoritário, pouco depois, Berthier foi substituído pelo general francês André Masséna.
Em 03 de junho de 1798, o General André Masséna querendo espaço para instalações militares e administrativas na cidade, ordenou que trinta Igrejas fossem destruídas! Uma delas foi a Igreja do Apóstolo São Mateus, onde estava o Ícone da VIRGEM! Foram dias difíceis para os cristãos e as Ordens Religiosas. E como também o Mosteiro Agostiniano estava na relação e foi destruído, os Padres foram autorizados a retornar a Irlanda, a terra natal. Os monges se dividiram: alguns voltaram para a Irlanda, outros ficaram na Igreja Matriz de Santo Agostinho, em Roma e os demais, levaram o Ícone milagroso de NOSSA SENHORA e se mudaram para o Mosteiro de Santo Eusébio, que era pobre e antigo, necessitando de urgentes reparos e muita limpeza.
A imagem de NOSSA SENHORA ficou em Santo Eusébio durante 20 anos. O local foi tratado e ampliado, mas eram poucos monges que viviam ali e o povo quase não tinha acesso a imagem, e assim, também pelo fato de ser muito grande para eles, em 1819, o Papa Pio VII, pediu aos jesuítas para assumirem Santo Eusébio. O Santo Padre deu aos agostinianos a Igreja e o Mosteiro de Santa Maria, em Posterula, do outro lado da cidade, para onde os monges levaram a Imagem milagrosa da VIRGEM MARIA e a colocaram num lugar de honra na Capela do Mosteiro.
Entre os agostinianos estava Frei Agostinho Orsetti que era muito caprichoso e organizado, mantendo a sacristia e as imagens em Santa Maria, com o maior rigor de limpeza. Também treinava os coroinhas, ensinando-lhes o preparo e trabalho no Altar, durante a Santa Missa e primordialmente, o posicionamento correto e digno, nas celebrações e solenidades religiosas. Um dos coroinhas de nome Michael Marchi se tornou muito amigo do Frei Agostinho e sempre estavam conversando. O Frei sempre lhe dizia: “Michael, observe bem esta imagem. É um Ícone muito antigo. É a milagrosa VIRGEM MARIA que estava na Igreja do Apóstolo São Mateus, única imagem nesta cidade. Muitas pessoas vinham rezar diante dela e suplicar sua eficaz intercessão junto a DEUS. Lembre-se sempre do que estou lhe dizendo”.
Em 1854, a Ordem dos Redentoristas foi fundada por Santo Afonso de Ligório. Compraram uma área de terra no Monte Esquilino, no local chamado Villa Caserta, que por uma coincidência toda especial, a tal área também abrangia o local onde existiu a Igreja de São Mateus Apóstolo, onde o Ícone de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO foi louvado e honrado por muitos cristãos.
Em 1855, Michael Marchi desejando se tornar sacerdote entrou na Ordem Redentorista. Em 25 de março de 1857, fez os votos de pobreza, castidade e obediência e continuou os seus estudos, sendo ordenado sacerdote no dia 2 de outubro de 1859.
Um dia, quando a Comunidade estava no recreio, um Padre mencionou que havia lido alguns livros antigos sobre uma Imagem milagrosa de NOSSA SENHORA, que tinha sido venerada na antiga Igreja de São Mateus Apóstolo. Padre Michael Marchi com alegria falou para todos: "Eu sei sobre o Ícone milagroso da VIRGEM MARIA. Seu nome é NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO e ele pode ser encontrado na Capela dos Padres Agostinianos, no Mosteiro de Santa Maria, em Posterula. Eu vi a imagem muitas vezes durante os anos de 1850 e 1851 quando ainda era um jovem estudante universitário e servi como coroinha, a Santa Missa em sua Capela”.
Em 7 de Fevereiro de 1863, Francis Blosi, um Padre jesuíta durante uma Santa Missa na Basílica de São João de Latrão, fez um sermão sobre a famosa imagem de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO. Ele descreveu a imagem da VIRGEM MARIA, e disse: "Espero que alguém na multidão de fiéis que me ouve, saiba onde a imagem está! Se assim for, por favor, diga a pessoa que mantém o Ícone da MÃE DE DEUS escondido por setenta anos, que a VIRGEM ordenou ser este quadro colocado numa Igreja entre as Basílicas de Santa Maria Maggiore e esta Basílica onde estamos, de São João de Latrão. Esperemos que a pessoa se arrependa de seu ato impensado e traga a Imagem para ser colocada no Monte Esquilino, a fim de que todos os fiéis novamente possam honrá-la."
O sermão do Padre Blosi logo ficou conhecido dos Padres Redentoristas. Sabendo que sua Igreja estava localizada próximo ao local da antiga Igreja de São Mateus Apóstolo, apressaram-se em levar a notícia ao Padre Mauron, que era o Superior Geral dos Redentoristas. Padre Mauron ouviu a notícia e sentiu uma grande alegria, mas não teve pressa. Ele orou por quase três anos para conhecer a Santa Vontade de DEUS, nesta importante questão.
Em 11 de dezembro de 1865, o Padre Mauron e o Padre Michael Marchi, pediram uma audiência ao Papa Pio IX. Ansiosamente, os dois padres, descreveram ao Papa, a história detalhada da imagem de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO. Eles relembraram inclusive, que a VIRGEM MARIA manifestou o desejo de que a Imagem fosse colocada numa igreja entre as Basílicas de Santa Maria Maggiore e São João de Latrão. Depois de ouvir toda a história, o Papa perguntou-lhes se tinham colocado aquela solicitação por escrito. Padre Mauron entregou a Sua Santidade, um documento que o Padre Marchi tinha escrito e assinado sob juramento.
Sensibilizado com aquela narrativa e tendo o Santo Padre o Papa Pio IX, um grande amor à VIRGEM MARIA, imediatamente pegou a folha de papel onde o Padre Marchi tinha escrito o seu testemunho, e de próprio punho, escreveu uma mensagem no verso do documento:
11 de Dezembro de 1865:
O Cardeal Prefeito vai convocar o Superior da pequena comunidade de Santa Maria, em Posterula e lhe dirá que é nossa vontade que a Imagem de MARIA SANTÍSSIMA, que esta petição trata, seja devolvida a Igreja situada entre São João de Latrão e Santa Maria Maggiore. Todavia, o Superior da Congregação do Santíssimo Redentor está obrigado a substituí-la por outra imagem adequada.
(assinado) O Papa Pio IX

O Papa falou e como é lógico, o caso foi encerrado. A MÃE DO PERPÉTUO SOCORRO, logo estaria em casa, depois de quase 75 anos distante. Na madrugada do dia 19 de Janeiro de 1866, Padre Michael Marchi e Padre Ernesto Bresciani atravessou a cidade de Roma, indo até Santa Maria, em Posterula, para obter a imagem sagrada.
Os agostinianos estavam tristes por ver a sua amada MADONNA partir, mas eles se regozijaram que NOSSA SENHORA voltasse a ser homenageada no lugar onde Ela desejava. Os monges agostinianos quiseram uma cópia exata da imagem original, e isso lhes foi dado pouco tempo depois, conforme a decisão do Santo Padre, o Papa.
Os Redentoristas de Santo Afonso esperaram alegremente pela chegada de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO e sentiram uma grande felicidade sabendo que Ela ia permanecer definitivamente na sua Igreja. Mas, embora as cores do Ícone ainda estivessem brilhantes, havia muitos buracos de pregos na parte posterior do quadro. Um talentoso artista polonês, que viveu em Roma, foi convidado e restaurou a imagem, cujo trabalho terminou no princípio do mês de Abril.
Dia 26 de abril de 1866, Festa de NOSSA SENHORA DO BOM CONSELHO, uma grande procissão partiu do Mosteiro de Santo Afonso. Durante a procissão muitos acontecimentos milagrosos foram relatados. Uma pobre mãe vendo que a procissão se aproximava, pegou o seu filho de quatro anos de idade, que estava quase morto na cama, com uma doença no cérebro, com febre constante nas últimas três semanas, segurou firme a criança e levou-a até a janela. Quando a Imagem de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO passou ela gritou: "Ó boa Mãe, quer curar o meu filho ou quer levá-lo consigo para o Paraíso?" Dentro de poucos dias o menino ficou totalmente curado. Ele foi com sua mãe a Igreja de Santo Afonso para acender uma vela de ação de graças no Santuário de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO.
Em outra casa uma menina de oito anos, estava aleijada e desamparada, desde a idade de quatro anos. Quando a procissão se aproximava e a Imagem milagrosa de NOSSA SENHORA chegou perto, a mãe da criança ofereceu sua filhinha à SANTÍSSIMA VIRGEM. De repente, a criança sentiu uma grande mudança, e recuperou parcialmente o movimento de seus braços e das pernas. Ao ver isto, a mãe ficou muito confiante de que NOSSA SENHORA ia de fato ajudar a menina. No dia seguinte, logo pela manhã, levou a criança a Igreja de Santo Afonso e colocou-a diante da imagem milagrosa de NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO. Olhando para a Imagem, rezou: "Agora, ó minha Mãe MARIA, termine o trabalho que a Senhora começou." Ela mal tinha acabado de dizer as palavras e de repente à menina se levantou sobre seus pés, totalmente curada!
Na Igreja de Santo Afonso o Ícone da VIRGEM foi colocado no Altar mor. A Igreja estava toda decorada e o Altar feericamente iluminado com grande quantidade de velas. Terminada a procissão, foi celebrada uma solene Santa Missa de ação de graças e, em seguida, o senhor Bispo concedeu a bênção com o Santíssimo Sacramento.
No dia 05 de maio de 1866, o Papa fez uma visita pessoal ao Santuário para conhecer e rezar diante do Ícone da VIRGEM MÃE.
Anos após, um novo Altar de mármore em estilo gótico foi construído possuindo no centro superior uma magnífica decoração brilhante, com guarnição em ouro. Quando tudo estava terminado, o Ícone da VIRGEM MARIA foi carinhosamente colocado naquele lugar, onde se encontra até hoje. A primeira Santa Missa celebrada no novo Altar do Santuário foi no dia 19 março de 1871, Festa de SÃO JOSÉ.





Nossa Senhora do Perpétuo Socorro


A devoção a Maria sempre foi uma devoção especial de Sto Afonso Maria de Ligório e  o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, desde que foi entregue à guarda dos Redentoristas é a devoção mariana mais forte na congregação.
Segue abaixo a descrição do ìcone em seus detalhes.

"Socorrei-nos ó Maria, dia e noite sem cessar, os doentes e os aflitos, vinde vinde consolar,
Vosso olhar a nós volvei, vossos filhos protegei"

 Ícone foi pintado no estilo bizantino da Igreja Oriental.
ivo desse estilo de arte não é mostrar uma cena ou pessoas, mas transmitir uma bela mensagem espiritual.

Explicação do simbolismo do Ícone
1. Em grego as letras significam: Mãe de Deus. 2. O quadro original foi coroado em 1867.
3. A estrela representa que Maria nos guia até Jesus, guindo-nos no mar da vida até o porto da salvação.
4. Abreviação de Arcanjo São Miguel.
5. O Arcanjo São Miguel apresenta a lança, a vara com a esponja e o cálice da amargura.
6. A boca de Maria guarda silêncio.
7. Túnica vermelha cor da realeza.
8. O Menino Jesus segura as mãos de Maria que não segura as mãos do Menino Deus, permanecendo aberta nos convidando a por as nossas mãos na sua, unindo-nos a Jesus. Seus dedos apontam para seu Filho nos mostrando que Ele é o caminho.
9. Abreviação de Arcanjo São Gabriel.
10. Maria olha diretamente para você, não para Jesus, nem para o céu, nem para os anjos.
11. São Gabriel com a cruz e os cravos.
12. Abreviatura de Jesus Cristo em grego. 
13. Jesus veste roupas da realeza. O halo ornado com uma cruz proclama que ele é Jesus Cristo.
14. A mão esquerda de Maria sustenta Jesus: a mão do consolo que Maria estende a todos que a ela recorrem nas lutas da vida.
15. A sandália desatada, simboliza a humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo e também a esperança de um pecador que agarrando a Jesus busca a Sua misericórdia. O Menino ainda levanta o pé, para não deixar a sandália cair, para salvar aquele pecador.
16. Manto azul, com o forro verde sobre a túnica vermelha são as cores da realeza. Somente a Imperatriz podia usar estas combinações de cores. O Azul também era o emblema das mães da época.
Todo o fundo dourado mostra a importância de Maria, é o simbolo de poder e nobreza, da glória do paraíso para onde iremos, levados pelo perpétuo socorro da Santíssima Mãe de Deus.
.

20 de junho de 2017

Sou caipira pirapora, Senhora Aparecida... Absurdo e Graça ao mesmo tempo.


Acabo de chegar da "Disneylândia da fé", se é que  se pode chamar assim aquele local magico que no passado me inspirava e me confortava e me dava forças para continuar seguindo em frente com a certeza de que Ela estaria intercedendo por todos os que a procuravam.
Não sei porque, mas ao passar por ela fiquei com a sensação de que ela está assim meio escondida, trancafiada naquele cofre. Também fiquei com a impressão de que a prendem lá porque se a deixassem livre ela iria fugir e voltar para a beira do Rio, na capelinha de taboas pobrezinha que os pescadores lhe deram.



Fiquei impressionado com o que Aparecida se tornou. A basílica é de uma suntuosidade que assusta. Não questiono a beleza e a genialidade da construção, do acabamento e dos afrescos belíssimos. Mas me choca tudo aquilo comparado à simplicidade e pobreza de muitos dos romeiros que vão lá pagar suas promessas e fazer seus pedidos.


                              


O comércio no entorno, dentro e fora dos limites do santuário são um verdadeiro shopping, com direito a estacionamento para 6000 veículos, praças de alimentação, Bob’s, McDonald’s e sei lá mais quantas outras marcas famosas de restaurantes e lanchonetes.




Para além disso há um verdadeiro centro de lazer da fé com museu de cera, cine 3D, teleférico, bondinhos e balsas para passear no rio onde Ela foi encontrada, tudo pago, nos moldes de qualquer centro de lazer e entretenimento.
Na verdade, eu fiquei muito pensativo e um tanto preocupado com a coerência com os fatos geradores, sejam eles o galileu, filho do carpinteiro José e da silenciosa Maria, ou a própria Maria que se revelou aos pobres pescadores do Rio Paraíba. Tenho a impressão que ambos não se sentiriam confortáveis em meio a tanta opulência e ostentação.



14 de junho de 2017

Corpus Christi - Dom Helder




Dom Helder Câmara, celebrando a missa do Corpo de Cristo antes de iniciar a procissão carregando o ostensório com o Santíssimo Sacramento.
Na oração da coleta, não conseguiu ler o que estava no missal e, com os olhos marejados de lágrimas e a voz tomada pela emoção, rezou:

"Senhor, é mais fácil reconhecer a tua presença na hóstia consagrada do que nos milhares de irmãos e irmãs miseráveis que sofrem e penam pelas ruas e cortiços do mundo. Como podemos passar pelas ruas com o pão, sinal de tua presença para um mundo novo e de partilha, indiferentes aos adultos e crianças que jazem abandonados no chão? Dá-nos a graça de adorar a tua presença no pão da Eucaristia, de modo que possamos te reconhecer e honrar em cada ser humano, especialmente nos irmãos e irmãs mais marginalizados.

Corpus Christi

J. Ricardo A. de Oliveira.

Comemora-se nesta quinta feira a festa do corpo de Deus!






Um pouco de história:

A festa religiosa começou a ser celebrada há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade belga de Liège, tendo sido alargada à Igreja universal pelo Papa Urbano IV através da bula "Transiturus", em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios.

Até ao século XI, a linguagem sobre a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia não tinha conotação fisicista, ou seja, não se cogitava a hipótese da transubstanciação.

Utilizava-se normalmente a designação de corpo real de Cristo para a Igreja e Corpo místico para a Eucaristia.   
                                                                                                                         Não deixa de ser curioso notar que no século XI se opera uma mudança radical, ao ponto de se inverterem os termos.


Esta mudança foi desencadeada por um teólogo chamado Berengário.
 Ao tratar dos sacramentos, Berengário diz que estes são símbolos. 
O pão e o vinho, portanto, são símbolos do corpo e sangue de Cristo. 
Berengário é acusado de herege e teve de se retratar, a fim de não ser queimado como acontecia a todos os que eram considerados hereges. 

Berengário acaba por assinar um documento que continha a síntese doutrinal, a qual é o começo da linguagem fisicista posterior.


Para a Bíblia, a Humanidade forma um todo orgânico cuja cabeça era Adão. Quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga. É este o sentido do pecado de Adão que atinge a Humanidade inteira. O pecado original, na visão bíblica, é uma mutilação ou uma distorção operada na Humanidade por Adão, sua cabeça.
   
O Novo Testamento vê em Cristo o Novo Adão. Assim como pelo primeiro Adão  veio a morte, diz São Paulo, pelo segundo veio a vitória sobre a morte (Rm 5, 17-19). 
Esta visão bíblica desaparece da linguagem teológica e é substituída pela linguagem das filosofias platonica e aristotélica. O documento assinado por Berengário é um texto elaborado em linguagem tipicamente aristotélica. 

Nos primórdios do século XIII, Inocêncio III diz que o pão e o vinho da Eucaristia são o verdadeiro corpo e sangue de Jesus Cristo. O acto da consagração é visto como um rito com efeitos automáticos que opera, pelas palavras de Cristo, a mudança da substância do pão e do vinho na substância do corpo e do sangue de Cristo. Como o corpo e a alma são inseparáveis da divindade de Cristo, a divindade de Cristo está também presente na Eucaristia. 

O Concílio de Latrão utiliza a terminologia “substância” e “espécies”. Espécie é aquilo que não subsiste por si e é variável. O corpo de Cristo permanece oculto sob as espécies do pão e do vinho [Denz. 430]. 

Segundo o aristotelismo, as espécies não podem subsistir sem a sua substância própria. Aqui, a substância muda e as espécies permanecem. 


Naturalmente que é fácil resolver este problema, dizendo que se trata de um milagre.

Urbano IV diz que a Eucaristia é a comemoração de Cristo. Nesta comemoração, o Senhor torna-Se presente com a Sua substância [Denz. 459]. Neste tipo de linguagem já não existe a noção de que a Eucaristia não é uma questão biologica mas sim espiritual. 
Por outras palavras, a Eucaristia que corporiza o Cristo histórico, mas o Cristo ressuscitado, como diz o evangelho de São João: “Isto escandaliza-vos? E se virdes o filho do Homem subir para onde estava antes? O Espírito é quem dá vida, a carne não serve para nada. Ora, as palavras que vos disse são Espírito e Vida” (Jo 6, 62-63). 
No século XV, o Concílio de Constança diz que sob o véu do pão e do vinho, está o próprio Jesus que sofreu na cruz e está sentado à direita do Pai [Denz. 666].

Por seu lado, o Concílio de Florença afirma que, em cada pedacinho da hóstia consagrada, bem como em cada gota do vinho, está Cristo inteiro [Denz. 698].


Não acredito que seja importante discutir a transubstanciação a esta altura da história. São mais de mil anos repetindo a fórmula e colocando na mente do povo essa verdadeira imagem arquetípica. 
Mesmo que não houvesse transubstanciação, Jesus ama tanto o seu povo que Ele se faz presente nas espécies consagradas, mesmo que esta não tenha sido a sua ideia original. O seu amor é tanto que ele passou a estar presente em cada celebração, para não desapontar o seus fiéis e para ter mais essa oportunidade concreta de amá-los.



A leitura sacrificial da Eucaristia representa um retorno ao culto sacrificial doAntigo Testamento. Esta interpretação sacrificial da Eucaristia é fruto da sacerdotização do ministério.
Como sacerdotes, os ministros da Eucaristia estão dotados de um poder que os capacita para fazerem este sacrifício cultual.Como consequência desta leitura, a presença dos fiéis não é fundamental. Em rigor, o padre pode realizar este culto sacrificial sozinho.
No sacrifício da missa Jesus Cristo oferece-se todos os dias como vítima de propiciação a Deus, a fim de o aplacar e obter o perdão dos pecados, tanto para os vivos como para os mortos
Trata-se, portanto, de um sacrifício propiciatório, a fim de tornar Deus benévolo aos homens.Esta linguagem do Concílio de Trento contraria a linguagem do Novo Testamento. 

A Carta aos Hebreus diz expressamente que os
crentes da Nova Aliança já não têm necessidade de oferecer sacrifícios pelos pecados (Heb 10, 18).Além disso, afirma que Cristo não entrou no santuário definitivo, isto é, no Céu, para se oferecer muitas vezes:“Cristo não entrou num santuário feito por mão do homem, o qual é apenas figura do verdadeiro. Ele entrou no próprio céu, para Se apresentar agora diante de Deus por nós.E não entrou para se oferecer muitas vezes a si mesmo, como o sumo-sacerdote entra, cada ano, no santuário com sangue alheio. Nesse caso, ser-lhe-ia necessário padecer muitas vezes desde o início do mundo” (Heb 9, 24-26).
São Paulo defende esta mesma perspectiva. Cristo ressuscitado já não morre mais, diz ele.Quanto ao morrer pelo pecado, ele morreu apenas uma vez. Agora, a Sua vida é uma vida com e para Deus (Rm 6, 9).
Temos de dizer que a perspectiva teológica da Eucaristia como sacrifício se desvia da visão do Novo Testamento.A teologia tradicional fez da Eucaristia um sacrifício para justificar o ministério como sacerdócio.No século XII Inocêncio III diz que o sacrifício da missa só pode ser oferecido pelo presbítero ordenado pelo bispo [Denz. 424].
Só o presbítero é sacerdote. Portanto, só ele pode oferecer o sacrifício do altar.Além disso, o Concílio de Trento diz que, na última ceia, Cristo instituiu o sacrifício da missa.Citando a Carta aos Hebreus, Trento diz que o sacerdócio levítico foi insuficiente. Por isso, Deus anunciou um outro sacerdócio segundo a ordem de Melquisedec (cf. Gen 14, 18; Sl 110, 4; Heb 7, 11).
Este sacerdote foi Cristo, diz o Concílio. No entanto, para que não se extinguisse com a sua morte, constituiu, na última ceia, os apóstolos como sacerdotes (Denz. 938).  

É curioso que a 16argumentação do Concílio de Trento vai no sentido contrário ao da Carta aos Hebreus.Esta diz que, enquanto esteve na terra, Cristo nem sequer tinha funções sacerdotais.Já existiam os sacerdotes levitas que exerciam essas funções segundo a Lei (Heb 8, 4).Cristo foi constituído sumo-sacerdote pela ressurreição (Heb 7, ).Ele não precisa de substitutos, pois está eternamente junto de Deus como único medianeiro entre Deus e os homens (1Tim 2, 5).Jesus Cristo, continua a Carta aos Hebreus, não pertencia à tribo sacerdotal, isto é, à tribo de Levi.Pelo contrário, ele pertencia à tribo de Judá. Ora, como sabemos, os membros desta tribo não tinham funções cultuais (Heb 7, 13-14).Mas, pela sua ressurreição, Cristo foi constituído sacerdote para sempre segundo a ordem de Melquisedec e não segundo a ordem de Aarão (Heb 7, 11).Mudado o sacerdócio, devia mudar-se também a lei e as normas (Heb 7, 12).Esta mudança consistiu em abolir os sacrifícios, os quais foram superados pela morte e ressurreição de Cristo (Heb 10, 5-10).

Deste modo, Cristo estabeleceu o novo culto que é fazer a vontade de Deus (Heb 10, 8-9).

Este novo culto não consiste em oferecer vítimas a Deus para o aplacar e obter o perdão do pecado, mas é um culto em Espírito e Verdade, diz o evangelho de São João (Jo 4, 22-23).A primeira carta de São Pedro diz que a comunidade é o templo da Nova Aliança.

O  sacramento dos altares é também a vitima oferecida para aplacar um Deus, que Jesus apresentou como Pai amoroso. 

Mas um Deus Pai amoroso precisa ser aplacado?

Diante disto, como fica a festa do Corpo de Deus ?



Quando Deus criou o homem, Ele disse: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Gn: 1,26,

 Então se o homem tem uma forma 
ela é uma réplica daquela que lhe serviu de modelo

O corpo de Deus !.

Quando nos referimos ao Corpo de Deus,
normalmente pensamos na Sagrada Eucaristia.

Mas será que o corpo do Deus vivo
está somente na Eucaristia sobre o altar? 

.
Lembro-me de uma música, cuja letra é bem oportuna:
.
"TU NÃO HABITAS EM TENDAS,
NEM EM TEMPLOS FEITOS POR MÃOS.
ETERNO, PERFEITO, PRINCÍPIO E FIM,
ACIMA DAS RELIGIÕES.
NÃO HÁ NADA NO CÉU,
NA TERRA OU NO MAR,
SEMELHANTE A TI, SENHOR.
TUA IMAGEM ESTÁ, REVELADA EM NÓS
EXPRESSÃO DO TEU AMOR
INCOMPARÁVEL,
SENHOR TU ÉS
MINH'ALMA ESTÁ APEGADA A TI,
SENHOR INCOMPARÁVEL ÉS. "
.


Sendo assim como será que anda
este corpo de Deus revelado em nós ?
.








Como podemos permitir que esta seja
a imagem e semelhança de nosso Deus?
.
.
 Se onde há amor e caridade, Deus aí está,

porque que andamos espantando Deus ?
.
.
"Em verdade eu vos declaro:
todas as vezes que fizestes isto
a um destes meus irmãos mais pequeninos,
foi a mim mesmo que o fizestes"
Mt 25,40


Que mãos seriam dignas de tocar 
este corpo de Deus?
.
Mãos feridas e imundas  de um cortador de cana? 






Ou as mãos limpas dos politicos ?



Estarão limpas as nossas mãos ?


Pai nosso, dos pobres marginalizados
Pai nosso, dos mártires, dos torturados.


Teu nome é santificado
naqueles que morrem defendendo a vida,
Teu nome é glorificado,
quando a justiça é nossa medida
Teu reino é de liberdade,
de fraternidade, paz e comunhão
Maldita toda a violência
que devora a vida pela repressão.
Queremos fazer Tua vontade,
és o verdadeiro Deus libertador,
Não vamos seguir as doutrinas
corrompidas pelo poder opressor.
Pedimos-Te o pão da vida,
o pão da segurança,
o pão das multidões.
O pão que traz humanidade,
que constrói o homem em vez de canhões
Perdoa-nos quando por medo
ficamos calados diante da morte,
Perdoa e destrói os reinos
em que a corrupção é mais forte.
Protege-nos da crueldade,
do esquadrão da morte,
dos prevalecidos
Pai nosso revolucionário,
parceiro dos pobres,
Deus dos oprimidos
Pai nosso, revolucionário,
parceiro dos pobres,
Deus dos oprimidos.


Pai nosso,
dos pobres marginalizados
Pai nosso,
dos mártires, dos torturados.






   De que forma devemos então 
comemorar esse   Corpus Christi  ?