Absurdo e graça!

.Na vida hoje caminhamos entre uma fome que condena ao sofrimento uma enorme parcela da humanidade
e uma tecnologia moderníssima que garante um padrão de conforto e bem estar nunca antes imaginado.
Um bilhão de seres humanos estão abaixo da linha da pobreza, na mais absoluta miséria, passam FOME !
Com a tecnologia que foi inventada seria possível produzir alimentos e acabar com TODA a fome no mundo,
não fossem os interesses de alguns grupos detentores da tecnologia e do poder.

"Para mim, o absurdo e a graça não estão mais separados.
Dizer que "tudo é absurdo" ou dizer que "tudo é graça "
é igualmente mentir ou trapacear...
Como morrer e ressuscitar, o absurdo e a graça são só dois lados da mesma moeda."
"Hoje a graça e o absurdo caminham, em mim lado a lado,
não mais estranhos,
mas estranhamente amigos"
A cada dia,nas situações que se nos apresentam podemos decidir entre perpetuar o absurdo ou promover a Graça. (Jean Yves Leloup)

* O Blog tem o mesmo nome do livro autobiográfico de Jean Yves Leloup, e é uma forma de homenagear a quem muito tem me ensinado em seus retiros, seminários e workshops *

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Agradeço por sua visita, ela é muito oportuna.
Aqui eu reúno pensamentos meus
e de outras pessoas com quem sinto afinidade de idéias e ideais.


"Vamos precisar de todo mundo
pra banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
vamos precisar de muito amor...

Vamos precisar de todo mundo,
um mais um é sempre mais que dois
Pra melhor juntar as nossas forças
é só repartir melhor o pão...

Deixa nascer o amor/Deixa fluir o amor
Deixa crescer o amor/Deixa viver o amor

O sal da terra,..." (
Beto Guedes)

16 de outubro de 2017

Geraldo Magela, o doidinho de Deus

Geraldo era alguém muito interessante. Um jovem teimoso e insistente.
Era fraco e doente e ninguém o queria. Mas ele insistia e diante da negativa das ordens religiosos em aceita-lo partiu para o inusitado, resolveu perseguir pelo caminho os redentoristas até que eles não tiveram como não aceita-lo. Mas mesmo assim foi enviado para a ordem com um bilhete que lhe qualificava como um jovem fraco, doente e  inútil.
Ele não se importava. Dizia que queria ser santo. Aliás, foi isso que escreveu no bilhete que deixou em casa quando fugiu para ir atrás dos redentoristas: “Vou ser santo”.


Aprontou todas para atender aos pobres e excluídos, e fazia isso com a autoridade de quem era intimo da madona e do menino. Afinal era com ele que na sua infância ele brincava, e era sempre ela, a madona, que o presenteava com o pãozinho de farinha branca, que em casa ninguém compreendia onde ele tinha conseguido. Eram muito pobres, esses luxos naquela época eram coisa de quem tinha muitos recursos. E ele com naturalidade dizia que fora a Madona, a mãe de seu amigo, que lhe havia presenteado. Chegou a causar  suspeitas em sua mãe... Mas esse era Geraldo, que na necessidade se fazia de alfaiate para sustentar a família, sem nunca compreender como ele conseguia tal proeza sem nunca ter aprendido o oficio. Mas fazia muito mais, não sabia negar comida a quem pedia e como porteiro esvaziava a dispensa  para que nenhum pobre sentisse fome... Isso quase lhe causava castigos, mas sempre era socorrido por seu amigo e pela madona que sem que ele soubesse providenciavam tudo para que nada faltasse.
Geraldo nunca se ordenou, foi sempre um irmão na ordem e causava espanto por seus hábitos estranhos, tais como dormir no chão sob o altar, dizendo que não queria se afastar de seu grande amigo. Outras vezes conversava e convencia assaltantes a não lhe roubar e a se converter. São tantas as histórias. Talvez por isso seja um santo com tantos devotos, especialmente entre os necessitados e os perseguidos.

Ele era o doidinho de Deus, era assim que o chamavam, o louquinho que nos convida a ir além das etiquetas e dos padrões para fazer a vontade daquele seu particular amigo, Jesus, que para ele era o prisioneiro do sacrário... posso dizer que foi ele que me apresentou a esse modo de se referir a Jesus: "O prisoneiro do altar", "o prisioneiro do sacrário".
 Que Geraldo nos inspire com sua vida completamente incomum, toda ela dedicada ao amor aos “pequeninos” de Jesus.

23 de setembro de 2017

"A CONSPIRAÇÃO ESPIRITUAL"


Não se trata do fim do mundo, isso seria muito pequeno para um Criador tão sofisticado que criou tanta beleza e perfeição.
Mas neste momento do dia 23 de setembro se 2017 temos:
No céu a imagem linda da conjunção astrológica , descrita no livro da Revelação, o "Apocalipse".

E quem olhar para o céu neste dia 23 de setembro poderá contemplar essa passagem do Apocalipse:
"E viu-se um grande sinal no céu: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. E estava grávida e com dores de parto e gritava com ânsias de dar à luz. E viu-se outro sinal no céu, e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças sete diademas. E a sua calda levou após si a terça parte das estrelas do céu e lançou sobre a terra; e o dragão parou diante da mulher que havia de dar à luz, para que, dando ela à luz, lhe tragasse o filho. E deu à luz um filho, um vara, que há de reger todas as nações com vara de ferro; e seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono."
1 - Uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés: A mulher é a representação da constelação de Virgem (uma moça). O sentido de "mulher vestida de Sol" é porque o Sol encontra-se praticamente encima da constelação de Virgem. Abaixo da constelação de Virgem (nos seus pés), na visão astronômica no dia 23 de Setembro, encontra-se a Lua.

2 - ... E uma coroa de Doze Estrelas sobre a cabeça: A coroa de 12 estrelas é o alinhamento entre Vênus, Marte, Mercúrio, Sol, Júpiter, Lua, Regalus e outras 5 estrelas da constelação de Leão (12 estrelas na cabeça).

3 - E estava grávida e com dores de parto e gritava por ânsias de dar à luz: Essa é a parte mais intrigante. Há 9 meses atrás (tempo comum de gestação humana) por volta de 15 de Dezembro de 2016, Júpiter entrou no "ventre" da constelação de Virgem. Nove meses após, (dia 09 de Setembro de 2017) ele sai do ventre. Virgem, portanto, nesse processo de gestação, dá à Luz à Júpiter que, nesse momento, sai do seu ventre e participa do grande alinhamento do dia 23.

4 - E viu-se outro sinal no céu, e eis que era um grande dragão vermelho, que tinha sete cabeças e dez chifres e, sobre as cabeças, sete diademas: A interpretação dessa passagem de Apocalipse 12 é realmente complexa. Seria o dragão vermelho, o tão chamado Nibiru? O planeta higienizador que, a cada 3.600 anos passa pelo nosso sistema solar para realizar um processo de purificação solar e planetária (em questões de energia)? As sete cabeças com dez chifres e mais sete diademas, lembra-nos do calendário Hebraico, aonde o ano de 2017 é o ano 5777. O 7, nos fundamentos da Cabala, é o número espiritual do progresso, da elevação, da Luz. Também, coincidência ou não, temos os 7 chacras, as 7 cores do arco-íris, os 7 raios e, por fim, 7 principais alinhamentos que são Vênus, Marte, Mercúrio, Júpiter, Sol, Lua e Regalus. 
Seriam, portanto, essas as sete cabeças e sete diademas? 
Para poder entender o que significa a simbologia das sete cabeças e os dez chifres, citados em Ap 13,1, precisamos compreender o período histórico que as comunidades cristãs da época estavam vivendo. O capítulo 13 do livro do Apocalipse reflete a situação da época a dominação do Império Romano e este capítulo critica essa dominação. É época do Imperador Domiciano (81 a 96 d.C.), em que as comunidades cristãs em todo o império começam a ser perseguidas, excluídas e oprimidas. E neste mesmo capítulo 13 a figura central é a besta como a representação do império romano, da opressão e perseguição às comunidades cristãs. Por isso a besta tem dez chifres e sete cabeças que estão explicados em Ap 17,9 -12. Em Ap 17, 9 as sete cabeças são as sete colinas onde está a cidade de Roma e seus sete imperadores. Em Ap 17, 12, os dez chifres representam os dez reis até Domiciano.

As comunidades cristãs oprimidas e perseguidas pelo Império Romano apresentam neste capítulo 13 as duas formas da besta, uma em Ap 13,1-10, a que surge do mar (o Império com todo seu aparato dominador) e em Ap 13, 11-18 a que surge da terra (está se referindo a ela como Falso Profeta, a sua ideologia).

Ainda é preciso detalhar que no Ap 13,1 temos a besta com dez chifres, que são os dez reis e as sete cabeças, que representam as sete colinas da cidade de Roma, e sobre cada um dos dez chifres temos as diademas -> alusão ao reis, pois são eles que usam diademas e ainda sobre as dez cabeças os nomes blasfemos, dos reis em cada uma delas.

Uma chave para entender e interpretar Ap 13 encontramos em Dn 7,3-7 em que a Besta tem as características de animais selvagens: o leão, o urso e o leopardo, e um outro animal com aparência terrível e extremamente forte, que também saem do mar e representavam os impérios que dominaram o povo de Israel até a época de Daniel (os Assírios, Babilônios, Persas e Gregos). Uma dominação que tem um caráter animalesco e selvagem e por isso a sua representação é em forma desses animais selvagens. As comunidades cristãs da época dos anos 90 d.C. sofrem uma dominação e opressão do Império Romano em escala ainda maior que aquela da época até Daniel e por isso a representação da besta, com sete cabeças e dez chifres.



Quanto a Conspiração:
"Na superfície da Terra, exatamente agora, há guerra, violência, e tudo parece escuro.
Mas, simultaneamente, algo silencioso, calmo e oculto está acontecendo, e certas pessoas estão sendo chamadas por uma luz mais elevada. Uma revolução silenciosa está se instalando de dentro para fora.
De baixo para cima. É uma operação global.
É uma conspiração espiritual!
Há células dessa operação em cada nação do planeta.
Vocês não vão nos assistir na TV.
Nem ler sobre "nós" nos jornais.
Nem ouvir "nossas palavras" nos rádios.
Não buscamos a glória e nem usamos uniformes.
"Nós" chegamos em diversas formas e tamanhos diferentes.
Temos costumes e cores diferentes.
A maioria trabalha anonimamente. Silenciosamente. Fora de cena. Em cada cultura do mundo.
Você talvez cruze conosco nas ruas e nem perceba... Seguimos disfarçados, ficamos por trás dos eventos.
E não nos importamos com quem ganha os louros do resultado, e sim, que se realize o trabalho.
De vez enquanto nos encontramos pelas ruas. Trocamos olhares de reconhecimento e seguimos nosso caminho.
Durante o dia muitos se disfarçam em seus empregos normais.
Mas é à noite, por trás de nossas aparências, que o verdadeiro trabalho se inicia. Alguns nos chamam de Exército da Consciência. Vamos seguindo com alegria e paixão.
Lentamente estamos construindo um novo mundo. Com o poder de nossos corações e mentes.
Nossas ordens nos chegam da Inteligência Espiritual e Central (Deus).
Estamos jogando bombas suaves de amor sem que ninguém note e em todos os lugares.
São poemas, abraços, musicas, fotos, filmes, palavras carinhosas, sorrisos, meditações, preces, amizades desinteressadas, danças, ativismo social, sites, blogs, atos de bondade...
Expressamo-nos de uma forma única e pessoal, com nossos talentos e dons, sendo a mudança que queremos ver no mundo.
Essa é a força que move nossos corações.
Sabemos que essa é a única forma de conseguir realizar a verdadeira transformação.
Sabemos que no silêncio e na humildade temos o poder de todos os oceanos juntos.
Nosso trabalho é lento e meticuloso, como na formação das montanhas.
O AMOR será a religião do século 21.
Sem pré-requisitos de grau de educação.
Sem requisitar um conhecimento excepcional para sua compreensão, porque nasce da inteligência do coração, escondida pela eternidade no pulso evolucionário de todo ser humano.
Seja também a mudança que você quer ver acontecer no mundo. Ninguém pode fazer esse trabalho por você.
Nós estamos recrutando...
Talvez você se junte a nós.
Ou talvez já tenha se unido e nem saiba!
Todos são bem-vindos!
A porta está aberta."



*parte deste texto é assinado por um jovem que responde pelo apelido de Sensipeter.
O original em inglês pode ser encontrado em:
http://lightworkers.org/content/55855/a-spiritual-conspiracy



12 de agosto de 2017

Há muitas sombras no horizonte


Estamos começando a viver tempos difícies. Algums declarações absurdas parece que fazem eco em pessoas invigilantes. A psicosfera começa a ficar muito densa e já há que esteja desenvolvendo pânico e com isso somando energia às "foras pensamento" de vibração deletérias.
Já há muito tempo alguns autores vêm falando deste momento em que os paradigmas iriam mudar e ao que tudo indica não será uma mudança harmônica e suave.

As velhas respostas não servem mais para as novas perguntas. As velhas práticas já não resolvem os novos desafios. A violência parece que se espalha mundo a fora, rumores de guerra, a mentira parece ter assumido o comando apelidada de pós-verdade, já há quem fale de “Egoísmo absoluto” como coisa salutar. Agora volta-se a falar em “supremacia branca” e entre nós a Lei de Gerson e a Razão Cínica parecem ser a tônica.  Muitos de nós meio que estupefatos acabamos por entrar na mesma vibração de desespero e pânico. Ficamos reverberando, maldizendo e criticando quando devemos atentar que as velhas formas já não vão resolver. Não é de hoje que autores vêm nos brindando com inúmeras lições que nos servem na medida para estes tempos. É hora de colocar preconceitos de lado e nos preparar para ser LUZ no meio das trevas que se avizinham.
Em 1901, na Índia um livro já falava em “formas pensamento” e sua capacidade destrutiva. Pois bem a nova física vem demonstrando exatamente como podemos neutralizar esta influencias que nos fazem tão mal e que são produzidas por nós próprios. Autores como os físicos Frijof Cappra e Amit Goswami podem nos ajudar a entender e a como proceder neste tempo difícil que vamos enfrentar.


Tempo em que será imprescindível vibrar muita Luz, amor e Paz, para desfazer essas "formas pensamento" que a todo momento são potencializadas com o terrível estado de coisas que vivemos. Vamos ter que ser fortes na manutenção de uma vibração forte. Não podemos dar passagem para o desespero que vai aos poucos tomando a maior parte da população. Acho que chegou a hora de realmente começarmos a realizar a missão para a qual encarnamos nesta época e para a qual temos nos preparado todo este tempo.
Temos que ser Luz nas trevas que se avizinham.

11 de agosto de 2017

A dificil arte da convivência

Eu realmente gostaria de entender o que está acontecendo no mundo. 
Parece que  num repente todo mundo perdeu o senso de medida e passou a achar que pode dizer e fazer o que bem entende para além do respeito e da caridade para com o próximo. De postagens na rede social à nova treta com a  composição do Chico as metralhadoras estão sempre à postos. E lá vem pedras...tenho a impressão que alguma coisa destravou a censura e o ego inflado passou a dominar.  Em conjunto com o “caboclo reclamador” a intolerância vem também crescendo a olhos vistos. O pior é que muitos não percebem que se comportam exatamente da forma que criticam. A capacidade de raciocínio parece que se tornou inversamente proporcional à capacidade de ouvir e interpretar os fatos.
 Desta forma, que ninguém se assuste que alguém defenda veementemente a criminalização do aborto por ele ser contra a VIDA e, essa mesma pessoa afirmar que: ”bandido bom é bandido morto” ou que ela defenda a pena de morte como solução para a diminuição da criminalidade. Além disso parece que vivemos na era dos preconceitos.  Tenho me perguntado quando foi que perdemos a capacidade de nos relacionar com o que é diferente. Porque é tão difícil aceitar hoje a individualidade e a pluralidade. Porque não nos damos conta de nossa rigidez quando criticamos tanto a dos outros.
Tenho pensado muito que o mundo não é pasteurizado, há uma pluralidade de cores de sons de nuances. Um cristal apresenta faces que revelam aspectos diferentes de uma mesma realidade. Porque mesmo tendo preferência por um lado eu não posso tolerar, e aceitar que outros possam ter preferências diferentes.
Sinto que estamos nos aproximando de uma encruzilhada muito difícil de ser ultrapassada e que só conseguiremos atravessá-la se formos capazes de ir além das divergências e juntos, de mãos dadas, nos ajudemos mutuamente. Caso contrário será o fim, a destruição, o extermínio.


São tempos difíceis que amar passou a ser piegas. Consumir é a palavra de ordem, quando o que nos salvará será justamente o seu oposto, o comungar, ou seja, a capacidade de se fazer um com o outro, a capacidade de saborear a presença ou preservar as individualidades na relação em comum.
É preciso resgatar sorrisos, promover encontros  de amizade semear amor e colher compaixão.
O projeto humano é  bonito demais para se perder pelos caminhos do egoísmo e da violência barata, frutos da ganância e da sede de poder.



"The Little Church" do filme Irmão sol Irmã Lua







Se você quiser que o seu sonho se realize
Faça seu tempo, ir devagar
Faça algumas coisas, mas faça-as bem
trabalho Sincero cresce abundantemente
Se você quer viver uma vida livre
Faça seu tempo, ir devagar
Faça algumas coisas, mas faça-as bem
trabalho Sincero cresce abundantemente

Dia após dia, pedra por pedra
Construa o seu segredo lentamente
Dia após dia, você vai crescer muito
Você perceberá a glória de Deus

Se você quer viver uma vida livre
Faça seu tempo, ir devagar
Se você quiser que o seu sonho se realize
Faça seu tempo, ir devagar
Se você quiser que o seu sonho de ser
Faça seu tempo, ir devagar
Se você quer viver a vida livre


10 de agosto de 2017

Salve Santa Clara de Assis a companheira de Francisco


                              Santa Clara de Assis  16/6/1194 - 11/8/1253

Segundo a tradição, o seu nome vem de uma inspiração dada à sua religiosa mãe, de que haveria de ter uma filha que iluminaria o mundo.
Pertencia a uma família e era dotada de grande beleza. Destacou-se desde cedo  aos pequenos, tanto que, ao deparar-se com a pobreza evangélica vivida por Francisco foi tomada pela irresistível tendência religiosa de segui-lo.
Clara a despeito do que muitos dizem era apaixonada por Francisco e ele por ela, é uma pena que a realidade do relacionamento deles tenha ficado sepultada pelos preconceitos puritanos que acham que a santidade está acima das característica básicas do ser humano.



Ouvi, pobrezinhas, pelo Senhor chamadas,
que de muitas partes e províncias fostes congregadas:
vivei sempre na verdade, para morrerdes na obediência.
Não olheis a vida de fora, porque a do espírito é melhor.
Eu vos rogo com grande amor,
que tenhais discrição nas esmolas que vos dá o Senhor.
As que estão por doença agravadas
e as outras que por elas estão fatigadas,
umas e outras suportai-o em paz,
pois havereis de vender bem caro essa fadiga,
porque cada uma ser rainha
no céu coroada com a Virgem
 Maria.

Este cântico foi composto por São Francisco, já à beira da morte, para as Irmãs clarissas de São Damião entre 1225 e 1226.

7 de agosto de 2017

Perplexidade



Em muitos anos de vida sinto uma estranha sensação. Percebo que a cada dia as certezas diminuem, e as dúvidas se avolumam. Sempre gostei daquela frase que diz: quando acho que tenho todas as respostas, vem a vida e me mostra uma infinidade de novas perguntas. 
É mais do que isso, a sensação é de não ter mais chão, de que o projeto humano está por um fio muito tênue, prestes a se romper...
Nâo é depressão, não é pessimismo, o termo que melhor define é perplexidade.
Quando vejo  a mentira ser utilizada para enganar as pessoas de forma sórdida, e ainda ser apelidade de pós verdades. Quando vejo que valores éticos  parece se  desfazer em meio a um mar de corrupção onde justiça se confunde com levar vantagens. Quando vejo  atiradores entrando em templos, escolas, cinemas e matando sem a menor cerimônia... Quando constato uma quantidade de réus em um processo onde as dúvidas sobre a idoneidade dos acusados não são maiores do que as que pairam sobre os acusadores e pior sobre aqueles que deveriam ser isentos para julgar...Quando leio que na instituição igreja católica eminências pardas que possibilitam lavagem de dinheiro, investimentos em armas de morte se colocam de forma covarde contra um papa que veio restaurar os ensinamentos do mestre Jesus... Quando vejo pastores distorcendo a Bíblia em busca do próprio enriquecimento, e gente de todos os tipos de manifestação religiosa e espiritual mais preocupadas com o aspecto material, eu sinto uma estranha sensação de não saber onde estou e para onde quero ir.
Só o que me resta são dúvidas, e no meio delas uma única certeza de que o que quer que eu ainda acredite, está dentro de mim, bem lá no fundo do meu coração. E é para essa "coisa" que não ouso nomear, porque tenho medo que também me seja roubada, é para essa realidade que me aquece e ainda ilumina os meus pensamentos e a minha consciência que eu rezo todos os dias...
"O reino de Deus está no meio de vós" foi o que Ele disse...

1 de agosto de 2017

Coisas do progresso



Hoje pela manhã, ao me aproximar da esquina, notei um grupo de moradores em acalorada conversa.  Alguns reconheci como vizinhos e ao parar para atravessar pude ouvir parte da conversa.  Confabulavam sobre a expulsão de alguém, falavam do barulho e do incomodo, e de que não era possível conviver com esse absurdo. Já pensando tratar-se de algum morador incômodo, desses que ao ouvirem música, não se contentam de ouvir sozinhos, e insistem que todos ouçam suas preferencias musicais compulsoriamente, ou de alguém que na calada da noite causa  intermináveis “DRs” ou discussões outras com a participação silenciosa de toda a vizinhança. Decobri que qual nada, logo verifiquei que se tratava de um canto.
Pensei: seria algum cantor lírico a ensaiar nas madrugadas, ou quem sabe os sabiás  já estariam precocemente começando a anunciar a primavera, como já aconteceu há alguns anos atrás e causou tanta revolta em gente desacostumada a ouvir os pássaros. Não, era sim uma ave, um Galo cantor!
Tenho que Confessar que já o tinha ouvido no silencio da madrugada. Não nego que senti um certo saudosismo de minha infância e adolescência quando eram comuns na vizinhança e até no quintal de meus avós os galinheiros. Mas com o progresso que a tudo corrompe e destrói com a desculpa de melhorar a vida da população, os tornou cada vez mais raros e um canto de galo em plena manhã é, pelo menos para mim um alento de que a natureza ainda não desistiu de nós, apesar do tanto que a temos maltratado.
Então era esse o motivo da revolta e do complô. Era preciso expulsar o galo! Certamente ele estava distraindo a atenção e perturbardo quem já se acostumou com os gritos de socorro na madrugada, ou com os tiros seguidos de correria, ou quem sabe, com as descargas barulhentas (será que acham barulhentas?)  
dos automóveis dos frequentadores dos bares. Talvez prefiram as rizadas e o falatório dos frequentadores dos bares animados pelo elevado estado etílico...


 
Andando pela rua em direção ao trabalho fiquei pensando em como nos afastamos da natureza e de como hoje não nos reconhecemos como parte dela. Será que alguém se dá conta de que este afastamento está na base de tantas doenças e da maior e mais frequente delas a depressão?
Não ! Galos são coisa de gente pobre, a menos que estejam maquiados e disfarçados em bandejinhas nas geladeiras de supermercados. Estes já não podem cantar nem incomodar nossas neuroses cotidianas.
Veio a minha mente a alegria, a felicidade que ainda hoje sinto quando ouço em meio a madrugada, quando em viagens pelo interior, os sons da natureza, o cantar dos galos, o piar dos pássaros noturnos...
E por falar em saudosismo lembrei do saudoso Belchior:

“Quando eu não tinha o olhar lacrimoso,

Que hoje eu trago e tenho
....................................................................
Eu era alegre como um rio, 
Um bicho, um bando de pardais
Como um galo, quando havia, 
Quando havia galos, noites e quintais
Mas veio o tempo negro e, à força, fez comigo, 
O mal que a força sempre faz
Não sou feliz, mas não sou mudo, 
Hoje eu canto muito mais”

.

Santo Afonso Maria de Ligorio



Santo Afonso Maria de Ligório 
nasceu em Marianella, no Reino de Nápoles, no dia 27 de Setembro de 1696. De rara inteligência, recebeu em 1712 o doutorado em direito civil e canônico. Não lhe faltaram temperamento e dons artísticos: poeta, músico, arquiteto, pintor.
Era o primogênito de uma família bastante numerosa, pertencente à nobreza napolitana. Recebeu uma esmerada educação em ciências humanas, línguas clássicas e modernas, pintura e música. Compôs um Dueto da Paixão, como também o cântico de Natal mais popular da Itália, Tu Scendi dalle Stelle, e numerosos outros hinos. Terminou os estudos universitários alcançando o doutorado nos direitos civil e canônico e começou a exercer a profissão de advogado. No ano 1723, depois de um longo processo de discernimento, abandonou a carreira jurídica e, não obstante a forte oposição do pai, começou os estudos eclesiásticos.
Desde jovem Afonso dedica um carinho especial aos pobres. Participa de diversas confrarias, cuja finalidade era dar assistência aos necessitados. Ajuda, por exemplo:
- Os condenados à morte: Afonso inscreve-se na numa associação de voluntários que conforta na fé os condenados à morte, acompanha-os até o local da execução e faz os funerais.
- Os doentes incuráveis: Afonso pertenceu à Confraria dos Doutores, visitava e cuidava dos doentes do hospital conhecido como hospital dos incuráveis.
- Os "lazzaroni": cerca de trinta mil, vivendo e perambulando pelas ruas e dependendo da caridade alheia. Será seu grupo preferido em Nápoles. Para eles cria chamadas “capelas vespertinas”, uma das grandes iniciativas pastorais de seu século.

 

Evangelização os pobres

Um novo grupo de evangelizadores dos abandonados? - Para quê? Nápoles já tinha tantas congregações. Afonso também fizera para si mesmo todas essas perguntas. Mas havia os que ninguém abraçava, porque eram pobres, grosseiros, que só entendiam de cabras. Os cabreiros. Gente que não dava retorno algum. Só incômodo, despesas e sacrifício. Por isso, viviam abandonados. E o grupo dos congregados do Santíssimo Redentor era para eles.
Uma característica do grupo: não morar fora e longe dos abandonados . As residências do grupo não serão em Nápoles, mas o mais próximo possível dos pobres. Assim o grupo poderá girar mais facilmente entre eles e eles poderão participar mais da vida dos missionários. Irão às suas Igrejas, reunir-se-ão em suas casas para os exercícios espirituais... Não apenas pregam missões: a comunidade, a casa, tudo é missão e missão contínua. Assim os redentoristas, como serão chamados mais tarde, continuam Jesus Redentor que armou sua tenda no meio de nós.Sinal de contradição Afonso foi sinal de contradição. Em primeiro lugar, para a Igreja da época, que deixava no abandono os pobres dos campos.
Diante de uma mentalidade rigorista, que punha a lei e o pecado em primeiro lugar, Afonso apresenta o amor e a misericórdia. Deus nos ama: eis o anúncio predileto de toda a vida de Afonso.
. Afonso convida a uma resposta de amor: diante do amor tão grande de Deus, nós somos levados a amá-lo também.
O amor misericordioso de Deus revela-se de modo especial no sacramento da Reconciliação. Esse sacramento será marcante em sua vida. É o homem da escuta aberta, amiga, amorosa. O homem da reconciliação.
Ele dizia que o confessor deve ser "rico de amor e suave como o mel".
Foi ordenado presbítero a 21 de dezembro de 1726, aos 30 anos. Viveu seus primeiros anos de presbiterado com os sem-teto e os jovens marginalizados de Nápoles. Fundou as "Capelas da Tarde", que eram centros dirigidos pelos próprios jovens para a oração, proclamação da Palavra de Deus, atividades sociais, educação e vida comunitária. Na época da sua morte, havia 72 dessas capelas com mais de 10 mil participantes ativos.
No dia 9 de novembro de 1732, Afonso fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, popularmente conhecida como Redentorista, para seguir o exemplo de Jesus Cristo anunciando a Boa Nova aos pobres e aos mais abandonados. Daí em diante, dedicou-se inteiramente a esta nova missão. Afonso escreveu diversas obras importantes para a Igreja sobre espiritualidade e teologia 111 obras, que tiveram 21.500 edições e foram traduzidas em 72 línguas. Mas, sua maior contribuição para a Igreja foi na área da reflexão teológica moral, com a sua Teologia Moral. Esta obra nasceu da experiência pastoral de Afonso, da sua habilidade em responder às questões práticas apresentadas pelos fiéis e do seu contato com os problemas do dia-a-dia. Combateu o estéril legalismo que estava sufocando a teologia e rejeitou o rigorismo estrito do seu tempo, produto da elite poderosa.
Em 1762, aos 66 anos foi ordenado bispo de Santa Ágata dos Godos.
No dia 1º de agosto de 1787, morreu entre os seus no Convento de Pagani.
Foi canonizado em 1831 pelo Papa Gregório XVI e declarado Doutor da Igreja (1871) e Padroeiro dos Moralistas e Confessores (1950).

28 de julho de 2017

Palavras da Fonte

Jean Yves leloup 

Sobre a frase “tudo o que não é assumido não é salvo”, frequentemente me perguntam se Jesus assumiu a paternidade, se assumiu o envelhecimento. Respondo que Ele assumiu todas as faces do ser humano. A face do homem transfigurado no Monte Thabor e também a face do homem desfigurado na cruz.
Mas será que Ele assumiu a face da paternidade? O que os evangelhos nos contam é que Ele era muito paternal e  muito maternal para com as crianças. Usava frequentemente a imagem da criança que mama em sua mãe, que para Ele era uma imagem de não-dualidade, onde dois fazem um. Os discípulos talvez pensem que é preciso que regridamos, que é preciso que nos tornemos criancinhas, que é preciso que retornemos à unidade indiferenciada, à unidade fusional da criança com sua mãe. Jesus precisa bem que não se trata disso. Não se trata de regredir, de voltar à infância tornando-se criancinhas, vivendo como criancinhas como fazem estes adultos que imitam as crianças e que não são crianças, são infantis. Trata-se de reencontrar a qualidade da inocência e, sobretudo, da confiança na vida, confiança nos viventes que compartilham nossa vida. Mas esta confiança precisa ser reconquistada e, então, é preciso fazer de dois, um.
Não se deve retornar ao um, mas sim assumir o dois, assumir a dualidade que acabamos de falar, indo além do dois, além do Tu e do Eu. É preciso descobrir o terceiro incluído que nos une, o terceiro incluído secretamente, para falar como os físicos. Trata-se de fazer do dois, um; isso começa com a unidade entre o exterior e o interior. O que está no interior do cântaro está também no exterior, é o mesmo espaço. Descobrir isso é um ato de consciência.
Devemos também fazer um do alto e do baixo; mas onde começa o alto e onde termina o baixo? Para uns o alto começa na cabeça, para outros no tornozelo. Como diz Lao-Tsé, o alto e o baixo se tocam, então não é preciso colocar em oposição o céu e a terra. O céu não está somente acima das nossas cabeças, ele é também o espaço que nos envolve. A terra está no céu, o céu está na terra.
Como diz ainda Lao-Tsé: “O céu está voltado para a terra e a terra está voltada para o céu”. Os dois são inseparáveis mas algumas vezes opomos o céu e a terra dentro de nós. Então é preciso reencontrar a aliança entre a matéria e o espírito, entre o céu e a terra. Outra aliança que deve viver em nós é a aliança entre o masculino e o feminino. Este texto que tem quase 20 séculos é estranhamente atual, pois cada vez mais, em conferencias e seminários, fala-se da integração entre o feminino e o masculino, entre a anima e o animus.
Para podermos encontrar o outro, um outro inteiro, é preciso que já tenhamos realizado em nós mesmos a unidade entre o masculino e o feminino. Não se trata de procurar a outra metade, mas trata-se de procurar o outro, inteiro. Há muitos encontros de metades, mas há poucos encontros de seres inteiros. Procurar sua outra metade é sempre se procurar a si mesmo, é procurar a metade que nos falta, a metade masculina ou a metade feminina. Ocorre que, quando tivermos vivido algum tempo com esta metade que veio de fora e graças a esta metade exterior integramos a nossa metade interior, poderemos nos perguntar o que faremos com essa que nos ajudou em nossa integração. Isso pode se transformar em um drama. Em um drama ou no momento em que verdadeiramente escolhemos. Porque eu não escolho mais para preencher a minha falta. Eu escolho por ele mesmo, pela sua diferença. O que era um casal transforma-se em uma aliança de dois seres inteiros onde existe algo divino. O encontro entre a Sofia e o Logos, entre Yeshoua de Nazaré e Miriam de Magdala é o encontro entre dois seres inteiros...
Podemos dizer a alguém: “Não tenho mais necessidade de você, posso viver muito bem sem você, estou muito bem sozinho (é uma bela declaração de amor), mas escolhi viver com você.” Não falamos mais na ordem da necessidade, mas estamos na ordem do desejo. Não falamos da falta, mas da liberdade compartilhada. Nessa aliança existe algo de sagrado.
Jesus nos lembra no evangelho que somos capazes de amar um outro não somente a partir da nossa sede mas a partir da nossa fonte. Neste momento importante de nossa vida paramos de pedir ao outro, de exigir, que ele preencha nossa sede, que ele preencha a nossa falta e podemos realmente amá-lo. Agora, o masculino não é apenas um macho, o feminino não é apenas uma fêmea. As relações entre homem e mulher n ao são mais as relações entre macho e fêmea com todos os jogos mais ou menos sadomasoquistas de sedução e de dominação. Agora, estamos na relação entre duas pessoas.

Editora Vozes, 2000